Meu (quase) Irmão De Holmes Chapel
13 Cachinhos
Notas iniciais
– O que você ainda faz aqui?
– Por quê? Não me quer aqui?
– Não, claro que quero, mas achei que você já teria ido embora. Onde estão Nicole e Mary Jane?
– Sua irmã foi dormir — levantei as sobrancelhas, como assim ela abandonou o Harry e foi dormir? — e Mary Jane foi colocar uma roupa mais confortável para te esperar comigo e acho que ela também acabou dormindo.
– Meu Deus, me desculpe! Não acredito que elas te deixaram sozinho! Há quanto tempo...
– Eu não fiquei sozinho, Jody me fez companhia.
Fomos para a sala de TV. Suspirei e sorri.
– Então, papai, por que resolveu me esperar acordado?
Ele riu.
– Para ver se você chegava bem. E então, gostou?
– Sim. Muito. John é maravilhoso! Gentil, fofo, engraçado... — me esqueci totalmente que os santos deles não batiam.
– Ele te tratou bem?
– Muito.
– Como você merece?
– Acho que sim — respondi confusa.
– Acho que nossas ideias do quanto você merece são um pouco diferentes — ele murmurou.
– O que?
– Nada.
Sentei-me no sofá, tirando os sapatos.
– Sabe uma coisa que eu sempre quis fazer? Mexer no seu cabelo — eu disse.
Ele levantou uma sobrancelha.
– Vamos, deita no meu colo e eu vou te despentear enquanto você me fala por que não gosta do John — e por que tem ciúmes dele, acrescentei mentalmente.
Ele se deitou e suspirou.
– Tudo bem. Ele não tem boa fama. Eu já vi ele traindo namoradas, tratando-as mal, sabe? Quando ele fica bêbado... Ele não é um bêbado legal. Ele fica agressivo, não parece ele mesmo. E mesmo sóbrio, na escola, por exemplo, ele é violento. De vez em quando é como se ele fosse possuído, sei lá. E ele já bateu em uma namorada.
Levantei as sobrancelhas e arregalei os olhos.
– Mas ele me pareceu tão doce!
Ele ignorou meu comentário.
– E os amigos dele... Não são dos melhores. Você viu o que um "amigo" dele fez com Mary Jane — sua expressão ficou muito séria. Parecia que ele estava disposto a bater no garoto, e devia estar mesmo.
Ficamos um tempo em silêncio, eu mexendo no cabelo dele e ele de olhos fechados, provavelmente controlando a vontade de socar o menino que engravidou Mary Jane. Mas não posso culpá-lo por ter raiva dele, até eu tinha vontade de dar uns tapas no menino.
– Por que Mary Jane não quer nos dizer que é o pai? — ele perguntou.
– Por que será? — ironizei — Não pode ser porque o irmão e o melhor amigo dela parecem estar dispostos a matá-lo, claro que não é por isso.
Ele abriu os olhos só para revirá-los.
– Você me entendeu.
– Acho que é porque ela quer paz. Se ela for atrás do garoto ela terá mais problemas do que ajuda. E, se ele foi capaz de fazer isso com ela, imagine o pai que ele seria.
– Nisso você tem razão. Mas... Eu sei que você gostou do John, mas promete que não vai mais vê-lo?
– Eu não sei, Harry. Eu realmente gostei dele, mas se o que você está falando for verdade...
– Verdade? — ele levantou de repente — por que eu mentiria sobre isso? Eu convivo com Mary Jane há muito mais tempo, conheço os problemas familiares dela! Mas ela não sabe que o irmão é assim, então não diga nada a ela. Por favor. Ela não aguentaria mais pressão.
Sorri. Ele era muito protetor.
– O que foi? — ele perguntou ainda irritado.
– Você vai ser um ótimo tio para o bebê.
Ele relaxou e se deitou de novo.
– Você ainda não conhece Londres, né?
– Não, por quê?
– Vou te levar amanhã para conhecer. Pegaremos um ônibus até lá e vamos a todos os pontos turísticos. Ponha seus bons coturnos, uma de suas camisetas de bandas de rock e vamos conhecer a cidade da rainha — e piscou para mim.
– Tem certeza? Meu sonho é conhecer Londres, vou ser a turista mais chata de todos os tempos! Vou tirar fotos até da folha balançando, você vai ter paciência comigo?
– Claro, vou te levar à London Eye, ao Milkshake City, ao Madame Tussauds, ao Palácio de Buckingham, ao Big Ben...
– Mas... Nós podemos ir ao British Museum?
– Museu? Por quê?
– Bom, eu amo museus. E eu sou obcecada pelo Egito — ele abriu a boca para falar algo, mas eu o interrompi — Sim, eu morei lá mas eu ainda sou fascinada pelo Egito Antigo e o British Museum tem a maior coleção de artefatos egípcios do mundo, com exceção do próprio Egito! Meu Deus, lá deve ser perfeito! As estátuas e réplicas de tumbas! A Pedra de Roseta está lá! Você tem noção?
Ele estava de olhos arregalados e, quando percebi, comecei a rir.
– Você não está entendendo nada, não é? — eu ri mais ainda quando ele apenas acenou com a cabeça, como se estivesse assustado — Você vai ver amanhã, vou ser a melhor guia de museu que você já teve. Qualquer dúvida, pode me perguntar — falei ainda rindo da cara de assustado dele.
– Como cabe tanta informação na sua cabeça?
– Eu estudo, já ouviu falar?
Ele ignorou meu comentário e mudou totalmente de assunto.
– Então, como é a Itália?
– Bom, é maravilhoso. A língua italiana é linda, não é? Parece que você está cantando. Mesmo que você diga que a mãe de alguém morreu vai parecer que você está dando uma notícia ótima e que tudo está bem! É mais bonita até que o sotaque britânico.
– Diga "sua mãe morreu" em italiano.
– Sua madre è morta.
– É, você tem razão. Parece que você está feliz como pinto no lixo.
Eu gargalhei dessa vez.
– O que foi?
– Essa expressão sempre me faz rir — falei ainda rindo.
– Por quê?
– Não sei, não tem explicação! Mas eu sempre morro de rir quando ouço!
Ele riu também.
– Idiota — falou rindo — Agora eu também vou achar graça!
Acabamos dormindo ali no sofá mesmo, ele deitado em meu colo e eu encostada no sofá.
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