Miles Apart

24 Wishing You Were Somehow Here Again


Notas iniciais

Espero que gostem do capitulo sim? Beijinhos a quem comenta e beijinhos a quem lê mas não comenta

Adeus Maria Madalena – disse o Bill muito tristemente – Vê se tratas bem do meu coração. Deixarei ele contigo. – Apontou para o seu peito suavemente.

Irei tratá-lo como se fosse o meu próprio coração. – Disse-lhe, colocando a minha mão sobre a sua junto ao seu peito.

Ele é teu.

Sorri debilmente e sem aviso antecipado abracei-o. Abracei-o fortemente pela última vez.

Enquanto te amar, irei sempre ter a tua pulseira no meu pulso. – Disse-lhe ainda nos seus braços, mostrando-lhe o meu pulso. – E quero que uses isto

Afastei-me suavemente de junto dele e mostrei-lhe o que tinha na mão. Era uma fina corrente de prata que continha um cristal com pingente. Tinha pedido ao Comandante do barco que ligasse para a minha mae a pedir que o levasse para o aeroporto, com a intenção de oferecer ao Bill.

Sempre foi o meu amuleto da sorte, quando alguma coisa de importante estivesse para vir, usava-o para que me desse sorte. Mas agora quero que uses tu. – Afastei-me mais um pouco dele e, com o fio seguronas minhas mãos, coloquei-o no pescoço do Bill. Ficando hirto sobre o peito do Bill.

Está na hora Bill. – Ouvi o Tom dizer ao nosso lado, mas ignorei-o por completo. Preferindo ficar a fitar o perfeito rosto do Bill.

É para ti. E quero que me prometas que vais cuidar do meu coração também. – Pedi-lhe apertando as suas mãos com as minhas.

Prometo!

Qualquer dia irei buscá-lo. – Disse-lhe sorrindo. Ele fez cara feia, mas nem lhe liguei. – Amo-te BillyBoy. – E por uma última vez, beijei-o.

Adeus. – Largou a minha mão e, separou-se para sempre de mim

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Acordei sobressaltada, enquanto pequenas gotas de suor caíam me pelo rosto abaixo. De repente, senti uns braços a rodearem-me o corpo, tentando me acalmar. Era a minha mãe, como é óbvio. À varias semanas que a acordava com os meus gritos e, ela vinha sempre tentar acalmar-me com as suas palavras de reconforto.

Madalena foi apenas um pesadelo… mais um. – E por muito baixo que fosse o seu tom de voz, ainda consegui ouvir a ultima parte.

Continuei abraçada à minha mae, tentando esquecer aquele dia que me atormentava há semanas. As cicatrizes eram ainda muito recentes para cicatrizarem. Eu precisava ainda de tempo, muito tempo.

Por muitas voltas que desse à cabeça ainda não tinha encontrado um motivo bastante forte para não largar tudo e ir ter com o Bill. Claro que tinha os meus amigos e a minha família cá em Portugal, mas eu podia viver sem eles, como tinha acontecido nos últimos três anos. Mas e o Bill? Será que eu podia viver sem ele tanto tempo? Não, eu não podia. Eu não queria.

Deixei escapar uma pequena lágrima, que rolou solitária pelo meu rosto a baixo. A minha mãe apercebendo-se, limpou-a rapidamente. Sim, a minha mãe. Eu podia amá-la mais que tudo e todos, mas neste momento não era nos seus braços que eu desejaria estar. Era nos dele.

Esse pensamento fez-me ficar ainda mais nervosa do que aquilo que já estava, deixando também a minha mãe mais preocupada. Abraçou-me com mais força, beijando-me o alto da cabeça.

Acho que talvez pudesses… consultar alguém. – Disse num tom de voz quase inaudível, mas bastante alto para que eu pudesse ouvir.

Achei a ideia acima de tudo, ridícula. Como poderia alguém ajudar-me, se o seu trabalho teria de me fazer falar sobre aquilo que eu queria esquecer. Era totalmente descabida a ideia.

E além disso eu não tinha problemas nenhuns. Apenas tinha ficado sem o rapaz que me fazia mais falta neste mundo, o rapaz que eu amava, o rapaz da minha vida. O Bill.

A única coisa que eu sentia era dor e, nenhum médico me poderia ajudar nisso. Talvez se me receitasse alguns medicamentos para que a dor adormecesse. Claro, era disso mesmo que eu precisava. Tudo à minha volta me lembrava ele, não podia sequer pensar no seu nome que, parecia que as minhas entranhas explodiam por ser tanta dor. Sim, aquilo que eu precisava era de algo que fizesse com que parasse de doer. Parasse de doer tudo em mim.

Eles não me vão medicar nada pois não? – Perguntei num tom de voz débil, com quem não queria a coisa.

Só se tu quiseres meu amor. Não te vamos obrigar a nada. – Respondeu-me com uma ponta de entusiasmo na voz.

Eu sabia que a única coisa que a minha mae queria na vida, era que eu pudesse voltar a rir. Voltar a viver. Voltar a ser a Maria Madalena, a rapariga vivaz e alegre que sempre fui. E nem que para isso eu tivesse de consultar médicos, a minha mae aceitaria sem pensar duas vezes.

Vou pensar mãe. Digo-te depois ok? – Pedi-lhe tentando sorrir para que a pudesse alegrar mais um pouco.

Mas antes, não queres falar comigo sobre o que se passou? – Perguntou num tom de voz suave ao mesmo tempo que acariciava levemente os meus cabelos.

Não! – Respondi, afastando-me dos seus braços e olhando para o relógio, pousado sobre a mesa-de-cabeceira. – São 5:30 da manha. Vai dormir mãe. – Levantei-me da cama e puxei-a pela mão para vir atrás de mim. Levei-a até a porta e empurrei-a para fora. – Até amanha.

Dorme bem filha. – Disse num tom bastante preocupado, todo o seu entusiasmo por eu ter reconsiderado a falar com alguém tinha-se desvanecido.

Quando fechei a porta apercebi-me que isso seria quase impossível, mas mesmo assim voltei para a cama, para tentar adormecer. Como já era de esperar não o consegui.

Na minha cabeça apenas vinham lembranças do Bill. Porque é que ele não podia estar aqui comigo? Era totalmente injusto não poder estar ao lado de quem eu amava. Eu tentei seguir em frente, mas não consegui. Eu tentei viver o presente, mas apenas o passado me fazia feliz.

Revivia vezes sem conta o passado, porque é que ele não poderia voltar? Voltar para mim. Era tudo o que eu mais queria.

Esta noite tinha sido como todas as outras: um verdadeiro tormento. Por acordar com pesadelos, que não verdade não passavam da verdade. A verdade nua e crua de já não ter o Bill comigo. A verdade de que amanha voltaria a acordar sem estar nos seus braços. Era isso que mais doía, acordar de manha e saber que não estaria com ele. Todas as manhas eram o mesmo, tinha que lembrar que já não o tinha e que teria de viver com isso.

Aos poucos e poucos fui adormecendo, enquanto o passado continuava a reflectir-se na minha cabeça. Lembrando e relembrando todos aqueles momentos especiais que eu não voltaria nunca mais a passar.

“You were once my one companion ...

You were all that mattered ...

You were once a friend and lover

Then my world was shattered

Wishing you were somehow here again

Wishing you were somehow near

Sometimes it seemed if I just dreamed,

Somehow you would be here

Wishing I could hear your voice again

Knowing that I never would

Dreaming of you won\'t help me to do

All that you dreamed I could”

Notas finais

.....