Midori
3 Oráculo
Notas iniciais
Nunca tinha reparado na demora absurda que uma semana tinha em passar.
Quando finalmente chegou sexta-feira, pela primeira vez eu estava feliz por entrar no carro com meus pais adotivos e minha irmã. Claro que já na metade do caminho eu estava considerando seriamente abrir a porta e pular com o carro em movimento. Finalmente chegamos na casa de meus tios, soberbos como sempre.
Tive que me forçar a parecer normal durante a refeição toda, não só uma mortal, mas também uma adolescente que vive em uma família perfeita. Depois de duas horas na sala bem decorada com tons de marrom minhas bochechas doíam de tanto sorrir. Finalmente fui dispensada, dispensada, disfarçando até para mim mesma a vontade de voltar a sentar abaixo de certa árvore, esperando ter compania. Não qualquer compania. A compania de Di Angelo.
Assim que saí da casa e bati a porta atrás de mim, uma brisa morna bagunçou meus fios verdes. Meus pensamentos estavam tão acelerados que se atropelavam, só tinha uma coisa que me curava dos pensamentos: Música bem alta.
XXX
–Dá pra tirar isso, sua peste?
Demorei um momento para formar a frase em minha mente. Olhei para o lado e dei de cara com uma ruiva zangada, tirei os fones imediatamente. Se eu aprendi algo no acampamento, é que ruivas são homicidas natas, até as mortais.
– Rachel… Oi…
Seu rosto ficou mais vermelho que seu cabelo, parecia que iria entrar em combustão.
– Sua vadia, estava em outro mundo? Estou te chamando a horas!
– Pare de drama, fósforo-mutante.
Certo, eu já matei uma hidra, uma quimera e teve aquele dia esquisito com o unicórnio apaixonado, no qual eu consegui minha arma. Sem falar de Eros, que parecia ter fascínio por foder com a minha vida.
Mas ver Rachel com raiva me fez correr. Loucamente.
Disparei gargalhando pelo parque, indo para as árvores na parte leste do parque, sendo seguida por uma Dare irritada gritando ofensas. Quando já estávamos em uma parte que parecia vazia, onde só haviam árvores e grama, por todos os lados, arbustos floridos aqui e ali… Pow.
A ruiva pulou sobre mim como se fosse um tigre atacando, nos fazendo rolar pela grama cheia de folhas secas que restaram do inverno.
Como eu tinha muito mais prática, fiquei por cima e segurei suas duas mãos ao lado do rosto repleto de sardas.
– Ganhei. — Declarei um tanto ofegante.
Ela me lançou um sorriso e um brilho de malícia passou por seus olhos. Ela puxou os dois braços sem me dar tempo de reagir e trocou nossas posições, sentando sobre minhas pernas e segurando minhas mão acima da cabeça. Ela riu divertida, cheia de folhas com seus cachos laranjas que pareciam ficar mais vibrantes a cada ano.
– Ganhei. — Disse melodicamente, quase que como que cantalorando, e continuou se abaixando, perto o suficiente para fazer meus coração fazer um número de dança. No meio de seu movimento ficou repentinamente branca, junto com tudo ao redor que parecia perder as cores lentamente, junto com os sons que se abafaram, como a música que ainda tocava nos fones que jaziam em algum lugar perto do meu pescoço. Aproximou-se até que a única coisa que eu ver era seus olhos se fechando e uma névoa verde saiu por seus lábios abertos, passearam lentamente no ar antes de atingir meus ouvidos, me causando arrepios.
– Uma tempestade está chegando, Clarisse Sheeran Fire.
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