Meu príncipe patriota.
8 Por favor, afaste meus demônios.
Notas iniciais

Aquele clima pesado se colou em mim. Steve nos encarava sem sequer piscar, como se tentasse pegar no ar qualquer desvio de conduta meu e do desmemoriadinho. Eu deveria estar bem tranquila, porém a carinha do meu amorzinho não era das melhores. Claro, que até bravinho como está agora. Ele ainda é um pedaço de mal caminho. Mentira! Ele era o caminho inteiro.
— Olá, baby. Luz e razão do meu viver. Disse, caminhando até ele e lhe dando um selinho. – Sabe, estava perguntando aqui para o desmemoriadinho, se ele poderia te dar umas dicas para você me levar para um encontro. Expliquei, mudando um pouco os fatos. Sentir meu capitão relaxar e envolver minha cintura, me dando um selinho.
— Exatamente. Mas, agora que você já cumpriu meu trabalho. Não tenho o que fazer aqui. Explicou Bucky, rindo. – Meus parabéns, Ísis. Você foi discreta, como a bala de um canhão. Zoou, saindo da sala de treinamento.
— Era só isso mesmo? Questionou Steve, erguendo a sobrancelha parecendo muito sexy. Uau! A cada movimento desse homem, eu ficaria sem palavras?
— Sim, era só isso. Capitão ciumento! Disse, rindo. Enquanto, ele ficava sem graça. – Você sabe que é o único que pode e irá ver futuramente, espero que bem breve meu corpinho nu, não é mesmo? Perguntei, tentando parecer inocente.
— Ísis, me desculpe. Não quero parecer ciumento... Mas, eu não consigo me conter. Disse, ignorando completamente minha perguntinha.
— Oh meu amorzinho! Você pode parecer ciumento, quando quiser. Fico todinha arrepiada com sua pose de mandão. Mas, você não respondeu minha pergunta... Disse, balançando meu cabelo. E piscando os olhinhos para meu cap. – Aliás, você gostou do presentinho de deixei no seu quarto? Questionei, descarada. Se eu tinha algum limite? Não.
— Você ainda vai me matar. Disse, me olhando. Escondendo o riso.
— Que isso? Bate na madeira. Mortinho, só se for de cansaço na minha humilde e bela cama. Falei, dando um sorriso malicioso e acariciando seus ombros. Que homão da porra! – Mas, então... Gostou do meu souvenir ou não? Só falar, príncipe. Prometo que não sairá daqui. Afirmei, cruzando meus dedinhos de proprietária do Nilo.
— É... Eu... Adorei, Ísis. Disse, todo tímido. Oh Deus! Eu vou colocar ele em um potinho e esconder no meu quarto. De preferência, só de cueca. Suspirei, lembrando do maravilhoso dia de ontem. Nunca vou me recuperar da visão desse homem de cueca. Ainda, sinto minhas pernas tremerem.
— Que bom, meu amor. Acredite! Eu tenho menores e melhores. E todas para sua admiração. Disse, piscando.
— Então, você quer que eu te leve em um encontro? Perguntou, mudando de assunto. Escondendo a vermelhidão do seu rosto.
— Você pode me levar para onde quiser, Cap. Respondi, beijando seu rosto e lhe dando um selinho.
— Que tal amanhã? Perguntou, me olhando. – Eu e você. Um jantar? Questionou, enquanto me apertava em seus braços.
— Querido, o que você... Meu belíssimo príncipe patriota me pede que eu, deusa do Nilo... Não faço? Claro, que irei. Belíssima, como dona do Egito que sou. Afirmei, não acredito que eu tinha um encontro com meu Capitão. Eu vou desmaiar! Como fazer a dancinha da vitória sem o boy notar?
JAMES BUCHANAN BARNES (BUCKY).
Quase 100 anos. Eu tinha quase 100 anos.
A aparência era de 30, mas a idade e as experiências eram bem maiores de um cara com 30 anos. Não acreditava que tinha sobrevivido a Hidra por décadas e agora, estava com Steve novamente. Eu pensei que todos os que conheciam estavam mortos e enterrados. Sem esperança para um recomeço.
A questão era que Steve passou décadas, congelado com suas memorias e princípios intactos. E sabia exatamente quem ele era. Já eu... Bem, eu não tinha nada.
Nem, memorias. Nem, princípios ou caráter. Sequer, sabia quem eu era. Tanto sangue nas mãos, tanta dor. Minha e deles. Tudo que eu sonhei e almejei foi destruído, a hidra acabou com tudo. Acabou comigo!
Sonhos, planos, amores, perspectivas de um futuro. O Sargento Barnes e o Bucky consumidos por ele... O soldado invernal. Tentei esquecer, tentei supera-lo e prendê-lo no fundo da minha mente. Mas, eu ainda o sentia arranhando a superfície. Implorando para sair, que eu o libertasse. Que o monstro que ele representava não poderia e nem ficaria preso por muito tempo. Como se duas pessoas habitassem o mesmo corpo, eu me mantinha sobre controle. Deixava o monstro na jaula, mas eu sentia no fundo que não podia prender ele por muito tempo.
Então, todos os dias. Eu buscava uma forma, uma resposta para mata-lo. As consequências do soldado invernal me assombravam todos os dias. E eu tinha medo, medo por mim e pelas pessoas próximas a mim.
Mas, uma segunda chance me foi dada. Eu estava aqui e estava livre.
E o meu maior inimigo era eu mesmo. Minha cabeça... Não conseguia dormir à noite, os pesadelos, a destruição, as memorias das guerras, a Hidra. Todos eram os meus fantasmas consumiam minha alma. Um dia, eu conheceria a felicidade? Um dia, eu teria alguém como Steve tinha Ísis? Ou talvez, fosse melhor estar sozinho. Colocar alguém nessa bagunça e imundície atolada em sangue inocente que era a minha vida, não seria o melhor. Eu poderia proteger essa pessoa de qualquer coisa, só não poderia a proteger de mim mesmo.
Joguei água em meu rosto, tentando sair daquela agonia sufocante de mais um pesadelo. Eu havia sonhado com a morte dos pais de Stark outra vez, ainda me lembrava do rosto de Tony Stark ao ver o vídeo. Se fosse ao contrário, eu faria a mesma coisa. Eu mataria o filho da mãe que destruiu minha família.
Mas, Steve estava lá. E desistiu de tudo para me proteger. Desistiu do manto do Capitão e do seu escudo.
Me proteger, como eu fiz dezenas de vezes com ele nos becos do Brooklyn. Sorri, me lembrando do garoto franzino apaixonado pelo exército e que sempre se levantava depois de uma surra. Nós somos família, éramos irmãos de mães diferentes. Mas, Steve era muito melhor do que eu. Antes e depois do soro.
Caminhei até a sala de treinamento. Esquecendo mais uma noite de sono perdida, depois da Alemanha e até mesmo antes. Minha vida era assim, treinos frequentes para não pensar muito. E quando, eu não estava treinando. Estava atrás de pistas da minha vida, antes da maldita Hidra.
Eu perdi toda a esperança de ser feliz algum dia, hoje eu só me contentava em estar vivo.
Soquei o saco com mais força, que foi arrancado da parede. Bufei, falando alguns palavrões.
— Não consegue dormir, parceiro? Disse Steve, me observando. Sorri com a cara de felicidade dele.
— E você? Não deveria estar com sua namorada? Questionei, escondendo um sorriso de zombaria.
— Eu estava indo para lá. Ísis pediu para que eu dormisse lá hoje. Mas... Disse, me encarando.
— E você quer dormir com ela? Questionei, voltando a bater no saco. Eu gostava de pensar que era um homem simplório, era sim ou não. Steve tinha talento para complicar coisas que deveriam ser simples. Principalmente, em sua vida amorosa.
— Quero. Bastante. Afirmou.
— Steve, eu sei que você não estava acostumado com isso. E que eu e você, somos de épocas diferentes. Apesar que, eu era um mulherengo. Disse, sem conter o riso. – Mas, Ísis ama você. E ela vai respeitar seu tempo, vai te compreender e aceitar seus limites. E aliás, ela é super sexy. Expliquei meu ponto, rindo da cara que ele fez com minha última frase.
— Você tem que falar dela assim? Questionou quase irritado. Steve era ciumento! E eu usava isso para irrita-lo e também motiva-lo a tomar uma atitude com ela.
— Você sabe que ela é uma irmã para mim. Mas, eu não sou cego. Justifiquei, enquanto ele revirava os olhos. Ele bufou e saiu até a porta.
— Steve... Chamei, tentando não rir do que eu falaria. – Não sei, se a tia Sara teve essa conversa com você. Mas, sexo não é o bicho de sete cabeças. Tenho certeza que vocês... Podem lidar com isso. Disse, o encarando. Não acreditei que havia falado isso. Ísis, estava me devendo. Aquela baixinha insana...
Steve colocou a mão no rosto, como se não acreditasse que eu estava falando aquilo para ele. Eu não acreditava, mas o que nós não fazemos pelos amigos?
— Eu vou levar essa conversa em consideração. Valeu, parceiro. Disse, saindo.
Como, eu disse. Ísis me deve! Pensar neles dois, as vezes me fazia ficar péssimo. Não era inveja ou nada disso. Era a sensação que todos encontrariam a felicidade e eu nunca poderia dizer o mesmo. Eu só precisava de uma luz, uma luz que afastasse todos os meus demônios e fantasmas.
Fale com o autor