Notas iniciais
Obrigada minhas fofinhas por comentarem explicaçoes de atraso no final...
(Maria Madalena / Lisboa / 26 de Novembro de 2009 / Quinta-feira / 12:17)Pequenos raios de luz atingiram-me o rosto e, ao senti-los deixei-me sorrir. Era a primeira vez em alguns meses que o fazia e também a primeira vez que conseguia acordar com os raios de sol provenientes do mundo lá fora. Mundo este a que eu deixara de ir há meses, desde aquele dia.O meu quarto era o meu mundo, o meu pequeno mundo. Não estava a pensar sair tão cedo. Apenas sairia quando estivesse preparada. O meu sorriso foi desaparecendo aos poucos e poucos. Preparada a vários níveis, tanto psicologicamente como fisicamente. A conversa que tivera com a minha mãe há um mês atrás ainda pairava sobre a minha cabeça. O que seria melhor? Esquecer tudo com ajuda de comprimidos ou, continuar a lembrar e, não me meter nesse tipo de coisas. Essa era a pergunta que me levava sempre a adiar a resposta à minha mãe. Eu não conseguia decidir. Ai que raiva! – Disse frustrada, mandando todos os lençóis para o chão do quarto, enquanto a pulseira com pingentes verdes balouçava pelo meu pulso. Olhei-a atentamente, mas o bater da porta acordou-me dos pensamentos. – NÃO ESTOU PARA NINGUEM! – Gritei para a porta fechada.Nem para mim? – Perguntou uma voz que eu tão bem conhecia.Maria. A minha prima Maria. Podiam-se ter já passado três anos, mas eu reconheceria aquela voz em qualquer lado e em qualquer situação. A Maria sempre havia sido um género de irmã para mim. Era também uma rapariga fácil de se gostar: simpática, carinhosa, boa conselheira, mas acima de tudo, boa amiga.Entra lá! – Respondi friamente, tocando na fina pulseira para que parasse de balouçar.Ela não disse mais nada e, apenas entrou trazendo consigo um daqueles sorrisos dela que eu tão bem conhecia. Aproximou-se de mim e, depositou-me um pequeno beijo na testa, sentando-se logo de seguida no sofá em frente à cama, onde eu acabara de me sentar.Olhei-a e, conhecendo-a como conhecia sabia perfeitamente que ela não iria falar. Aproveitei o silêncio para a poder olhar ao pormenor, conseguindo perceber algumas mudanças a nível do seu exterior. O seu cabelo antes castanho-escuro e curto, estava agora loiro e comprido. Os seus olhos continuavam com a mesma tonalidade de castanho e muito brilhantes. A sua pele estava pálida como sempre e, o seu estilo de antes todo baseado no preto, fora trocado por roupas mais leves e coloridas. Ela tinha também emagrecido e crescido bastante.Ela tinha mudado, em três anos ela passara da típica miúda gótica para uma mulher simples e ainda mais bonita.Estes com muito melhor aspecto, desde a ultima vez que te vi. – Disse-lhe, levando a que ambas acabássemos por sorrir com tal afirmação.Sim, eu sei. – Declarou sorridente.Oh, que pena. Ainda continuas convencida. – Acrescentei, forçando um novo sorriso. – Como estão os outros? – Perguntei, pois a única pessoa que tinha visto nos últimos meses fora a R e, tinha sido no aeroporto.Não muito bem. Eles estão preocupados contigo. Estão a sofrer contigo também. Eu também estou, sabes? – Perguntou-me retoricamente, assumindo uma expressão séria.Aquilo atingiu-me fortemente cá dentro. Como poderia eu ser tão egoísta ao ponto de não querer saber dos meus amigos, para estar a curtir a minha depressão? Não fazia sentido. Eles agora também estavam mal e, sabendo disso eu também estaria. Eu estava revoltada também, pois se não tivesse entrado naquele avião, não estaria a passar por tudo isto. Não tinha o coração desfeito em pedaços e, os meus amigos não teriam de estar a sofrer por mim também.A culpa é minha! – Disse num tom baixo, levando a Maria a olhar-me.Não sejas ridícula Pim. – Levantou-se e dirigiu-se até mim. – És tu quem está a sofrer muito mais, a culpa não é tua. Nós só estamos assim por nos sentirmos inúteis, em relação a toda a tua dor. – Aproximou-se mais de mim e puxou-me, pegando no meu rosto com as suas mãos. – Nem cá estavas.Por isso mesmo. – Baixei novamente a cabeça, preferindo encarar o chão.Nós nem vamos ter esta conversa! — Afastou-se de mim e, sentou-se no sofá novamente. – Eu vim aqui para falar de ti e, não de mim e do grupo.Olhei-a e, de seguida voltei para a cama, deixando-me cair sobre ela. Eu ainda não estava preparada para ter esta conversa. Não agora. Era cedo de mais. A ferida ainda estava em sangue e, doía, doía muito.Por momentos fui atacada por uma dor ainda pior, a dor que há semanas me assombrava. A dor vinha sempre quando eu não bloqueava todas as lembranças do passado.Não há nada para… falarmos. – Disse-lhe, tentando não revelar a dor que se havia acendido dentro de mim.CREDO MARIA MADALENA! – Gritou-me, enquanto se levantava do sofá. – O que é feito da minha Pim? – Perguntou e, pude ouvir no seu tom de voz que não era uma pergunta retórica.Morreu… – Disse secamente.Eu… Desculpa Maria Madalena. – Pediu, olhando me nos olhos e, lançando me um sorriso sincero. – Tens razão para estares chateada, mas repara que tu ainda estás bem viva. – Falou, agora num tom mais baixo. – Há mais de dois meses que estás enfiada neste quarto, longe de tudo e todos. Acho que devias seguir o conselho da tua mãe e, ires a um psicólogo. – Fitou-me e, como não obteve reacção nenhuma da minha parte voltou a gritar. – Tens de voltar a viver. Eu não faço a mínima ideia do que se passou naquela ilha, mas nada justifica o que estas a passar neste momento. – Acalmou-se e, sentou-se novamente no sofá olhando-me. – Vive! Vive Maria Madalena! Por mim, pela tua mãe, pelos teus melhores amigos, pelo Bill… – Ela parou para ver o meu rosto ficar branco e, perceber que tinha tocado na ferida – Por ti, acima de tudo… por ti.Não consegui mais e, tive que explodir.Tu não percebes! – Gritei-lhe – Ninguém percebe! Ele era a pessoa que me fazia respirar, que me fazia viver. Durante três anos. TRES ANOS. Não foram três meses, foram dois anos. – Parei para respirar fundo, continuando a ignorar a dor que atacava ainda mais por falar no assunto – E depois de um dia para o outro, fico sem a minha razão de viver. O que queres que faça? – Perguntei-lhe, não esperando sequer por uma resposta. – Que ande para aí a festejar? Não consigo, ainda é demasiado cedo.Só é cedo para ti. – Disse-me ao fim de uns momentos a olhar para mim. Levantou-se e dirigiu-se até a sua mala, onde procurou por algo e, quando achou atirou-me para o colo. – Quando quiseres seguir em frente e, consultar algum psicólogo, apita. – E sem dizer mais nada, saiu.Não conseguindo ignorar mais a dor, deixei cair as lágrimas que se haviam formado nos meus olhos. Lágrimas de dor, a dor que provinha do meu coração despedaçado. Ainda com elas nos olhos, olhei para o que tinha no colo. Era uma revista, sem pensar duas vezes olhei para a capa, que continha em letras grandes: “Tokio Hotel voltam aos palcos!” Não quis ver mais nada da entrevista, se já pensar nele fazia-me mal, uma fotografia iria matar-me, literalmente, por dentro.Mas eu não podia ficar mal por ele já estar bem. Não podia cair no fundo outra vez. Ele estava a fazer aquilo que mais gostava, aquilo pelo qual o nosso amor foi sacrificado. Ele estava a viver! Eu não estava nem perto de o consegui, não queria nem conseguia.Eu teria que seguir em frente, tal como ele deveria querer que o fizesse. E o melhor que tinha a fazer era consultar alguém, talvez conseguisse superar tudo isto coma ajuda.Dirigi-me ao telemóvel e, marquei um número que eu bem conhecia e, depois de três toques, atendeu.És rápida. – Disse a Maria e, pelo seu tom de voz consegui perceber que sorria.Um psicólogo? – Perguntei a medo.É o melhor. Estás preparada para falar? – Perguntou-me.Não. – Respondi sinceramente.Óptimo. – Disse alegremente.E ambas desligamos o telemóvel. Eu tentando arranjar forças para poder falar sobre tudo o que estivera até agora a entalar-me cá dentro.
I\'m falling apart, I\'m barely breathing
With a broken heart that\'s still beatingIn the pain there is healingIn your name I find meaningSo I\'m holdin\' on, I\'m holdin\' on, I\'m holdin\' onI\'m barely holdin\' on to you”
Notas finais
Então... ando numa de ser má xD Por isso é que demoro a postar. Vejo o nr de leitoras sempre a aumentar, mas de reviews nem por isso. Eu já disse que iria parar de postar, mas bem só agora é que vou começar a cumprir a minha palavra. MUAHAHA, okay LOOOL não é para ser má, mas é que os reviews são a gasolina para eu continuar a escrever. Beijinhos a todas
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