Notas iniciais
ainda não é hoje que eles vão para Londres porque não deu tempo, perdoem-me

Acordei no outro dia e Harry ainda estava deitado dormindo em meu colo. Fiquei com medo de acordá-lo se tentasse levantar, então fiquei olhando para ele. Dormindo, ele parecia ainda mais um bebê. Seus cachos estavam mais bagunçados que o normal e alguns caiam em seu rosto. Tirei-os.

- Você planejava ficar muito tempo me admirando? — ele abriu os olhos de repente.

Fiquei vermelha e ri.

- Eu achei que você estivesse dormindo! Não queria te acordar.

- Claro, você não estava admirando minha beleza incomparável.

- Modéstia para que, não é?

- Se eu não me achar bonito, quem mais vai achar?

Todo mundo, pensei.

- Vamos tomar café-da-manhã? As duas já devem ter acordado. Está com fome? Temos que nos arrumar para ir para Londres! — tive um pequeno ataque quando me lembrei que eu iria para lá — Eu ainda estou com o vestido e a maquiagem de ontem!

- Você prefere se trocar antes de comer? Não estou com muita fome, posso esperar — e seu estômago roncou.

- Vamos comer primeiro.

Fomos para a cozinha e havia três bilhetes em cima da mesa. Um era de minha irmã e dizia que ela ficaria ocupada o dia inteiro. O outro era de Mary Jane, dizendo que ela ficaria com o irmão dela hoje e o outro era de Jody, dizendo que ela também estaria ocupada.

- Bom, então tenho que deixar outro bilhete dizendo que vou passar o dia em Londres com você — franzi o nariz pensando no que aquilo pareceria. Escrevi o bilhete e colei-o na geladeira — Acho que meu pai chega hoje à noite.

- Você só vê ele uma vez por semana?

- É. Mas Nicole está pior. Ela estuda na Universidade de Florença, então só vê ele de vez em quando. Vai vê-lo hoje e sábado que vem ela vai vou voltar para a Itália, então não o verá.

- Como você aguenta?

- O que quer dizer?

- Você nunca conheceu sua mãe, só vê se pai uma vez por semana e sua irmã mora em outro país!

- Ah, você acaba se acostumando.

Ele levantou as sobrancelhas.

- Eu não aguentaria. Apesar de meus pais serem separados, eu vejo minha mãe e minha irmã todo dia. E eu também vejo meu pai.

- Eu aguento porque não conheço outra vida. Enfim, vou tomar um banho. Quer tomar também?

Ele fez uma cara safada. O que era estranho, porque ele tinha cara de bebê.

- Com você? Claro.

Ignorei.

- Você pode tomar banho no banheiro do meu pai ou então ir para sua casa. Depois a gente se encontra aqui.

- Vou buscar uma roupa lá, falar com minha mãe e tomo banho aqui. Assim saímos do mesmo lugar, fica mais fácil.

- Então tudo bem.

Ele foi para casa buscar a roupa e eu fui para meu quarto tirar a maquiagem. Olhei-me no espelho. Meu Deus, como Harry conseguiu não rir? Eu estava ridícula! Ridiculamente engraçada. Minha maquiagem estava toda borrada e meu cabelo estava muito despenteado. Muito. Fofo da parte dele não rir de mim, eu parecia um palhaço que dormiu com um uma pomba na cabeça. Eu mesma ri. Penteei o cabelo primeiro e, quando estava terminando de tirar a maquiagem, ele abriu a porta do meu quarto.

- Sabe o que eu acho? — perguntei — Acho que vou começar a trancar a porta. E se eu estivesse me trocando?

Ele ignorou.

- Onde fica o banheiro de seu pai?

- Vou te levar.

Levei-o até o banheiro de meu pai.

- Eu vou tomar banho também — falei — E vou trancar a porta — acrescentei — mas por via das dúvidas, bata na porta.

Ele sorriu maliciosamente.

- Harry...

- Tudo bem, vou me comportar. Juro.

Saí e fui para o banheiro. Ouvi o chuveiro dele sendo ligado — os banheiros eram um ao lado do outro — e entrei no banho, totalmente consciente que Harry estava tomando banho a uma parede de distância. Sacudi a cabeça para espantar o pensamento. Ele é seu melhor amigo, você o conhece há pouco tempo, acalme os hormônios. Fui me trocar e deixei o cabelo molhado mesmo. Ele secaria no caminho.

Fiquei pronta e fui bater na porta do banheiro em que Harry tomava banho.

- Harry! Vamos chegar tarde lá, não vai dar tempo de ver tudo!

- Calma, já estou saindo! — e abriu a porta. De cueca. Boxer. De cueca. Se quiserem que eu repita, eu repito. Harry saiu de boxer. Sabe, isso chega a ser maldade.

- Demorou! Eu, que sou mulher, me arrumei mais rápido!

- Você acha que esses cachos são fáceis de cuidar?

Respirei fundo.

- Vista-se. Estou com muita pressa, não vai dar tempo de ver nada!

- Como assim? Você viu que horas são? Nove horas.

Fiquei confusa.

- Nós acordamos muito cedo.

- Tanto faz. Anda, Harry!

Ele se vestiu, pegamos dinheiro e fomos. Pegamos um ônibus que estava indo para Londres — para Londres! — e a previsão de chegada era onze horas.

- Então, aonde vamos primeiro?

- Museu! — falei sem hesitar.

- Qual é seu problema?

- Nenhum problema. E o seu? Por que não gosta de museus?

- Porque tudo lá pertenceu a pessoas mortas.

- Essa é a parte emocionante — ele fez uma cara de desânimo — Vamos, você vai gostar! Você vai estar comigo.

- Tudo bem, eu dou uma chance.

Fomos ouvindo músicas em meu iPod e conversando. O tempo passou voando. Quando desci do ônibus, surtei um pouco.

- Estou em Londres, estou em Londres, estou em Londres!

- Tá legal, acalme-se — ele falou olhando para os lados, com vergonha. Apertei as bochechas dele.

- Pare de ser chato! Qual a graça de não ser nem um pouquinho louca?

Ele ignorou.

- Vamos arrumar um táxi.

- Direto para o museu — exigi.

Ele revirou os olhos.

- Direto para o museu.

Sorri de orelha a orelha. Eu estava em Londres.

Notas finais
e aí? juro que não vou demorar para postar