Meu pesadelo Benjamim
8 Amiga de várias cores
Notas iniciais
— Ariel.... – ouvi uma voz bem longe.
Ela se repetiu.
— Ariel!
— Hum.... – resmunguei.
Ouvi um suspiro.
— Ariel, Benjamin está na porta.
Abri os olhos quase que imediatamente.
— Que?!
— Agora você acorda né? São seis horas, você tem que ir pra faculdade. – Ítalo estava de braços cruzados – devia começar a acordar sozinho sabia?
Ele me dava um desconto por que eu ia trabalhar e dormia mais tarde – motivo que usei para que ele continuasse me acordando. Meu estado? De cueca com uma perna e um braço pra fora da cama enquanto abraçava o travesseiro com o outro braço.
Estava na esperança de que fosse ele, eu queria um pouco... Mentira eu queria muito – pronto falei. Suspirei ao saber que Ítalo tinha mentindo, agora vai usar isso contra mim sempre que precisar.
Levantei pesadamente da cama como se existisse uma força sobrenatural me empurrando para baixo. Mal conseguia abrir os olhos, fui ao banheiro para as necessidades matinais.
— Ariel – fala Ítalo enquanto comia uma maçã.
Estávamos na mesa.
— Oi?
— Tem umas marcas.
— Marcas? Onde?
— Aí nessas partes por aí. – ele aponta para o meu pescoço e um pedaço de ombro que estava desnudo.
Olhei para o ombro, eu usava uma blusa branca com mangas longas, a gola era um pouco maior e deslizava um pouco para o braço, o que deixava meu ombro à mostra se eu descuidasse.
O que era? Exatamente isso, as marcas que Benjamin deixou em mim, chupões. Pensei que isso já tinha saído. Consegui disfarçar no dia anterior porque escondi bem aquelas partes. Como durou tanto tempo? Vai ver foi porque fez isso várias vezes no mesmo lugar.
Que droga.
— Acho que foi.... Foram picadas de mosquito. – falei, escondendo o ombro com a blusa.
— Esquisito.... Mas se você diz. É melhor você ir no médico – morde a maçã.
Quanta inocência gente. Ítalo começou a falar de outras coisas, acabei me distraindo – junte isso com o sono – e o que aconteceu? Esqueci de trocar a blusa. Fui com ela para a faculdade.
— Huuum... O que são essas marcas aí hein, Ariel? – é, Sara as encontrou.
Estávamos na sala, a aula ainda não tinha começado.
— Ah... – desviei o olhar, eu não podia enganá-la, sabia do que se tratava.
— Uma garota te pegou nesses dias? É por isso que andou faltando?
— Garota... – sussurrei.
É, tinha acabado de lembrar. Ela não sabia. Levantei o olhar, na porta estava ele, Benjamin entra na sala. Ele sentava próximo da porta, e eu perto do birô do professor.
Olhei para ele retribuindo o olhar que tinha lançado para mim. Sorrimos discretamente um para o outro. Fiquei feliz, mas não demonstrei. Sara olha para ele, ah, eu tinha medo que ela descobrisse....
No intervalo, fomos ao pátio da faculdade.
— Está com problemas? – perguntou a amiga verruguenta, que bebia um refrigerante.
— Quero encontrar outro emprego. Mal consigo pagar minhas contas...
— Se pagasse uma escola mais barata para o Ítalo isso mudaria.
— Não, eu quero que ele tenha uma boa educação. E além do mais não é tão cara assim.
— E o que vai fazer Ariel? Não tem muito trabalho de meio período com bom salário por aí.
— O pior é que ainda estou no começo do curso... Não vou trabalhar nem tão cedo nisso....
— JÁ SEI! – gritou.
— Não me assuste desse jeito sua infeliz! Quase perdi a alma. – isso não se faz.
— Tenho uma amiga que é dona de uma livraria perto daqui, estão contratando, posso te levar depois da aula, e aí?
— Isso me faz te perdoar pelo susto. Claro que vou.
— Bom!
Olho para o lado, Benjamin estava na porta do banheiro olhando para mim, me chamava apontando sutilmente para dentro do lugar. Abre a porta e vai. Eu simplesmente levantei e fui andando.
— Ei! – disse Sara – aonde vai?
— Banheiro.
— Fazer o que?
— Abrir a câmara secreta.
— Engraçadinho!
— Que espécie de pergunta – fui andando – o que se faz no banheiro?
É, o que será que se faz no banheiro? Era um comum, com uma grande pia acompanhada por um espelho largo, além das cabines que dividiam as privadas, fui puxado para dentro de uma delas.
Ele tranca a porta rapidamente e me pressiona contra a parede.
— E- Ei...
Me puxa pela nuca, já sentia falta daquela boca. Benjamin andava mais atrevido, saía passando a mão pelo meu corpo sem ao menos pensar no estado que eu ficaria.
Senti a mão quente subi por dentro da blusa da cintura até o peito. Empurrei seu braço levemente, mas não sabia o que fazer quando ele me prendia daquela forma, era como se eu não tivesse total controle do meu corpo.
A boca deslizou até meu pescoço, então lembrei.
— Ei! Não aí.
Ele olha pra mim, todo despenteado – isso porque passei a mão no cabelo dele enquanto o beijava.
— Por que não?
— Tá vendo isso aqui?! – apontei – tá parecendo um hematoma! Eu não faço ideia de como isso ainda não saiu! Por que fez isso?
— Queria deixar minha marca em você. – sorriu maliciosamente, contei que ainda estava abraçado a mim?
— Como alguém consegue ser tão pervertido? Ao menos.... Não deixe em lugares que as pessoas possam ver....
Ele pareceu surpreso.
— Significa que as outras partes eu posso marcar o quanto quiser?
— B- Bem, talvez... Só um pouquinho....
Ele sorriu.
— Como quiser, tampinha.
— Tampinha?! Tá me chamando de baixinho? Mini Projeto de ser humano, pintura de rodapé, é isso mesmo?!
— Não lembro de ter dito tudo isso – riu – mas se você diz.
— Eu não sou baixinho! Nem ouse me chamar disso. Aqui são puros 1,50 de sedução!
— Oh, então você é realmente grande – ele encosta a testa na minha – já que não resisto a você.
— Meu nível de sedução ultrapassa os oito mil, isso aqui não é pra qualquer um não.
— Ah é?
— É...
Sorriu durante o beijo, nada melhor do que isso – há controvérsias – me contive para que não acabasse tendo vontades naquela hora.
— Ariel? – Sara me chama da porta.
— O- Oi.... – ah, ele não me deixava, beijava meu pescoço enquanto eu falava com a menina.
— Está demorando muito, a aula já vai começar.
— Vai na frente, eu te…. – ele passa a mão onde não devia.
— Vai o que?
— Te encontro na sala.
— Ok....
Deve ter saído desconfiada, mas foi. Empurrei Benjamin levemente.
— Certo... – ofegava um pouco – temos que voltar pra sala.
— Que pena. Ariel, quer sair comigo hoje à tarde?
— Não posso, vou sair com a Sara.
— Aquela garota que vive grudada em você?
— Sim, ela disse que ia me levar a uma livraria. Vai me ajudar a arrumar outro emprego.
— E o seu atual?
— Não estou podendo mais. Aquele cara pode morrer a qualquer momento.
— Seu chefe?
— É.
Parei pra pensar e lembrei de algo interessante.
— Benjamin, o que pensou quando me viu ser assediado por ele naquele dia?
Se afasta de mim um pouco.
— Atrás da pizzaria?
Afirmo com a cabeça.
— Fiquei chocado.
Que?! Eu esperava tudo menos isso.
— Por que?!
— Não imaginei que um dia te veria beijando um cara. Eu fiquei tão espantado que acabei indo embora rápido, até porque ele estava bêbado e eu não queria que acontecesse algum tipo de confusão que me envolvesse.
— Isso foi no primeiro momento?
— Sim. Depois eu parei pra pensar, ele deve ser gay mas esconde bem isso andando com aquela garota.
— Sara?
— É. Essa que te chamou agora a pouco.
— Isso está ficando interessante. Por que então foi na pizzaria no outro dia? E por que me olhava tanto?
— Quantas perguntas Ariel – sorriu – quer mesmo saber?
— Preciso responder?
— Eu te achava apenas bonito. Mas imaginei que namorasse com aquela garota. Então quando te vi beijando um cara, pensei, ele também deve gostar de garotos, vou investigar. Por isso eu fiquei te enchendo durante aquele tempo, estava querendo ter certeza.
— Mas não fui eu quem o beijou.
— Quando cheguei vocês já estavam se pegando. Depois acabei indo a pizzaria pra saber se existia algo entre vocês dois. Acabei descobrindo que também não era namorado daquela menina. No começo eu queria apenas me divertir, mas isso mudou quando percebi que sentia atração por você.
— Se divertir?! – cruzo os braços.
— Já esqueceu o final da frase?
Viro o rosto.
— Arieeel.... Não faz isso.
Ele se aproxima.
— Se eu realmente estivesse com esse pensamento ainda, nós não estaríamos aqui agora.
Olho para ele.
— Por que?
— Só saio uma vez com pessoas que uso pra me divertir. Isso porque não quero que se envolvam comigo.
— Hum.... – eu estava emburrado.
O empurrei e abri a porta da cabine. Antes de sai ele me puxa pelo braço. Acabo virando, olho para ele.
— Está com raiva?
— Não. – sim, estava morrendo, e muito.
Puxei meu braço.
— Temos aula, vamos embora.
Saí na frente rapidamente. Ele com certeza percebeu. Resultado? Ficou me encarando o resto da aula. Quando terminou acabei saindo rápido por impulso. Sara me seguiu, ele nem deve ter me visto passar já que arrumava a bolsa.
— Por que está andando tão rápido Ariel? – ela me seguia.
— Vamos para a livraria, não é? – pego o telefone e ligo para o Ítalo.
— Oi?
— Ítalo eu vou chegar mais tarde em casa, mas acho que vai dar tempo pra eu preparar seu almoço. – falei enquanto caminhava.
— Sem problema, aonde vai?
— A uma livraria, quando eu chegar em casa te explico.
— Certo.
Desligo. Sara me puxa, paramos na frente da faculdade.
— Vai com calma jovem...
— Desculpe.
— Você parece agitado – ela se aproxima, fica na minha frente – não posso te garantir que vai voltar para casa cedo – enrosca os braços no meu pescoço.
— Sara.... – pretendia tirar os braços dela, mas ela me puxou para mais perto.
— Vamos brincar hoje?
— Que? Mas por que?
— Como por que? Somos amigos coloridos, não é? – me beija.
Eu virei o rosto na mesma hora, me afastei. Quando levantei o olhar, Benjamin chocado com o que acabara de ver. Gelei, fiquei ofegante automaticamente. Senti um peso mesclado com medo, nervosismo, tremedeira e uma gama de desgraças.
Não pude me explicar por causa de Sara, que não sabia de nada. Ele olhou pra nós, e seguiu seu caminho irritadíssimo, percebi quando vi as sobrancelhas se juntarem e formarem uma ruga que não costumava ver.
MEU DEUS O QUE EU FAÇO AGORA?!
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