— Achei que você não viria. — Me afastei dele para observa-lo. — Você lavou esse cabelo?

— Idiota. — Me empurrou depois olhou os papeis que tinha em cima da mesa. — Nossa, que confusão. Esta planejando uma festa para cem mil pessoas?

— Haha. Que saudade do seu senso de humor.

— Pelo menos eu tenho um, baixinha. — Bagunçou meus cabelos.

— Sai. — Resmunguei dando um tapa na sua mão.

— 5 minutos que estão juntos e já estão se estapiando? — Mamãe estava parada na porta nos encarando.

— Isso é saudade. — Nate falou sorrindo. — Gostou da surpresa nanica?

— Mamãe sabia?

— Ela me ligou para dizer da briga que teve. Uma pena que perdi essa.

— Não adiantou de nada. Isaac esta magoado com tudo.

— Vocês terminaram? — Mamãe perguntou.

— Não sei. Somente paramos de nos falar. — Cocei a sobrancelha.

— Eu gostava dele. — Revirei os olhos.

— Não vou discutir com você. Nate, vamos. — Ele me seguiu ate o meu quarto onde fechei a porta.

Subimos para o sótão e nos jogamos no sofá.

— Trouxe uma coisa para você. — Tirou do bolso da jaqueta um barra de chocolate meio amargo para mim e uma barra de chocolate branco para ele. — Só você mesmo para comer essa coisa amarga.

— Só você mesmo para comer a gordura do chocolate. — Ele revirou os olhos.

— Não é a gordura do chocolate. E não estraga meu chocolate com essas suas bobagens. — Foi a minha vez de revirar os olhos. — Então me conta. Como é esse tal de Isaac.

— Cabelos castanho claro, olhos azuis, joga no time da escola. É alto. Atlético.

— Esta apaixonada. Finalmente!

— Como você sabe?

— Nat, eu te conheço desde que você nasceu, você enfrentou o papai por ele, saiu de casa. E quando fala dele seus olhos brilham.

— Achei que isso fosse coisa de filme.

— Não é. Tem que ver a sua cara. Uma boba apaixonada. — Empurrei seu ombro e ele sorriu. — Por favor, quando passar toda essa paixão para o caderno me passa, estou precisando de umas letras novas. — Apontei para o caderno de composições e ele o pegou, mas caiu alguns desenhos que eu tinha deixado espalhados. — O que é isso? Tem tido sonhos malucos de novo?

— Faz alguns meses. Sonhei com o Isaac antes dele se mudar. E agora tenho sonhado com isso.

— O que eles olhos vermelhos significam? Que bizarro.

— Não sei. Deve ser só um pesadelo. — Desejei que isso fosse verdade.

Ele deixou os desenhos de lado e abriu o caderno de composição.

— Posso fazer disso uma musica.

— São todas suas.

— Quando minha banda ganhar o premio de melhor banda do festival que estamos participando, vou dizer que devo o sucesso a minha compositora e irmã, Natalie. Você vai ver.

— Você deve o sucesso a você mesmo. Tem talento.

— Somos uma dupla perfeita.

— Somos. — Concordei sorrindo.

— Quando vai ir atras dele?

— Amanhã na escola vou falar com ele. Mas se ele não quiser ai o problema é dele.

— Você sabe que nossos pais são complicados. Mamãe me contou o que rolou e eu achei ridículo o que o nosso pai fez. No lugar dele tambem daria no pé.

— Obrigada pela grande ajuda, Nate.

— Só tenta falar com ele. — Assenti e ficamos em silencio.

— Por que você deu o fora na Mel?

— Eu tinha planos. Queria vive-los bem longe daqui e não poderia leva-la junto. Um namoro a distancia só ia acabar com nós dois.

— E ai achou melhor simplesmente dar um pé na bunda dela? — Pressionou os lábios. — Quer um concelho?

— Não. Concelho só é bom para quem da, não para quem recebe. — Revirei os olhos. — Ok. Pode dizer.

— Você pode achar que isso foi o certo, mas quando você encontra-la na festa vai ver que fez o errado. Vocês ainda se amam isso é obvio.

— Entendo esse papo de dar valor quando perde, mas...

— Não é isso. Isso será daqui 10 anos. Quando vocês se reencontrarem de novo.

— Esta prevendo o futuro?

— Bem que eu gostaria. Nate, vale a pena abrir mão de quem se ama para viver seus sonhos?

— A vida é assim, Nat. Ou você arrisca, ou não. Ou você vive, ou não. Não temos os mesmos sonhos, por isso é melhor nos mantermos afastados.

— Duvido que continue dizendo isso quando a vir na festa usando o vestido que comprou. Você vai babar meu irmão. Mas se eu contar que você esta aqui, ela não vai vir.

— Não conte. Vai ser uma surpresa.

— Agora entendi a frase que diz que "Ex é igual zumbi, sempre volta querendo te comer". Se magoa-la de novo Nathan, juro que vou brigar com você.

— Lembre-se que foi ela que me deixou com um olho roxo quando terminei.

— Não quer dizer que ela não tenha sofrido, foi eu que a consolei. E você mereceu o soco.

— Sim, agora vou descer. Quero comer alguma coisa.

— Vai ficar aqui?

— No meu quarto. — Parou perto do alçapão e me encarou.

— E o papai já sabe disso? — Sorriu.

— Sim, se ele me colocar para a rua vai dormir na casinha do Pernalonga. Mamãe já avisou.

Fiquei sozinha refletindo tudo que conversamos. E me decidi por procurar Isaac na escola.

Só tinha um pequeno problema eu odiava mentir para a minha melhor amiga. Mas era melhor omitir a verdade de que Nate estava aqui. Queria ver como seria esse reencontro dos dois.

O jantar foi mais tranquilo do que imaginei. Papai tratou Nate muito bem o que nos deixou surpresos, mas meu irmão não baixou a guarda é claro. Era osso duro de roer.

Quando o despertador tocou saltei da cama. Estava agitada. Tomei um banho rápido e vesti uma calça jeans preta, camisa jeans e calcei meu tênis all star. Prendi meus cabelos em um coque despojado e peguei as minhas coisas. Tinha muito conteúdo para por em dia.

Quando cheguei a escola Mel foi a primeira que vi. Ela correu para me abraçar. Desde que éramos crianças nunca passamos mais do que um dia sem se ver.

— Achei que não viria hoje.

— Tenho um assunto para resolver.

— Ah sim. E lá esta o seu assunto. — Ela apontou para o fim do corredor.

Virei encontrando Isaac mexendo no seu armário. Respirei fundo seguindo ate ele que notou minha presença.

— Olha aqui não vou enfrentar todo mundo para depois você virar as costas para mim. Não depois de tudo que passamos. — Empurrei ele contra aquele armário.

— Eu precisava organizar meus pensamentos.

— Não parecia ter duvidas quando tirei a minha roupa.

— Tenho duvidas sobre tudo, menos sobre você. — Respondeu.

— Não é o que parece. Afinal já faz 3 semanas que você não me procura. — Empurrei seu corpo contra os armários de novo. — Tive coragem para enfrentar tudo o que aconteceu. Agora é com você. Por que não nasci para ficar com homem covarde. Não nasci para viver de metades. Ou é tudo ou é nada.

Virei as costas e segui para a aula, Mel me acompanhou com um sorriso enorme.

— Quem é você e o que fizeram com a Natalie? — Debochou me fazendo revirar os olhos.

Agora era uma decisão que ele teria que tomar. Ele que lute.

Foi um tormento não contar a Mel que Nate estava na cidade, mas consegui.

— Então nos vemos no salão?

Tínhamos marcado de nos arrumar no mesmo lugar.

— Sim, marquei horário das 15 horas. — Respondi. — Tudo bem?

— Perfeito. Ainda não decidi qual penteado usar.

— Eu optei por ele natural mesmo.

— Amanhã eu me decido. Tenho que ir.

Acenei antes de entrar no carro que o motorista estava esperando e segui para casa. Afinal ainda tinha algumas coisas para resolver sobre a decoração.