Miley
6 Cap. 6: Light
Notas iniciais
Na manhã seguinte comecei a ganhar meus deveres e tarefas. Nique e sua avó me ensinaram um pouco sobre antídotos e como fazer os mais utilizados. O de cura de machucados, apagar memória, substituição para a agua, camuflagem de cheiro e poção do sono. Dakota me ensinou a fazer comida usando vários ingredientes exóticos, os mesmos para poções.
Ao meio dia tomei conta da July, mais tarde fomos passear com Dakota. Ela me levou a umas lojas místicas. Me dizendo quais eram confiáveis.
Enfim TaeYang (ele me falou que se escreve assim) me ensinou luta corpo a corpo. Teve um momento que eu me desconcentrei e acabei derrubando-o, cai por cima dele. O que fez acontecer àquela sensação esquisita.
Os dias passaram, aprendi muito com eles… agora é véspera de sexta-feira treze. Como terminamos os deveres: lutas, magias, etc. e etc. Tae me convidou para irmos ao cinema. Claro que não é um encontro… pois Aninha está conosco. Eu acho que ela vai.
Neste momento estou me arrumando no meu quarto incrivelmente perfeito.
Acabai de tomar banho, penso no que devo vestir. Observo meu reflexo. Será que devo manter meus cabelos azuis? Penso por um momento… Eu mudaria para combinar com a mudança de vida. Mas eu quero ter uma lembrança. Decido ficar assim.
Abro meu guarda roupa. Preto, preto e preto. Não queria usar preto, mesmo sendo minha principal cor. Procuro mais afundo e acho um vestido creme. Não me lembro de ter um. Mas até que não é tão frufru. Tem uma manga caída, é justo na cintura e cai um pouco acima do joelho. Nas bordas tem caveirinhas pretas. Achei uma cinta prateada que ficaria bem. Procuro um calçado legal. Acabo achando uma sapatilha azul. Não tenho outra que combinaria. As minhas pretas estão velhas. Ponho também uma meia calça feita de caveirinhas preta. Olho no espelho e vejo que está completamente bizarro. Como posso sair assim? O que está havendo comigo? Tiro tudo. Visto uma calça jeans, regata preta com a escrita: Keep calm and love me, em vermelho. Peguei uma sapatilha vermelha também. Prendi o cabelo num coque e fiz uma make básica.
Ouço uma batida na porta.
− Miley… está pronta? Anda logo.
Passo mais uma vez desodorante (prevenção) e um perfume. Pego um anel e meu celular e vou.
Ao abrir a porta vejo-o escorado no batente. Ele está incrivelmente gato, o que me faz sentir um leve arrepio.
Sinto logo o cheiro do seu perfume. É tão suave e atraente ao mesmo tempo. Um cheiro que faz você querer a pessoa por perto. Ele está de jeans, camisa polo branca um pouco aberta (um pouco? Aquilo faz qualquer uma desmaiar!), uma corrente prateada militar cai sobre a camisa. Está usando um all star (não é bem um all star, mas é parecido). Seu cabelo está arrumado com gel, parece o penteado do Zac Efron. Parece um adolescente formalmente sexy.
− Cadê a Ju? – Pergunto fechando a porta do quarto.
Ele me olha de cima abaixo e responde:
− Dormindo, por quê?
− Ela não iria conosco? – Pergunto surpresa. – Isso não é um encontro é?
− Claro que não. – Ele revira os olhos. – Você já viu um encontro na quinta feira?
− Também nunca havia visto bruxas e ninjas.
Ele me encara por um tempo. Devolvo o olhar. Após algum tempo parece que há faíscas no ar. Meu coração comece a disparar tão forte que minha respiração fica ofegante. Ele não está melhor. Perdeu a impressão de formalmente sexy, agora parece um leão faminto. Ele atira de leve seu celular no chão, ele escorrega um metro e meio. Faço o mesmo om o meu. Não sou eu! Acredite. Parece uma força maior me controlando. Sinto um calor invadir meu corpo. Ele vem em minha direção… vou na dele… mas quando estamos prestes a se chocar num amasso terrivelmente quente… July sai do quarto caminhando desajeitadamente gritando papá.
Tae para rapidamente e se vira pra ela, eu pego meu celular de volta e tomo folego. Não acredito que iriamos fazer isso. Que eu fiquei assim!
Saio de fininho, espero-o na cozinha. Após algum tempo ele desce com July no colo. Ela está vestindo um vestido rosinha floreado. Ela estava muito fofa.
− Pelo visto teremos que leva-la junto. – Tae a entrega pra mim. – Espere lá fora. Vou pegar meu celular. – Ele sai novamente da cozinha. Vou com July até lá fora. Ele não demora muito. Como são poucas quadras até o cinema vamos a pé.
Começo a puxar conversa pra esquecer o tal “quase amaço”.
− Então… O que vamos ver?
− Pra sincero eu não vi o que estava em cartaz.
Rimos. Aninha pediu se podíamos ver algum desenho.
Paramos em uma sorveteria. Eu pedi chocolate, Tae kiwi e uva, e Ana pediu de flocos. Não acredito que ele vai dar sorvete a uma criança tão pequena… mas ele é o pai aqui né.
Um casal jovem que também havia pegado sorvete andava na nossa frente. A garota tem cabelos dourados, está toda de bege. O menino ao seu lado é moreno. Eles me chamaram atenção pelo fato de serem extremamente bonitos. O garoto se veste com um jeito rebelde. Está de calça vermelha rasgada, blusão cinza e uma toca. Estilo rap. Eu acho. A menina tem um ar delicado. Não intendo como estão juntos. São completamente o oposto um do outro.
Quando chegamos em frente ao cinema, eles se viraram. Ela começa a mexer na bolsa. Percebo que os dois têm olhos extremamente verdes. Devem ser irmãos…
Passamos por eles e entremos numa sala de comédia livre. Sentemos mais ou menos no meio, havíamos comprado pipoca. Um pouco antes de o filme começar vejo o casal sentando a nossa frente. Eles se abraçam. Com certeza não são irmãos.
Ana começa a resmungar porque não consegue enxergar por culpa do casal. Tae troca com ela. Sentando ao meu lado.
E eu acabo não prestando atenção em nada do filme. Inclusive não sei o nome.
Voltamos pra casa. Ao chegarmos nos deparamos com uma janta incrível… Estrogonofe e massa.
− Então… como foi o filme? – Pergunta Dakota sorrindo. – Qual o nome mesmo?
Olho para Tae. Espero que ele responda.
− Ahn… − Ele começa – O nome é muito estranho… outra língua. Não me recordo bem.
Ela olha pra mim.
− E sobre o que era?
− Um cara. – Começo – Ele tinha um amigo, sabe? Daí eles… eles… acharam uma garota bonita.
− Como todos os filmes de comédia. – ela ri.
− Prestou atenção só nisso? O mundo acabava! – Fala Nique, para nossa alegria.
Ela grita de dor. Ao que parece alguém pisou no seu pé. Quando Dakota se abaixa para ver o que aconteceu Tae dá um tapa de leve atrás da cabeça da irmã e eu atiro um pãozinho na cara dela. Dakota se ergue rápido e agimos normalmente. Tereza solta uma risada. July começa a atirar comida. Isso não deu muito certo. Com um grito estonteantemente alto Dakota ordena que paremos.
− O que eu não posso saber? – Pergunta. – Vão ficar sem sobremesa por isso.
− Qual era a sobremesa? – Pergunto ao mesmos tempo que Tae resmunga que não liga.
− Bomba de chocolate. – Diz e sai batendo os pés.
Todos nós soltamos um suspiro de desanimo, até mesmo Tae.
Mas na hora uma luz azul forte nos cega. Sinto algo me puxando. Nique grita coisas que não consigo intender. Vejo os móveis da cozinha se destorcendo, percebo que estou me afastando. Não consigo ver mais Nique. È como se estivéssemos dentro de um cone azul brilhante com varias aberturas. Dominique entrou em uma delas, deduzo pois vejo Tae ser puxado por outra. O mesmo acontece com sua filhinha July.
Sinto uma tontura e uma dor de cabeça terrível. É como se meu cérebro tivesse sido banhado com acido. Olho para meu corpo, mas só vejo negro.
Porem ainda resta um leve vislumbre da mesa de jantar. E vejo um relance de Tereza.
Ela esta caída com olhos arregalados e tem algo esquisito com a boca dela.
Não há duvidas. Mesmo não sendo a hora e o dia certo.
Tereza estava morta.
E estávamos sendo levados para outra era.
Eu, Tae, Nique e a pequena July.
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