Miley
8 Cap. 8: Nyx traiçoeira
Notas iniciais
Ela pediu que eu lhe entregasse Ricardo. Falou que eu podia fazer o que quisesse depois que ia dar na mesma.
Hesitante, entreguei, afinal de contas… eu não poderia impedi-la. Ela falou que o entregaria a uma família confiável. E que eu conhecia bem. Mas não me falou qual era. E graças a minha escolha a família ia ser a que menos sofreria. Pedi se eu ficasse com ela minha vida normalizaria. Ela alegou que não. Muito pelo contrario.
Depois que ela se foi chorei. Pelo Tae, pelo Rick, por mim, pela velha Tereza… que morreu a tanto tempo e eu não tive coragem de dizer para seus netos – Eles não sabiam – Talvez futuramente eu possa evitar isso… mas acho que não estaria mais viva. Deveria achar Tae… seria a escolha mais sensata. Mas resolvi ficar… como ela disse… ia dar na mesma.
Após algum tempo comecei a adoecer. Não sei se era depressão, gripe ou até algo pior. Eu vivia como um zumbi. Sozinha, triste e sem nada pra fazer.
Não contei os dias… foi simplesmente passando. Mas Tae finalmente chegou em casa com July.
Ela estava horrível. Ele me falou que a achou enterrada viva. Por incrível que pareça eu me normalizei após ele voltar. Mas ele ficou em estado de choque ao saber que a deusa levara o nosso filho. Acabemos tendo uma briga feia. July ficou assustada. Ela gritava que éramos mais infantis que Rick. Como todo adolescente estressado, ela se trancou no quarto e mandou a deixarmos em paz… também, com aquela aparência…
Mas Tae acabou percebendo que havia algo errado comigo. Contei lhe que achava que era uma doença e no pranto disse que Tereza havia morrido. Ele disse que não se importava…
− As pessoas choram quando um ente querido morreu por elas… não pelo morto. Morreu, não está sofrendo. Passou dessa pra melhor… sei lá. Elas choram porque vão ter que viver sem alguém que amavam… choram por ser egoístas. Eu já perdi a vovó quando vim para cá. Acreditava que nunca mais ia vê-la. Meu momento de sofrimento já passou. Claro que sinto pela minha mãe… mas ela vai superar.
Peguei suas mãos e beijei-as… estava na cama… no meu leito de morte. Tae estava ajoelhado no chão ao meu lado… no nosso quartinho amarelo.
− Tae Yang… Eu vou morrer… você sabe disso.
Agora ele começou a chorar. Apertou ainda mais nossas mãos.
− Não Miley… você não vai… Depois de tudo que nós aguentamos no futuro. Lembra? Nós sentíamos aquela química… uma coisa que achei que não existisse. Fiquemos enrolando um ano aqui… Até decidimos parar de segurar emoções e sentimentos. Não pode morrer agora meu bem… por mim… por favor. È muito egoísta da sua parte.
− Da sua também. – Rimos baixinho. – Eu tentei fazer a magia de cura… mas falta uma erva. Acabou e… não tem aqui no sul.
− Eu busco. Mas não queria abandona-la. Vem comigo. Viajaremos juntos… eu, você e a Ana…
Após ele terminar de falar começa um vento forte. A janela se escancara e Nyx aparece a nossa frente.
Ela começa a rir. Brinca um pouco com a mobília… mas depois olha para nós seria.
− Tenho uma proposta. Eu curo você Miley… mas você terá que vir comigo quando eu solicitar.
− Então pra que eu queria me curar se tenho que ir com você? – Respondo seca.
Ela nos olha com um olhar divertido.
− Posso fazer Tae um homem inteligente, oh! Não, não… não estou te ofendendo… Falo que será capaz de criar coisas impossíveis.
− A que preço? – Pergunta ele friamente.
− Nenhum. Na verdade eu faria da sua filha a Rapunzel, mas ela poderá quebrar a maldição. Quero que você venha salvar a Miley… vai ser tão divertido.
− Estou fora… − Digo e Tae concorda.
− Você vai mudar de ideia quando eu te contar.
− Contar o que? – Pergunta Tae.
A deusa abre um enorme sorriso.
− Você quis salvar apenas o Rick… mas nada impede de ocorrer algum mal com você Miley, ou com seu marido, com a Ana… ou com a Nique.
Ela ri descaradamente.
Eu começo a ficar com raiva. Porque ela tem que ser tão… tão… má?
− Achava que deuses eram bons. – digo pra ela.
Ela me olha e sorri, ainda mais que antes.
− Meu bem… Você não deve saber muito sobre historia.
Ela senta na cama, sorri para si mesma e começa a avaliar suas unhas perfeitas.
− É um abito de mulher… − ela fala como se respondesse a pergunta em minha cabeça. – Eu sei que você faz isso também… quero que volte a ser vaidosa… ai eu facilito as coisas para sua filha.
− Vai tirar a maldição sobre ela? – Pergunto ansiosa.
− Eu não joguei maldição nenhuma ainda… − Ela levanta o olhar e vê nossas caras… − Ah! Que tolice a minha, vocês acham que é com a Ana Julia? Não meu bem… Ana Julia, a minha netinha querida, não é sua filha… Eu estava falando do bebê que você espera ai dentro… É! você está gravida! – Ela ri. – Agora… quer ser curada ou não?
Olho para Tae, uma lagrima desse do meu olho. Ele senta ao meu lado e me abraça.
O que foi que eu fiz!
Fale com o autor