Midnight
1 Death Said
Notas iniciais
Tom chorava alto, tentando desvencilhar-se dos braços do pai.
A gritaria daquele lugar estava deixando-o confuso, sua cabeça começava a rodar e doer, enquanto vozes ecoavam dizendo coisas sem sentido.
A gritaria daquele lugar estava deixando-o confuso, sua cabeça começava a rodar e doer, enquanto vozes ecoavam dizendo coisas sem sentido.
Seu desespero chamava tanta atenção quanto a ambulância à frente da casa que socorria duas das quatro pessoas que, anteriormente, estavam ali dentro. Um homem e uma mulher tinham leves queimaduras e algumas poucas escoriações pelo corpo, mas estavam conscientes e bem, exceto pela preocupação com uma terceira pessoa.Thomas Fletcher, estudante de uma universidade londrina, era uma das quatro pessoas que estavam ali dentro, e de todas, a mais segura. Ele e os amigos haviam ido passar a passagem de ano na fazenda de seu avô há dois dias, mas na casa dos pais de um desses amigos, as férias haviam perdido completamente o sentido... Ou pelo menos estavam perdendo.Ele queria vê-lo bem, vê-lo a salvo, mas os bombeiros pareciam ter entrado lá há séculos e nada de notícias.Na lateral direita da casa ouviu-se um alto estrondo e calou a todos os espectadores da tragédia, que antes gritavam, e em seguida houve uma explosão naquele lado. Era como se uma enorme baleia de chamas saltasse subitamente do chão, dando uma investida na parede da casa e, assim, destruindo-a.Ouvia-se então apenas o som das labaredas queimando a madeira.Tom gritou novamente, quase sendo cegado pelas próprias lágrimas. Ele, usando as últimas forças de seu corpo exausto, desvencilhou-se de seu pai, correndo em direção a casa em chamas, que agora parecia um grande titã de fogo, diante dos meros olhos mortais daqueles cidadãos que não ousavam desafiá-lo.Ele chutou a porta, que facilmente caiu no chão, quebrada.Sentiu-se, então, no próprio inferno. Só se via restos do que já haviam sido móveis e a estrutura de madeira da casa, agora fraca e degradada. O vermelho e amarelo pareciam difundir-se sem nenhuma distinção diante dos olhos do rapaz.Ele gritou pelo nome do amigo, desesperado, mas não ouve resposta. Correu então ao andar de cima, tomando cuidado na escada despedaçada que já caia sozinha. Correu pelo corredor suspenso do segundo andar, escapando de estacas em chamas por pura sorte. Sentia-se como se houvesse alguém junto de si, exatamente ao seu lado, afastando todo o perigo que ousasse ameaçar sua vida.Abriu a porta do quarto do amigo com um empurrão e parou de súbito, completamente paralisado, debaixo do batente queimado. Era como se estivesse debaixo de um arco em chamas, vendo algo que seus olhos denunciavam, mas sua mente não queria aceitar.O corpo de um dos seus melhores amigos, da pessoa que faltava do lado de fora da casa com ele, jazia no chão em meio ao fogo. As roupas estavam rasgadas e a mão direita tinha uma marca enorme de queimadura, uma circunferência levemente deformada que fez Tom supor que o amigo tinha tentado escapar e acabara ganhando a queimadura ao tocar a maçaneta quente da porta. Seus olhos estavam fechados, mas seu rosto não expressava nenhuma dor.Tom deu um passo à frente, mas depois recuou, notando uma enorme silhueta ao lado do rapaz. Era uma enorme sombra que parecia estar de quatro, como um animal selvagem checando a vitalidade da sua presa.O rapaz pegou um objeto qualquer em cima da cômoda e atirou na sombra, chocando-se ao ver o objeto adentrar a escuridão do semblante assustador, como se tivesse sido absorvido por ele.O loiro chamou novamente pelo amigo, que não se mexeu. O corpo parecia... Sem vida.Corajosamente, deu um passo a frente, mas viu a sombra levantar-se imponente e rugir alto, como um urso.Não se calculou nem uma fração de segundos entre o rugido do animal, o grito do rapaz e uma segunda explosão, que jogou o corpo de Tom por cima da cerca do corredor suspenso do segundo andar, fazendo-o cair direto no primeiro, e ter sua visão apagada, primeiramente por um forte clarão vermelho, e depois por uma densa escuridão. -X- - Tom? Você está bem? – perguntou um rapaz alto, de cabelos castanhos e espetados, correndo atrás do loiro.Ele não respondeu, apenas continuou andando. O amigo o alcançou e pôs a mão em seu ombro, virando-o para si.- Estou ótimo, Harry. – disse Tom, bufando.O amigo fez careta ao ver os sete pontos no corte acima da sobrancelha direita do rapaz e o pequeno curativo na bochecha esquerda. Sabia que por baixo da camisa dele, seu tronco também estava enfaixado. Tom quebrara duas costelas e por pouco não morrera três dias atrás.
- Não adianta você ficar assim agora, Tom – Harry disse, abaixando a cabeça.Tom voltou a andar. O preto do terno, calça e sapatos contrastava com o verde forte do chão, mas combinava perfeitamente com o silêncio daquele cemitério.- Eu simplesmente não consigo acreditar que isso tudo aconteceu – ele disse, parando de andar. – Sinto como se tudo isso fosse um terrível pesadelo e eu não conseguisse acordar.- Olha, sei que isso não é um lado positivo, mas ninguém achou o corpo. Você sabe como ninguém que esse enterro foi meramente simbólico.O loiro deixou uma lágrima descer pelo rosto, cabisbaixo.- Eu já disse, Harry, eu vi o corpo dele! – disse em um sussurro.- Ah, você sabe o que o médico disse. Foi uma ilusão. Você estava confuso, desesperado e além disso machucado, viu algo que não estava ali.- EU VI ELE! – vociferou, levantando a cabeça para encarar o amigo. – Harry, eu não sei como vocês todos estão encarando isso com tanta facilidade, mas eu não consigo aceitar.- É por isso que teima em ver algo que não realmente viu.- Mais que merda, eu já disse, eu vi o corpo dele – ele gritou, chorando novamente. – Eu tenho certeza que vi. Vi o corpo, ali, estirado no chão, completamente neutro, aparentemente sem vida, mas com uma expressão calma. Harry, eu não me importo se o mundo inteiro achar que eu sou louco, mas eu vi, é fato!Harold Judd, um dos três amigos que haviam vindo com Tom para a casa de seu avô, suspirou alto, tentando acreditar no amigo.- O castiçal que você disse ter atirado nele também não foi encontrado. Procuraram pela casa inteira e nada.Tom bufou alto, puxando Harry pelo braço e fazendo-o sentar-se no chão, entre duas grandes lápides de mármore.- Harry, entenda uma coisa, eu não tenho certeza se era um castiçal, eu nem ao menos prestei atenção! – ele explicou. – E eu não atirei o suposto castiçal nele, atirei em um sombra.- Mas você tinha dito que...- Eu sei o que eu disse, mas o que você queria, que eu fizesse os médicos me acharem louco?Harry sentiu um aperto no peito. Aquela história toda estava começando a assustá-lo.- O que realmente aconteceu então?- Eu cheguei lá e o vi deitado no chão, bem como contei, o que não disse foi que havia uma sombra ao lado dele.- Uma sombra?- É, uma sombra enorme estava do lado dele, ela parecia querer checar se ele estava morto ou não.- Tom, você está me assustando, está realmente me assustando.- Eu juro! Eu não soube dizer o que era na hora, mas eu posso jurar que era a sombra de um urso! Ele ficou me olhando quando eu cheguei, parecia não querer que eu chegasse perto dele.- Hum... E?- E então eu atirei o tal castiçal nele e o negócio simplesmente sumiu! Sabe, Harry, parecia que a sombra havia engolido completamente o castiçal, como se tivesse absorvido ele – Tom contava aquilo com uma angustia que estava evidente em sua voz. – Eu fui dar um passo pra frente, o animal rugiu e depois tudo apagou. Foi isso.- Estranho, lá de fora nós ouvimos você gritar e ouvimos a explosão também, mas em momento algum houve um rugido – o rapaz calou-se por um instante, pensativo. – Eu acredito em você, Tom, só queria entender por que só você viu e ouviu essas coisas.O loiro levantou os olhos para o céu, enquanto passava os dedos no rosto, limpando-o das lágrimas. Cause all of the starsAre fading awayJust try not to worryYou\'ll see them some day - Eu também queria, Harry. Tenha certeza disso...
Notas finais
Próximo Capítulo:
:: Fate
Karol Dalles suspirou irritada, sentada no último banco do ônibus.
- Certo, por que mesmo estamos indo passar as férias em um vilajero do interior e não na praia? – perguntou Júlia, sentada ao lado da amiga.
:: Fate
Karol Dalles suspirou irritada, sentada no último banco do ônibus.
- Certo, por que mesmo estamos indo passar as férias em um vilajero do interior e não na praia? – perguntou Júlia, sentada ao lado da amiga.
Fale com o autor