Mil Pedaços de Vidro

7 Capitulo 07 - Indagações


Notas iniciais
Olá meu povo lindo, eu sei que estou sumida... Acontece que o bichinho da procrastinação sentou no meu colo e não quer mais sair. Estou me esforçando para manda-lo pra longe, mas o infeliz é mais forte o que imaginam. Não vou enrolar muito, aqui o cap fresquinho para vocês, espero que goste e tenham cuidado com a leitura, tem gatilho para ataque de panico e menção de abuso.

— Vai chamar o Bucky – Loki ordenou para seu namorado, e fiel escudeiro, Thor, este que assentiu e saiu atrás de Barnes. – Tonky, Tonky... Olha para mim – o Laufeyson pediu estalando os dedos na frente do rosto do filho de Howard, que por sorte conseguiu chamar a atenção. – Que coisa feia! Você está me dando trabalho a essa hora da manha, cabeça de lata, acho que vou começar a cobrar por gastar o meu tempo, mas agora eu quero que você um bom menino e respire devagar, depois solte o ar lentamente.

Tony tentou fazer o que o amigo estava pedindo, mas não sabia como estava indo nessa missão, sua mente ainda se encontrava nublada pelo pânico de ter alguém o tocando. As mãos alheias em seu corpo sempre trazem lembranças ruins, que lhe causa medo e repulsa. O mais jovem sentiu o estômago embrulhar, isso fez com que instintivamente levasse a mão a boca para impedir o vômito.

— Você está indo melhor do que imagina, cabeça de lata, continue assim e eu te compro um doce – Loki gracejou tirando a mão de Tony da boca. Apesar do incomodo que sentiu ao ser tocado, o mais novo soltou uma risadinha trêmula.

Steve estava surpreso como Loki tinha Tony sob seu domínio e pelo pouco que conseguiu compreender do monólogo do Laufeyson, essa não é a primeira vez que isso acontece. Várias perguntas começaram a se formular em sua mente, mas no momento ele precisava ser útil. Esfregou o rosto em busca de foco para seus pensamentos, notou olhos curiosos sobre os garotos, então, pensando em preservar Stark e Loki, Rogers colocou-se na frente deles.

Bucky não demorou a aparecer, ele estava acompanhado da namorada, Thor e Pepper, e logo tomou o controle da situação. Tirou a mochila das costas de Tony, de lá puxou um frasco de remédios que fez o Stark engolir com a água trazida por Natasha, depois segurou suas mãos – a única parte do corpo de Stark que podia ser tocada sem medo de desencadear uma crise – como se tivesse as prendendo e Tony começou a recitar os não-metais da tabela periódica. O comportamento do melhor amigo em torno do filho de Howard gerou muitos questionamentos na mente de Steve.

— Carbono, Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio, Fósforo, Enxofre, Selênio – Tony respirou fundo algumas vezes e encarou os olhos claros de Bucky, sentindo a vergonha tomar conta de cada célula do seu corpo.

— Como está se sentindo, Almofadinha? – Barnes questionou tentando soar divertido, para aplacar o desconforto do amigo.

— Eu estou melhor, Aluado – Stark respondeu mais lúcido, apesar de ainda estar visivelmente trêmulo, sua voz soou baixinha e rouca.

Apenas quando o filho de Howard e Maria ficou mais calmo, que Steve notou que os amigos fizeram uma espécie de meio círculo ao redor, uma barreira para curioso mais eficiente que ele, também percebeu que o rosto amorenado de Tony estava vermelho e manchado por lágrimas, lhe dando um ar de fragilidade que acionou todos os instintos protetores de Rogers.

— Ótimo! Vamos ‘pra aula, você precisa ocupar essa sua cabeça de lata – Bucky falou ainda segurando as mãos do jovem Stark.

Barnes sabia que o melhor seria o amigo ir para casa, mas ele tinha certeza que se ligasse para a senhora Stark, ela surtaria e isso acabaria deixando Tony mais nervoso ao ponto de causar outra crise de pânico; que pode acabar sendo mais forte e mais difícil de ser controlada.

A intimidade entre Bucky e Tony causou um incômodo no peito de Steve, algo parecido com ciúmes e inveja por ver como o homem que amou desde a quinta série parecia confiar cegamente no seu melhor amigo, entretanto, inexplicavelmente, surtou em seus braços. Se pegou desejando estar no lugar de Barnes, consolando Tony, sendo seu suporte, mas logo em seguida brigou consigo mesmo por ter esse tipo de pensamento.

— Fala logo que você quer é copiar o meu dever de casa – o Stark mais jovem comentou jocoso. Os professores foram gentis nesse início de semestre e não os entupiram de exercícios para serem resolvidos em casa, mas não perderia a oportunidade de fazer um gracejo com o amigo.

— Que visão horrível que você tem de mim – Bucky retrucou dramaticamente com a mão no peito, o que fez Natasha revirar os olhos.

— As duas crianças podem parar de brincar e irem logo ‘pra aula? – Loki indagou ranzinza se dando conta que não havia mais ninguém no corredor.

O grupo de adolescentes estava tão concentrado na tarefa de ajudar Tony, que não notaram que o sino para a primeira aula já tinha batido e não havia mais nenhum estudante nos corredores, então todos seguiram para suas respectivas salas pensando quais desculpas dariam para que fosse suficientemente boa e não levarem advertência de seus professores.

Contudo, Steve não estava preocupado com desculpas esfarrapadas, mas sim com o que acabou de presenciar. Os últimos minutos não saíam de sua cabeça, ele revivia tudo sem nenhum tipo de trégua e muito menos entendia o que aconteceu para Tony ter aquele tipo de reação com um simples toque. Não podia se esquecer que, tanto os seus amigos quanto os do Stark, estavam agindo como guarda-costas e como parecia que eles já estavam habituados a situações como àquela. Isso o fez ver que durante o ano que passou fora de New York, tinha perdido mais coisas do que imaginou e algumas delas foram realmente graves.

As aulas antes do almoço se arrastaram para Steve, o loiro não conseguiu prestar atenção em nenhuma palavra dos professores, muito menos nas conversas paralelas entre os amigos. Não conseguia parar de pensar no que aconteceu e perguntas e mais perguntas bombardeavam sua mente. Ao sentar-se à mesa que seus amigos se reuniram para almoçar, Rogers notou que Natasha insistia com Tony para que ele comesse uma porção de salada de frutas.

— Vamos lá, Tony, come só um pouquinho – a ruiva pediu com os olhos suplicantes.

— Não estou com fome – respondeu com cara de nojo.

— Mas você não comeu nada no café da manhã e não adianta mentir, o Bucky me contou que você ficou apenas brincando com a comida – Natasha retrucou.

— Eu estou enjoado – o Stark choramingou.

— Coma apenas um pouco – Steve pediu preocupado com o que ouviu. Sua intromissão surpreendeu o casal de amigos, e nem mesmo o loiro sabia dizer porque resolveu se envolver. As palavras simplesmente saíram de sua boca.

— Eu... Eu... – Tony não sabia o que dizer, ele não esperava que Rogers fosse falar consigo.

— Por favor, coma só um pouco ou você vai passar mal... Só algumas colheradas, não precisa comer tudo – o olhar suplicante de Steve fez o coração do Stark mais jovem bater descompensado.

Tony não confiava em sua própria voz, por isso acenou que ‘sim’ com a cabeça depois começou a comer devagar. Se já estava difícil engolir alguma coisa, agora mesmo que seria uma tarefa praticamente impossível, já que um bolo se formou em sua garganta devido ao nervosismo de ter Steve falando consigo novamente; porém, tentaria apenas porque ele pediu. Natasha encarou Rogers com um sorriso pequeno nos lábios, seus olhos azuis expressavam gratidão.

Os amigos sentados à mesa sorriam discretamente, todos estavam felizes por Tony ter comido metade da porção de salada de frutas antes do sinal sonoro tocar avisando sobre o final do horário de almoço. Eles sabiam sobre o distúrbio alimentar que o jovem Stark desenvolveu depois do trauma que sofrera, então, aquele pouquinho que ele ingeriu era uma pequena vitória e esperavam que o moreno não vomitasse. Até Steve estava feliz, mesmo não entendendo os motivos para Tony não estar se alimentando direito, mas era bom saber que foi capaz de ajudar.

Ao contrário das primeiras aulas, as últimas passaram voando e quando menos percebeu, Rogers notou que já estava do lado de fora da escola com seus amigos e os do Stark. Novamente, não tinha prestado atenção no que os professores explicaram, mas não conseguia se importar com isso, sua cabeça e seus olhos estavam presos no pequeno moreno que se encolhia de frio ao lado de Thor.

Steve não conseguia parar de pensar em como Tony fica ainda mais belo com o rosto vermelho devido à baixa temperatura, como queria envolvê-lo em seus braços para afastar o frio, acima de tudo, queria poder devolver o brilho daqueles olhos castanhos que tanto amava. Rogers mordeu o lábio inferior se culpando pelos pensamentos que vieram em sua cabeça, não podia continuar o amando, porque ele não prestava. Tony não passava de um riquinho mimado, arrogante, egoísta e cafajeste.

O jovem Stark sentia os olhos azuis de Steve cravados em si fazendo sua pele pinicar e seu coração bater descompensado, seu estômago se contorcia enlouquecido, suas pernas estavam bambas, suas mãos se encontravam suadas mesmo com a temperatura quase abaixo de zero. Queria sair correndo dali e fugir daquele belo par de olhos. Esperar o motorista da família estava se tornando um sacrifício enorme.

— Tony, não é o seu pai ali? – Barton chamou a atenção de todos com a indagação, os amigos olharam na direção que o rapaz apontou.

— O que ele está fazendo aqui? – o jovem Stark questionou de cenho franzido. O adolescente estava realmente confuso, há meses que eles mal se falavam, então não entendia porquê o pai estava na frente da escola, encostado na sua BMW preta com os braços cruzados parecendo um mafioso.

— Será que aconteceu alguma coisa com a senhora Stark? – Bucky questionou preocupado com Maria. A mulher sempre foi gentil com ele e praticamente o adotou, por isso não gostaria de vê-la ferida ou algo parecido.

— Acho que não, se algo grave tivesse acontecido, ele não estaria esperando... já teria vindo aqui para chamar o Tony – Natasha comentou sabiamente.

— Não importa quais os motivos dele. Eu já estou indo! Tchau, gente, nós vemos amanhã – Tony se despiu e saiu andando na neve sem saber o que era pior: ficar e suportar os olhos de Steve cravados em suas costas, ou ter que dividir o mesmo carro com seu progenitor.

Howard observava o filho vindo em sua direção de cabeça baixa, notou que ele parecia tão pequeno para um adolescente de dezessete anos, as roupas largas aumentavam esse efeito. Fechou os olhos com força ao lembrar que o décimo sétimo aniversário de seu menino seria daqui três meses, o garoto só estava terminando o ensino médio mais cedo por ser mais inteligente que a maioria e ter pulado uma série. Na verdade, se quisesse, Tony poderia estar no seu terceiro semestre de faculdade, porém preferiu formar-se no colégio como um adolescente comum. Abaixou a cabeça quando sua visão ficou embaçada pelas lágrimas, o filho era apenas uma criança e já havia passado por tanta coisa.

Ele não merecia isso!

O Stark mais velho abriu a porta do carro para seu filho entrar assim que ele se aproximou, o jovem entrou sem ao menos olhar para o pai. Howard suspirou entrando no carro e dando partida, pelo retrovisor tinha total visão do seu menino e não conseguia enxergar nada, não havia o sorriso desafiador, toda a petulância que tanto o irritava, o olhar de divertimento ao vê-lo com raiva, o garoto parecia um corpo sem alma. Maria estava certa: eles falharam terrivelmente com Tony.

Na hora pareceu uma boa ideia ir buscar o filho na escola para levá-lo para a consulta com o doutor Strange, entretanto, o silêncio dentro do carro estava pesado fazendo Howard se sentir um inútil. Afinal, conhecia todos os elementos da tabela periódica e até alguns que ainda não estavam nela, conseguia resolver cálculos complicadíssimos sem o auxílio de uma calculadora, mas não sabia como iniciar uma conversa com seu próprio filho. Não era próximo o suficiente para conhecer os gostos de Tony, e assumir isso para si mesmo doeu absurdamente.

O carro mal tinha estacionado direito quando Tony desembarcou e entrou no prédio de Strange em completo silêncio, Howard encostou a cabeça no volante sentindo-se tão perdido, seu garoto estava tão quebrado e não sabia o que fazer para ajudá-lo. Queria poder voltar no tempo e ser melhor para o filho, esperava de todo o seu coração que ele o perdoasse por ter sido tão negligente e lhe desse uma segunda chance para consertar as coisas. Amava demais o seu garoto para passar o resto da vida tão longe dele.

Howard se recriminava severamente por ter acreditado nas mentiras sórdidas contadas por aquele moleque infernal, Tony sempre foi provocador e arteiro, mas também um bom menino. Jamais gravaria um vídeo de sexo e o espalharia por todo o colégio, muito menos usaria drogas ou venderia. Deveria ter acreditado no bom caráter de seu garoto.

De fato, era o pior pai do mundo.

Notas finais
E ai meus xuxus cheirosos, o que acharam do cap??? Steve está mais perdido que cego em tiroteio, mas quer ajudar o nosso bebê injustiçado. Agora o Howard quer ser pai, qual a opinião sobre isso? Deixem suas opiniões para sua amada autora e lembrem-se de favoritar a historia. Quero agradecer a CecySazs por me ajudar com a correção do cap... au au au ;-) Bjus meus xuxus cheirosos