Meu noivo perfeito
4 Um sorriso de canto.
Notas iniciais
Todos se levantaram, em forma de respeito, enquanto ele deu um sutil gesto de cabeça como cumprimento.
Acompanhei-o de vista em todo o trajeto que fez, afinal, como que poderia desviar o olhar daquele ser deslumbrante e encantador? Seria quase um pecado. Pensando melhor, pecado seria se eu continuasse o secando dessa maneira. Mas que cara-de-pau essa minha, as perversidades de tia Tsunade estão tomando conta de mim.
Hinata sentou-se ao lado esquerdo da cabeceira da mesa, não havia ninguém acompanhando-a. O irmão dela, quer dizer, o Sr. Uchiha Sasuke sentou na cabeceira, algo que seria óbvio de se esperar. Assim que ele sentou, nós também nos sentamos.
Percebi Karin ao meu lado se remexendo como se estivesse desconfortável. Ela olhava diretamente na direção do Sr. Uchiha, com um olhar encantado. Ela poderia até gostar dele, segundo Hinata, mas até mesmo um autista perceberia as verdadeiras, ou principais intenções dela. Pelo menos eu, percebia.
Olhei na mesma direção que ela e parei para observar com mais atenção o Sr. Uchiha. Ele tinha o cabelo em um tom azul escuro profundo e liso, perfeitamente cortado, com duas franjas laterais, dando-o um ar sensual; os olhos eram indecifráveis dessa distância, então foi impossível distinguir a cor; o nariz fino e bem emoldurado, como se estivesse sido escupido por Atena, a deusa da beleza; a boca não era grande e nem pequena, lábios tamanho médio, que combinavam divinamente com o maxilar forte, e a barba era muito bem feita, mal conseguia perceber se havia barba. O seu terno era uma cor de cinza escuro, totalmente sobre medida, como apenas os melhores estilistas conseguiriam deixar.
O terno não dava um visão muito privilegiada, e a minha distância também não colaborava muito, mas até consegui ver que ele tinha braços musculosos, era magro, mas aposto que por debaixo daquela blusa havia um tórax de provocar um desmaio. Com certeza era um homem abençoado por Deus. Um homem perfeito aos olhos de uma pecadora.
Meus pensamentos sórdidos foram interrompidos assim que captei de novo a voz grave e autoritária.
– Pois bem, senhoras e senhores, não gostaria de prejudica-los com o vosso horário de almoço, mas o assunto que abordaremos é de suma importância. Então peço-lhes desde já total atenção. — Ninguém ousou falar um pio até aquele momento, como se o fizesse poderia ser a causa de sua morte. O Sr. Uchiha não olhava para minha direção, o que me fez agradece-lo imensamente e que fez Karin praguejar baixinho. Mas foi bom, porque sabe-se o que ele faria se me visse com minha cara de pervertida. Santo Pai, tenho que manter mais distância de minha tia, como se fosse possível com o estado em que ela se encontra.
Todos os diretores assentiram, bom, eu fiquei quietinha enquanto Karin lidava com tudo. Muitas perguntas me rondaram naquele momento, ela parecia tão séria que me fez perceber a imagem de outra pessoa. Mas ainda era Karin Uzumaki, a mulher que eu conhecia por detrás das câmeras.
O "Homem perfeito" encostou os cotovelos na mesa e cruzou as mãos em frente ao rosto, em um gesto pensativo, mas parecia mais a forma que ele deveria estar acostumado a ficar, o deixava quase surreal de tanta sensualidade. Dei de ombros. Desviei o olhar e me pus a observar as outras pessoas do recinto, tenho que admitir, mas também haviam outros homens muito belos aqui, mas, por mais belo que fossem, não se comparavam ao Sr. Uchiha. Haviam alguns mais velhos, em torno de 50, 60 anos e outros com seus... 30 e por ai. Recordei-me de alguns com quem consegui conversar.
Haviam outras mulheres também, claro que Karin não seria a única diretora feminina, sem contar nas que vieram acompanhando seus superiores. Algumas eram belas, realmente muito belas, do tipo que só frequentam os lugares mais finos e famosos.
Então foi estranho, de repente bateu um enorme desconforto, como se aquele não fosse meu lugar, com pessoas como aquelas, tenho certeza que eu era a única com uma conta bancária baixa. Eu estava entre milionários, bilionários... me senti uma enxerida, aquele terreno era desconhecido. Totalmente inexplorável. Eu era apenas mais uma garota super-dotada que passou em Havard, nada mais que isso, eu sou e sempre serei apenas a bolsista inteligente que mal tem um teto descente para dormir. A órfã CDF. Minha realidade é deveras desanimadora, mas tenho orgulho de ter chegado até aqui, não prova só a mim como à todos que eu sou capaz. Capaz para estar onde estou hoje.
– Temari. — Ele disse sem fitar sua secretária particular.
– Sim, senhor. — Temari andou majestosamente até uma banqueta de vidro em frente ao telão que prontamente ligou. Era magnífico. Um mapa Múndi se alastrava por todo o telão, logo a imagem se aprimorou até chegar na Europa, mais precisamente na Inglaterra. Isso sem dúvida era mil vezes melhor do que o google maps ou de qualquer outro livro. Contive-me para não abrir a boca. Tarefa difícil.
O Sr. Uchiha começou a falar ainda sentado e sem virar-se para a tela.
– Inicialmente, meu projeto é construir outras filiais em mais outros dois Países com potenciais: Inglaterra e Japão. — O mapa dividiu-se ficando um lado a Inglaterra e do outro o Japão. Alguns diretores exclamaram surpresa, além do mais, a única filial existente fica aqui em Los Angeles, que é essa. Imaginem só, se apenas uma filial faz tanto sucesso e rendimento, o que mais duas poderiam causar?
– E quando pretende começar o projeto Sr. Uchiha? — Um dos diretores perguntou educadamente conseguindo a atenção do Sr. Uchiha.
– Assim que conseguir o assentimento dos meus advogados e dos sub-superiores da empresa. Mas precisamos organizar detalhadamente as previsões.
– Quais seriam essas? — outro homem perguntou.
– Quero primeiramente que a empresa se localize em um lugar estrategicamente preciso, onde mostre a imagem que procuramos e que consiga atender as expectativas. Bem, essa é apenas alguma entre outras.
– O meu setor pode se encarregar desse assunto. — Karin falou, de um modo todo cheia de si. Logo todos olharam para ela. Com peito estufado de tanto orgulho em poder participar da reunião de algum modo importante.
– E para começarmos, qual o tipo de lugar que você sugere? — Karin só faltou suspirar quando o Sr. Uchiha falou com ela, mesmo que ele quase não levantasse o olhar para ela, como se esse simples gesto fosse desnecessário. Mas isso não pareceu diminuir o ego de Karin, que falou muito corajosamente.
– Começando pela Inglaterra, eu acho que um lugar próximo ao relógio do Big-bang seria adequado, o artefato é conhecido mundialmente, milhares de pessoas visitam o lugar, e se olhasse pro melhor lado, sempre que alguma reportagem ou anuncio que contenha o Big-bang na capa, com imagens, a empresa sempre apareceria um pouco mais atrás. Seria como destaque extra. — Falou seu discurso apontando no mapa. A essa altura Karin já havia levantado-se e caminhado para o lado do telão. Com simples toques dos dedos a imagem na tela movia-se, parece que era touch-screen. — Já no Japão, mais precisamente em Tókyo, o centro seria alvo de destaque principal, quantas pessoas não passam por aquelas enormes avenidas e apreciam os majestosos prédios empresariais? Seria facilmente reconhecido, e com créditos especiais, sairia nas melhores capas de revistas, isso ajudaria ainda mais se fizéssemos um prédio maior que os outros, ofuscando a atenção deles. Resumindo, quanto mais movimentado o local, melhor o empreendimento. — Terminou de falar jogando os cabelos de lado fracamente, sem esquecer o sorrisinho de vitória ganha naquela cara com quilos de maquiagem. O Sr. Uchiha não parecia muito satisfeito com aquela ideia, ele e o resto do pessoal.
Eu sinceramente não conseguia entender aquela mulher, pensei que por ela ser a diretora do setor de engenharia, ela talvez fosse se sair bem, mas... Aquele discurso, os locais para o qual ela apontou são extremamente impensáveis. Ela por acaso sabia o que estava falando? A blasfêmia que estava cometendo? Como assim os lugares mais movimentados gerariam mais empreendimento? Que papo-furado era aquele? Minha indignação foi tão grande que eu não consegui manter a boca fechada. Foi uma reação súbita, que nem eu mesma esperava.
– Eu discordo.
Sabe aquelas horas em que a gente deseja nunca ter nascido? Eu juro. Por tudo que é mais sagrado, eu juro que meu coração gelou. Eu já me sentia suando frio. Assim que eu falei, todos os olhares se voltaram para mim, os diretores me olhavam surpresos e atentos, todos me olhavam, até mesmo Hinata. E quando digo todos os olhares, refiro-me a todos, até mesmo a do Sr. Uchiha. Preferi desviar meu olhar do dele e encarar a Hinata. Ela começava a dar um sorrisinho malicioso, como se eu estivesse salvado o dia dela quando discordei de Karin.
– O que você disse? — Falando nela. A mulher só não me mandava um olhar mortal porque ela estava em um recinto importantíssimo com pessoas mais importantes ainda.
Respirei fundo e falei. Não sei de onde essa minha coragem surgiu.
– Disse que... discordo da sua ideia. — falei quase correndo dali. Já sentiu olhares de milhões e bilhões de dólares na sua pessoa? Então... Não queira saber como é a sensação.
– Então porque não nos mostra suas ideias, Sakura? — Hinata perguntou em um misto de euforia e orgulho. Fitei-a e compreendi a mensagem que ela quis me passar, essa era minha chance, minha chance de provar minha capacidade e talento.
– C-claro... — Levantei me sentindo nua com tantos olhares sobre mim, qualé, logo hoje que eu resolvi usar minha saia social preta e meu terninho. Pra completar meus cabelos estão presos em um rabo-de-cavalo, tão grande que meus cachos/lisos chegam até a cintura, e sua bendita cor rosa, oh meu Deus, o que eu fiz para merecer isso? Maldito salto de 10 cm. Com as pernas bambas fui até o lugar de Karin, que se afastou abrindo espaço. Com uma carranca quase feia.
– Bem... — Olhei pra frente e... Merda. Ninguém piscava esperando pela minha próxima fala. Olhei para o Sr. Uchiha que tinha o semblante impassível, mais lindo do que nunca, tenho certeza. Limpei a garganta, era agora ou nunca. — Bem, meu principal motivo para discordar da Srta. Uzumaki, seria pelo motivo de que não acho que os lugares mais movimentados darão mais empreendimento, vulgo: destaque. — Imediatamente todos ouviam atentos o que eu falava. Outros até se acomodaram melhor em suas cadeiras/poltronas. Seja o que Deus quiser, que eu não fale besteira e ferre com tudo.
– E porque acha isso? — Adivinha quem perguntou? Sim, Karin. Meio que um sorriso debochado apareceu nos seus lábios.
– Porque procurar esses tipos de lugares não vai dar a empresa a imagem que ela espera. Vejamos — Apontei para o mapa da Inglaterra. — Não seria adequado colocar a filial em um lugar assim, o Big-bang, como você mesma disse, é um ponto turístico, que serve de referência mundialmente. Não podemos colocar a empresa em um lugar como este, temos que mostrar seriedade, não fazer com que também vire mais um ponto turístico. — As pessoas se entreolharam concordando com movimentos sutis de cabeça. — E mesmo que saia uma foto do CIT nas capas, o Big-bang sempre ofuscaria qualquer empresa, não importa qual fosse. E não precisamos estar atrás, temos que ser destaque, não uma simples sombra ocupando espaço. — Eu vou conseguir. — E construir a filial em uma avenida que tem como foco central diversas empresas é um ato muito imprudente. — Todos me olhavam com interesse, menos Karin, ela me matava com os olhos. — Vejamos, diversas pessoas passam diariamente no centro, elas já estão acostumadas à esses tipos de prédios empresariais. E construir um prédio maior e mais chamativo que os outros, só mostraria o quanto está carente de atenção. — Hinata tinha um sorriso enorme no rosto.
O Sr. Uchiha tinha uma sobrancelha erguida, tem como um cara ser mais sensual do que isso? Meu Deus, e se ele não estivesse gostando das minhas ideias?
– E qual a sua ideia de lugares? — Perguntou olhando diretamente nos meus olhos. Morri, morri, morri. Okay, respira fundo, não infarta, não da piti logo agora, eu estou tão perto. Aquela voz grossa falando comigo e aqueles olhos pretos/ônix brilhantes me encarando. Era pressão demais para uma só mulher, não sei como Hinata consegue, mas eles são irmãos, ela cresceu com isso.
– Eu sugeriria... — observei o mapa. — Há respeito do castelo da rainha da Inglaterra, um lugar próximo à ele. Um lugar não muito perto, mas também não muito longe. Quem sabe próximo à uma estação de trem também. Poderia ser envolto por algumas árvores, um lugar mais paradisíaco. Mais... natural. Mas ao invés de demonstrar humildade, o fato de ficar próximo ao castelo real daria um ar de importância majestosa. Creio eu. — Ele me olhava com o senho franzido, as outras pessoas soltavam exclamações como: É uma ótima ideia ou Bem pensado. Hinata fez um joinha para mim. Sorri com o ato. Temari me olhava admirada e sorriu encorajadora, sorri de volta.
– E no Japão? — Um homem perguntou, e claro, prontifiquei-me para responder.
– A melhor opção seria um lugar reservado. Não afastado, mas um lugar como em meio à uma enorme rodovia, estilo uma praça ou estádio de futebol. Todos tem seu brilho, um lugar para si próprio, que demonstra poder e ao mesmo tempo seriedade. Que ao mesmo tempo fica afastado, mas mesmo assim consiga muita atenção. É disso que a filial precisa, um lugar que mostre sua importante imponência. — Terminei meu discurso esperando ansiosamente a opinião de todos.
– Podem voltar para seus lugares. — o Sr. Uchiha disse. Ai minha nossa, será que ele gostou? E se... meu Deus, não quero nem pensar no pior.
Karin e eu voltamos aos nossos lugares, eu sendo alvo de todos os olhares. De novo.
Sentei-me com o coração na mão.
– Agradeço a sua ideia, Srta. Uzumaki. — O Sr. Uchiha falou, olhando Karin. Não acredito. Ele escolheu a performance dela? O que? Como? Ela sorriu convicta. — Mas... — seu sorriso murchou — As ideias da Srta. Haruno foram as mais brilhantes, agradeço pelo seu belo desempenho. — E me deu um sorriso de canto. EU MORRI! ELE... ELE SORRIU! ELE SORRIU PRA MIM! O sorriso mais arrasador de corações do mundo. Eu arregalei os olhos e sorri contente. As pessoas aplaudiram e disseram que adoraram minhas ideias. Eu morri. Meu Deus. Morri. Espera, como ele sabe meu nome? Tá que eu apareci em várias revistas, mas ele deve ser um homem muito reservado.
De repente um celular começa a tocar, Temari prontamente atende e logo passa para o Sr. Uchiha. Ele troca apenas poucas palavras pelo telefone. Depois de um suspiro ele se pronuncia.
– Agradeço a presença de todos nesta reunião, creio que podemos marcá-la para continuarmos outro dia. Por enquanto, está encerrada. Por favor, retirem-se.
Comecei a sair calmamente.
Karin saiu que nem um furacão para fora, enquanto os outros ainda saiam vagamente. Senti passos atrás de mim e observei Hinata quase correndo na minha direção.
– Amigaaaa, estou tão orgulhosa. — disse me abraçando.
– Pensei que ia morrer lá na frente. — disse desabafando. Ela gargalhou e me consolou.
– Você foi espetacular. Acabou com aquela Karin. — disse rindo.
– Parece que sim. Mas agora sou eu quem vou sofrer as consequências. — disse pesarosa.
– Como assim? — perguntou confusa.
– Trabalho dobrado. — disse já me vendo morrendo de tanto trabalhar.
– Não se preocupe, ela não vai poder fazer isso. Não comigo aqui.
Sorri e a abracei.
Fomos almoçar juntas, e claro, o assunto principal foi da minha perfeita performance de hoje.
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