Mi Rosa...
2 Jantar com os Madrigal
Notas iniciais
(As cenas a seguir serão contadas na visão de Rosa Torres)
Era impossível ficar em um mesmo local que Camillo e não deixar escapar alguns risos. Parecia que ela sempre fazia de tudo para deixar o ambiente ainda mais agradável.
— Sei que não conseguimos chegar aos pés de Luísa mas vamos fazer nosso melhor para que ela consiga descansar e não chegue aqui amanhã já cheia de trabalho para fazer. – Falo enquanto respiro fundo e volto ao trabalho. Logo os demais também começam a se ocupar.
Estava colocando alguns pregos nas partes de madeira que o marceneiro da vila havia me enviado, em meio ao processo acabo me assustando com o martelo e puxo o dedo, raspando em uma das farpas da madeira o que corta superficialmente meu dedo.
— Ai! – exclamo não muito alto, mas paro o que estou fazendo por um momento
— O que foi? – Escuto uma voz atras de mim e me deparo com Maribel entrando rapidamente no quarto – se machucou?
— Só cortei meu dedo no susto. – Rio e mostro o indicador com apenas uma gota insignificante de sangue — está tudo bem.
Ela faz um sinal para que eu espere e sai rapidamente do quarto, o que me faz estranhar a preocupação repentina com algo tão pequeno. Ela volta alguns segundos depois com um curativo redondo minúsculo e vem colocar na “ferida” eu rio com a cena, parece ate que me cortei feio.
— Obrigada Maribel. – Sorrio sincera, mesmo que sem necessidade ela se preocupou comigo.
Ela me olha estranho por um momento ate que fala.
— Ah sim, não precisa agradecer – Ela vai saindo do quarto rapidamente. Olho com certa estranheza, mas logo volto ao que eu estava fazendo.
O dia passa rapidamente. Com a ajuda de todos acabando terminando toda a parte estrutural da casa, faltando apenas os moveis e a decoração.
— Obrigada a todos pela ajuda, sei que sem vocês nada disso seria possível e muito menos tão divertido quanto foi! – Falo alto na porta da casa, para que todos escutem. Logo começa uma agitação em gritos e comemorações por mais uma criação feita pela junção da comunidade. Em Encanto todos podem contar uns com os outros como uma grande família.
Um grupo puxa os instrumentos e começam a tocar uma musica animada. Mirabel, Isabela e Camillo me puxam para o centro da roda, onde todos dançamos animados já sendo iluminados pelas luzes das velas e pela lua cheia daquela noite. É impossível conter a animação e logo toda a vila já está reunida. Pepa e Felix já estão na roda e Camillo puxa Antônio para dançar também. Luísa que já parecia relaxada a essa hora também aproveita para dançar conosco ate cansarmos e nos despedirmos para voltarmos para casa.
— Rosa! — Isabela me puxa – Vamos dormir lá em casa hoje! Amanhã você provavelmente já vai para sua casa nova e acho que não vai querer enfrentar a fúria de sua mãe ainda essa noite – ela ri, mas olha para Mirabel que também acena positivamente.
Rosa tinha uma boa Família. Porém sua relação com sua mãe nunca foi das melhores, ela não sabia o motivo, mas sempre que perguntava ela acabava desconversando.
— Acho uma boa ideia – enfatiza Mirabel já me olhando esperançosa
— Vocês me conhecem muito bem meninas. – Rio de lado, o dia tinha corrido tão alegremente que havia me esquecido do porque que havia decidido me mudar, antes mesmo de casar como o que geralmente fazem. – Claro que gostaria, mas não querem falar com Abuela antes?
— Não será necessário – Camillo se aproxima e se transforma em sua irmã Dolores colocando a mão no ouvido a imitando — A essa hora Dolores já escutou e avisou para ela. – Ele coloca a mão em meu ombro me dando um sorriso simpático e calmo.
— Tudo bem – Assinto com a cabeça e começamos a andar em direção a casa Madrigal.
Chegando à casa já nos deparamos com as portas abertas. A porta de entrada agora brilhante como uma porta magica se move como se desse “oi” para Maribel quando ela passa.
— Hola Casita – Maribel passa a mão pela porta que brilha com seu toque.
— A festa hoje deve ter sido muito divertida – Abuela fala já arrumando a mesa de jantar. Mirabel prontamente toma a frente pegando os pratos e os organizando na mesa. – Acabou que todos saíram de casa e apenas Bruno e Julieta ficaram aqui na Casita.
Me aproximo dela e a cumprimento como de costume. Já não era a primeira vez que eu os visitava então ela apenas acena com a cabeça e indica a mesa que já estavam quase todos sentados. Me aproximo de Maribel que batia na cadeira vazia para que eu me sentasse, e do outro lado da cadeira estava Camillo que no momento estava transformado em mim.
— Você esta lindo Camillo – Falo rindo antes de me sentar e ele volta ao normal rindo juntamente com o restante da família.
— E agora? – ele fala em sua identidade verdadeira enquanto o restante da família também achava graça.
— Agora está mais bonito ainda. – Falo entrando na brincadeira o que o deixa levemente desnorteado, geralmente todos apenas o respondiam de forma sarcástica então creio que ele esperasse uma resposta diferente.
— Ei! Não o trate bem assim. Ele vai acabar se apaixonando! – Dolores fala como se estivesse dando um sermão, mas não consegue conter o riso que veio logo em seguida quando vê que Camillo estava realmente sem graça.
Olho para ele e brinco novamente.
— Ora, então terei trata-lo bem mais vezes – levanto as sobrancelhas algumas vezes e lhe dou uma leve cotovelada o que o faz voltar a feição ao normal e receber a brincadeira com bom humor.
— Seria bom pelo menos alguém me tratando bem nessa casa! – Diz ele sussurrando mais próximo ao meu ouvido
—Ei! – Dolores que o escuta e chuta sua perna em baixo da mesa – Eu te trato bem!
— Percebesse – diz ele passando a mão onde havia levado o chute.
Abuela bate no copo com a colher chamando a atenção de todos.
— Julieta fez um jantar muito especial hoje, rico em nutrientes para que nossa futura mamãe tenha uma boa quantidade de nutrientes. – Suas palavras um pouco mais serias prendem a atenção da família por um momento o que fazem todos começarem a se servir.
O Jantar corre bem, ate o momento que Camillo tenta repetir pela terceira vez a carne.
— Camillo! – Pepa o olha feio e Camillo revira os olhos, se voltando para colocar mais alguns dos legumes de Julieta havia feito para Dolores.
Rio ao lado dele e cutuco sua costela. Ele olha para mim e balança a cabeça confuso pego o prato dele que estava com os legumes e troco de forma a não chamar atenção pelo meu que estava com a carne intacta. Ele fica sem entender por um momento até que sussurro em seu ouvido
— Eu não como carne – falo apenas para ele, que me olha incrédulo.
— Vou ter que comer sua carne toda vez agora. – Ele fala me fazendo rir enquanto termino de comer os vegetais.
Todos estavam se levantado da mesa, deixando seus pratos na pia e indo para seus respectivos quartos. Me levanto e ao deixar o prato na pia já aproveito para lavar os que estavam ali, Maribel se aproxima e me ajuda e quando terminamos vamos em direção ao quarto de Isabela.
— Aqui que a gente se despede – “Maribel” se transforma em Camillo que dá de ombros – Noite das meninas né? Se divirtam. – Ele pisca e vai em direção a seu quarto. Eu o olho rindo e balanço a cabeça vendo que Camillo consegue enganar as pessoas muito facilmente
— Você... – Ele se vira e apenas balanço a mão no ar rindo – nada. Boa note Camillo – Sorrio pra ele que para um momento no corredor e sorri também, antes de entrar para seu quarto.
Espero ele entrar para seu quarto antes de abrir a porta de Isabela. Quando abro me deparo com todas as meninas mais novas ali (Maribel, Isabela, Luísa e Dolores)
Fale com o autor