Miley

5 Cap. 5: Decoração diferente: O quadro


Notas iniciais
"Ele ri, olho para ele para lhe dar um sermão. Mas esqueço, nossos rostos estão muito próximos, um palmo de distancia. O sorriso dele some, e surge um brilho em seus olhos, percebo que estou ofegando e sinto um leve arrepio na barriga, ele começa a se aproximar, sinto um desejo voraz de…"

Sento no sofá e Nique me trás um copo d’agua. Respiro fundo e conto até dez. Tae senta do outro lado, nem dando bola para minha situação. Ele pega a filha no colo e começa a brincar com ela. Já mais calma, percebo que ele não é de todo mal. Só se comporta como um adolescente, fica idiota. Mas com a filha é outra coisa. Ele parece maduro, um bom pai. Conversa com ela, e ela responde de um modo carinhoso, mesmo não dando pra intender muita ciosa, de vez em quando ele faz cócegas, a abraça ou beija.

− Qual o nome dela? – Pergunto para o nada, não dirijo especificamente as pergunta pra Nique porque pareceria que eu estava intimidada por ele, e nem para ele porque pareceria agressiva, oferecida ou simplesmente porque estou brava com ele.

− Ana Julia. – Tae me responde. – Amor, tá vendo aquela garota de cabelo azul? Ela vai ficar por aqui por uns tempos, é a Miley, dá um oi pra ela.

A criança olha para mim e manda um beijo. Sorrio, ela não tem culpa do pai ser um idiota.

− Você já é pai? Quantos anos têm? Dezenove? Vinte?

− Dezessete. July tem quase um ano. Digamos que… foi um acidente.

− Entendo. A mãe dela a abandonou? Ou Você não quer que ela fique com a filha?

− Os dois, Melanie não quer que seus pais saibam, ela vê a filha duas vezes por mês. Mas com isso não tem direito algum sobre July.

Nique leva o copo de volta para a cozinha. Decido perguntar lhe agora.

− Como pode?

Ele me encara. Sorri e finge não intender.

− Pode o que?

− Você… − Falo baixo para Nique não nos ouvir – você me viu tomar banho e… e tudo mais. – Faço um gesto qualquer com as mãos, não quero pronunciar a palavra.

− Ah! – Ele dá um sorriso torto – Bem, o que eu podia fazer?

− Virar um homem! Porque fingiu esse tempo todo? Por que me deixava fazer essas coisas na sua frente?

− Bem, eu precisava da Nique para voltar ao normal, ela me jogou esse feitiço, reflete o nosso animal inferior. Tínhamos discutido e eu fugi. Acabei me perdendo, não lembro. Quando achei a minha família novamente, na verdade eles me acharam. Fiquei mais tempo por que… achava que você tinha utilidade para nós. Falei para Dominique se aproximar de você e faze-la se juntar a nossa causa. Eu lhe explicarei tudo, prometo. ­– Ele ponha July no chão para ela brincar e se senta ao meu lado, estranhamente Nique estava demorando de mais. – E quanto ao deixar você, fazer você sabe o que… Fui uma experiência e tanto sabe? Eu estava curioso.

− pra me ver nua? Ou… você sabe o que…

− Eu não podia imaginar que você seria esse tipo de pessoa – Ele fala ironicamente – era pra ver você nua… mas sério da primeira vez não pensei que você fosse fazer isso. Estava esperando você ficar semi… mas não completamente nua e nem se mastur…

− Gente! – Grita Nique, para meu alivio – Querem sorvete? – Ela grita da cozinha, então não veio pra cá.

− Sim, os dois. – Responde Tae.

Ele deve saber que gosto de sorvete, claro, morou comigo por dois meses e meio.

Ele volta os olhos pra mim, ou talvez não tivesse tirado e eu é que não percebi.

− Sinto muito pelo que Thiago fez com você. Apesar de você ser um pouco oferecida…

− Hei!

− Só um pouco, não negue. Ele foi um idiota, pegar a própria irm… ãh, você, que mora com ele e tal. E depois te largar. Você merece coisa melhor. Até que é bonitinha, tem bom gosto musical. E pode se dizer que é legalzinha. – Não sei se ele está me elogiando ou o contrario. Prefiro pensar que é o primeiro – Mesmo sendo pequena, você tem até um corpo legal. – Ele olha para p vazio como se tivesse lembrando-se de algo, dai a ficha cai, e fico vermelha.

− Você também não é tão feio. – Digo virando a cara ainda com vergonha, mas com raiva na voz.

− Não minta, você babou quando me viu.

Ele ri, olho para ele para lhe dar um sermão. Mas esqueço, nossos rostos estão muito próximos, um palmo de distancia. O sorriso dele some, e surge um brilho em seus olhos, percebo que estou ofegando e sinto um leve arrepio na barriga, ele começa a se aproximar, sinto um desejo voraz de…

− Aqui o sorvete! – Chega Dominique com uma bandeja. Rapidamente nos afastamos completamente constrangidos. Pelo visto ele não é tão alto confiante assim. Ela não repara em nada até dar um grito de gelar. – YANG A ANA JULIA!

Nunca a vi o chamar assim, mas pelo jeito deve ser quando está extremante nervosa. Taeyang e eu olhamos e deparamos com July em cima do batente da janela aberta, ele corre e a pega, mais um pouco e ela cai. Não estamos no andar de cima, mas acontece que a casa é alta, ela cairia de uma queda de dois metros.

− Meu bem – Ele começou a dizer com alivio para July – Que susto, como foi subir lá?

Ela começa a chorar e ele sai com ela para acalma-la e também talvez, a si mesmo.

Nique senta-se ao meu lado. Ela relaxa instantaneamente.

− Primeiro susto? – pergunto, já conheço como é. Minhas irmãs uma vez quase derrubaram um faqueiro em cima delas. Sorte que Harris, agora Taeyang, as tinha puxado na ultima hora.

O que me lembra que tenho que agradece-lo.

− Não é isso… ela já nos deu vários sustos, mas é que. Não com Tae por perto, ele nunca deixou isso acontecer, sempre protetor. – Ela olha pra mim – O que vocês estavam fazendo?

− Conversando – respondo um pouco embaraçada.

− não duvidaria, ele nunca mais se aproximou de uma garota depois de July nascer. Talvez percebeu quão ruim todas são. E se acham melhor que os garotos. Mas só uma garota para distrai-lo assim. E a ex dele, a mãe da July, era muito mais bonita que você, e parecia melhor. Mas já que ele te conhece intimamente deve saber o que faz.

− O que você está insinuando?

− Ele não se distrai por beleza Miley. Se você está relacionada com o descuido dele é porque ou ele gosta MUITO de você, ou você o enfeitiçou. Mas você não é nenhuma bruxa.

− você não está falando coisa com coisa… eu quero dormir.

− Claro. – ela me leva pela escada para o segundo andar.

Pelo caminho reparo que quem decorou a casa faz meu estilo. A escada é de madeira, mas é toda trabalhada e tem um carpete vermelho sangue no meio dela. Ela é espiral e tem uma janela enorme que pega os dois andares. No corredor há quadros de navios, planetas, robôs e um quadro muito diferente que me chama a atenção.

Ela me encaminha para a segunda porta a esquerda e me diz que há um banheiro no quarto. Ótimo.

Entro e percebo que a decoração de fora não era nada.

Há uma enorme cama com dossel, toda azul escuro, preta e roxa. A janela tem uma pesada cortina preta e lilás, com pequenas caveirinhas azul marinho. Nos criados mudos tem uns abajures fodas. Tem a base de algum tipo de metal prateado, em cima tem uma caveira de vidro branco. Não espero nem um minuto e a ligo. Ela brilha de varias cores, incrível. Olho para o resto do quarto. Uma estante vazia e um guarda roupa do mesmo jeito. Guardo minhas coisas. Quando deixo cair minha escova percebo como é o chão e me pergunto como não tinha reparado nele. Ele é de um carpete espessas negro, com varias ondas rabiscadas de roxo fluorescente, se tivesse escuro eu repararia mais rápido. Olho para a lâmpada. Como o quarto é alto eu não fiquei olhando pro teto. O lustre é antigo, aqueles típicos de casas assombradas, mas o foro é comum, tirando o fato de que a teias de arranhas nos cantos, − Você deve estar pensando que eu acharia sujo e tal, né? – mas acontece, que não é real. A teia é muito parecida com uma verdadeira, mas é perfeita de mais e nela não há insetos e sim pequenas pedras brilhantes de todas as cores. O papel de parede é preto e cinza, cor sim cor não. Mas quase na metade das paredes há uma faixa que rodeia todo o quarto, para baixo dela a cor das paredes são azuis. A faixa é em relevo, rosas roxas, negras, azuis e lilás. Esse é o quarto dos meus sonhos, a não ser pelo fato de não ter TV. Vou para o banheiro e fico mais uma vez encantada.

O banheiro não é comum, nenhum pouco.

Para começar a banheira é enorme, não é feita de pedra mas dá essa impressão. Como se juntasse uma banheira comum numa rocha. Mas logo reparo que no fundo da banheira há um vidro, abaixo dele tem um aquário, não sei se é um aquário ou tecnologia avançada. Há vários barquinhos piratas boiando sobre a agua, reparo que tem até uma miniatura do kraken de piratas do caribe. No teto não tem teias de aranha, mas num canto do banheiro há uma teia de corda, como os de navios. As cores que o enfeitam são rusticas, como marrom, branco encardido, vermelho, etc. cores piratas. Mas achei sabonetes em forma de caveiras.

Saio do quarto admirada, querendo ver o resto da casa. Mas no corredor vejo novamente o quadro esquisito. E decido dar uma olhada mais de perto. Nele há uma garota, muito parecida comigo, tem cabelos azuis e olhos negros, até se veste do mesmo jeito. Mas ela tem uma estatura maior que eu. Ela está num terraço de um prédio. Com ela há uma garota de cabelos pretos e olhos azuis, um pouco parecida com Nique, só que não é a mesma pessoa, tem mais duas pessoas na foto. Um garoto ruivo de olhos azuis, pelo ruivo que ele tem, deve ser tintura, mas não tem cara de boiola. Ele é muito bonito e está próximo a garota parecida com Nique. Devem ser irmão, pois tem as mesmas feições. Ao lado dele há uma pessoa, mas não dá para distinguir, é como se fosse um vulto, ou fantasma, inicialmente pensei que era uma pintura, mas olhando de perto parece algo entre uma foto e uma pintura. Uma coisa que nunca vi antes.

Ouço passos e vejo Taeyang se aproximar de mim. Ele para ao meu lado e olha para a pintura também.

− Estranho né? Quando desapareci, Nique disse que esse quadro apareceu na parede, e não importa quantas vezes nos mudamos ou se o queimamos… ele sempre volta. Ela diz que o ruivo se parece comigo.

Agora que ele disse percebo que é verdade. Tirando a cor do cabelo, são quase idênticos.

− Porque a quarta pessoa não aparece?

− Deve ter morrido, ou vai morrer. Há profecias… Quer saber?

Aceno com a cabeça, apesar de ser macabro me desperta curiosidade e interesse.

− Numa sexta feira 13, lua cheia. Abrirá um portal. Sempre abre, coisa de bruxa sabe? E ele leva instantaneamente para outra data. Nique e vovó acreditam que eu e você estaríamos envolvidos nisso.

−Que dia você desapareceu?

− No mesmo que vocês me encontraram. Não sei como fui parar tão longe. O que mexe comigo é que era uma sexta feira 13. Acho que o quadro saiu de um portal. Ele vem do passado, ou do futuro. Tem alguma teoria?

− Daqui a uma semana cai mais uma sexta feira 13, será lua cheia?

− Sim… acho que, como a outra não foi, apenas um quadro passou pelo portal. Mas… acho que corremos perigo. Essas pessoas na foto podem ser ancestrais, mas como estão com roupas mais ou menos da nossa época, devem ser futuros membros da família. Essa garota de cabelo azul pode ser sua filha.

− Mas não tem como, iria mudar muito de hoje para daqui a quinze anos, coloquei uma idade mínima.

− Por isso que acho que iremos para o passado, sem volta Miley. Teremos família, e ai estão nossos descendentes.

− E se algum de nós for a quarta pessoa?

− Dai estamos ferrados, agora vai dormir, amanha começo a treinar com você. Agradeço que não ficou brava por elas terem mentido e ocultado um pouco da história. Mas se você não viesse para o nosso lado, poderia ser uma inimiga. Como serão os outros se não os encontrar.

− Já aconteceu algo assim?

− Está nos livros – ele dá de ombros – No mínimo, 5 pessoas vão para o passado, ou futuro. Só encontramos você por causa do retrato. E foi uma coincidência, ou destino. O que é mais provável.

− E como acharemos o resto? Quantas pessoas é possível que viajem? Iremos todos para a mesma data?

− Os que pegarem o mesmo portal sim. se não há poucos anos de diferença. Talvez até meses. Só há uma forma de os encontrar. E respondendo a sua segunda pergunta. Pode haver 50 pessoas.

− Nossa… isso é de mais.

− Fique tranquila, raramente acontece. Precisamos achar essas pessoas, a única pista é que elas surgem em nosso caminho, talvez percebemos talvez não. Pode ser que esbaramos com ela na rua, ou até haja relacionamento entre elas. Mas, Miley. Se a pessoa não estiver emocionalmente preparada. Ela pode mudar e acabar prejudicando outras pessoas.

Tiro o quadro da parede, vejo que há nomes atrás.

− Lipe… que nome você daria se tivesse mais filhos?

− Garotos? – ele leva numa boa, achando que é mudança de assunto.

− é. Como você chamaria?

− Ricardo, Miguel, Jack. Algum desses. E se fosse menina queria dar o nome de Tereza ou Fabiana. Mas apelido pra Ricardo é tão foda, Rick, Rick… −ele fica falando varias maneiras de pronunciar Rick.

− Eu gosto de Luli. – Uma lagrima escapa de meus olhos e mostro o verso do quadro pra ele.

Ele arregala os olhos e dá um pulo para trás.

Dois nomes estão borrados, mas há dois que estão bem claros: Luli e Rick.

Notas finais
Próximo cap.:"Tae para rapidamente e se vira pra ela, eu pego meu celular de volta e tomo folego. Não acredito que iriamos fazer isso. Que eu fiquei assim!"