Meus contos, meu canto.
1 Primeiro conto.
Notas iniciais
Paralisia.
Lembro de ter ido dormir extremamente cansada depois de um longo e estressante dia de trabalho. O meu cansaço excessivo foi agravado ainda mais por causa da noite passada em que eu dormi umas 3 horas no máximo, graças a minha insônia. Pois bem, ao chegar do trabalho, mal terminei de tomar banho e caí num sono profundo. Não lembro exatamente o que sonhei, mas quando acordei percebi que não conseguia me mexer. Os meus músculos estavam completamente travados. Eu conseguia ver as coisas a minha volta. Eu conseguia ouvir os sons que me rodeavam, mas não conseguia me movimentar. Eu estava presa a correntes invisíveis. Uma sensação de pânico tomou conta de mim. Eu tentava e tentava, mas meu corpo não saía do lugar. Eu sentia uma força me pressionando contra a cama, isso impedia meus movimentos. Aquela força tomava conta de mim. “É a morte.” Pensei. Tentei gritar, mas minha voz não saía. Como alguém me ajudaria se eu não conseguia sequer gritar? O pavor, o pânico e o medo da morte tomavam conta de mim. Eu senti a presença de alguém ou algo em meu quarto, um vulto. Uma assombração, será? Eu não sabia ao certo. Eu não conseguia raciocinar normalmente, só tinha vontade de me mexer para sair dali. A força que me empurrava contra a cama se tornava cada vez mais forte, até que eu comecei a sentir dificuldade para respirar. Eu podia escutar o som alto de minha débil respiração. Eu me sentia sufocada e algo apertava meu peito dificultando ainda mais o funcionamento dos meus pulmões. A presença maligna do vulto, ou assombração (não sabia ao certo) continuava ali me rodeando. Continuava ali esperando meu último suspiro. Esperando meu último segundo de vida para poder levar minha alma embora naquele fatídico momento. “Droga, porque não morro logo de uma vez?!” Tive vontade de gritar, mas nada saía de minha garganta. Foi aí que senti meu corpo mais leve, quase levitando. “Estou sucumbindo.” Pensei. De súbito acordei e percebi que eu estava deitada na cama, do mesmo jeito que fui dormir há algumas horas. Sentei-me, conseguia me mexer normalmente. Conseguia falar e minha respiração estava normal. Até me belisquei para ter certeza de que estava realmente viva. O que teria sido aquilo? Um sonho? Não. As lembranças e sensações eram vívidas demais para ser um sonho. Corri para o computador para procurar algo sobre o assunto. Será que eu tinha alguma doença muito grave? Depois de ler em vários sites que falavam a mesma coisa constatei que eu tinha tido um episódio de Paralisia do Sono ou Catalepsia Projetiva. Algo benigno que não me mataria, comum em pessoas que dormem mal ou estão extremamente cansadas. Li relatos de pessoas que já tiveram e as narrativas eram tão assombrosas quanto a minha. Quando me acalmei mais, voltei para a cama na tentativa de voltar a dormir. Não demorou muito e meus olhos pesados me induziram a um sono profundo. Quando acordei, senti meu corpo travado novamente. Dessa vez o vulto apoderou-se do meu corpo. Eu podia ver seus olhos vermelhos me encarando. Eu sentia sua mão em minha garganta. Então, sua voz sibilante murmurou em meus ouvidos: “Se eu fosse você, não confiava tanto na internet. Pronta para ir?” Assim eu caí numa escuridão profunda e eterna.
Notas finais
Ps: dependendo da repercussão deste conto, outros serão postados.
Espero que tenham gostado.
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