Notas iniciais

Hoje não foi um dos meus melhores dias, a prova disso são as terríveis dores que estou sentindo em meus pés depois daquele enorme tour.

Se eu pudesse Karin já estaria presa por abuso de autoridade. Ora mais, me formei em engenharia e não em especialização de guia turístico. Quem ela pensa que é para me dar ordens ridículas como essa? Ela merece um puxão de cabelo, isso sim.

Bufando me dirigi à sala dela, ouvi ela gritando alto como se estivesse indignada e xingar algo como 'seus inúteis'. Bati na porta até ouvir um 'entre'.

Uma mulher e um homem saíram de lá com as cabeças baixas e foram andando até suas cabines.

Olhei para o dragão e me perguntei se alguém poderia ser mais vulgar que ela. Um mini-palitó, né, por que só pode pra ter um decote daquele tamanho. Os cabelos de salão e a maquiagem forte. Af.

– Todos já se retiraram, Srta. Uzumaki.

Ela me olhou com nojo e disse com um sorriso sarcástico:

– Já terminou? Pensei que demoraria mais se tratando de você. — Essa víbora. Só pode estar pedindo para apanhar. Apertei minha mão livre e respirei profundamente. — Bem, e você já terminou o relatório sobre os universitários?

– Ah, ainda não-. Fui interrompida.

Ela grunhiu e suspirou. Foi estranho ver ela falando com o vidro que dava vista à cidade.

– MAS SERÁ QUE NINGUÉM AQUI CONSEGUE FAZER ALGO DE ÚTIL? — Gritou, tipo, gritou mesmo sabe, e bateu naquela mesa chique ainda. Ui. — Sabe o que vocês são? Um bando de inúteis, isso sim. Qual o seu problema? Será que é tão incapaz, que nem um mísero relatório não pôde terminar ainda? Ficou zanzando por aí ao invés de ter voltado trabalhar e fazer sua obrigação. Sinceramente, não sei o que Hinata tinha na cabeça quando chamou você para trabalhar aqui.

Já sentiu a sensação de que você está prestes a explodir? Você simplesmente tem que colocar tudo para fora!? Então, eu estou quase lá. Ela tá fazendo tanto drama por um relatório universitário, ou ainda se sente ressentida pelo dia da reunião? Por que minha boca grande não vai aguentar mais por muito tempo.

– É tão irresponsável que tive que mandá-la servir de guia para aqueles garotos. Você também é só uma criança, 22 anos, não sabe de nada, nem mesmo trabalhar decentemen-.

– Cale-se, quem você pensa que é para dizer algo sobre mim? — perguntei estilo à Mulher-Maravilha, senti que a qualquer momento poderia acabar com ela. Doce ilusão. Mas falei de um jeito tão frio que por um momento ela se assustou. Huhahaha.

Ela franziu as sobrancelhas e andou na minha direção. Parecia um dragão prestes a cuspir fogo, gente, fiquei até com medo, claro. Quase recuei alguns passos, mas meu orgulho é mais importante que minha vida neste momento.

– O que você disse? — e fez questão de soletrar sílaba por sílaba.

Engoli em seco e respondi.

– Que você não tem o direito de falar isso de mim. — e lá se vai o emprego dos meus sonhos.

Ela riu dramaticamente sarcástica.

– Me poupe! E porque acha que eu não tenho o direito? Pois fique sabendo que é você que não tem o direito de se dirigir assim à mim. É só uma criança que não serve para trabalhar aqui, é uma inútil como todos os outros deste setor pois ninguém faz o trabalho como deve ser.

Meu dentes rangeram com a pressão que estou fazendo. Como assim somos inúteis, do que ela está falando? Ela é a inútil daqui. E ainda continuou falando:

– Mas você é pior, porque acha que sua amizade com Hinata vale alguma coisa. Acha que não reconheço uma cara-de-pau como você? Aproveita ao máximo do dinheiro dela para próprio uso. E ela de tão besta acaba caindo nesse seu joguinho. Sinceramente, não sei qual a mais idiota, ela por acreditar que essa amizade é verdadeira, ou você por pensar que vou deixar aproximar-se dela e do Sasuke.

Mas do que essa vaca estúpida pensa que está falando? Falar de mim é uma coisa, mas meter minha amiga e meu... chefe nessa história não tem nada a ver. Não posso deixar isso assim, eles nem ao menos podem se defender. E Hinata? Eu realmente estou há um tris de explodir. Meu Deus, dai-me sabedoria e paciência. Ela riu maldosamente e acrescentou:

– E além do mais, sou sua chefe, e se você abrir essa sua boquinha podre mais uma vez, eu te jogo na rua, sua cadela.

Dane-se emprego. O.k! Ela quer barracar? Então vou mostrar à ela a brasileira que existe dentro de mim. Olhei para o chão, aposto que ela deveria estar se sentindo agora, mas só até eu suspirar pesadamente.

Olhei-a com minha melhor cara de sarcasmo e falei:

– É melhor você parar de falar agora, se não é capaz de começar a cair veneno da sua boca, sabia Karin?! — comecei.

Ouvi alguns sussurros surpresos atrás de mim, acho que devo ter esquecido a porta aberta quando entrei, mas isso não importa mais. Ela me olhava surpresa e raivosa.

– O QUE..? — interrompi aquela voz fina e abusada.

– Não precisa me olhar assim, Karin. Para assustar qualquer um só basta olhar pra essa sua maquiagem à lá Coringa.

Mais murmúrios de surpresa foram ouvidos, acho que todo o setor está ouvindo meu bate boca. Continuei:

– Então, vamos direto ao ponto: Desde o primeiro dia nessa empresa eu tenho te suportado, e olhe lá, não foi uma tarefa fácil. — Disse. Caminhei alguns passos para frente e ela recuou. — Eu precisei de muito autocontrole para não voar nessa sua cara de stripper de boate. Por que, sinceramente, eu não sei o que você tem nesse seu cérebro precário para pensar que essas pessoas são seus escravos, porque sempre observei como você abusa do seu cargo. De boa Karin, você faz isso de propósito ou é tão cega ao ponto de não perceber o quão ridiculamente infantil e estúpida você é? O engraçado, é como você tem a cara-de-pau de falar mal dos funcionários e do trabalho deles, sabe a minha opinião? Qualquer um aqui seria um diretor mil vezes melhor que você é agora, nem sei porque te deram esse posto, já que é um absurdo uma mulher como você ser responsável por um cargo tão almejado. — Eu apontei o dedo na cara dela, isso mesmo, e nem pensem que tirei de lá. — Quais suas verdadeiras intenções ao trabalhar aqui Karin? Por que uma mulher que preze seu emprego jamais viria vestida da maneira como você vem, por isso eu pergunto, você pensa em ter dignidade ou arrastar o cara mais rico que você conseguir encontrar aqui? Por que né, para chegar a esse nível tem que estar muito desesperada.

Dei mais um passo e ela recuou.

– Sabe, por mais que você tente enganar seus chefes com um bom comportamento e imagem de mulher decente — o que não funciona -, bem no fundo você sabe que é a pior escória da humanidade. Quer dizer, todos nós sabemos. Eu tenho pena de você Karin, sabe porque? Porque suas ambições são imundas e terríveis, você é tão pobre de espírito que jamais acreditaria que Hinata pode ter uma amiga de verdade, muito menos uma amiga como eu, uma pobretona. Não é mesmo? Admita, isso tudo é inveja, porque é VOCÊ que gostaria de estar no meu lugar! É VOCÊ que gostaria do dinheiro dela para usufruir deliberadamente! E é VOCÊ que quer se aproximar com segundas intenções do Sr. Uchiha! — Parei para conseguir fôlego, por que né! — Além de nojo, eu tenho muita pena de você, Karin. Por que pessoas assim, são pobres, tão pobres, que jamais entenderão como é sentir a riqueza que a vida proporciona.

Ela me olhava perplexa, é isso aí, queria conhecer minha verdadeira face, só deu nisso.

– Bom! Acho que falei o que ninguém aqui jamais teve a coragem de fazer. Por que como eu pensava, o emprego para eles é mais importante que ter seu orgulho destroçado humilhantemente. Eu perco o emprego, mas pelo menos o perco com honra. E como sei que já estou fora, acho que você não se importa se eu chamá-la da mesma maneira que eu chamava-a internamente. — dei meu maior sorriso satisfeito e completei — Karin Uzumaki, você é uma víbora muito peçonhenta.

Ela tentava falar algo, mas nenhum som saia de sua boca.

– Bye bye!

Me virei e caminhei calmamente até minha cabine, coloquei todos os papéis em ordem, peguei minha bolsa e me direcionei à saída.

Quando passei pelos outros funcionários, me surpreendi ao receber uma grande salva de palmas. Eu olhei-os meio que dizendo: "oi!?". Eram muitas palmas e assobios, passei pela baba-ovo da Karin e foi engraçado perceber o quão perdida a coitada estava.

Sorri para todos os funcionários e acenei quando entrei no elevador.

Ainda consegui ver Karin correndo e gritando histericamente na minha direção.

– SAIA DAQUI, SUA VADIA! ESTÁ DEMITIDA! JAMAIS PONHA OS PÉS NESTA EMPRESA NOVAMENTE! SUA VADIA ESTÚPIDA!

E as portas fecharam-se.

Só ai pude respirar profundamente. Escorreguei até o chão e pensei no que tinha acabado de fazer.

Estraguei o melhor emprego que eu poderia encontrar na vida, por causa do meu orgulho e da minha imprudência. Provavelmente quando eu informar minha tia, ela ficará muito decepcionada.

Mas se me perguntassem se eu faria tudo de novo? Com certeza.

Sorri para o espelho do elevador e me levantei. Afinal, esse não é o fim de tudo.

É apenas o início.

Notas finais
Oi lindas, obrigada por acompanharem e espero que tenham gostado muito do cap, fiz especialmente para aquelas que gostam de um belo barraco. Um abraço a todas que comentam e aos reclusos que acompanham. Se você gostou, comente,por favor! Faria o meu dia muito feliz. Um beijo, povo. O próximo vai deixar todas loucas... eu acho. E não vai demorar, não se preocupem, já estou trabalhando nele. Até! :)