Mi Rosa...
3 A Noite das meninas
Espero ele entrar para seu quarto antes de abrir a porta de Isabela. Quando abro me deparo com todas as meninas mais novas ali (Maribel, Isabela, Luísa e Dolores)
— Oi meninas – Chamo a atenção enquanto me aproximo. Isabela havia feito um tapete de grama macio e no meio havia uma grande jarra de suco em um tom lilaz, o que me pareceu ser de uva.
— Porque demorou tanto? – indagou Luisa que estava com o copo recém colocado de suco na mão.
— Ela havia me avisado que ia lavar a louça antes de vir – disse Isabela enquanto me oferecia um copo de suco.
— Mas eu não disse nada... – digo a olhando enquanto penso e então começo a rir – pensei que estivesse lavando a louça com a Maribel, mas quando subi era Camillo. Deve que ele também se transformou em mim e falou com vocês.
— Camillo? Lavando a louça? – Dolores me olha incrédula – Ele odeia lavar a louça.
Isabela olha para Dolores com um ar sugestivo, logo Dolores abre um sorriso como se tivesse captado a mensagem
— Não foi por causa da louça – Disse Luiza que não se contentou em subentender a mensagem, o que fez Isabela virar os olhos para ela e se voltar para mim
— E a casa, ficou satisfeita em como ela ficou? – Mirabel me pergunta tentando mudar o assunto.
— Ah, sim. Eu acho que vai ficar perfeita depois que eu decorar. Aproximo o copo da boca para dar um gole e vejo de relance o curativo minúsculo que Mirabel havia de entregado mais cedo – Alias Mirabel, não consegui agradecer mais cedo pelo curativo... não tinha necessidade, mas...
— Que curativo? – Ela me olha confusa o que me faz a olhar com a mesma expressão
— Ue, o Curativo que você me deu quando viu que eu havia me cortado com a mesa. – falo tentando faze-la se lembrar.
— Mas eu não fiz isso – Ela fala de forma rápida, o que me faz olhar pra ela por um momento.
Ate que todos entendem o que aconteceu.
— Era o Camillo. – Disse Maribel batendo com a mão fechada em sua outra mão que estava aberta, como se fosse um Juiz sentenciando a pena.
— Mas por que? – Me pergunto em voz alta – Qual seria a diferença se ele mesmo tivesse me entregado o curativo? – Dou mais um gole no suco e olho para elas, que estão rindo, menos Isabela que está com um sorriso sugestivo novamente no rosto.
— Ele não queria ser pego espionando. – Ela diz antes que Luiza pudesse roubar sua fala
Por um momento seguro o copo, os dedos inquietos mostram que estou pensando longe. Olho para as meninas que me olham como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Mas isso não faz sentido... porque ele teria vergonha de mim se quando estamos juntos conversamos normalmente?
— Você é burra? — Isabela revira os olhos quase que com raiva.
— Isa! – Maribel repreende a irmã e se aproxima mais de mim – Ignora a Isa. O que ela quer dizer é que provavelmente ele tenha começado a ficar com vergonha agora porque antes não havia motivo entende?
Escuto ela atentamente enquanto Isa ainda me encara tentando ler minha expressão.
— Vocês estão crescidos agora. Não é de se admirar que nessa idade comecem a desenvolver sentimentos... – Dolores fala quase sussurrando e termina com um de seus sons típicos enquanto dá de ombros.
— Eu acho que vocês não deveriam se meter tanto... – Luiza interrompe as irmãs que já estavam se preparando para falar mais sobre o assunto. – Acho que só o que falaram já vai ser o suficiente para deixar o clima entre eles mais pesado na próxima vez que se virem.
Respiro fundo. Ela tinha razão.
Paro pra pensar na brincadeira que fiz na hora do jantar e sinto minhas bochechas esquentarem, será que ele se sentiu mal de eu ter dito aquilo em tom de brincadeira? Abaixo a cabeça por um momento.
— Eu disse. – Luiza volta a se pronunciar.
— Me desculpa Rosa, não foi essa nossa intenção. – Isa fala em tom de tristeza se aproximando e colocando a mão em meu ombro
Respiro fundo e levanto a cabeça, tentando me recompor.
— Não se preocupem meninas. – Seguro a mão de Isa e a de Maribel – Não é isso que é a noite das meninas? Falar das paixonites e se divertir? – Dou um sorriso sincero, mostrando que aquilo não me afetou como elas acharam que afetaria.
Dolores dá um sorriso e me olha
—É verdade. Estamos aqui para falar também sobre aquele moço que anda circulando a Isabela! – Dolores fala o que faz o cabelo de Isa se encher de flores rosadas assim como suas bochechas.
— Não sei do que está falando. – Diz Isa desconcertada
— A pergunta deveria ser na verdade qual deles. – Diz Maribel revirando os olhos antes de rir.
Rio da situação de Isa e coloco a mão em seu ombro.
— Está tudo bem Isa. É normal se apaixonar nessa idade – digo repetindo a fala de Dolores e todas então começam a gargalhar.
O clima fica tranquilo após a brincadeira. Voltamos a conversar sobre a vida, o universo e tudo mais. Acabamos todas dormindo no quarto de Isabela que cria macias camas de pétalas para nós.
— Obrigada pela noite meninas. – Sorrio para as meninas que já estavam quase dormindo e acho que mal me escutam escuto apenas Dolores me responder sussurrando
— Boa noite cunhadinha. – Ela abre um sorriso sugestivo que faz minhas bochechas corarem novamente.
Dormimos rápido por conta do cansaço do dia e no dia seguinte Pepa nos acorda com uma grande nuvem com raios de sol, abrindo os olhos com dificuldade começamos a nos levantar. Camillo e Antônio entram correndo no quarto mostrando que acordaram já a algum tempo.
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