Midnight
2 Fate
Notas iniciais
- Certo, por que mesmo estamos indo passar as férias em um vilajero do interior e não na praia? – perguntou Júlia, sentada ao lado da amiga.
Capítulo 2 – Fate
Destino
Karol Dalles suspirou irritada, sentada no último banco do ônibus.
- Certo, por que mesmo estamos indo passar as férias em um vilajero do interior e não na praia? – perguntou Júlia, sentada ao lado da amiga.
- Porque a tia dos dois aqui tem uma mansão na cidade e, alem disso, porque a viajem pra cá sai de graça, enquanto uma para a praia ia nos deixar sem dinheiro para viver.
- Ah, sim! Obrigada por me lembrar!
Karol riu.
- Calma, gente, da última vez que eu vim aqui não era tão ruim assim.
- Karol, a última vez que viemos aqui foi há, pelo menos, dez anos. – disse seu irmão, vindo da frente do ônibus e sentando-se com as meninas.
- Obrigada por acabar com as minhas esperanças de ter uma férias legal, Lu. – disse Júlia.
O rapaz riu.
- Sabia que eu adoro o seu senso de ironia?
- Você está sendo ironico agora?
- Não, eu só...
- EI! Tive uma idéia, dudes! – exclamou Juliana, sentando cuidadosamente no chão do ônibus em movimento. – Vamos jogar Fate Cubes!
Júlia e Karol rolaram os olhos, e Lucas pulou para o chão também.
- Dude, é por isso que eu te amo!
A irmã do menino riu.
- Gente, fala sério, vocês dois são as únicas pessoas no mundo que compraram essa bosta de Fate Cubes. – ela disse, mas sentou-se no chão também.
- Ah, come on, vai dizer que você não acreditam em destino? – Juliana perguntou, tendo o apoio de Lucas.
- Não acreditamos que dados possam mostrar o destino! – responderam Júlia e Karol juntas.
Os outros dois, que já tinham seus dados na mão, puxaram elas para a rodinha que eles formavam no chão e lhe entregaram mais dois dados.
- Right, dude, no três!
- Um... – eles fecharam as mãos com o dado dentro. – Dois... – começaram a balançar os dados nas mãos. – TRÊS. – finalmente os soltaram.
O dado amarelo de Júlia parou bem a frente de Karol, o vermelho de Karol rolou para frente de Júlia, enquanto o verde de Juliana e o azul de Lucas saíram quicando por debaixo dos bancos do ônibus, indo parar em algum lugar na frente.
- Mais que merda!
- O da Karol deu coração! – disse Júlia.
Juliana riu para a amiga.
- Coração é amor, benhê. Será que você vai encontrar seu príncipe encantado?
- Ju, faz um favor?
- Diz.
- Cala a boca.
- O que deu o da Juu?
Karol baixou os olhos.
- O dela é um coração também, quebrado. Partido ao meio, na verdade.
Lucas levou a mão ao queixo, pensativo.
- Isso é amor perdido. Você está gostando de alguém?
- Não que eu saiba.
O rapaz fez joinha pra menina, rindo.
- Então vai gostar de alguém... Mas não vai ficar com ele.
- Que ótimo. – ela disse ironica.
- Eu queria saber o que deu o meu. – reclamou Ju, abaixando-se ainda mais para olhar por debaixo dos bancos.
- Foram lá pra frente. – Lucas disse, agachando-se no chão.
Os dois começaram a engatinhas pelo caminho do meio do ônibus, procurando pelos dados por debaixo dos pés dos outros passageiros.
A maioria das pessoas ali estavam dormindo, o que facilitou para que eles não precisassem ficar pedindo desculpas ou parecerem (ainda mais) ridículos.
Karol e Júlia riam dos dois lá atrás, nem notaram quando o ônibus começou a balançar-se de um lado para o outro.
O motorista devia estar querendo brincar com eles. Só porque a pista estava limpa, lisa, seca e desmovimentada ele achava que podia sair fazendo esses zig zags?
Um desses balanços fez Lucas cambalear para o lado e bater a cabeça na lateral de um dos bancos.
- AI, PORRA! – ele levou a mão a cabeça, enquanto Juliana virava-se pra ver se o amigo estava bem. – VOCÊ TIROU CARTEIRA DE MOTORISTA POR ONDE? CORREIO? INTERNET?
A menina a sua frente começou a rir.
- Calma, Lu.
O rapaz bufou e voltou a procurar o dado.
Chegaram na frente do ônibus e nada. A porta que dava para a cabine do motorista estava entreaberta.
- Eu não acredito que as duas bostinhas passaram por aqui e cairam lá! – Juliana reclamou.
- Vamos lá ver. – a menina lhe olhou estranho. – Qual é? Você acha que depois do galo que ele me deu, ele tem algum motivo pra reclamar comigo?
- Se você diz que não... – ela riu e empurrou a porta de leve, ainda abaixada.
O amigo engatinhou até a cabine do motorista e olhou para a escada por onde se entrava e saia do ônibus.
- Achei, estão lá embaixo.
A menina retribuiu o sorriso, fazendo-o corar.
- E ele nem disse nada.
O rapaz concordou, virando a cabeça para o motorista.
Nos segundos que se seguiram ele apenas teve tempo de empalicer e olhar para Ju, assustado.
- SE SEGURA! – ele gritou, acordando dois ou três passageiros.
Ju apenas obedeceu e, no segundo seguinte, antes que o próprio Lucas pudesse se erguer, o ônibus deu forte solavanco, jogando o corpo do rapaz pela escada de entrada.
As duas meninas do fundo do ônibus gritaram, acordando algum dos passageiros.
- LUCAS! – Juliana gritou, aterrorizada.
Ela levantou-se cambaleando para frente e viu o motorista desacordado, com a cabeça pendendo para trás.
Olhou para o lado oposto e viu o amigo levanta-se do chão com dificuldade, com um pequeno corte no rosto.
- Senhor, senhor acorda. – ela disse aflita, balançando-o.
O corpo do homem caiu em cima de um painel ao lado do volante, com vários botões.
Ela olhou pra frente e viu que haviam saido da estada. Sua mão tremia em desespero.
O veículo agora andava por uma estrada irregular de terra, prestes a entrar no mato. Viu o ônibus cair em um grande buraco com uma das rodas e novamente pular alto no ar.
Uma mulher ali gritou. O ônibus estava quase vazio e os poucos que ainda dormiam, finalmente acordaram.
Os pneus dianteios voltaram ao chão com força e dentro do ônibus tudo tremeu.
A porta atrás de Lucas abriu de supetão e a força da pressão e do vento de fora puxou o corpo do rapaz com força para fora da cabine.
- CUIDADO! – ela gritou.
Ele tentou correr escada acima, mas escorregou e caiu no não, deixando o corpo ser sugado quase totalmente para fora do ônibus.
Com um velocidade que nunca julgara ter, segurou as bordas de borracha da porta e, com um pouco mais de esforço, conseguiu lançar a mão esquerda ao corrimão da escada, segurando-o firmemente.
Juliana desceu dois degraus com cuidado, esticando-se para pegar a mão do amigo.
- Para o ônibus. – ele disse.
- Lu, você vai...
- Ju, vai parar o ônibus. – ele repitiu.
Ela levantou a cabeça e olhou pelo vidro dianteiro, vendo uma enorme árvore na direção exata do ônibus.
Ela voltou ao volante e tentou virá-lo, mas não conseguiu. Olhou para baixo e um dos braços do homem estava entrelaçado ao volante e a perna direita ainda pressionava o acelerador.
Ela abaixou-se e tentou passar por debaixo das pernas dele, tirando seu pé dali. O desespero começava a impedí-la de raciocinar.
Karol, no fundo do ônibus, olhou para Júlia em desespero.
- Cadê meu irmão? Eu não to vendo ele. – disse aflita.
- Eu não sei... Eu...
Antes que ela pudesse responder o ônibus pulou novamente e então Karol pode ouvir um grito vindo da frente do ônibus. Um grito grave o bastante para ser de Lucas.
Sem pensar duas vezes ela saiu correndo pelo ônibus com Júlia no seu encalço.
- O que acon... – ela olhou Juliana e depois para a porta, parando de falar para gritar assustada.
- A gente precisa parar essa coisa! – a menina gritou, ainda tentando tirar o pé do homem do acelerador, mas não conseguindo alcançá-lo.
- Eu...
- Ajuda ela. – disse Júlia. – Eu puxo o Lu.
Segurou-se com uma mão na borda da porta que dividia a cabine do resto do ônibus e então esticou-se para pegar a mão do rapaz.
A sensação de estar sendo sugado para fora era simplesmente horrivel. Lucas sentia-se tonto e com uma certa vontade de vomitar. A sensação dava a impressão de que seus orgãos internos estavam sendo puchados para debaixo da cintura. O coração batia forte, doendo dentro do peito.
Ele fechou os olhos, até sentir a mão de Júlia conseguir tocar a sua.
Sorriu amarelo para a amiga, que agora conseguia segurar firmemente a sua mão. Nem assim deixou de segurar o corrimão da escada.
- Consegui! – gritou Juliana, finalmente sentindo a velocidade do ônibus diminuir ao tirar o pé do motorista do acelerador.
Karol olhou pelo vidro.
Ele não pararia a tempo. Mesmo diminuindo a velocidade ele bateria na árvore e então, dificilmente iria sobrar um deles para contar história.
- Aperta o freio! – gritou para Juliana.
- O que?
- Aperta o maldito freio.
A menina olhou para lá, sem saber mais qual era o freio.
Fechou os olhos e apertou com força o mais proximo de si.
- Eu não vou mais aguentar! – Lucas gritou.
O braço queimava em dor. Sentia que a qualquer momento podia rasgar-se diante de seus olhos.
Os pneus do ônibus cantaram alto, parando de rodar, mas ainda deslizando para frente.
Karol pulou por cima do corpo do motorista, e do lado oposto engatou o freio de mão.
- Abaixem-se!
Ela e Juliana esconderam a cabeça por entre os braços, de olhos fechados.
Lucas lançou um olhar significativo a Júlia, e em seguida a viu balançar a cabeça negativamente, com os olhos marejados.
Ele fechou os olhos e ela fez o mesmo.
Esperaram 1, 2, 3 segundos. A velocidade parava gradativamente. 4, 5, 6 segundo e Lucas pôde sentir a força que o puxava diminuir ligeiramente.
Com esforço, conseguiu colocar o pé direito novamente no ônibus. Puxou com força o corrimão e deu um forte impulso com pé, sentindo seu corpo finalmente voar para frente.
Ele trombou em Júlia e segurou a amiga, rolando pelo chão com ela até Karol e Juliana. Os quatro encolheram-se, esperando pela batida.
O ônibus andou alguns segundos a mais, fazendo-os perguntarem a si mesmo quando ele iria parar.
Com uma baixa velocidade, o ônibus atingiu a árvore.
Eles sentiram a força fraca do impacto os empurrarem de leve, mas sem fazê-los sair de onde estavam.
O ônibus havia, finalmente, parado.
Os quatro levantaram a cabeça e respiraram fundo.
- Essa foi por pouco... – disse Karol.
- Muito pouco... – o irmão lhe assegurou.
Notas finais
:: Capítulo 3 - I think we've already lose it O homem suspirou e tirou os óculos, encarando Lucas como se tivesse pena.
- Avise sua irmã que vamos agora e venha comigo na cabine da frente, tem algumas coisas que você deve saber.
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