Meu ultimo ano

14 Coincidências


Notas iniciais
Deixem seus comentários ^^

Não pode ser, ele é o Jack? Parece que eu estou olhando para uma pessoa completamente diferente, mas, a forma que eu me sinto perto dele não mudou e isso não é só um indicativo, mas sim uma confirmação. Acho que fiquei perplexa e o encarei demais, porque ele para no caminho do jardim, me olha, como se estivesse tentando se lembrar, e pergunta:

— Já nos conhecemos?

Não respondo, estou muito imersa em pensamentos, é difícil acreditar o que garoto que eu queria reencontrar desde que cheguei está bem a minha frente e é o meu novo vizinho. Isso não é só coincidência, não é possível que todos os meus encontros acidentais tenham sido com ele, de todas as pessoas dessa cidade, por que justo ele? Levo a mão a boca, então quer dizer que a criança problemática que o pai dele falou era eu? Se eu nunca tinha visto aquele homem na vida por que ele tinha tantos problemas comigo e com a minha família? Será que quando éramos crianças Jack falou algo ao meu respeito para o pai dele?

São muitas perguntas e não consigo responder nenhuma no momento, tudo parece tão estranho e confuso, eu não sei como devo reagir, uma grande parte de mim quer correr e dar um abraço nele, mas nunca tivemos tanta intimidade, eu não poderia fazer isso. Se ele ainda conserva algo do antigo Jack é possível que rejeite meu abraço e que evite qualquer contato maior.

— Ei! Tá tudo bem? – Jack me pergunta, se aproximando de onde eu estou.

— Sim.

Ele me olha mais um pouco e então quebra o silêncio que imperava:

— Você me lembra uma pessoa.

— Talvez, porque eu seja ela.

Jack parece surpreso, ele deve se lembrar, afinal, mesmo não conversando muito, éramos vizinhos. A situação se repete, mas as pessoas mudam; ele mudou, eu mudei, não somos como antes, com certeza não temos os mesmos sentimentos de antes, isso, se, ele tinha algum por mim. Inclusive, é o que me mais me assusta nessa história toda: ver o tanto que ele mudou.

— A gente já se conhece, né? – Ele repete a pergunta.

— Você deve lembrar, sou sua antiga vizinha, Mei.

Sua expressão muda, ele está do mesmo jeito que eu estava a pouco, parece perplexo, abre a boca como se quisesse dizer algo, mas desiste.

— É bom te ver de novo. – Digo.

— Quando você voltou? — Ele devolve rapidamente.

— Há três dias.

— Veio morar? – Ele pergunta, parado frente a mim.

— Vim, queria terminar o ensino médio aqui, senti falta das meninas.

— Entendo, você me falou delas uma vez.

— Foi, eu lembro... – Digo, tentando encontrar um outro assunto.

— ... – Ele parece estar fazendo o mesmo.

— Jack, o seu pai falou que ia ser legal ter uma boa vizinha pra variar, o que ele quis dizer com isso?

— Ele não deve ter falado por maldade, pode ser que não tenha te reconhecido.

— Eu disse meu nome a ele.

— Ele é péssimo com nomes.

Me calo.

— Ele tem problemas com todos os nossos vizinhos. – Continua. – Meu pai só sabe criticar, é quase um especialista nisso.

— Entendo. – Falo mais baixo, de qualquer forma não é importante, se Daniel tinha problemas com meus pais é um assunto passado, então nada mais justo que deixar isso pra lá. – Fico feliz te ter reencontrado você, era uma das pessoas que eu não imaginava rever.

Ele sorri e continua andando, quando chega no portão pequeno eu vou fechando a porta.

— Pra falar a verdade... – Escuto a voz dele em um tom mais alto e volto a abrir a porta, Jack ainda estava encostado no portãozinho. – Eu fico feliz que essas coincidências sempre sejam com você.

Dito isso, ele sai e entra na casa dele, meu deus, o que está acontecendo? Por que eu sempre fico sem saber o que dizer quando estou com ele? Achei que essas situações iriam parar de ocorrer à medida que eu fosse ganhando maturidade. Entretanto, por mais que eu queira conversar com ele, os assuntos fogem de mim e ficamos em silêncio, aquele típico silêncio constrangedor de quem não tem mais o que dizer. Bom, mesmo que essa ideia seja fixa em minha cabeça, não posso me deter nisso agora, preciso organizar as coisas e comprar água; dessa forma, subo as escadas, pego minha bolsa, coloco o celular dentro e saio de casa.