Meu noivo perfeito

6 Pedido de desculpas.


Notas iniciais
Tudo indica que vocês irão gostar. Boa leitura!

Já era bastante difícil aceitar a ideia de que eu estava trancada e sozinha dentro da CIT. Mas ver que na verdade eu não estava só, não foi de muita ajuda. Bem, ter mais alguém aqui poderia ser algo bom, mas também poderia ser algo ruim, apesar das probabilidades optarem mais pelo lado bom.

E como uma forma de auto-instinto, calcei rapidamente meus saltos. Com o coração mais acelerado que o normal, avistei a primeira pessoa passar pela porta.

Era um guarda-costas, ao menos foi isso que pude reconhecer pelo traje dele. Logo depois dele, mais cinco homens — igualmente vestidos — apareceram. E quando vi o último homem passar pela porta, fiquei boquiaberta em incredulidade, do mesmo modo que fazemos quando descobrimos algo inimaginável.

Era o Sr. Uchiha em toda sua grandeza. Ele olhou na minha direção e quando nossos olhares se encontraram, foi como se uma força bidimensional tivesse travado o movimento da minha pupila somente para a direção dos olhos dele.

Foram apenas alguns segundos, mas que pareceram uma eternidade, e, o que eu disse foi de longe a coisa mais clichê que já aconteceu na minha vida. Algo que acontece apenas em livros de romances.

Depois de intermináveis segundos, ele falou para tomar a iniciativa — por que se dependesse de mim, nós morfaríamos aqui.

– Srta. Haruno? O que está fazendo aqui? — A voz rouca e sedutora alcançou meus ouvidos como se fosse a mais linda das canções, e eu não sei se me sentia extremamente honrada por ele falar diretamente comigo, ou se começava a pensar em respondê-lo. Ora, o cara era O Cara, que outra reação eu poderia ter?

Quando ele levantou uma das sobrancelhas cuidadosamente perfeitas, foi o intimato para que eu falasse algo.

– An... E-eu... Eu só... Só... — Porra, falando desse jeito pareço uma retardada. Foco Sakura. Pigarreei. — Desculpe Sr. Uchiha, eu... fiquei trabalhando um pouco mais do que o normal, e não tinha ideia de que fechariam a empresa tão cedo. — Falei olhando dentro de seus hipnotizantes olhos negros.

O coração palpitando freneticamente. A respiração pesada. As mãos tremendo e suando. A garganta ficando seca. As pernas perdendo as forças.

Nossa, parecia até que eu iria para minha sentença de morte.

De primeira ele franziu o cenho, e eu senti um frio desconfortável na barriga.

– Não avisaram-lhe que a empresa seria fechada mais cedo? Pensei que haviam avisado todos os setores.

Neguei com a cabeça, absurdamente incapaz de falar algo. Ele franziu mais ainda as sobrancelhas, mas depois relaxou a expressão.

– Entendo, então peço-lhe desculpas pela falta de informação. — Oh, não creio.

Uchiha Sasuke, o possível cara mais popular da América — ou até do mundo — estava se desculpando comigo por algo que nem foi ele que fez.

Ta, meu pensamento foi muito imaturo, mas... Qualé! Coloquem-se no meu lugar. Se isso aqui fosse um desenho, teriam coraçõezinhos no lugar dos meus olhos.

Para não piorar minha situação, tentei não sorrir debilmente e acenei com a cabeça.

– Tudo bem, a culpa não foi sua. — Comecei a fitar meus pés em uma atitude completamente imatura, além do mais eu sentia uma pressão palpável só de estar no mesmo local que o Sr. Uchiha, imagina com ele me olhando constantemente. Era quase desconfortável.

– Então... — Ele chamou minha atenção e eu olhei-o — Vamos?

Na minha situação de completa debilidade, tudo que consegui fazer foi acenar e concordar:

– Claro...

Caminhamos silenciosamente até o lado de fora da empresa com seus guarda-costas, que até agora não haviam pronunciado nada, vindo logo atrás da gente. Senti-me minúscula ao redor de tantos homens altos.

– Senhor... — Um dos seguranças chamou pelo Sr. Uchiha. — O seu motorista não deve tardar muito a chegar, peço, por favor, que aguarde um pouco.

– Tudo bem, Will. — Disse simplesmente.

Continuei fitando a avenida em todo aquele movimento auto-mobilístico. Meus olhos procuravam desesperadamente por um táxi.

– Srta. Haruno?

Meu corpo travou, como à um comando automático. Engoli em seco, certo que não havia nada para que eu me preocupasse, mas lembremos quem foi a pessoa que me chamou.

Olhei para ele e assenti.

– Sim, Sr. Uchiha?

Não sei se era impressão minha, mas ele me olhava de um jeito diferente. Como se hesitasse no que fosse falar.

– Andei pensando, e me questionei, como chegou ao andar da recepção se os elevadores não estavam funcionando? — E no final perguntou aquilo como se fosse uma pergunta que se ouve toda hora. Ele levantou uma sobrancelha e me encarou profundamente.

Alguém diz pra ele, por favor, o efeito que causa nas mulheres quando faz essa expressão, tive que achar forças do além para minhas pernas não cederem. Acho que senti meu rosto corar, não sei porque, mas me senti constrangida com a pergunta.

Pensei em desviar o olhar, mas não acho que isso seja legal de se fazer.

– Pelas escadas. — Não consegui segurar o olhar e desviei para a avenida.

– Hun... — Senti que ele estava pensando. — Srta. Haruno... Como um sincero pedido de desculpas pelo grande incômodo, deixe-me levá-la até sua casa.

Sabe quando você senti o mundo parar, todas as pessoas ao seu redor viram estátuas humanas, o tempo congela e seu coração simplesmente para de funcionar? Foi isso o que aconteceu.

Eu estava o encarando como se ele tivesse um terceiro olho. Ok, minha cara devia estar engraçada, pois ele parecia esforçasse para não rir.

Tossi forçadamente.

– Está falando sério? — O Quê? Eu realmente perguntei isso? POR QUE? Tantas coisas que eu poderia ter dito, como: "Eu agradeceria", "Seria um prazer", "Obrigada por se preocupar", "claro que aceito." AARGHHH,

Senhor, eu já aceito partir agora.

– Claro que estou, Srta. Haruno. — Ele disse um pouco sério demais pro meu gosto. Ah, alguém atire em mim.

– Ah... E-eu... Eu... — Balancei a cabeça. — Bom... — Listei mentalmente as chances de dizer não: 0%. — Se não for incomodá-lo.

Minhas chances de bancar a durona foram exterminadas depois que ele me deu, atenção, ME deu aquele sorriso. Dessa vez, tive certeza de que corei.

Uma luxuosa limusine preta estacionou na nossa frente, meus olhos devem ter se arregalado, ora, eu sabia que seria algo grandioso, mas... uma limusine digna de filmes?

Um dos seguranças abriu a porta para nossa passagem, mas o Sr. Sasuke fez um sinal para que eu fosse na frente.

Acatei seu pedido e logo me senti nas nuvens quando sentei naquele banco de couro importado, sei lá. Mas que era muito, muito, muito chique, era.

Ele sentou-se ao meu lado — para piorar os meus nervos. Aquele perfume amadeirado que enlouqueceria qualquer mulher tomou conta dos meus sentidos. Oh, eu poderia dormir sentindo aquele cheiro.

– Onde mora, Srta. Haruno? — Ele me perguntou. Precisei piscar uma ou duas vezes para voltar a realidade. Espero que ele não tenha percebido.

Falei para ele timidamente — acho que só falo com ele timidamente — o nome do bairro onde morava e ele repetiu para o motorista. Ele não se importou com o lugar onde eu morava, ou caso tenha se importado, soube disfarçar muito bem.

Seguimos silenciosamente quase todo o percurso até meu bairro. Quase todo o percurso, porque enquanto minha pulsação batia freneticamente, ele me fez uma pergunta capaz de fazer meu coração explodir em velocidade.

– Srta. Haruno? — Eu vou ter um derrame se continuar mais um segundo dentro dessa limusine com ele.

Pela primeira vez desde que entrei, tive a ousadia de olhá-lo.

– Sim, Sr. Uchiha?

– Você gostaria de passar em alguma lanchonete antes? — Eu estava pasma, mas tentei não demonstrar quando olhei-o.

Ergui uma sobrancelha.

– Caso esteja com fome.- Acrescentou.

Como resposta, minha barriga fez um barulho parecido com um ronco.

Bem que poderia aparecer um portal pra outra dimensão aqui agora, né?

Ele deu um sorriso, tipo, aquele sorriso só que um pouco mais divertido.

– Acho que não preciso de resposta.

Abri a boca para tentar contestar, mas o carro já havia parado naquele microfone das lanchonetes.

– Gostaria de um cappuccino e... — Ele me olhou. Pensei em algo simples para não incomodá-lo.

Que? Minha vontade era de comer um hambúrguer tamanho família e eu aqui pensando no cara. Ele é rico ora mais, podia comprar essa lanchonete toda num piscar de olhos, então um 'simples' hambúrguer não vai incomodá-lo. Arriscando toda minha sanidade, disse:

– Um milk-shake de chocolate e um hambúrguer tamanho família. — Ele soltou um sorriso divertido, acho.

Gente, eu vou derreter se ele me der outro sorriso desses.

– Um milk-shake de chocolate e um hambúrguer tamanho família. — Ele completou.

Alguns minutos depois já estávamos no percurso para minha casa. Eu devorava... — Mentira, pessoal, eu comia o mais humanamente possível, ok? — meu hambúrguer e tomava o milk-shake silenciosamente e ele o seu cappuccino, só que um pouco mais confortável que eu, isso era óbvio.

Mesmo comendo deliciada, algumas partes do meu corpo ainda estavam tensas como rochas. Eu, Sakura, estava no mesmo carro que Uchiha Sasuke, como se nada tivesse acontecido.

Poxa, eu nunca imaginei isso nem em sonhos. Parece quase surreal.

– Interessante... — Ele comentou.

– Hum? — Questionei enquanto mastigava. Os olhos deles estavam cerrados e as sobrancelhas erguidas. Babei, de boa, impossível não babar.

Ele soltou uma curta risada — mas o suficiente pra gravar e repetir toda hora na minha consciência.

– Não é nada.

Desconfiada, olhei pela janela, mas ainda sentia o olhar dele nas minhas costas. Ai caraca, vou desmaiar, já estou sentindo as contrações.

Foi com uma felicidade que não cabia em mim, que avistei meu prédio e também foi com um desespero esmagador que assisti minha tia olhando hipnotizada para o número de carros luxuosos que paravam em frente à ela.

Algumas pessoas até saíram de suas casas e outras apareceram na janela só pra ver que desfile era aquele — pessoas curiosas não faltavam em qualquer lugar.

– Está entregue. — Olhei com um misto de emoções o Sr. Sasuke. E mais uma vez aquele sorriso estava lá.

Eu poderia até tirar uma foto. Um de seus seguranças abriu a porta para mim, senti-me até a rainha da Inglaterra por um momento. Espantei esses pensamentos ridículos da cabeça e fitei o Sr. Sasuke.

– An... Obrigada pela carona e... pelo lanche — disse e sorri timidamente. Acho que foi a primeira vez que sorri para ele.

Podia ser coisa da minha mente, mas ele ficou tempo demais olhando para meu sorriso. Não viaja Sakura.

– Não foi nada. Espero que tenha perdoado o incidente mais cedo na empresa. — Ele disse calmo. Suspirei internamente.

– Não foi... — Lembrei das escadas e da escuridão. Engoli em seco. — Nada...

Ele sorriu, não aquele sorriso, mas um mais bonito — se é que é possível. Antes que eu me perdesse naquela visão, cortei o clima.

– Até mais, Sr. Sasuke... quer dizer...

– Tudo bem. — Ele me cortou. — Até em breve... Sakura.

Entorpecida, desci do carro — ouvindo algumas exclamações de espanto — e acenei para o Sr. Sasuke.

Caminhei até minha tia, que estava com a boca escancarada, completamente pasma, aposto. A puxei pelo braço para entrarmos no prédio e sorri uma última vez para a limusine.

Quando fechei a porta atrás de mim, olhei pelo olho mágico a limusine e os outros cinco carros partindo.

Suspirei me encostando na porta e escorreguei até o chão.

ESSE... FOI DEFINITIVAMENTE... O DIA MAIS ESPETACULAR DA MINHA VIDA!

– Sakura Haruno, quero saber de TU-DO nos mínimos detalhes.

Ou não.

Notas finais
OK! Diverte-me bastante fazendo esse capítulo, mas muitos melhores estão por vir, acreditem. Obrigada pelos comentários e por acompanharem (: Um beijo para todas(os) :D