Meu noivo perfeito
3 My. God.
Notas iniciais
Passou-se nove dias após minha chegada com Hinata, e só isso foi motivo de fofoca por parte de várias pessoas da empresa, se não toda ela. Após aquele dia ela manteve esse ritual uniformemente, todos os dias às 06:15 ela passava em minha casa, eu disse para ela que não precisava se incomodar daquele jeito comigo, mas como sempre insistia e falava que não queria que eu chegasse atrasada para que a rabugenta da minha diretora ficasse me enchendo o saco. E, bom, não adianta discutir com Hinata. Acho que já estava virando até amiga dos seguranças dela.
Era mais outro dia quando passei pelo hall de entrada com Hinata.
– Nos vemos no almoço, sim Saky? – perguntou Hinata enquanto eu já tomava rumo ao elevador.
– Claro. – respondi com um sorriso e acenando, gesto que ela retribuiu.
No meu setor as coisas estavam a todo o vapor, funcionários andavam de um lado para o outro, a barulheira se elevava cada vez mais. Aproximei-me da mulher do carrinho de bolinhos e perguntei simpática:
– Você sabe me dizer o que está acontecendo? – ela me olhou surpresa por um segundo e logo suspirou.
– Tudo que entendi até agora foi que o pessoal do octogésimo andar marcou uma reunião com os diretores de todos os setores.
Fiquei poucos segundos imaginando o tamanho da importância daquela reunião, lembro-me de que entre as regras, uma destacava encarecidamente que não poderíamos falar com ninguém do septuagésimo andar para cima sem uma autorização superior.
– Ah, obrigada. – ela deu um sorriso gentil e assentiu.
Caminhei em direção a minha cabine e comecei a verificar os milhares de papéis que havia ali. Passando-se mais de meia-hora desde que eu comecei a programar aqueles documentos e certificados, um trabalho bem complicado, devo admitir, mas não é à toa que me formei em Harvad, a melhor universidade do mundo.
Faltavam cerca de cinco folhas quando o interfone da minha cabine tocou. Assim que atendi tive vontade de desligar.
– Srta. Haruno, desejo sua presença em minha sala agora, por favor. – Karin falou educada e quase, quase simpática. Por um segundo cogitei a possibilidade de perguntar o porquê daquela mudança repentina de humor.
– Como quiser, Srta. Uzumaki. – foi tudo que me limitei a responder.
– Ótimo, não demore. – e desligou. Pelo menos a educação continua a mesma, né? Rapidamente levantei e segui rumo à sala da víb... Karin.
Bati levemente na porta, logo ouvi um entre autoritário e foi isso que eu fiz.
– Com licença. – disse entrando.
A primeira pessoa que vi foi Hinata sentada de frente para Karin, ela me olhou e acenou fraquinho. Já a mal amada da minha diretora não me olhava com a melhor cara do mundo, parecia querer arrancar meus fios de cabelo um por um, evitei a vontade de engolir em seco. Como sempre ela estava vestida tão vulgarmente: uma blusinha bonita, mas que de longe mostrava ser um número menor do que ela precisava, mostrando aqueles seios lotados de silicone. A saia na metade das cochas, sendo que o comprimento correto seria após a metade das delas. Ela realmente gostava de mostrar aquelas pernas super-torneadas de academia, poupe-me, sabe aquela enorme vontade de chamar de vadia?
O que ela tinha na cabeça para vir trabalhar aqui na CIT sob estas condições?
– Aconteceu algo? – perguntei preocupada.
– Nada com o que deva se preocupar Saky. – acalmou-me Hinata. Sabe quando alguém conta algo muito engraçado, mas você tem que segurar o riso de qualquer jeito? Então, foi isso que tive que fazer quando vi a cara de espanto da Karin. Acho que ela não esperava que a ‘novata’ tivesse conquistado intimidade com sua ‘Subchefe’.
– Então... Do que se trata? – perguntei curiosa, isso, claro, depois de engolir qualquer resquício de riso que eu pudesse ter.
– Bom... Não sei se já lhe informaram, mas haverá uma reunião de todos os diretores, no octogésimo andar. – assenti, até aí eu já sabia – E cada diretor tem o dever de levar um funcionário de alto padrão para acompanha-lo. É meio imprudente fazer isso já tão rápido, nós sabemos que você é novata na empresa, mas como você se mostrou bastante eficiente nos últimos dias e depois de ver todo seu histórico curricular, eu digo e afirmo que você é a pessoa mais adequada para acompanhar Karin nessa hora. – eu olhava para ela surpresa — Não quero que se sinta pressionada, não estou obrigando-a a nada, até porque a escolha é toda sua. Então, o que me diz? – ela perguntou-me animada, e mesmo não demonstrando, eu estava histérica por dentro.
Olhei para Karin e ela estava quase soltando fogo pelas ventas. A vontade de rir veio mais forte, mas graças a Deus eu me recompus a tempo, mas admito, foi por pouco. A magnífica ideia de ir apenas para aborrecer mais ainda Karin me pareceu brilhante, mas a voz dos meus pesadelos interrompeu minha linha de raciocínio.
– Desculpe interromper Hinata, mas já disse que não é preciso logo que a... Srta. Haruno acompanhe-me, há vários outros funcionários mais experientes e mais capacitados para essa tarefa. – disse a palito de fósforo, preciso dizer que tive vontade de arrancar os cabelos dela e tocar fogo? Essa mulher realmente me odeia, e ainda por cima faz pouco caso de mim.
– Se você sente-se tão incomodada com a proposta de Sakura acompanhar-lhe, então façamos o seguinte. Você chama outro funcionário para ir no lugar dela. – olhei assustada para Hinata, que ideia repentina foi aquela? Karin tinha um sorriso que mal cabia em seu rosto, totalmente satisfeita com a ideia. – Enquanto isso, eu faço questão de que Sakura ME acompanhe na reunião. – olhei chocada para Hinata.
Sério que ela queria que eu a acompanhasse? Isso seria demais, estaria indo em uma reunião importantíssima não só para mim como para minha carreira de engenheira. Karin parecia ter levado um banho de água fria, a cara de incredulidade era enorme, soltei um risinho, mas coloquei minha cara de séria logo depois.
Acho que Karin não esperava que conseguisse mais atenção ainda ao ir com a irmã do chefe.
– Mas você tem uma secretária. Você não pode chamar a Sakura. – disse como se estivesse tentando fazer Hinata recobrar o juízo, quase suplicante.
– Dei alguns meses de folga para Tenten, você sabe que ela já estava nos últimos estágios de gestação, apenas dei-a mais tempo para aproveitar a família. – falou calma – E mesmo que isso não tivesse acontecido nada poderia me impedir de poder chamar Sakura, sou sua chefe, então me respeite e não fique dizendo o que devo ou não fazer. – falou repreendendo as atitudes de Karin. Só Deus sabe o quanto me esforcei para não abraçar Hinata quando ela falou isso.
Karin abaixou a cabeça em forma de respeito à Hinata.
– Desculpe-me pela falta de educação e excesso de ousadia. Compreendo a situação de sua secretária.
– Tudo bem, então está de acordo, sim? Sakura irá comigo. – perguntou levantando-se e quase dando aquele assunto por encerrado.
– NÃO PRECISA. – Karin falou/gritou levantando-se também, mas logo tratou de se recompor. – Pensando melhor, não vejo problema algum em que Sakura me acompanhe. – disse à contra gosto, eu consegui perceber, acho que Hinata também.
– Então agora é definitivo, Sakura irá acompanhar-lhe e sem mais discussões. Vamos Saky, passe bem Karin. – Hinata disse antes de fechar a porta atrás de nós.
Assim que saímos olhei-a espantada e perguntei quase em um sussurro.
– O que foi aquilo? – disse admirada. Ela soltou um sorriso cúmplice e falou.
– Às vezes você precisa mostrar quem é que manda. – gargalhou baixinho e piscou retirando-se.
(...)
Karin e eu estávamos dentro do elevador, já em direção ao octogésimo andar. Com a cara que ela fazia parecia que ela ia cuspir fogo a qualquer hora. Eu nem estava mais ligando para ela, quando entrei no elevador um nervosismo tão grande bateu, que de repente comecei a tremer.
Só quando aquelas portas se fecharam eu percebi a gravidade da situação. Eu, Haruno Sakura, estaria em uma sala presente com algumas das pessoas mais importantes e mais ricas do mundo. MEU DEUS. Comecei a orar o Pai Nosso mentalmente à fim de não cometer nenhuma catástrofe na frente de todos, que minhas preces sejam ouvidas.
Karin parecia estranhamente calma, mas eu notei quando ela esfregou a palma da mão na saia, quem sabe eu não sou a única nervosa por causa da reunião.
As portas se abriram e meu coração só faltou sair pela a boca, só tenho uma única palavra para descrever aquele corredor: magnífico. Ele era enorme, lindos ilustres ficavam no teto, ao invés de lâmpadas, tinha várias portas grandes de mogno, o piso branco parecia mais um espelho com a amostra do meu reflexo. Fiquei tão encantada com o ambiente que nem havia percebido quando Karin começou a me chamar.
– Bem que tentei avisar Hinata que você não seria útil, vamos antes que eu me arrependa de ter concordado com ela. – disse grosseira e saiu rebolando na frente. Segurei-me pra não sair nos tapas com ela, mas quem essa sirigaita pensa que é? Agradeci à Deus por ter herdado a tranquilidade de meu pai, segundo tia Tsunade. Sabe-se lá o que eu faria caso contrario.
Com a paciência dos deuses eu segui Karin, nós entramos em uma sala terrivelmente grande, pelo visto ela era especializada apenas para reuniões. Uma enorme tela plana ficava na parede mais ao fundo, e se trocasse a mesa gigante e as cadeiras de couro luxuoso em volta dela por várias poltronas, tenho certeza que formaria uma sala de cinema perfeita.
Algumas pessoas já estavam lá quando entramos, Karin dava somente alguns sorrisos forçados – extremamente falsos – e pelo que pude perceber ela só fazia questão de cumprimentar aqueles que pareciam ser mais ricos, tradução: milionários. Como eu não sou dessas, fazia questão de cumprimentar todos igualmente, com sorrisos verdadeiros e de vez em quando trocando conversas agradáveis. Fiz isso com todos, até mesmo com os ‘preferidos’ de Karin, que sempre fazia cara de brava quando eu me aproximava.
Fazia cerca de 20 minutos que eu mantinha uma conversa agradável com uma mulher elegante, ela foi muito simpática comigo assim que coloquei os pés lá dentro. Ela estava vestida como uma secretária de alto padrão, usava calça social e um paletó cinza, um salto educado e seu cabelo loiro estava preso em um coque, assim como o meu. Ou seja, uma companhia muito agradável, ela deve ser uns três anos mais velha que eu.
– Ah, Sakura, quem diria que a garota ‘misteriosa’ – Temari fez uma voz engraçada, ri dela. – Seria uma mulher tão gente fina como você. Há muito tempo não vejo uma pessoa legal nessa empresa, sabe, depois de tanto trabalhar para meu chefe, eu aprendi a apreciar companhias como a sua. – disse divertida. Rimos cúmplices, Temari em poucos minutos já havia conseguido um espaço na minha lista de amizade.
– Temari, porque as pessoas estão nos olhando tão indiscretamente? – perguntei curiosa, mas discretamente.
– Você não sabe? Quer dizer, você não sabe de quem sou secretária pessoal? – ela perguntou surpresa. Balancei minha cabeça negativamente.
– Já ouviu falar sobre o Sr. Uchiha Sasuke? – assenti esperando que ela continuasse falando. Ela só fez um sinal com a mão como se dissesse para prosseguir e foi AÍ que eu entendi. Olhei-a chocada.
– V-você trabalha para... Ele? – perguntei em um sussurro. Ela assentiu sorrindo, como se estivesse achando engraçada minha reação.
– Sabe, não é todo dia que se vê a secretária pessoal dele falando tão amigavelmente com outra pessoa. – ela disse divertida. Acabei sorrindo.
– Mas é apenas por isso que as pessoas estão olhando pra nós?
– Bom, creio que seja por causa do meu famoso temperamento. – franzi a testa. Ela suspirou. – Digamos que eu não sou muito conhecida por simpatia. Maioria das vezes sou bem dura, mas quando conheço pessoas como você, meu temperamento forte muda instantaneamente. – sorriu calorosa para mim, acabei sorrindo também, mas como não o fazer quando uma pessoa fala uma coisa legal dessas?
– Ai, como queria te abraçar agora. – falei divertida tentando me controlar.
– Não seja por isso. – e me puxou para um abraço apertado, no começo fiquei surpresa, mas retribui. Separamo-nos sorridentes. Em um ponto mais distante, Karin me olhava se contendo para vir na minha direção para arrancar minha cabeça.
– Ah, parece que alguém aqui está puta da vida. – Temari cantarolou baixinho pra que apenas eu ouvisse, acabei rindo. De repente uma dúvida me assolou.
– Você também não gosta dela? – perguntei.
– Até agora não conheço ninguém que goste. – riu. – Depois da sua chegada as coisas ficaram bem mais interessantes. E espero que fiquem mais ainda. – disse batendo palminhas. Estranhei aquele comportamento, mas cabei soltando um sorriso em meio à uma bufada.
Temari certificou-se de algo em seu iPad e logo suspirou, olhou pesarosamente para mim e falou:
– Meu chefe já deve estar chegando, prepare-se. – an? Não entendi. – só um aviso, não babe, okay?
– Babar? Por que eu babaria? – perguntei sem entender.
Apesar de já ter ouvido falar por muitas vezes o quanto a beleza do Sr. Uchiha era surreal, eu ainda sentia receio em acreditar somente em boatos.
– Logo entenderá. – ela se virou para os outros indivíduos na sala e disse com uma voz firme: — Senhoras e senhores, tomem seus devidos lugares, por favor. – e saiu em outra direção.
Logo escutamos barulhos de passos e rapidamente todos se sentaram, sem dar um pio. Temari foi para o lado da cadeira na cabeceira da mesa, é, parece que agora era minha hora de procurar meu lugar. Fui para um lugar afastado de onde Temari estava, ao lado de Karin uma cadeira mais atrás esperava por mim. Sentei-me e esperei paciente com o coração à mil por hora.
As portas se abriram e a primeira pessoa que vi foi Hinata com um sorriso discreto, em seguida aquelas portas revelaram a visão do paraíso. Eu estanquei tipo, totalmente paralisada, hipnotizada, prendi totalmente minha respiração. Ao meu lado Karin soltou um suspiro, não só ela, mas todas as mulheres do recinto... Menos Temari, ela ficou com o rosto impassível. Agora eu entendi porque ela me mandou não babar, mas juro que foi inevitável. My. God. Eu só podia ter morrido e ido direto para o céu. Porque quando eu ouvi aquela voz grossa e autoritária dizendo:
– Bom dia à todos.
Uma forte onda de calor me dominou e senti a necessidade de trocar de calcinha.
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