Notas iniciais
Oi Cupcakes! Demorei, mas voltei. Espero que gostem desse capítulo. Boa leitura...

Quatro

...♛...

“A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você.”

Ralph Waldo Emerson

Aline me encarava com um sorriso divertido no rosto. Era nítido que ela havia achado a história engraçada. Por outro lado, eu continuava tenso e evitava olhar para a arquibancada rival. Nada de bom aconteceria em um encontro entre Sarah e Josy. E meu comportamento preocupado parece deixar a situação ainda mais cômica para minha suposta fada madrinha.

— A cada história que ouço, mais comovida eu me sinto pela sua situação. Eu não sei dizer se é você que não tem muita sorte ou o problema está realmente na mente lenta de sua amada. — Comenta Aline, rindo em seguida. — E por que continua se escondendo? Você pode usar essa Sarah para causar um pouquinho de ciúmes na Josy.

— Nem pensar. Na última vez que isso aconteceu, eu quebrei o braço em dois lugares. — Respondo e Aline começa a gargalhar. — Ao invés de ficar rindo, você não deveria estar me ajudando, fada madrinha?

— Ah, então agora eu sou sua fada madrinha? — Questiona a encaracolada, com um sorriso presunçoso. Reviro os olhos e ela ri, jogando os braços sobre meus ombros em um abraço lateral, fazendo com que meu rosto se escondesse entre seus longos cabelos. — Tudo bem. Eu vou te ajudar a se esconder dessa perigosa garota.

— Não tinha maneira melhor não? Não podemos ficar assim para sempre. — Indago e ela bufa.

— Você só reclama, Gustavo. — Responde Aline, se afastando e é nesse momento que vejo o olhar incomodado e curioso de Josy sobre nós. — O que foi?

— Tenho a impressão que Josy tem ciúmes de nossas interações. — Comento e Aline passa a encarar a mesma direção que eu observava.

— Ela com certeza tem ciúmes. E isso é ótimo. – Comenta Aline com um sorriso malicioso em seus lábios. – Nada melhor que o ciúmes para fazer as pessoas se darem conta de que estão apaixonadas.

— Você sabe que estamos falando da Josy, certo? No fim, ela apenas vai acreditar que não se passa de um ciúme pela possível perda do melhor amigo. – Bufo, relembrando de todas as vezes que tive alguma esperança sobre ela realmente se dar conta de que ela provavelmente gosta de mim de uma maneira romântica, mas sendo uma pessoa ciumenta por natureza com seus amigos, principalmente comigo, ela dificilmente aceitaria estar apaixonada apenas por esse fato.

— Acho que você está precisando de um pouco mais de otimismo. – Comenta Aline, afastando-se com desinteresse. – Bem, para a sua sorte, Sarah Johannes acabou de sair da quadra. Parece que não teremos problemas com ela hoje.

Observo Sarah saindo do ginásio acompanhada de algumas amigas. Suspiro aliviado e cansado. O dia mal havia começado e eu já me sentia exausto. Olho para a Aline e a vejo encarando John, o rapaz para quem ela havia se declarado recentemente. E mesmo parecendo desconfortável, ele continuava a corresponder ao olhar, enquanto conversava na quadra de esporte com uma das jogadoras de vôlei de nossa escola. A minha fada madrinha exibia um olhar desanimado e a tristeza era evidente em seus olhos. Ela ainda gostava muito do rapaz, mesmo ele não merecendo.

— Aline. – Chamo suavemente, colocando a mão sobre seu ombro. Ela me encara atordoada, como se estivesse acabado de acordar. – Você está bem?

— Sim. – Responde, suspirando. – É só que... bem, é difícil, sabe?

— Sim. Eu sei. – Eu entendia exatamente o que ela estava sentindo, mesmo que ela não tivesse dito nada. – Nove vezes, lembra? Tenho certeza de que não há ninguém pior do que eu.

Aline ri, ainda que continuasse desanimada. Ela então respira fundo e balança a cabeça, como se tentasse espantar os pensamentos ruins e volta a me encarar, agora, um pouco mais parecida consigo mesma.

— Certo. Vamos esquecer isso. Não é como se eu tivesse tido alguma chance de qualquer maneira. Acho que eu tenho um dedo podre para o amor. Então, o melhor a fazer é focar no meu plano de me tornar sua fada madrinha. – Afirma Aline, sorrindo em falsa animação. Suspiro, ainda compadecido pela sua dor. – Não me olhe assim! Já que eu não posso viver meu conto de fadas, ao menos me deixe ajudar a tornar o seu realidade.

— Tudo bem. – Digo, dando-me por vencido. E finalmente um sorriso verdadeiro aparece em seus lábios.

— Obrigada. – Agradece Aline com um sorriso sincero. – Eu prometo que você não vai se arrepender. Até o baile de formatura, a Josy finalmente irá perceber que essa lerdeza dela é apenas uma máscara que está usando por medo de se entregar ao amor que ela sente por você.

— Tomara que seja verdade. – Respondo, esperançoso.

— Eu vejo a maneira como ela te olha, Gusta. A Josy gosta de você. A cada dia que passa mais eu tenho certeza disso. – Afirma a encaracolada, sorrindo encantada. Ao ver meu olhar confuso, a garota revira os olhos. – As ações dela deixa mais do que evidente que ela está longe de te ver apenas como um amigo.

— Bom, aconteceu algo hoje. – Comento, relembrando do momento estranho que tivemos pela manhã. Aline me encara com expectativa. Seus olhos brilhavam e seu sorriso se alarga tanto que ela parecia uma criança prestes a comer o seu doce favorito.

— O quê? O quê? Me conta, vai! – Pede a garota, tendo sua atenção inteira voltada para mim.

— Quando eu estava arrumando meu cabelo pela manhã, ela entrou no meu quarto. Você sabe. Ela consegue fazer isso pela janela. – Começo e Aline sorri maliciosa e balança a cabeça concordando, mas permanece em silêncio, esperando que eu continuasse a narrar o ocorrido. – Bem, eu estava reclamando que precisava cortar, porque eu não estou mais conseguindo arrumar ele. Ela disse que eu não poderia e bem... em certo momento, eu falei que ela era linda e o clima ficou estranho. Mas não de um jeito ruim. Só...ficou estranho. E nesses momentos, ela geralmente se afasta ou faz uma piada sobre isso, mas ela apenas se aproximou e arrumou o meu cabelo. Depois disso, ela me perguntou sobre a nossa relação. Se eu e você somos só amigos ou se nós estamos ficando.

— E aí vocês se beijaram e você falou que gosta dela? – Questiona Aline com expectativa.

— Claro que não. Eu disse que nós somos apenas amigos e nós viemos para a escola. – Respondo e Aline bufa, frustrada. – Se eu fizesse isso, era capaz dela entender errado pela décima vez.

— Por que vocês são tão lerdos? – Resmunga Aline, dando um soco fraco em meu ombro. – Você ainda tem dúvidas de que ela gosta de você? Pelo amor de Deus, Gustavo! O clima estranho era apenas tensão sexual! Vocês se gostam, se sente atraídos um pelo outro. Nada melhor que um beijo para Josy entender que você realmente está apaixonado por ela. Pessoas lerdas como a sua futura namorada só funcionam quando você esfrega a informação na cara delas. Em outras palavras, para ela entender como você se sente, você vai ter que apelar para o método jogar na parede e a beijar como se não houvesse um amanhã.

— É fácil falar, mas eu não quero que ela me odeio. Por mais que seja difícil conter tudo o que sinto pela Josy, eu não quero forçá-la a nada. E eu não farei nada até que ela tenha certeza do que sente por mim. – Respondo e Aline me encara, compadecida.

— Você é um fofo, Gusta. E eu realmente entendo e aprecio o que está fazendo, mas é realmente triste que esse caminho que você escolheu seja o que mais te traz dor. – Comenta Aline, suspirando comovida. – Por que eu não me apaixonei por um cara como você? Por que eu fui justo me apaixonar por um babaca que não se importa nenhum pouco com os sentimentos das pessoas?

— Você ainda vai encontrar alguém que te merece, Aline. Você é linda de diversas formas e uma pessoa incrível. Se um cara não perceber isso, ele com certeza não serve para estar ao seu lado. – Afirmo e ela me encara surpresa, antes de sorrir largamente e me abraçar apertado.

— Você definitivamente não existe, garoto! – Grita Aline, me apertando em seu abraço. – Um verdadeiro anjo que merece o mundo.

— Para de exagero. – Digo, rindo de sua loucura, enquanto correspondo ao abraço. Eu estava feliz por ter animado a maluquinha.

— Aconteceu alguma coisa? Eu estou atrapalhando? – Ouço a voz de Josy e rapidamente me afasto de Aline para encarar o olhar desconfiado de minha melhor amiga.

— Nada demais. – Responde Aline, parecendo fazer um grande esforço para não ri. – Apenas foi comprovado cientificamente por mim, que Gustavo Lessa é um anjo.

Josy nos encara confusa, mas permanecia com seu olhar desconfiado sobre nós. Ao ver a expressão estranha de minha melhor amiga, Aline ri e me lança uma piscadela, parecendo se divertir ainda mais com a insatisfação evidente de Josy.

— Vamos? – Fala Josy, virando-se para mim, enquanto ignora as ações estranhas de Aline.

— Claro. – Respondo, juntando as nossas coisas. Entrego a mochila de Josy para ela e me viro para Aline, que nos encarava curiosa.

— Aonde vocês vão? – Pergunta a garota, soando inocente, mas estranhamente eu sabia que ela estava elaborando algum plano mirabolante.

— Ao fliperama. – Responde Josy, dando de ombros.

— Sério? Eu amo fliperamas! Eu posso ir com vocês? Não tenho nada para fazer hoje mesmo. E eu estou cansada de ficar em casa. – Pede Aline, sorrindo animada.

— Hã... tudo bem, eu acho. – Josy concorda, dando forçando um sorriso. Era claro que ela não queria que Aline fosse com a gente, mas provavelmente não queria soar mal-educada. Josy então se vira para mim e sorri sem graça. – A Jujuba irá com a gente, tudo bem?

— Claro. Quanto mais gente para ver a sua derrota, melhor. – Brinco com um sorriso desafiante, na tentativa de fazê-la se sentir melhor. E minha tática parece fazer efeito, pois no mesmo instante, Josy está com um sorriso triunfante em seus lábios.

— Para ver a sua derrota, você quis dizer, né? Porque hoje eu vou acabar com você. Só espero que você não chore diante da derrota humilhante que você sofrerá. – Responde a loira, lançando um olhar desafiador, enquanto seguíamos para fora do ginásio, onde Juliana já esperava por nós.

— Isso é o que nós vamos ver. – Respondo e ela ri, animada.

— Parece que terei um dia bem interessante. – Comenta Aline apenas para que eu ouvisse, quando Josy corre para alcançar Juliana. – Vê-los juntos competindo com certeza vai me dar muitas ideias.

— Olha lá o que você vai aprontar, Aline. – Repreendo a garota, que ri e dá de ombros, antes de seguir em direção ao estacionamento junto de Josy e Juliana.

E assim que chegamos ao meu carro, as garotas entram e começam a conversar sobre a partida do dia. Me mantenho alheio as risadas e comentários carregados de entusiasmo. Minha mente estava perdida nas palavras de Aline sobre como Josy esconde sua insegurança em uma máscara de lerdeza.

Durante o trajeto até o fliperama, continuei a meditar sobre minhas ações e sobre como Josy vem agindo desde que comecei a conversar com Aline. De certa forma, é divertido ver seu ciúmes e como ela ainda assim não conseguia sentir raiva de minha fada madrinha, por mais que ela tentasse.

E parecia que eu não era o único a me divertir com esse detalhe. Juliana também encarava a amiga e me lançava olhares significativos, toda vez que Josy começava uma conversa animada com Aline e, logo depois de se lembrar de que supostamente não deveria se dar bem com a garota, minha melhor amiga se continha e resmungava alguma coisa para si mesmo.

Quando enfim chegamos ao nosso destino, Aline e Josy eram as mais animadas, por isso, foram as primeiras a correrem em direção ao caixa do estabelecimento para comprarem as fichas. Enquanto isso, Juliana e eu seguíamos logo atrás, rindo das expressões quase infantis das garotas ao verem que novos jogos haviam chegado.

— Você e a Aline se dão muito bem. – Comenta Juliana e eu a encaro, tentando entender aonde ela queria chegar.

— Ela é divertida. É meio impossível não acabar indo na onda dela. – Respondo e a garota ri, concordando.

— Assim como a Josy. – Afirma a morena, observando a melhor amiga.

— Assim como a Josy. – Repito, sorrindo levemente. – Mas não interessado nela romanticamente, se é isso que está pensando.

— Eu sei que não. Você não é exatamente o exemplo de discrição quando gosta de alguém. E é por isso que todos sabem que você continua completamente apaixonado pela Josy. Além disso, a Aline ainda gosta do idiota do John. Eu vi a forma como ela o encarava, enquanto ele conversava com a Sabrina. – Responde a garota, encarando-me com intensidade. – Mas sinto que há algo acontecendo. Não sei dizer o que é, mas é interessante ver como a Josy está incomodada com a amizade repentina de vocês. Então venho me perguntando se vocês estão se ajudando ou algo assim.

— Astuta como sempre, representante. – Brinco e ela ri, dando de ombros, mas continua a me encarar, esperando respostas. – Na verdade, depois que ela se declarou para John, ele foi um idiota com ela. Eu a encontrei chorando e, não sei o motivo, acabei contando sobre minha primeira declaração fracassada a Josy e que eu havia me declarado nove vezes, mas a SuperLerda nunca entendeu. E resumindo, ela se autodeclarou a minha fada madrinha e vem me perturbando para contar cada declaração que fiz a Josy.

— Fada madrinha? – Repete Juliana, rindo. – Isso é mesmo a cara da Aline. Mas confesso que estou surpresa por você ter aceitado. Geralmente, você acaba afastando as pessoas que tentam te ajudar.

— Não é como se eu tivesse tido muita escolha. A garota é insistente. – Respondo rindo e encaro Josy, que sorri e acena para mim, ainda na fila para comprar fichas. Correspondo o aceno, observando como aquela garota parecia ainda mais encantadora quando animada. Volto então a encarar Juliana, que possuía um leve sorriso nos lábios. – Acho que apenas estou cansado de tantas tentativas fracassadas. De qualquer forma, essa será a décima tentativa. Se dessa vez não der certo, eu desistirei.

— Mesmo? – Questiona a morena, surpresa.

— Eu não posso continuar assim para sempre. Não posso obrigá-la a aceitar meus sentimentos e muito menos a ficar comigo. Eu tenho tentado há muitos anos. Constantemente venho me declarando e buscando deixar o mais claro possível para ela sobre como me sinto. Mas se depois disso tudo, ela ainda continuar a fingir que tudo não passa de um mal-entendido, então tudo que posso fazer é aceitar e seguir em frente, por mais difícil que isso possa ser para mim. – Confesso, suspirando em seguida.

— Bom, não posso dizer que você está errado. Ainda assim... – Juliana suspira e me encara com um sorriso triste. – Josy é minha melhor amiga e eu sei que ela também gosta de você. Eu torço muito para vocês fiquem juntos, mas eu concordo que você tem se esforçado muito durante todos esses anos. Então, dê o seu melhor nessa última declaração e se precisar de alguma coisa, eu estarei a sua disposição e a de Aline. Se não der certo, você deve realmente seguir em frente, sem arrependimentos.

— Obrigado. – Agradeço, sorrindo.

Aline e Josy não demoram a aparecer com as fichas de jogos em mãos. Assim como era esperado, minha melhor amiga não perdeu tempo e logo correu para a máquina do jogo Ghost Squad, seu jogo preferido no fliperama. Juliana se juntou a amiga e não demorou para que as duas começassem a competir para ver quem matava mais terroristas no jogo. Aline, por outro lado, parecia perdida sobre qual jogo ir primeiro.

— Alguma recomendação? – Questiona a encaracolada, olhando para as inúmeras máquinas que havia no fliperama.

— Por que não começamos com um clássico? – Sugiro, apontando para a máquina de Street Fighter V.

— Claro. Apenas pegue leve comigo, porque eu sou péssima em jogos de luta. – Afirma a garota, rindo, enquanto seguíamos para a máquina que ficava um pouco afastada de onde as meninas estavam.

Inspirados pelo o ambiente competitivo a nossa volta, jogamos algumas partidas, rindo e nos divertindo pelas perdas rápidas da garota, que definitivamente, não levava o menor jeito para jogos como aquele. Por ser sábado, o fliperama estava ficando cada vez mais cheio de jovens ansiosos para matar o tempo com os jogos de arcade.

Assim, quando finalmente estávamos cansados de jogar e a ponto de ir à falência comprando fichas, decidimos que era de irmos almoçar. Como ninguém tinha planos para o restante do sábado, Juliana deu a ideia de comermos no shopping e irmos ao cinema. As garotas no mesmo instante se animaram com a sugestão e em pouco tempo seguíamos para o novo destino.

De bom humor por ter ganhado de mim depois de uma disputa acirrada, Josy parecia nem mesmo se lembrar que tinha ciúmes de Aline. Após descobrir da paixão da encaracolada por heroínas, as duas entraram em uma discussão interminável sobre filmes, séries e histórias em quadrinhos. Observo a cena um pouco mais aliviado por ver que, aparentemente, não teríamos mais problemas entre as duas.

E as risadas e brincadeiras se prosseguiram até mesmo durante o almoço, onde demoramos mais tempo decidindo o lugar onde iriamos comer do que esperando a comida chegar. Mesmo que diversas vezes fosse difícil para acompanhar as conversas das três garotas, era divertido vê-las tão à vontade umas com as outras.

A escolha do filme não foi muito diferente do que aconteceu durante o almoço. Cada uma com um desejo diferente sobre que filme assistir, acabamos concordando em ver algum romance clichê que estava em cartaz. Eu particularmente não me importava muito com o filme que iriamos assistir. Diferente das garotas, eu preferia assistir filmes em casa, no conforto da minha cama.

— As filas estão gigantes. – Comenta Juliana, desanimada.

— Principalmente para comprar pipoca. – Ressalta Aline, apontando para gigantesca fila no snack bar.

— Por que não nos dividimos em duplas? Uma dupla vai comprar as pipocas e a outra os ingressos. – Sugere Josy e todos concordam.

— Eu vou para a fila dos ingressos. – Aviso, já me dirigindo para o fim da fila.

— Eu vou com você. – Responde Aline, aproximando-se de mim, enquanto Josy e Juliana seguiam para a fila do snack bar. – Elas falaram que pagam pelas pipocas, então os ingressos ficam por nossa conta.

— É. A gente sempre faz assim quando vem ao cinema. – Explicou a Aline, que balança a cabeça, parecendo entender, mas antes que ela dissesse qualquer coisa, o celular dela começa a vibrar no bolso de sua calça.

— É o John. – Fala com seriedade, olhando para a tela do celular.

— Você não deveria atender. – Recomendo, observando a expressão incerta da garota. Ela suspira e me encara com tristeza, antes de desligar. O rapaz continua a ligar para Aline, que parecia cada vez mais ansiosa para atender.

— Pode ser algo importante. – Comenta a garota, depois que John volta a ligar pela quarta vez seguida. Suspiro e dou de ombros, sabendo que ela acabaria atendendo a ligação do idiota. – Alô. O que você quer, John? Não. Eu não estou em casa. Não te interessa. Fala logo de uma vez o que você quer antes que eu desligue. O que eu faço ou com quem estou não é da sua conta. Quer saber, John? Já que você parece ter me ligado só para me incomodar, eu irei desligar. Até... O quê?

— O que houve? – Sussurro preocupado, vendo Aline paralisada com a boca levemente aberta. Provavelmente, o que John havia dito a garota havia a pego de surpresa.

— E o que você quer que eu diga, John? Meus parabéns? Felicidades ao casal? – Aline finalmente demonstrando alguma reação. Seus olhos e os punhos revelavam a mágoa e a raiva que ela sentia, mas sua voz permanecia fria e inabalável. Ela jamais demonstraria que havia ficado mexida com as palavras do idiota por quem é apaixonada. – Não me ligue mais, John. Você mesmo deixou claro que não gostaria que eu fosse sua amiga, quem dirá sua namorada. Então, apague o meu número e não me procure mais.

— Você está bem? O que aconteceu? – Questiono, assim que ela desliga o celular. Aline me encara e vejo toda a fragilidade naquele momento.

— John e Nathália estão namorando. Ele fez questão de me ligar só para falar que eles já estavam ficando ao mesmo tempo em que ele estava comigo. Parece que ela também se declarou e ele a escolheu. Sabe o que ele disse? – Questiona Aline, forçando uma risada. – Que ela é mais interessante e gostosa do que eu, por isso a escolheu. Idiota! – Afirma, que respira fundo para impedir que as lágrimas descessem.

— Não me diga que ele está se referindo a sua prima Nathália. – Indago, preocupado com a garota. Aline balança a cabeça, lentamente, concordando. – Que babaca! Por que ele te ligou para falar isso?

— É como você disse. Ele é um babaca e sabe que isso me afetaria. Ele ficou revoltado que eu estou andando com você. Provavelmente acha que estamos ficando. – Responde Aline, guardando o celular no bolso novamente.

Eu não sabia como consolar a garota. Suspiro e olho em volta, buscando ideias para animar Aline. Eu sabia bem como ver a pessoa que gosta, interessada por outras pessoas, ainda mais alguém tão próximo de si, como é o caso de Aline, que terá que lidar ainda com a situação da prima estar se relacionando com o babaca. Incomoda, dói. É como sentir um bolo na garganta. O peito se aperta e tudo que queremos fazer é sumir por um tempo.

Vejo então uma criança vestida de princesa, correndo atrás de um garotinho com a fantasia do Homem-Aranha. Eles riam e ainda que suas mães os repreendessem, eles continuavam a correr e a se divertir correndo entre as inúmeras pessoas que havia no cinema. Observo a cena com um sorriso nostálgico. Não muito tempo atrás, Josy e eu também vivíamos brincando dessa forma quando crianças, quase levando nossas mães à loucura. E é então que vem a minha mente uma forma eficiente de animar Aline. Contar sobre as declarações fracassadas.

— O que acha de ouvir a minha quarta declaração fracassada? – Questiono e no mesmo instante tenho a atenção de Aline. Seus olhos brilham em antecipação.

— Claro! – Exclama, abrindo um sorriso mais animado, ainda que a tristeza continuasse presente.

[Quatro anos atrás]

Era Halloween. Uma das comemorações mais esperada do ano para crianças e adolescentes. A animação pela festividade estava presente por todo lugar que olhasse pela cidade. Os enfeites nas cores laranja, roxa e preto traziam magia as casas de nossa vizinhança. Era realmente divertido e emocionante pensar nos doces que ganharíamos ou a surpresas que nos esperaria ao decorrer do dia.

Josy estava animada e tagarelava sem parar sobre quais fantasias ela estava mais ansiosa para ver. Eu terminava de calçar meus tênis para completar a fantasia estranha que minha melhor amiga havia inventado para nós esse ano. Assim que termino, a loira se aproxima de mim e encara nosso reflexo no espelho. Ela ri, bastante satisfeita com o resultado.

— E então, Darwin? Está pronto para uma das melhores noites da sua vida? – Questiona Josy, sorrindo, enquanto ajeita a tiara de orelhas de gato azuis.

— Claro, Gumball. – Concordo, rindo de nossa aparência.

Nossas roupas não estavam tão diferentes assim. Enquanto eu vestia blusa e calça laranjas com all stars verdes, Josy usava um moletom bege com as mangas e gola marrom, uma calça jeans cinza com a barra na cor cinza claro, além de uma tiara de orelhas de gato, um rabo e um all stars, todos na cor azul.

O que realmente estava engraçado eram os nossos rostos pintados nas cores de nossos personagens. Josy havia me perturbado o ano inteiro para que nos fantasiássemos como Gumball e Darwin de seu desenho favorito, O Incrível Mundo de Gumball, e claro, isso incluía pintar os rostos de laranja e azul para incorporarmos os personagens, segundo ela.

— É melhor nós irmos. A festa na escola já começou a essa hora. – Comenta Josy, olhando para o relógio que havia no meu criado ao lado da cama. Percebo então que ela parece nervosa com o fato de estar na hora de ir para o baile de halloween que ocorreria em nossa escola.

— O que houve? – Questiono, encarando-a com desconfiança. Ela me encara surpresa, provavelmente não imaginando que eu notaria alguma mudança em si. – Por que está tão nervosa para essa festa?

— Não é nada. Vamos logo! – Responde nervosa, puxando-me pela mão.

A maneira como ela está agindo deixa claro que ela não quer me contar. Decido ignorar esse detalhe. Se ela não queria falar, eu não iria insistir, mas ficaria de olho por precaução durante a festa. Algo nessa história ainda me incomodava e muito.

Por nossas casas serem próximas da escola, nós fomos a pé. As crianças da rua já passeavam pela cidade, pedindo doces, fantasiadas dos mais diversos personagens. Josy e eu riamos e comentávamos sobre as fantasias mais estranhas que víamos. Eu sempre me divirto com esses momentos onde apenas rimos e esquecemos do restante do mundo. Era como se todas as minhas preocupações desaparecessem apenas por vê-la sorrir e ficar tão à vontade comigo.

Quando chegamos a escola, o lugar já estava repleto de adolescentes fantasiados e animados pela festa. A música alta e a decoração deixavam todos ainda mais entusiasmado. Até mesmo alguém tão introvertido quanto eu acabava se deixando levar pelo ambiente alegre.

E assim, não demorou muito para que Juliana e as outras amigas de Josy aparecessem e a arrastassem para a pista de dança. Eu realmente não levava jeito para dança e a agitação da multidão no centro do ginásio me incomodava, por isso, decido então procurar alguns dos rapazes do clube de ciência da escola, com quem eu conversava algumas vezes e que provavelmente estavam em locais mais afastado do ginásio.

— Gustavo! – Cumprimenta Adam, um de meus colegas de classe. Ele analisa minha fantasia e ri. – Gostei da fantasia. Bem original.

— Josy. – Respondo rindo e ele balança a cabeça, parecendo entender o que havia me levado a vestir peças tão escandalosas. – Estou surpreso de te ver por aqui, Drácula. Imaginei que iria ficar em casa.

— Josh e Michael me obrigaram a vir. Por que acha que eu estou com uma fantasia tão clichê? – Resmunga o rapaz. Não consigo evitar não ri do mal humor do rapaz. Ele realmente odiava essas festas. – Eu preferia vir de Doctor Who.

— E onde eles estão? – Pergunto, encostando na parede ao lado de onde o rapaz estava. – Não os vi ainda.

— Foram buscar ponche de fruta para nós. – Responde, dando de ombros. – E por que está aqui comigo e não com a Josy?

— Ela foi dançar com as amigas. Isso não é muito a minha praia. – Digo, buscando a garota entre as inúmeras pessoas que dançavam.

— E quando você vai se declarar para ela? Quer dizer, está bem óbvio que você gosta dela e vocês estão sempre juntos. As pessoas até acham que vocês namoram. – Comenta Adam com evidente curiosidade.

Suspiro e dou de ombros. Não era segredo para ninguém – além da Josy, pelo visto -, que eu sou apaixonado por ela. Também não era como se eu tentasse esconder, mas ninguém sabia que eu já havia tentado me declarar para ela diversas vezes.

Eu havia aprendido que não poderia ter pressa para tomar uma atitude. Se eu agisse de forma precipitada, ela acabaria fugindo de mim. No entanto, eu preciso ser direto de uma forma que ela não entenda errado, o que acabava sendo uma grande contradição para mim.

— Gustavo! – Cumprimenta Michael, assim que nos encontra. Ele entrega um copo de ponche para Adam e me dá um meio abraço. – Que bom que você veio. Com você aqui, as garotas não vão demorar a aparecer.

— Como se elas fossem nos dar atenção. Elas só vão se jogar para cima dele, como sempre. – Afirma Josh, revirando os olhos. Rio de seu comportamento e ele me dá um rápido abraço, assim como o amigo havia feito.

— Nós somos a prova viva de que não adianta ser amigo do cara mais popular e antissocial da escola. No fim, as garotas sempre vão nos ignorar, porque somos feios e estranhos. – Comenta Adam com melancolia.

— Mas do que adianta ele ser tão popular com as garotas se ele só tem olhos para uma? – Pergunta Michael, sorrindo malicioso. – Você deveria aproveitar a festa e fazer como nos animes, onde o cara imprensa a mocinha contra a parede e fala para ela que ele gosta dela. Sempre dá certo.

— Nos animes, Michael. Nos animes. Na vida real, isso só vai fazer a Josy ri da minha cara e perguntar se eu bebi alguma coisa. – Respondo e os três me encaram com pena, provavelmente entendendo a minha situação. – Hoje eu vou apenas aproveitar a noite e tentar me divertir um pouco.

— Você deveria era ficar com algumas garotas. Não é segredo para ninguém que todas as garotas dessa escola te querem. – Aconselha Josh, sorrindo de maneira encorajadora.

— Todas o querem, menos a Josy. – Zomba Michael antes de beber seu ponche. Dou uma cotovelada no rapaz que se engasga, rindo de minha expressão nada amigável. – Calma, cara. Eu estou brincando. Ela deve te querer, só que ainda não notou.

De repente, a música animada que passava é trocada por uma lenta. Aos poucos, a pista de dança começa a esvaziar, restando alguns poucos casais que ainda arriscavam a dançar juntos e não demoro a notar que entre eles estavam Josy e Bryan, um canadense que fora transferido há poucos dias para a nossa escola.

— Ei, cara. Você está bem? – Pergunta Adam, colocando a mão sobre meu ombro. Observo a cena e ela encosta a cabeça no ombro do rapaz, enquanto ele a aconchega melhor em seus braços, sem nunca pararem de dançar. – Ela talvez só queira dançar com ele. Nada demais.

— É. Talvez. – Respondo, forçando um sorriso. Eu conheço Josy muito bem para saber que aquilo não era verdade. Ela realmente estava interessada em Bryan. – Eu vou pegar um pouco de ponche. Falo com vocês depois.

Afasto-me do trio sem nem mesmo dar chance deles dizerem alguma coisa. Eu me sentia patético por ter criado esperança, enciumado por vê-la se divertir com aquele cara e entristecido por não saber reagir de forma natural a essa situação. Quer dizer, Josy não me devia nada. Ela sempre foi livre, estava solteira e pelo visto Bryan também. Se ela quisesse ficar com ele, tinha todo o direito. Mas meu coração apaixonado se sentia traído e doía como o inferno.

Vou até a mesa de ponche, ignorando a cena que se passava atrás de mim. Eu não queria ver, mesmo que minha mente fosse ainda mais traiçoeira comigo e criasse diversas cenas que me machucavam profundamente. Era como se eu estivesse em uma batalha intensa entre a minha mente e meu coração.

Depois de pegar um pouco de ponche, vou para o lado de fora do ginásio e encaro o céu estrelado. Quando uma brisa gélida atinge meu rosto, fecho meus olhos e encosto minha cabeça na parede ao lado da porta de entrada do salão. Pelo horário, todos os adolescentes estavam na festa, por isso, eu estava sozinho, ou ao menos, era isso que eu imaginava.

— Parece que alguém perdeu a batalha. – Comenta uma voz feminina, fazendo com que eu abrisse os olhos e a encarasse assustado. – Calma. Eu não vou te machucar.

— Quem...desculpa. Nós nos conhecemos? – Questiono confuso, analisando a garota de longos cabelos negros, olhos azuis intensos e pele branca. Ela vestia a fantasia de rainha de copas e tinha um sorriso irônico nos lábios.

— Não. Quer dizer, eu te conheço. Você não é exatamente o cara mais desconhecido da escola. – Comenta, rindo, enquanto se encosta na parede ao meu lado e, assim como eu, passa a encarar o bonito céu. – Eu me chamo Ashley.

— E o que você está fazendo aqui, Ashley? Não deveria estar lá dentro, aproveitando a festa? – Questiono, confuso. Ela desvia o olhar do céu e passa a me encarar com um sorriso divertido nos lábios.

— E você? Também não deveria estar lá dentro se divertindo? – Retruca, erguendo uma das sobrancelhas, sem que o sorriso bonito deixasse seus lábios.

Touché. — Respondo, rindo, e ela me acompanha.

— Você é engraçado, Gustavo. – Comenta a garota me encarando com intensidade. – Eu vi a Josy com o Bryan. Eu sinto muito. Sei como é ter o coração partido sem nem mesmo ter a chance de se confessar.

— Eu... – Começo, mas nem mesmo sabia o que falar, por isso, opto por ficar quieto e apenas aproveitar o ambiente agradável, enquanto a música animada vinda de dentro do ginásio nos acompanhava.

— Soube que vocês são amigos de infância e que estão juntos desde sempre. Nunca aconteceu nada entre vocês? – Pergunta Ashley com curiosidade.

— Não. – Respondo, suspirando em seguida. – Não é que eu nunca tenha tentado. É só que...

— Ela sempre parece te ver apenas como um irmão? – Arrisca Ashley e eu balanço a cabeça, concordando. – Imaginei. E você nunca pensou em desistir?

— Eu já pensei, mas antes que eu tentasse, ela sempre me dar mais motivos para me apaixonar. Não... não é tão fácil desistir quando se está tentando há anos. E acho que também não desistirei tão cedo. Eu... eu sou patético, não é? – Pergunto, encarando a garota que me ouvia pacientemente. Eu não sabia o motivo de estar me abrindo tanto com aquela desconhecida, mas ela realmente parecia ser uma excelente ouvinte.

— Não. Você apenas está apaixonado. – Responde Ashley, dando de ombros. – Mas isso é realmente ruim.

— Eu ter me apaixonado por ela? – Questiono, pensativo.

— É... você sabe... Você é um cara legal, inteligente e muito bonito. Eu sempre gostei de observar as pessoas e a maneira como você olhar para ela é tão encantadora. De alguma forma, me senti atraída por você. E agora que finalmente criei coragem para conversar com você, vejo que é uma pessoa ainda mais encantadora. – Responde Ashley, encarando o céu. Observo a garota, surpreso por sua declaração soar tão sincera e natural. Ela nem mesmo parecia envergonhada por expor tanto seus sentimentos. – Isso é realmente ruim. Eu esperava que quando eu conversasse com você e te ouvisse falar sobre a garota por quem você é apaixonado, eu finalmente ficaria desinteressada por você, mas não foi bem assim. Eu estou ainda mais interessada.

— Ashley, eu... – Tento encontrar as melhores palavras, mas nada realmente vinha a minha mente. Eu nunca estive em uma situação como essa e a tranquilidade de Ashley em me revelar seus sentimentos me deixava ainda mais nervoso.

— Está tudo bem, Gustavo. Você gosta da Josy. Ama, na verdade. Eu vim aqui sabendo desse fato, por isso, não precisa se preocupar em procurar palavras gentis para me dispensar. Isso só tornaria a situação ainda mais estranha.

— Sinto muito. – Sussurro, bebendo um pouco de ponche, ainda atordoado.

— Me desculpa também por ter me declaro de forma tão incomum. – Fala, rindo levemente. Ela realmente não parecia incomodada. – Eu sempre fui estranha, sabe? Não sou boa em lidar com pessoas, tenho um péssimo timing e não consigo controlar minha boca. Algum problema com sinceridade excessiva, segundo as pessoas com quem eu já me relacionei de alguma forma.

— Na verdade, isso é admirável. Nunca vi alguém tão calma e à vontade para falar dos próprios sentimentos. – Confesso com sinceridade. Aquela garota era realmente diferente de qualquer uma que eu tenha conhecido.

— Não estou tão calma assim. – Afirma, rindo. – Mas eu já sabia qual seria o resultado quando eu me declarasse, então, eu vim sem esperanças ao mesmo tempo em que queria te animar um pouco e te fazer esquecer o que aconteceu lá dentro.

— Obrigado. – Agradeço, sorrindo levemente. De alguma forma, a declaração inesperada havia realmente me ajudado a esquecer um pouco de Josy e Bryan. – Você é realmente legal, Ashley.

A morena sorri e balança a cabeça em negação. Os olhos azuis brilham de forma perigosa e ela se aproxima mais de mim. Observo a tudo, tentando entender o que estava acontecendo.

— Eu não sou tão legal assim. – Responde Ashley com um sorriso malicioso nos lábios. E então ela me beija. Sem aviso algum. Ela simplesmente puxa minha nuca e cola nossas bocas.

Eu estava tão surpreso que nem mesmo tenho reação a princípio. Ela então morde meu lábio e eu arfo, ainda mais atordoado. Ela aproveita minha distração e aprofunda o beijo. Eu não sabia dizer se era pela situação, mas acabo me deixando levar e correspondo. Deixo meu copo de ponche cair no chão e coloco minhas mãos na cintura de Ashley, enquanto ela me envolve completamente. Minha mente estava em branco e de alguma forma eu estava no modo automático. A noite estava sendo surpreendente demais.

— Gusta?

Afasto Ashley no mesmo instante em que ouço a voz de Josy. A loira nos encara surpresa e tão sem reação quanto eu. Um silêncio incômodo se instala e minha garganta parece perder a voz.

— Eu disse que não era tão legal assim. – Sussurra Ashley e eu a encaro confuso. Ela ri e dá de ombros. – Oi Josy. Eu sou a Ashley.

— Oi. Eu sou a Josy. – Responde Josy, ainda me encarando surpresa

— É. Eu sei. – Afirma Ashley, rindo. É nesse momento em que minha melhor amiga parece cair em si e cora, rindo sem graça. – Acho que você quer conversar com o Gustavo, então eu voltarei para a festa. Tchau, Gustavo. Foi realmente divertido conversar e... bem. Até mais.

— Tchau. – Despeço-me de Ashley, enquanto ela volta para dentro do ginásio.

— Parece que eu atrapalhei vocês. – Sussurra Josy, envergonhada.

— Não é o que parece! – Afirmo, preocupado. Minha melhor amiga me encara confusa, mas logo solta uma risadinha.

— Bom, vocês estavam se beijando. Não é isso? – Pergunta a garota, forçando um sorriso Ela realmente não era boa em esconder seus sentimentos.

— É isso, mas... não é exatamente isso. – Balbucio e vejo que só estou deixando tudo ainda mais confuso. Minha mente parecia ter entrado em curto-circuito e nada do que eu falava ou pensava fazia algum sentido. – Eu gosto de você, Josy, mais do que qualquer pessoa nesse mundo.

— Eu também gosto de você. – Afirma Josy, sorrindo feliz. Encaro-a, esperando que dessa vez ela tivesse entendido meus sentimentos. – E fico feliz que mesmo ficando com outras garotas, eu seja mais importante do que elas. Você é o meu melhor amigo. Eu odiaria te perder para qualquer outra garota.

— O quê... – Sussurro, frustrado. – Não. Você não entendeu. Eu te amo, Josy.

— Eu também te amo. – Responde minha melhor amiga, abraçando-me. Ela sorri e encosta seu queixo em meu peito, enquanto me encara com um brilho diferente nos olhos. – E é por isso que você tem o privilégio de ser a primeira pessoa para quem eu estou contando isso, ainda que eu ache que as pessoas lá dentro já desconfiem.

— Do que você está falando? – Pergunto, confuso, abraçando a garota. As bochechas vermelhas e o olhar sonhador quase me fazem ter alguma esperança de que ela estivesse falando de mim, mas eu nem mesmo tenho tempo de me iludir.

— Eu estou namorando, Gusta! – Exclama, rindo animada. Encaro-a, perplexo. – É. Eu sei que isso é repentino e eu nem mesmo havia comentado com você, mas é que tudo aconteceu tão rápido.

— Namorando? – Repito, atordoado.

— Sim! Com o Bryan. – Responde Josy, afastando-se de mim. – Eu já estava gostando dele, mas fiquei com medo de te contar e você brigar comigo por ser tão cabeça oca e acreditar facilmente nos garotos. Mas ele é tão legal e carinhoso e fofo e.... ah, ele é incrível! Ele me chamou para vir para a festa de Halloween, mas eu disse que viria com você. Então hoje, quando eu cheguei, ele me perguntou se estávamos namorando. Quando eu disse que não, ele me chamou para dançar uma música lenta e super-romântica. Enquanto a gente dançava, ele confessou que gostava de mim. Eu disse que eu também gostava dele e ele me pediu em namoro. Depois disso, eu falei para ele que precisava te contar antes de dizer para qualquer pessoa, porque você é meu melhor amigo e a pessoa mais importante do mundo para mim. Me desculpa por não ter contado antes para você que eu estava gostando do Bryan.

— Eu... eu nem sei o que dizer. – Confesso, sentindo meu coração se partir lentamente. Eu sabia que ela não estava fazendo por mal.

Josy apenas queria compartilhar essa notícia e, como seu melhor amigo e a pessoa em que ela mais confia, era compreensível que ela quisesse me contar. Mas isso não fazia com que doesse menos em mim. Noto seu olhar preocupado sobre mim. Não era hora para eu ficar sofrendo. Não é culpa dela não ser capaz de corresponder aos meus sentimentos, então tudo que posso fazer é torcer para que ele a faça feliz.

— Parabéns, Josy. – Digo, tentando sorrir o mais animado possível. Eu não podia estragar o momento dela. Não era justo com ela. – Eu espero mesmo que ele te faça feliz. E se ele fizer alguma coisa que te magoe, eu juro que acabo com a vida dele. E acho bom que você não esconda nada de mim. Se ele fizer bobagem, você tem que me contar.

— Obrigada! – Responde a loira, rindo animada. Ela me abraça novamente com ainda mais euforia. – Eu te amo tanto! Você é o melhor amigo desse mundo todo! Eu te amo demais, demais, demais! E não se preocupe. Se ele me fizer sofrer, você será o primeiro a saber. Eu prometo.

— Certo. Agora volte para o seu namorado. Ele deve estar te esperando. – Digo, sorrindo, enquanto acaricio a face delicada e bonita de minha melhor amiga.

— Mas e você? – Pergunta, preocupada.

— Não se preocupe. Você sabe que eu não gosto de multidões. Vou ficar mais um tempo aqui, aproveitando o clima agradável. Daqui a pouco eu entro. – Afirmo, forçando um sorriso.

— Tudo bem. Mas não demore. – Pede, dando um beijo estalado em minha bochecha. – Obrigada, Gusta.

E ela volta para a festa, deixando-me sozinho mais uma vez. Mais uma vez, a minha declaração não havia dado certo e ainda descubro que ela está namorando. Se antes eu tinha qualquer chance de ser correspondido, isso mudou completamente com essa notícia. Meu coração estava partido e tudo o que eu mais queria era que aquela noite acabasse de vez.

Notas finais
Oii Cupcakes ♥! O que acham? Deixem a opinião de vocês. Espero realmente que vocês gostem. Obrigada e até mais ♥ Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/5BLSlXTV4yE2Qfd8YqeBPC Instagram: _cupcakesdalara