Miley
9 Cap. 9: Destinados cap. final
Notas iniciais
Thiago
Catarina se meche inquieta ao meu lado. Não sei por que fomos escolhidos para essa tarefa.
− Simples… vocês cuidam da criança e ficam a salvo.
− Ele é mesmo filho da Miley? – Pergunto para a deusa.
Ela bagunça os cabelos pretos e fartos do moleque.
− Claro que é! Não vê a semelhança? Então, vão cuidar dele ou não? Eu sei que vocês têm mais filhos… mas se não cuidarem… podem todos morrer.
Catarina me olha zangada. Está na cara que ela não gostou nada da ideia.
− Até quando? Quanto tempo precisamos ficar com esse menino? Tem mais alguma exigência?
Nyx se levanta e caminha pela sala, admirando os móveis.
− Sim… já que tocou no assunto. Não quero o menino de volta. E vocês precisam trocar seus nomes. Tem muita coisa em jogo. E pelo fato de vocês aceitarem… estão fora do jogo. Vocês e o moleque.
− Então teremos uma vida comum? – pergunto ansioso – O preço é só cuidar do moleque?
− E não se meter no jogo. Se ajudarem um jogador… estarão comprometendo toda a família.
− E se ele quiser saber sobre os pais? – Pergunta Catarine.
− Então… o nome da mãe dele era Mariana Kunner… Deem esse sobrenome para o menino. E o pai vai ser você Thiago. Ele não se lembrara de muita coisa não. E garanto que sua família verdadeira não irá aparecer aqui.
− Eles estão mortos? – Pergunto assustado.
− Como eu disse… não se meta no jogo.
Nique
Ouço batidas na porta… Caíque estava sentado no carpete brincando. Evandro não chagara em casa ainda. Largo, a faca e a cebola e vou atender.
Inicialmente fiquei surpresa. Nyx estava na minha frente. Igualzinha do dia em que nos tirou de nosso tempo. Deixei-a entrar. Mas quando vi o pote em suas mãos fiquei medo.
Ela se sentou no sofá simples da sala. Pôs o vidro sobre a mesa de centro.
− Já vou avisando que depois que casei, parei com a bruxaria! Nem mais armas ou ervas tenho em casa. E eu não utilizava…
− Poupe-me desse blá blá blá… Eu estou aqui por causa de seu irmão e de sua cunhada. Nique… você está tão acabada… deveria pintar mais esses seus cabelos… Que tau ruivo?
− Qual sua obsessão por tinta? Ahn? O que você quer?
− Primeiramente… quero que mude seu nome e sobrenome. Você será Mariana Kunner de agora em diante. E… Você terá uma linda filhinha. – Ela olha pra mim e sorri maldosamente.
− Está dizendo que… − Aponto para o pote… mas não consigo terminar. Ela, com um gesto cala minha boca e me arrasta para o porão. Chegando lá ela me atira em cima de uma mesa.
Reparo que meus cabelos ficaram vermelho. Não consegui me mexer. Ela faz surgir vários acessórios de hospital, como bisturi, tesoura, etc.
Ela puxa minha blusa pra cima. Sinto uma dor alucinante quando ela corta minha barriga sem se quer anestesia. Ela abre o pote e ponha o feto minúsculo de uma criança em minha barriga. Começo a gritar. Mas minhas palavras não saem. Ela termina costurando a minha barriga. Passa a mão por cima e a pele volta normalmente. Mas o bebê ainda está lá.
Ela puxa meu corpo mórbido para perto e fala rispidamente:
− Você cuidará da filha deles. Ela irá nascer de você. Levara o sobrenome de Kunner. Está me entendendo? Caso você se rebele… − Ela balança a mão na minha frente. Sinto um cheiro doce e enjoativo. Minha cabeça começa a brisar… Vejo meu nome sumindo… como algo que não fizesse sentido.
Ela me arrasta de volta ao apartamento, sem deixar nenhum vestígio no porão sombrio do prédio velho.
Quando chegamos, ela me atira na porta da casa. E vai embora.
Evandro abre a porta e me leva para dentro. Quando pergunta o que aconteceu um branco me veem a cabeça. Não lembro nada. E pergunto pra ele porque estava me chamando daquele nome esquisito… Dominique...
Ele olha espantado pra mim.
− você bateu a cabeça, foi?
− Não… mas sinto algo estranho na barriga. Como se estivesse gravida.
Ele se levanta de supetão. Nunca tinha sido muito carinhoso… mas nunca o temi. Até agora.
Ele me olha com uma expressão incrédula e zangada. Aí lembro que ele havia ficado estéreo a um ano.
− Sua vadia.
Não entendo… era como se ele tivesse ficado explosivo e mau de uma hora pra outra. Ele me levanta do sofá me machucando. Me arrasta para o quarto. Não consigo reagir. Estou ainda meio grogue. Ele me atira no chão e me bate. Sinto cada cintada como se fossem facas nas minhas costas. Tento gritar por socorro… mas minha voz não sai…
Nosso filho chega à porta e começa a berrar.
Evandro bate nele também, mesmo tendo só 3 anos.
Jonathan
Estava com Wanda na varanda, estávamos felizes. Nosso filho adotivo desenhava sentado ao chão. Wanda estava com Lipe, apenas com dois meses no colo. Era nosso único filho verdadeiro. Conversávamos sobre adotar mais uma criança… quando a deusa apareceu.
Ela pediu para Wanda entrar com as crianças. Nunca tinha contado da deusa para ela, por isso ela exigiu ficar e descobrir e entender essa história. Após dar para Wanda um resumo do que havia acontecido, a deusa ponha as asinhas de fora.
− Vim lhe fazer uma visita… sabe… como o jogo vai começar… vou lhe dar uma visãozinha do que os perdedores terão.
− Explique isso melhor – disse Wanda – Quem está no jogo?
− Seu marido e todos seus herdeiros de sangue… oh! Não se preocupe querida. Você não está envolvida… só esse seu bebê de colo. – Ela se vira para mim novamente – E você Jonathan, vai acabar cumprindo a maldição. Primeiramente, quero que Wanda de uma história para o menino, após o pai sumir. – Wanda estava prestes a protestar quando a deusa a cala com um gesto.
− Como assim? Você vai me tirar da minha família? Só porque não gostou do meu estilo anos atrás? E o que você fez com ela? – aponto desesperado para Wanda – Ela não está envolvida, se você…
− Ela irá ficar bem… Só quero que ela não se intrometa enquanto conversamos. – Ela faz um gesto com a mão, dispensando as minhas palavras. – Você se lembra da maldição?
− Sim… − Respondo com raiva.
− Ótimo. Você vai me agradecer no fim…
Ela toca o dedo indicador na minha testa, e no mesmo instante o mundo a minha volta muda…
Vejo um chão vermelho se estendendo ao meu redor, estou de pé descalço e desnudo. Sinto a gosma sob meus pés. Sangue. Olho ao redor e percebo que isso não é nem o começo.
Há varias pessoas ali. Todas sofrendo.
Vejo uma menininha deitada numa mesa, um homem, com um alicate, arranca um a um seus dedos, e eles vão se regenerando e ele os corta novamente. Ela grita de dor. Incapacitada.
Na minha frente há uma mulher torturando um bebê. Ela enfia varias agulhas em seus olhos. Ele berra desesperado, mas ela não para.
No meu outro lado tem um garoto, deve ter uns 10 anos. Ele enrola um pano úmido ao redor de um velho. Fico observando. Será que ele está fazendo um curativo? Ele o deixa que nem uma múmia. Após acabar de enrola-lo, ele pega um isqueiro e acende o velho. Ele pega fogo e grita, em pânico.
Tento olhar para ver o que há atrás de mim, mas não consigo me mexer. Já havia percebido isso quando tentei sair para ajudar os anteriores.
E não é só isso. Todas as pessoas aqui estão nuas. E as idades variam. As torturas se estendem. Essas pessoas que mencionei não estavam 2 metros longes umas da outras. Não havia espaço vazio. Lado a lado havia pessoas se torturando. O céu vermelho estava minado de nuvens de insetos. Percebo que há um padrão quando eles descem e atacam as pessoas. Deve ser a cada 10 minutos, ou menos, é difícil dizer.
Ao longe vejo vários pilares quadrados e autos. Em cima deles há seres humanos, mas esses não parecem os daqui. Estão vestidos e seguram um chicote. Acho que são monitores ou algo assim.
Como é plano, não enxergo muito o que tem a minha volta. Mas após um tempo vejo as pessoas trocarem de lugares. E de formas também. O Bebê cresce uns 3 anos de idade. E a mulher também… como se a cada tortura aumentasse anos na aparência. Torturador agora é torturado.
Percebo afinal onde estou…
No inferno.
De repente volto à tona, abro os olhos e estou na varanda, com Nyx e minha esposa.
− Então… − Continua Nyx… − Se você não jogar o jogo… vai acabar ali.
− O que eu tenho que fazer?
− Não morrer. E só haverá um único vencedor.
Sheila
A barriga pesava… comecei a passar mal após ouvir o que Nyx veio nos dizer.
Ela nos explicou que o jogo havia começado… e o objetivo seria sobreviver.
Só haveria um único vencedor. O que me fez pensar que teríamos que nos matar. Até ai tudo bem… o pior foi quando ela disse que minha filha estaria envolvida nisso.
Ela falou que ia dar uma demonstração do que aconteceria conosco se perdêssemos – que seria igual ao “se morrêssemos”. Ela disse que por causa da minha gravidez seria melhor não ir.
Esperei na casa de meu pai… Bem, não é meu pai de verdade… mas ele me adotou quando me achou machucada na rua.
Eu tinha um relacionamento bom com Jonathan, mas ele achou que eu estava morta. Fomos atropelados por um caminhão. Eu estava à beira da morte. Não teria chance. Jonathan foi em busca de ajuda para si quando viu que não tinha volta pra mim. Mas após ele sair, Nyx apareceu, ela me deu um remédio de cura. Entregou-me a receita também. Ela não estipulou nenhum preço. Afonso me achou e cuidou de mim. Não consegui mais achar Jonathan. Um tempo depois comecei a sair com Leandro e acabamos ficando… mas não havia aquela paixão ardente que eu sentia por Jonathan.
Meu pai pegou em minha mão e começou a me consolar.
− Vai ficar tudo bem…
− Mas pai… se só há um vencedor… como poderei salvar minha família?
− Salve seu bebê… Aposto que Leandro concordará.
Aceno com a cabeça. Leandro tem que concordar em se sacrificar pelo nosso filho.
Leandro
O inferno é um lugar horrível.
Um metro a minha frente corria um rio de agua fervente, as pessoas afogavam escaldando umas as outras. Acima de mim havia vários ganhos com pessoas penduradas, corvos beliscavam seus olhos e pele.
Havia quilômetros e quilômetros de pessoas se torturando.
De todas as idades. Estavam, todas nuas.
Após um tempo em que estive tentando salvar as pessoas ou acordar. Veio uma chuva de cacos de vidro. Eles me atingiram em cheio.
Acordei com a dor.
Nyx olhava pra mim com um ar de diversão.
− Quer passar por isso?
− Não. – Respondo rapidamente.
− Só um pode vencer. Mataria sua mulher e seu filho para sobreviver?
Um sim estava prestes a sair da minha boca. Mas paro. Não. Não quero que eles sofram.
Não respondo. Ela ri alto.
− Aconselho você a protegê-los, então…
Faço que sim com a cabeça.
O jogo começou.
E eu vou vencer.
Com a minha família.
Pela minha família.
Vou ter que matar.
...
− Mãe… isso é necessário? Ficar presa nessa torre? Eu quero voltar a viver uma vida comum.
Melanie pega nas mãos de sua filha.
− Um dia chegara alguém que quebrará essa maldição.
Ana Julia senta ao sopé da cama. Suspira de tédio e encara a mãe.
− Com essa minha aparência? Mãe eu pareço a noiva cadáver… E presa nessa torre a Rapunzel. Você é uma deusa não é? Tira-me daqui. Nêmeses a poderosa deusa da vingança não é capaz de achar um pretendente para a sua bela filha morta. – Diz July Irônica.
− Eu não quero ser a deusa da vingança. Que minha mãe arrume outra pessoa para isso. Eu escolho o que quero ser. E você vai ficar aqui. Até eu achar esse pretendente.
Ana olha para a mãe e bufa. Depois senta ereta com ar de diversão.
− Então… o que você quer ser mãe?
Melanie sobe no patente da janela e chama seu dragão. Ela acaricia sua cabeça, ergue o outro braço e fala com uma voz toda cheia de cobiça.
− Melanie! A deusa dos dragões.
Ana Julia começa a rir descaradamente.
− Você não tem cara de deusa… nem da vingança e muito menos de dragões.
Melanie murcha. Olha para a filha mordendo o lábio.
− Então tenho cara de quê?
− Fadinha… − Ana Julia ri tanto que se atira para trás na cama.
− fada… − Melanie abre um sorriso. – Tá ai. Gostei. Vou ser uma fada.
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