Meu noivo perfeito
7 Guia.
Notas iniciais
Hoje eu amanheci tão bem, como se o dia fosse meu, como se qualquer problema que eu estivesse tendo fosse completamente esquecido.
Ah, como a vida é bela, ela pode lhe proporcionar momentos ruins, dramáticos e perturbadores. Porém não existe uma sensação melhor do que estar se sentindo livre e em paz.
Só que alguém ou uma conspiração do além sempre arranja um jeito de te ferrar. Ou seja, como diz o velho e mais sábio ditado: "Tudo que é bom, dura pouco."
Deve ser algum tipo de conspiração, pelo menos eu acho. Porque tipo, se acontece algo de bom com você, é sinal de que mais tarde algo péssimo vai acontecer e vice-versa. É como se o universo nunca estivesse satisfeito. E isso me irrita, muito.
Ontem, eu estava me sentindo uma princesa, e como eu sei que o que ocorreu ontem foi maravilhoso demais, é porque alguma catástrofe gigantesca vai acontecer comigo hoje. Fato.
Eu mal havia sentado na minha mesa, que Tayuya — a baba ovo da Karin, e outra super apaixonada pelo Sasuke — veio na minha direção toda contente, e olha que ela me odeia. Mal sinal. Tem dedo da Karin nisso. Lembrei-me de ontem e o ódio chegou com força em mim. Aquela víbora me fez passar por tudo aquilo.
Pensando pelo lado bom, como seria bom poder contar pra ela e pra essa perua o que aconteceu comigo ontem. Há! Esse sorrisinho dela ia murchar completamente, HEHE. Mas vou ficar só na vontade mesmo, ainda quero meu aumento.
– Haruno! — Impressão minha ou ela cantarolou meu nome? — Trago ordens de última hora para você.
Lá vem bomba.
– Que ordens?
Ela parou na minha frente e deu um sorrisinho simpático ridiculamente falso.
– A Srta. Uzumaki está te esperando na sala dela. Agora.
– Ok.
Suspirei e fui. Não era como se eu tivesse escolha.
– Entre, Srta. Haruno. — Tratamento formal? Suspeito...
Sentado em uma cadeira, havia um rapaz L.I.N.D.O., era jovem, devia ter cerca de 18 anos e me encarava fixamente, uma mistura de admiração e respeito. Ele vestia algum tipo de uniforme, bem chique. Até cogitei a ideia que fosse de Havard, mas era diferente.
– Deseja algo Srta. Uzumaki? — Perguntei profissional.
– Sim, sente-se. — assim o fiz — Bem, Srta. Haruno, este é Jhonny Witther, ele é o representante da turma Classe A, a melhor de Oxford.
O cumprimentei com um aceno de cabeça.
– A coordenação de Oxford, havia marcado há alguns dias uma excursão para sua turma pela CIT. E nós resolvemos aceitar e concedê-los essa oportunidade. E como todos bons visitantes, eles precisam de um guia, e eu acredito que você seja uma excelente escolha para essa tarefa. Sinto muito, mas todas as outras pessoas têm muito trabalho há fazer. Creio que você não irá se importar, certo? Jovens estudantes com um futuro promissor.
Coloquei minha melhor cara de simpatia para Jhonny, enquanto por dentro eu trucidava a Karin.
– Claro que não. Seria ótimo.
– Muito bem, comecem assim que quiserem. — isso foi um sinal para uma deixa.
– Vamos, Sr. Witther? — Olhando melhor, ele realmente era lindo, os cabelos pretos e os olhos azuis. Dava até vontade de suspirar.
Ele acenou e caminhamos para fora da sala. Percebi que Jhonny olhava para os funcionários com admiração, acho que deveria ser um sonho para ele trabalhar em um local tão requintado e moderno. Eu sei como ele se sentia, até hoje sinto como se fosse surreal para mim.
Pouquíssimos funcionários nos olhavam enquanto passávamos, e dentre deles estava Tayuya que me olhou curiosa. Toma, perua! Estou ao lado de um gato e você aí, trabalhando. HAHA.
Mas sou eu quem sofreria. A CIT era gigantesca e pensar que andaria tudo isso com universitários. Já dava um cansaço só de pensar.
Quando entramos no elevador, Jhonny fez questão de me cumprimentar formalmente. Juro que isso aumentou muito minha auto-estima.
– Srta. Haruno, acho que não fomos apresentados com devido respeito. Sou Jhonny Witther, e digo que é um grande prazer conhecê-la. Sabemos quase tudo a seu respeito. — Apertei sua mão estendida e sorri simpaticamente.
– O prazer é todo meu, Sr. Witther.
– Nossa... — ele sussurrou baixinho.
– Algo de errado, Sr. Witther?
Ele pareceu um pouco sem graça antes de responder exitante.
– Bem, é que ainda é um pouco difícil acreditar que estou aqui, dentro da CIT falando com a Srta. Bom, acho que o maior sonho de todos nós é trabalhar aqui. E eu estou aqui, ao seu lado, uma das mais brilhantes ex-alunas de Havard e uma das poucas funcionárias que foi chamada para trabalhar aqui. — nem preciso dizer que fiquei um pouco sem graça, não é? — Sem dizer que a sua beleza é intimidante.
Sorri um pouco sem-graça e abaixei a cabeça.
– Obrigada, eu acho. Eu entendo como se sente, Sr. Jhonny. Não se preocupe, é normal que se sinta assim. Tente ficar tranquilo, tudo bem?
– Tudo bem, Srta. Haruno.
Na mesma hora o elevador parou no andar do térreo e a primeira coisa que vi na portaria foi um esquadrão de estudantes luxuosamente uniformizados. Todos nos olhavam, quer dizer, olhavam-me e cara, não tem como isso ficar pior. Se você for tímida, não queira enfrentar isso.
Qualé, discursei na frente dos homens mais importantes da América ou até do mundo e eu aqui, com vergonha de universitários. Fala sério.
Nos aproximamos e claro, eu fiz meu melhor caminhar de mulher elegante. Se eles me acham uma mulher sensacional, é melhor deixá-los continuando a pensar desse jeito.
Jhonny juntou-se à eles e agora era minha vez. Porra.
– Bom dia. — Cumprimentei e sabe aquela sensação de ouvir um coro muito admirado, elegante e respeitoso te responder? Gente, acho que vou acabar falando besteira. — Sejam todos bem-vindos à CIT. Chamo-me Haruno Sakura e serei a guia de vocês durante esta excursão. Por favor, não se distanciem do grupo e em caso de dúvidas, eu responderei à todas. Não exitem em perguntar, sei que cada um fez uma lista delas. — Ri e todos me acompanharam. — Podemos começar?
Fui na frente e logo me seguiram como cachorrinhos obedientes. É, esse termo não foi legal.
Paramos em frente ao chafariz de ouro e olhei para aqueles rostos abobalhados olhando. Era engraçado ver desse posto, e pensar que uns dias atrás essa deve ter sido minha cara. Credo.
– Aquela é a recepção, o lugar que provavelmente vocês verão quase todas as manhãs se vierem trabalhar aqui. — Falei.
E assim ocorreu quase toda a manhã, fomos há vários lugares da empresa, como há vinte andares do prédio, onde eu tive que explicar a função de cada setor.
Depois fomos há praça de alimentação ou refeitório, logo após ainda pude apresentar-lhes a área de lazer. Mostrei a área de correspondência, a área dos aparelhos mais tecnológicos e o lugar onde fabricavam-nos. Em todos os lugares eles me faziam perguntas, e eu tinha que me virar para responder da melhor forma possível, além do mais até eu mesma não conhecia muito da empresa. O que complicava.
Eu tenho que admitir que foi ótimo ver as expressões admiradas deles. Fazia com que eu me sentisse privilegiada em estar ali, tá que eu tinha que segurar o riso às vezes. Era muito engraçado.
Eu resolvi finalizarmos a excursão no refeitório para almoçarmos. Todos concordaram, claro, quem iria descordar de mim? Poxa, se eu soubesse que seria tratada dessa maneira teria bancado uma de guia há muito tempo.
– Pessoal, espero que tenham gostado de ter o privilégio de conhecer alguns locais da CIT. E também espero que no futuro muitos de vocês venham trabalhar conosco. Hoje, o almoço é por nossa conta.
Cada mesa do refeitório tinha cinco alunos, os garçons começaram a servir e eu... bom, eu fiquei apenas vendo até Jhonny me chamar para sentar com os amigos dele.
Quando cheguei lá as duas meninas da mesa me cumprimentaram saudosamente e falaram o quanto amaram a excursão, onde juraram ter sido a melhor experiência da vida delas. O outro garoto da mesa até beijou minha mão, foi inevitável não rir.
Eles estavam lá, conversando assuntos banais de adolescentes até chegar o ponto X.
– Srta. Haruno, você já viu algum dos superiores? Já que nos disse que apenas os diretores tinham esse privilégio. — Mary, a ruiva de óculos me perguntou.
– Ah, sim, já vi todos, em uma reunião na qual fui convocada. Então tive o prazer de conhecê-los.
Eles anotavam tudo naqueles tablet's e cadernos.
– Srta. Haruno, será que eu posso fazer uma pergunta bem fora de contexto? — Samanthy, uma típica californiana, perguntou pela primeira vez.
– Creio que sim, Samanthy.
– A Srta. conhece o Sr. Uchiha Sasuke?
Ok, tá que aquela pergunta foi muito estranha, mas resolvi responder de boa.
– Sim, conheci-o na reunião de que participei. — Menti, né. Por que, por favor.
– E...
– Pode falar, Samanthy.
– Ele é tão bonito quanto nas fotos?
Aquele sim, foi o fim da picada. Que porra de pergunta era aquela? Os outros três olhavam descrentes para Samanthy.
– O que você está fazendo, Samanthy? — Jhonny, totalmente indignado se manifestou. Ele devia estar preocupado, porque eu poderia muito bem falar isso no relatório que enviarei para Oxford.
O mais estranho foi a sensação que se apoderou de mim, tipo quando você tá comento sua comida favorita dai vem alguém e te rouba? Foi do mesmo jeito. Eu estava histérica por dentro.
– Creio que essa pergunta não se encaixa no nosso principal foco, Srta. Louhency.
Levantei-me e olhei para eles.
– Sinto muito, pessoal, mas temo que logo terei que voltar ao trabalho, afirmo que foi um prazer conhecê-los e espero que haja uma próxima vez. Até mais.
Saí de lá com um sorriso. E depois ainda pude ouvir.
– Sério Samanthy, será que você não consegue deixar de ser assanhada ao menos uma vez?
– Desculpa galera. Mas era uma oportunidade única.
– A vá, se você tiver queimado nosso filme com a Srta. Haruno, eu juro que jogo esse prato de comida na sua cara. De onde já se viu...
Eu tive que sair correndo dali para não escutarem minha risada presa. Essa foi ótima.
Quando estava indo para meu setor, senti um pressentimento ruim, mas fiz de tudo para afastar pensamentos assim e me concentrei no que senti quando Samanthy falou do Sr. Sasuke.
Eu não era criança, sabia dos riscos que eu sofreria por estar entrando nesse abismo, e me arrependeria porque, bem lá no fundo, eu sabia que... ele jamais gostaria de mim como eu posso estar gostando dele.
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