Meu professor de biologia
3 A ressaca dolorida
Notas iniciais
Eu abri meus olhos com dificuldade de manhã. A dor de cabeça gritava dentro de mim. meus olhos estavam pesados e meu corpo dolorido. Eu me perguntava se tudo que aconteceu naquela madrugada não havia passado de um simples sonho, mas acho que não, pois vi que meu sutiã estava no chão, e haviam marcas de mão na minha coxa.
Eu levantei da cama com um esforço enorme, minhas costas doíam, minha cabeça latejava. Fui ao banheiro e escovei os dentes com o dedo mesmo. Ajeitei meu cabelo, lavei meu rosto, ainda inchado de chorar depois do pesadelo da madrugada.
Eu fui até a sala, onde estava sentado no sofá, o jovem mais charmoso que eu já havia conhecido. Era ele, meu professor de biologia, um estudante universitário, aquele que todas as garotas estavam caidinhas. Por que eu?
Ao ouvir-me chegando ele se levantou rapidamente e me encarou por uns segundos. De repente minha cabeça voltou a latejar e eu botei a mão na mesma e fiz uma cara de dor agoniante. Ele percebeu meu estado e foi até o banheiro. Eu ouvi uns barulhos e ele voltou com um frasco de remédio:
—Tá aqui, Tilenol Acho que vai ajudar
Eu peguei e tomei uma pílula. Quando eu fui devolver à ele, o mesmo disse:
—Fique, você precisa mais que eu.
Eu não respondi, ainda confusa. Eu enfiei o frasco bolso traseiro do meu moletom. Ele estava claramente atordoado e confuso. Nem eu, nem ele sabíamos o que havia acontecido entre nós aquela noite. Eu precisava de uma resposta, precisava saber:
—E sobre onte...
Ele não deixou-me terminar:
—esqueça ontem -ele me olha com aqueles olhos castanhos- aquilo não devia ter acontecido.
Ele franziu a sobrancelha como se estivesse arrependido das suas palavras grossas.
—mas eu...
ele continuou:
—Apenas esqueça, ninguém pode saber
eu senti um desespero somado à minha ansiedade borbulhar no meu estômago. A dor de cabeça volta. Ele nem está me vendo, está de costas para mim. Eu sinto como se todos os sentimentos ruins estivessem voltando. Eu fico desconsolada, desnorteada, sem rumo. Uma lágrima escorre no meu rosto. Eu não consigo aguentar, eu começo a chorar descontroladamente. Eu corro para o banheiro. Ele apenas vira as costas no momento que ouve meus passos apressados e barulhentos até o banheiro.
Ele vai até a porta do banheiro e encosta o ouvido na porta. Meus soluços o assustam e o deixam arrependido ao mesmo tempo. Ele não sabe ao certo o que disse de errado.
—Melanie, me deixe entrar
Eu não respondo, pois o choro ainda está forte demais e ele não ia entender minhas palavras manhosas
—Eu não sei o que houve, me deixe entrar.
Eu planejo cada ato antes de destrancar a porta do banheiro. Eu destranco e abro a porta rapidamente, ele leva um susto pois estava apoiado na porta, e ao abrir ele caiu para o lado. Ele bloqueia metade da porta, me encara por uns segundos. Eu saio correndo e esbarro no seu ombro esquerdo. Eu vou em direção a porta, mas ele agarra meu braço.
—Você não vai sair daqui até me dizer o que há de errado.
Ele me encara com um rosto meio confuso e nervoso ao mesmo tempo. Eu ainda estou com a cara molhada de tanto chorar, eu já estava com um pé pra fora, quando ele me puxou pra dentro, fechou a porta e trancou. Um lado meu estava com medo, e desesperado, mas o outro tranquilo, pois confiava nele e sabia que ele nunca me machucaria.
Ele me arrastou até a poltrona e eu me sentei ali. Ele sentou-se no sofá á frente. Eu esperei me acalmar, meu rosto ainda estava vermelho, mas eu já conseguia falar melhor. Ele abriu a boca para falar:
—O que aconteceu? Para que todo esse drama? QUAL É O SEU PROBLEMA?- ele disse meio que gritando
Aquilo me deixou um pouco ansiosa, uma lágrima percorria um caminho disforme na minha bochecha. Eu abri a boca, e uma voz rouca iniciou a frase
—Eu... eu- meus olhos estavam enchendo de lágrimas- Paulo. Eu sou virgem
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