Midnight
7 Kisses
Notas iniciais
- Eu cansei. Júlia reclamou, descendo do cavalo.
- Ah, larga de ser mole. disse Dougie.
Ela passou a mão na testa suada.
- Eu cansei. – Júlia reclamou, descendo do cavalo.
- Ah, larga de ser mole. – disse Dougie.
Ela passou a mão na testa suada.
- Você não me disse que vínhamos andar de cavalo, eu vim despreparada.
Ele riu, descendo do cavalo dele.
- E por acaso precisa-se estar preparado para andar de cavalo.
- Eu preciso. – ela disse sentando-se no mato, ofegante.
O menino deitou no chão, ao lado dela, com a cabeça em cima das mãos.
- Fala sério, não é possível que você esteja tão cansada. – o rapaz disse. – Foi o cavalo que correu, não você.
- Poynter, não seja grosseiro. Eu estava em cima do cavalo enquanto ele pulava como um louco porque você estapeou a bunda dele. – ela fez drama. – Eu podia ter morrido, sabia?
Ela deitou-se no chão, enquanto ele ria.
Júlia respirou fundo, olhando para o céu, já sem rir.
- Quando vocês vão voltar? – ele perguntou, sério.
- Bom, a intenção era passar as férias inteiras aqui, mas depois de... Bom, de tudo o que aconteceu, eu já não sei mais.
Dougie ficou calado, observando o céu.
- Sei que pra você isso deve ser bem difícil, por isso saiba que eu estou aqui, pro que der e vier. – Júlia disse, virando-se para o rapaz.
Ele se virou para ela e tremeu ao sentir a respiração da menina no seu rosto. O hálito de hortelã dela era delicioso e o fazia querer chegar mais perto.
Dougie já havia esquecido o que ia dizer.
Os olhos dele não se moviam. Nada mais tinha som, apenas a respiração da menina.
Ela sentiu-se tonta por um momento, e fechou os olhos.
Dougie avançou alguns centímetros em direção a boca dela. Júlia sentiu a respiração do rapaz forte em seu rosto e sorriu travessa.
- Você não vai me beijar tão fácil assim. – ela disse, abrindo os olhos e se levantando.
Dougie, por alguns segundos, ficou apenas olhando-a atordoado, e depois levantou, rindo, e se pôs a correr atrás dela.
- Você não vai me escapar, Júlia!
- É o que você pensa, Poynter!
Ela riu e atravessou o campo correndo dele, até avistar o armazém da fazenda.
Era uma enorme estrutura de madeira, aparentemente velha, aonde o avô de Tom estocava o que era produzido na fazenda, para depois vender.
- Se eu te pegar. – Dougie gritou, quase a alcançando. – Você vai ter que me beijar.
Ela riu alto. Estava gostando daquela brincadeira, só não imaginava as conseqüências dela.
- Você não vai me alcançar, eu não preciso me preocupar.
Ela acelerou o passo em direção ao armazém, mas quando estava a metros da porta, tropeçou nos próprios pés e cambaleou para frente.
Nessa fração de segundos, ela sentiu uma mão pegar forte seu braço e impedi-la de cair.
Sentiu-se sendo puxada para o lado e rodopiou, vendo que era Dougie quem havia lhe agarrado.
Por fim, Júlia acabou por bater as costas na parede externa do armazém.
Ela soltou um gritinho de dor e fechou os olhos, ouvindo o corpo de Dougie prensar o seu contra a parede.
- Ta tudo bem aí? – ele perguntou.
Ela abriu os olhos e sorriu para lê.
- Melhor do que se eu tivesse caído. – ela viu uma luz metros acima da sua cabeça se acender. – Eles não deveriam ter acendido isso há algum tempo?
- Como assim?
- Já faz um tempão que escureceu, essas luzes já deveriam estar acesas a algumas horas.
Sem se soltar dela, Dougie consultou o relógio de pulso.
- Meu Deus, já são quase meia noite... Eu mal reparei que já tinha escurecido, quanto mais que já era tão tarde.
Ela riu. – Você é lerdo demais, Poynter.
Ele olhou no fundo dos olhos dela, ficando novamente sério.
- Eu posso até ser lerdo, mas você ainda me deve um beijo.
Ela sorriu, em provocação. Já podia senti novamente a respiração dele misturar-se com a sua.
- Eu não vou te dar beijo nenhum. – ela sussurrou, não o deixando reparar que ela mesma estava aproximando seu rosto do dele.
- Então eu vou ser obrigado a te roubar um beijo. – ele disse.
Ela sorriu e não demorou a sentir os lábios do rapaz investirem contra os seus.
Direcionou suas mão para a nuca dele, sem perder tempo. Dougie segurou-a pela cintura, como se tivesse medo que a menina pudesse fugir de perto dele.
Ele se sentia como se tivesse uma jóia preciosa nas mãos e não pudesse perde-la.
A língua dela pediu passagem na boca dele, surpreendendo o rapaz. Júlia não pensou duas vezes antes de aprofundar o beijo.
Dougie estava descendo suas mãos para as coxas dela, quando ouviram a madeira dali estalar alto.
Eles se separaram, ambos com os lábios levemente inchados.
- O que foi... – Júlia perguntava ofegante, quando o som estrondoso ecoou alto pelo lugar.
Vinha de dentro do armazém.
Assustados, ele ficaram sem saber o que fazer por um rápido momento, mas não mais que no segundo seguinte ao estrondo, um grito horrorizado ecoou alto.
Júlia sabia que aquele grito era de Juliana.
Ele já tinha o coração na boca, quando pegou a mão de Dougie e correu para dentro do Armazém.
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