Meu pesadelo Benjamim

2 O que acabou de acontecer?


Notas iniciais
Boa leitura!

O que aquele idiota está pensado? Se ele acha que vai conseguir me irritar está muito enganado, eu vou acabar com a raça dele psicologicamente com palavras cruéis! – risada maligna.

— Boa tarde senhor, o que vai querer? – é, eu não podia colocar meu plano em prática.

Ele riu colocando a mão na boca para abafar.

Idiota! A vontade que eu tinha era de gritar.

— Desculpe. – falou ainda rindo.

Foi a primeira vez que ouvi a voz dele, suave e levemente sensual.

Silêncio breve.

Que espécie de frase foi essa?!

— Uma pizza de pepino com ovos. – olha para mim maliciosamente.

Só podia estar brincando, pepinos com ovos?!

— Não temos no cardápio senhor... – seja bonzinho e vá embora.

— Existem muitas coisas deliciosas que infelizmente não estão no menu, não é? – ele me olha dos pés à cabeça.

— Senhor se não vai querer nada pode ir embora. – já estava começando a ter tiques de raiva.

— Se eu trocar o pepino por calabresa?

É, tinha no cardápio.

— Logo trarei seu pedido.

Eu vi! Ele pensa que não percebi ele olhando pra mim enquanto eu voltava ao balcão? O que ele quer de mim, me torturar psicologicamente?! Pior é que está conseguindo.

Levei o pedido, mas o desgraçado continuou lá mesmo depois de ter comido. Me veio pedir um refrigerante e água depois de dez minutos. Era como se quisesse me lembrar o tempo inteiro que ele estava lá.

Tentei ignorar. Continuei o meu trabalho, confesso que algumas vezes esbarrei meu olhar no dele – que insistentemente olhava pra mim – que irritante. Vou cobrar pela apreciação da obra de arte – modéstia parte.

Perto do anoitecer, ele foi embora. Suspirei, finalmente eu estaria livre. Na manhã do dia seguinte, estranhei a ausência do meu pai no sofá, vai ver já fazia parte dele. Mas não, aquela coisa encardida azul de dois lugares estava com um fedor horrível de urina e bebida. Resultado. Joguei fora. Não faço ideia de onde ele tenha ido.

Tudo se repetiu, na faculdade e no trabalho, ele atrapalhando meus pensamentos e me irritando com aqueles olhares insistentes. O pior era que eu não podia ouvir ninguém dizer as palavras “beijo e gay” que eu ficava nervoso. Será que ele está bolando um plano maquiavélico contra a minha pessoa? Mas o que eu fiz a ele?

Ninguém me respondeu.

Pra piorar, Ítalo resolve ficar doente. Passei dois dias sem ir para faculdade e o trabalho cuidando dele. Meu pai não tinha voltado desde então. Na sexta ele melhorou e foi para a escola, pude ir ao trabalho, mas não para a faculdade.

— O que te aconteceu? – perguntou Benjamin, enquanto eu estava abrindo a pizzaria.

Me assustei ridiculamente dando um gritinho.

— Isso não ajuda muito a sua masculinidade. – ele ri.

Eu sabia! Ele acha que eu sou gay. Se bem que, aquele gritinho realmente....

— O que quer? – perguntei.

— Pizza.

— Ainda nem abrimos!

— Já está fazendo isso.

Parecia que ele tinha sempre uma resposta pronta.

Suspirei.

— O que te aconteceu?

— Por que está tão interessado? – que irritante.

— Senti sua falta. – falou espontaneamente.

— Que? – olhei para ele na mesma hora.

— Você.

— O que?

— Está vermelho.

— É insolação! – falei.

— Mas está um dia nublado hoje.

— Ah, cale a boca!

Entrei irritado, ele ria, aquele idiota.

Quando fui ao banheiro, percebi que estava mesmo vermelho. Ignorei aquilo. Miguel chegou logo em seguida, começamos a trabalhar.

— Vai ficar gordo se continuar comendo pizza todo dia. – falei para Benjamin enquanto o servia.

— Assim terá mais lugar para apalpar. – sorriu.

Que?! O que foi isso?

— Argmed...

— O que disse?

Nem eu sei, só sai de lá.

Mal tinha percebido que conversava com ele naturalmente. Quando pretendia voltar ao balcão, senti uma espécie de tontura. Me via naquele momento caindo no chão, mas alguém me segurou firmemente por trás, era ele.

— O que está fazendo.... Ben....

Só lembro dos olhos ansiosos e preocupados dele, apaguei em seguida.

Acordei na emergência. O que era? Peguei a mesma coisa que Ítalo, pra variar. Com alguns remédios logo melhoraria.

— Obrigado por me trazer até aqui, Benjamin. – falei, na porta do hospital.

— Engraçado. – estava com as mãos nos bolsos.

— O que?

— Não lembro de ter lhe dito meu nome.

Gelei na hora.

— Foi uma amiga minha que falou. – disse trêmulo.

— Andou perguntando a ela?

— Não! – lógico que não, absolutamente não.

— Interessante. – sorri de canto, denunciando as covinhas recém descobertas por mim.

Covinhas, covinhas?! Por que logo ele tinha que ter covinhas?!

Sim, eu sinto uma atração estranha por pessoas que tem buracos nas bochechas. Não me pergunte porquê. Recebo uma ligação. Não sei dizer se foi uma boa ou má noticia, mas aquilo me abalou.

A polícia tinha ligado falando sobre meu pai, que tinha sido encontrado morto na calçada de uma praça qualquer. Morreu após uma grande ingestão de bebida alcoólica. Imaginei que quando isso acontecesse, iria suspirar, mas por um reflexo do meu corpo, comecei a chorar.

Não tive tempo de pensar como Benjamin reagiria, ele apenas me abraçou sem perguntar absolutamente nada. Chamou um táxi e ofereceu o dinheiro, não pude negar eu soluçava como um bebê.

Depois de alguns minutos consegui contar o que tinha acontecido, ele continuou me abraçando e dizendo repetidas vezes que estava tudo bem, enquanto eu me perguntava como diria aquilo ao Ítalo.

Voltei para casa sozinho no táxi, ele se ofereceu para ir, mas acabei o convencendo o contrário. Tive dificuldades extremas para contar aquilo ao meu irmão, mas quando o fiz, o garoto apenas me abraçou, disse que estava tudo bem.

Como assim um garoto de dez anos me consola quando esse era o meu papel?! De toda forma, ele não gostava muito do nosso pai. Eu ainda convivi com ele quando era um homem bom, mas a amante e a bebida pareceram implantar uma espécie de veneno nele.

No terceiro dia, fomos ao enterro. Para a nossa surpresa éramos apenas nós dois. Nenhum outro membro da família foi. Deprimente. Quando saímos do cemitério, encontramos Miguel, e não menos importante Benjamin.

— Por que trouxe ele?! – apontei para o loiro, saiu espontaneamente.

Miguel levanta uma garrafa de cerveja.

— Foi comprado por isso ai?!

— Meus pêsames... – falou bêbado, sentou no chão e lá ficou.

É justo, um bêbado no enterro de outro.

— Ariel – Ítalo puxa a minha blusa – o que vamos fazer agora que estamos sem o papai?

— Não se preocupe, eu irei trabalhar mais para conseguir algum dinheiro. – eu sempre paguei as contas mesmo.

— Você quer um sorvete? – se intromete Benjamin.

— Ah, claro. – seduziu o garoto, que desperdício.

No final acabamos indo – sim deixamos Miguel largado lá – aceitei porque queria ver Ítalo um pouco distraído depois de tudo que tinha acabado de acontecer. A noite, Benjamin nos ofereceu uma carona – não fazia ideia que ele tinha um carro.

Era desses Unos, não sei ao certo.

Não recusei porque estava sem dinheiro para o ônibus. Ô vida. Ele nos levou em casa – acabou descobrindo nosso esconderijo – era um apartamento de um prédio antigo sem elevador. Morávamos no segundo andar de três.

Ítalo sobe correndo, fico na porta para agradecer, péssima ideia.

— Não sei bem o que vai acontecer com a gente, mas vou me esforçar...

Não tínhamos subido para o meu ap.

— Não existe nada que o tempo não cure. Paciência é uma virtude para poucos.

Filósofo hein.

— Agora somos órfãos... – suspiro, quando pensei nisso, comecei a chorar novamente.

— Você é bem sentimental.

— Cale a boca... – falei soluçando, nem eu mesmo sabia que gostava tanto daquele idiota do meu pai.

Só sabemos do valor que algo tem quando perdemos. Descobri a verdade concreta dessa frase.

— Eu estarei aqui com você.

Me abraça, o cheiro dele estava mais forte, e isso me agradava. Senti meu corpo sendo aninhado por aqueles braços firmes, meus soluços foram se esvaindo. Começo a ouvir sua respiração ofegante no meu ouvido, lentamente ele ia passando a boca da minha orelha até as minhas bochechas.

Imaginei o que iria fazer, mas permiti. A boca dele encostou na minha. Eu pude senti aqueles lábios carnudos se misturando com os meus, enquanto me puxava pela cintura para perto de seu corpo. Mordiscou o lábio inferior antes de se afastar – não foi um beijo de língua.

Eu fiquei em choque, meus olhos estavam esbugalhados, eu devia estar parecendo um sapo com olhos vermelhos por causa do choro. Ele sorriu, mostrando aquelas covinhas maravilhosas.

— Te vejo amanhã. – me beijou na testa e foi para o carro.

O que acabou de acontecer?!

Notas finais
Olá pessoinhas :D Agradeço se deixarem um comentário, pois assim me dá ânimo para continuar escrevendo! Obrigado a todos que estão acompanhando a história de Ariel.