Miley

7 Cap. 7: Carraca! Que doido.


Notas iniciais
"− Ora… ora… ora… Quantos rostinhos bonitos. – Ela passou a mão por sobre o pano. – Não sou muito de ficar enrolando. Nada de blá, blá, blá… Acho que vocês querem saber o que estão fazendo aqui. Vou tentar explicar… estou entediada… muito entediada. Esse lance de dia treze numa sexta-feira de lua cheia não tem nada a ver… faz parte do meu joguinho."

Acabei caindo numa sala toda branca, redonda. No centro dela havia uma mesa redonda com algo em cima coberto cum uma enorme toalha azul. Estive contando e, há 24 pessoas, comigo, aqui.

Por incrível que pareça já vi, ou conheço, todos. Dominique estava ao meu lado esquerdo, e na sequencia se seguia:

Ana Julia, chorando sentada, Tae consolava-a logo ao lado. Aparentemente não podíamos sair do lugar.

A garota loira do cinema. Estava calma por fora. Vestia as mesmas roupas.

Seu namorado estava logo em seguida. Olhava pra ela com afeto. Também estava com as mesmas roupas.

Uma garota, parecida com a menina do cinema, estava logo ao lado do rapaz. Ela tinha quase o mesmo cabelo, só um pouco menos dourado. E seus olhos eram azuis. Mas as feições eram quase idênticas. Deviam ser irmãs, me ocorreu que já conhecia essa garota. Deve estar na mesma classe de alguma matéria que eu.

Ao seu lado, uma mulher de mais ou menos uns vinte anos. Estava com roupas justas pretas, seu cabelo preto comprido pendia de um rabo de cavalo frouxo. Eu já havia visto ela numa boate. Ela fazia parte do grupinho em que eu estava. Não me lembrava de seu nome.

Logo após, uma sequencia de pessoas que eu havia esbarado, sentado ao lado num ônibus, vizinhos e colegas. Mas a pessoa ao meu lado eu conhecia, muito bem.

Thiago, meu ex e irmão.

Ele me olhava de um jeito estranho. Achei que tivesse perdido a memoria. Olho para Nique e ela dá de ombros. Voltando o olhar ao seu lado vejo sua atual namorada, ou ficante, sei lá.

Ele continua me encarando. Como se me conhecesse… Mas não pronuncia uma palavra. Ninguém, na verdade está fazendo barulho, a não ser Tae e sua filha.

Após um tempo, acontece algo. Uma porta se abre atrás de um garoto com cara de metido, que estuda espanhol comigo, não só tem a cara como é. De lá sai uma mulher, cabelos roxos, alta, esbelta e com um vestido comprido de veludo negro; estava toda maquiada e tinha a cara da malévola. Ao seu encalço vinha uma garota ruiva de cabelo encachiado de olhos azuis. Ela era linda. Tinha um corpo bonito e cara sapeca. Percebi que agora estava silencioso de mais. Olhei pra Tae e vi-o enrijecido, sua filha estava com os olhos brilhando e esticando as mãos. Ai que me toquei. A ruiva era mãe de July.

A garota não ligou, fingiu não os conhecer. A mulher sinistra parou quando chegou à mesa.

− Ora… ora… ora… Quantos rostinhos bonitos. – Ela passou a mão por sobre o pano. – Não sou muito de ficar enrolando. Nada de blá, blá, blá… Acho que vocês querem saber o que estão fazendo aqui. Vou tentar explicar… estou entediada… muito entediada. Esse lance de dia treze numa sexta-feira de lua cheia não tem nada a ver… faz parte do meu joguinho.

− Joguinho? – Perguntou Nique incrédula. Mas logo se arrependeu.

A mulher má se aproximou dela com uma cara nada agradável.

− Está me contestando? – pediu ela com raiva.

Nique recuou negando com a cabeça pedindo desculpas.

− Se você viu que sou capaz de fazer isso por nada… o que acha que eu faria com uma pessoa irritante?

− Desculpe deusa… eu só estou abalada.

Pelo visto o fato de ela a ter chamado de deusa ajudou. A “deusa” sorriu com o novo nome.

− Pra quem não sabe… sou Nyx. – ela sorria maliciosamente. Essa é minha filha subordinada Melanie… como ela gosta de se chamar… ridículo. Seu nome original é muito mais bonito…

− Deixe que eu cuide da minha vida mamãe.

Ela fez um aceno com a cabeça.

− Com licença deusa… − Começou Thiago – Qual o verdadeiro nome de sua filha? Só acho que deveríamos saber com quem estamos… ahn…

Nyx fez um aceno com a mão, dispensando o final da frase.

− Nêmeses. Uma garota irritante.

− Nêmeses? A deusa da vingança? Como uma deusa antiga assim pode ter só essa idade? – Escapa da minha boca. Sério. Não consegui conter.

Nyx ri alto, satisfeita.

− Minha filha… quando nos misturamos no mundo dos mortais podemos adquirir qualquer aparência ou idade… Mas eu concordo com você. Melanie é muito infantil. – Ela vira a cara e me avalia. – Até que eu gostei de você! – ela meche a mão e sinto um calafrio. – Venha até aqui. – Me aproximo. – Você tem ótimo gosto, azul é uma cor tão… tão noite. Vou deixar que seja a primeira. Vocês terão que me agradar, caso goste de vocês eu facilitarei. Caso contrario… eu rogo uma praga. – ela sorri toda feliz.

Ela me faz dar uma voltinha. E dá gritinhos contentes.

− Tive uma ideia perfeita! Seus filhos terão ótimo bom gosto também… cabelo pintado é fantástico! E também você não poderá morrer. Se a coisa ficar feia eu te dou uma forcinha. – Ela me dá uma piscadela e me entrega uma pulseira de caveiras prateada que tirou de baixo do pano. – Pode voltar pro seu lugar meu bem.

Sorrio pra ela e volto ao meu canto, como uma boa garota.

− hmmm… vejamos – Nyx começa a avaliar geral. – Você! – Ela aponta para o garoto do cinema. – Venha cá.

Ele se aproxima de cara fechada. Se posiciona em frente dela.

− Qual sua cor favorita? – Pergunta a deusa.

− Minha… cor favorita? – Ele parece surpreso com a pergunta. – Vermelho, eu gosto de vermelho. – ele começa a ficar nervoso assim que ver o sorriso da cara de Nyx sumir.

− Detesto vermelho! E detesto rap… você não me agradou nadinha… Uma praga Melanie… − A ruiva se meche rápido e tira um papel preto de baixo do tecido e entrega para o garoto. – sua praga será… ser cruel, e sua família falsa achara que isso vem de uma longa linhagem… seus filhos e netos terão a mesma sorte terrível. E ao completar trinta e sete anos você irá morrer. Seus filhos, netos e assim por diante também.

Se seguiu assim… maldição ou presente. Um ganhou imortalidade… outro vai ser malvado pro resto da vida… outro vai ser traído, etc. etc.

Prestei atenção somente em Tae: vai ter a família separada. July: vai ser feia de morrer – acho que fez isso para irritar sua filha – Nique teria uma vida plena e feliz… mas um final trágico.

Após ela acabar, deixou escolhermos uma pessoa para voltar para o mundo com ela. Tae ficou com July… eu fui com Nique.

As 24 pessoas voltaram 37 anos atrás. Sheila não se encontrou mais com Jonathan, ela até casou com um tal de Leandro. O cara que foi amaldiçoado de ser enganado.

Jonathan ficou com uma mulher comum, chamada Wanda.

A irmã de Sheila também resolveu ficar com um cara normal.

A maior parte deles seguiu uma vida comum. Nique se juntou com um cara presenteado de ter uma bela mulher… e teve.

O irmão de Miley se casou com sua namorada… que foi amaldiçoada de ter um encosto em sua vida.

Mas as maldições não se cumpriam… e poucos presentes foram realizados, os mais comuns… mas… Lembra que eu falei que a maior parte decidiu ter uma vida comum? Bem… não foram todos.

Thais resolveu treinar, ficar forte… para derrotar a deusa, não levou muito tempo e sua maldição se realizou.

July foi afastada de seu pai. Ela simplesmente sumiu. Ele não aceitou o fato… Largou Miley e seu filho pequeno Rick e foi atrás de sua filha.

Mal ele sabia… que esse havia sido seu maior erro.

Comecei a ficar preocupada. Fazia dias que Tae não aparecia em casa. Rick não era mais tão pequeno, já tinha idade para intender. Ele perguntava sobre o pai… mas eu não tinha respondido a verdade. Olhei pra ele. Ruivo de olhos extremamente azuis. O cabelo dele parecia crescer assim dez de que parei de pintar meu cabelo. Eu não me sentia jovem. Sentia-me cansada.

Deixei-o brincar lá fora no quintal.

Tínhamos feito aquele treinamento inteiro em vão. Só ocupei a magia que aprendi. Tínhamos uma casa numa floresta no Brasil. Acho que a maior parte veio parar aqui. Isso deve ser por causa de sua língua. Pois complicou nossas vidas. Eu não intendia o objetivo do jogo.

Como ela pode estar se divertindo com isso? Mas um mau pressentimento bateu. Uma vozinha na minha cabeça dizia que só estava prestes a começar.

De repente ouço um barulho no meu quarto. Não é Ricardo, pois ele está lá fora.

Pego uma faca na gaveta. Vou até o quarto com cautela. Abro a porta.

Inicialmente sinto pânico, seguido de tristeza, raiva e alivio. Depois… medo.

− O que você quer aqui Nyx?

Ela se vira pra mim…sorrindo maliciosamente… igualzinho no dia em que a conheci. Ela me fazia duas visitas ao ano, mas sempre nos solstícios… Mas estamos em pleno outono.

− Estou entediada Miley… Como você é minha preferida… vou lhe conceder um desejo… salvar uma pessoa. Quer ser salva?

− Eu… − Olho pra ela, penso em Tae e Rick. – Quero que salve Rick. Faça o que quiser comigo, Mas salve ele.

− Você já pediu… não tem volta. Que péssima escolha.

Notas finais
Próximo cap.:"Peguei suas mãos e beijei-as… estava na cama… no meu leito de morte. Tae estava ajoelhado no chão ao meu lado… no nosso quartinho amarelo"