Meu conto nao e de fadas
2 Capítulo 2 - A História de Edu
Capítulo II
A História de Edu
No centro da cidade, vivia Eduardo Ferrero, mais conhecido como Edu. O rapaz tinha 23 anos e era um playboyzinho loiro e lindo com um belo par de olhos azuis. Ele vivia às custas de seu pai, um senhor milionário e era muito conhecido naquela cidade, devido aos vários problemas na qual já havia se metido.
Na mansão em que morava, no escritório de seu pai, lá estava ele conversando com seu “velho”.
— E então, pai... O que foi? Deve haver um bom motivo para o senhor me tirar da cama tão cedo. – Edu reclamou de braços cruzados.
— Cedo? Você diz que onze horas da manhã é cedo? Eu vou pensar umas dez vezes antes de incluir seu nome em meu testamento. – afirmou o pai desgostoso com as atitudes de seu filho único.
— Já vai fazer o testamento? – Eduardo perguntou indiferente.
— Já era para eu tê-lo feito há anos, mas você não quer nada! – seu Mauro gesticulou jogando a caneta na mesa, enumerando: — Não tem trabalho, só dorme, come e se diverte. – lembrou ajeitando-se em sua cadeira macia.
— Tá vendo? O senhor ainda diz que eu não quero nada? Isso é muita coisa, muitos dariam tudo para estar em meu lugar. – debochou o playboyzinho tentando se engraçar.
— Pode rir o quanto quiser. Isso não é engraçado, é vergonhoso! – disse num tom rude. — Eu vou deixar, ou melhor, iria deixar para você uma herança de quinhentos milhões.
— Quinhentos milhões??? – os olhos de Edu quase saltaram da órbita e ele fez um comentário sarcástico: — Nossa! Me diz que o senhor está com os dias contados.
— Engraçadinho, vamos ver quem vai rir por último. – retrucou Mauro, sem achar um pingo de graça nesse comentário.
Em meio aos risos, Edu se ligou nas palavras anteriores ditas por seu pai: — Espera aí. O que o senhor quis dizer com “Eu iria deixar”? – aproximou-se apoiando as mãos sobre a mesa.
— Que eu não vou mais te dar essa bolada. – o pai respondeu serenamente.
— Pai, isso não é justo! Eu sou seu filho! Não pode fazer isso comigo. – Edu suplicou desacreditado no que acabara de ouvir.
— Para a sua informação, posso sim. Você é muito mau! – disse especificando seus defeitos, contando-os nos dedos: — Sai com tudo o que é mulher, adora se drogar e encher a cara para dar vexame por aí, é mentiroso e ninguém mais acredita no que você fala. Sem contar que você já deu volta em metade das pessoas da cidade. Você é um autêntico filhinho de papai. Quer ouvir mais? Sua reputação está péssima, tão péssima que o senhor não merece receber nem um terço dos meus quinhentos milhões.
— Pai, eu posso mudar. – Eduardo estava com o coração apertado, afinal, dinheiro é dinheiro. E que dinheiro! — Me diz, o que eu posso fazer para o senhor mudar de ideia? – juntou as mãos em forma de reza.
— Ah Eduardo! Você não tem jeito! – lamentou o pai fazendo sinal negativo com a cabeça, duvidando que o filho de alguma maneira, pudesse mesmo melhorar em suas atitudes.
— Tudo nessa vida tem jeito. Me dê uma única chance e eu posso provar ao senhor como eu estou certo. – implorou o rapaz desesperado, levando as mãos à cabeça.
Comovido, o pai viu que essa poderia ser uma ótima oportunidade para uma possível mudança de comportamento do filho rebelde.
— Tudo bem, não sei o porquê, mas você me convenceu. – Mauro pegou a caneta e começou a batê-la várias vezes na mesa, enquanto falava. — Irei escrever meu testamento semana que vem e você não irá se envolver em escândalo nenhum, não irá fazer coisas erradas e não vai se drogar. – condicionou.
— Ok, por mim está ótimo! Vou seguir ao pé da letra. – o jovem animou-se com a oportunidade.
— Ah, e não é só isso. Quero que você me apresente uma namorada.
— UMA O QUÊ?!?!?!?!?! – Edu ficou de queixo caído.
— Você me ouviu muito bem.
— Mas eu nunca fui de namorar. Nunca nem namorei. – rebateu o rapaz inconformado com essa condição tão peculiar.
Mauro insistiu nessa ideia, porque acreditava que uma moça certinha poderia ajudá-lo a colocar um pouco de juízo na cabeça do filho.
— Por isso mesmo. Você tem que ficar com essa namorada por pelo menos um ano. Caso contrário, eu mudo o testamento.
Muito contrariado, mas vendo que não tinha alternativa, só restava a Edu aceitar essa tal exigência.
— Ok, eu tô meio assustado, mas vou fazer o que o senhor quer. Afinal, quinhentos milhões estão em jogo. – concordou, tentando negociar. — Mas um ano, pai? Um ano é muito tempo.
— Problema seu! Semana que vem quero que você a apresente á mim, senão... Você sabe.
— Já saquei.
Chateado devido a lista de exigências feitas por seu pai, Edu foi se encontrar com seu melhor amigo Giovanne, um rapaz alto e mulato de cabelos Black Power, em um quiosque na praia, e contou-lhe toda a conversa que teve com o pai.
— O seu velho pirou? As outras coisas são moles, mas ter uma namorada? Pra você isso é impossível! Nenhuma mulher por aqui quer saber de você. – lembrou sugando a água de coco com um canudo.
— Ah não ser que... – Edu fez cara de que teve uma grande ideia.
— Que...?
— Que eu pague uma mulher por esse serviço.
— E isso vai dar certo? – Giovanne perguntou receoso.
— Claro! Essas mulheres daqui amam dinheiro. Olhe e aprenda.
Eduardo se distanciou um pouco e foi falar com uma garota morena de cabelos longos, que vestia a parte de cima do biquíni e uma canga enrolada na cintura. Ela estava de pé, debruçada no balcão do mesmo quiosque, aguardando seu pedido. Giovanne ficou só observando.
Edu a cumprimentou cheio de sorrisos.
— Oi Brenda.
— O que você quer? – Brenda quis saber asperamente, jogando os cabelos na cara do rapaz.
— É... Eu não sei como perguntar isso, mas... Você quer namorar comigo? – perguntou super sem jeito no assunto.
A reação de surpresa da morena, porém, foi imediata. — Você ficou doido? – indagou boquiaberta completando: — Nunca pediu nenhuma garota em namoro.
— Sorte sua, você é a primeira. – Edu engraçou-se, com um sorrisinho.
— De quantas? – ela cruzou os braços desacreditada.
— Como assim? – perguntou se fazendo de ofendido. — Brenda, eu mudei. – Eduardo pôs as mãos em seu próprio peito.
— Sei... – ela desconfiou batendo o pé, fazendo um biquinho.
Percebendo que Brenda não estava o levando á sério, o riquinho decidiu apelar.
— Ok, já que você não quer por vontade própria, que tal uma ajudinha?
— Ajudinha?!?! – Brenda ficou encucada.
— É. – o playboy respirou fundo e expôs sua proposta. — Para você ser minha garota por um ano, eu te pago meio milhão.
— O quê??? – a moça até engasgou, devido à surpresa.
Depois de processar na mente as palavras que acabara de escutar, ela soltou sua ira.
— VOCÊ ACHA QUE PODE ME COMPRAR??? Idiota!
Brenda deu-lhe um tapa na cara, deu-lhe as costas e saiu de lá revoltada resmungando:
— Ainda tem a cara de pau de dizer que mudou. Que absurdo!
— Ôh Brenda, volta aqui. – pediu o rapaz gritando em vão.
Ligado na situação, Giovanne se aproximou e perguntou: — Ué, porque ela te bateu?
Edu que se achava o tal, colocou a situação á seu favor.
— Ela deve ser doida. Aceitou me namorar e você não sabe...
— O quê?
— Ela queria fazer amor comigo agora, dentro da praia.
— Ela é maluca! – concordou o amigo.
— É sim, e só porque eu não quis, ela me bateu. Mas tudo bem, não tem problema. – Edu levantou a cabeça confiante. — Eu conheço muitas gatas.
— Então vamos nessa, brother.
Á noite, Giovanne e Eduardo foram á uma danceteria, onde havia muitas garotas que Edu conhecia e já tinha enrolado.
No momento em que chegaram, a pista de dança fervilhava de mulheres dançando de maneira frenética.
— Se divirta à vontade, Giovanne. Eu vou, que vou.
— Boa sorte dessa vez, cara.
— Valeu.
Giovanne foi se divertir e Edu foi resolver sua vida.
— Oi Gaby, tudo bem? – ele a cumprimentou com uma voz sedutora, beijando a mão da moça que dançava na pista.
— O que faz aqui? Eu já não disse que não quero te ver nunca mais? – irritou-se puxando bruscamente a mão.
— Qual é gatinha, vamos conversar. – pediu falando mole.
— Entre você e eu não há conversa. O que você tem de lindo, tem de mentiroso, trapaceiro e enrolão. – esbravejou irritada.
— Ok, já que da forma normal não vai dar muito certo, eu tenho uma proposta pra você. – ele a olhou fixamente, pondo as mãos no bolso da calça.
— Ah é? Que proposta é essa? – ela o encarou com certo interesse.
— Te dou meio milhão para ser minha namorada por um ano.
Gaby começou a rir e Edu ficou sem entender.
— Tá brincando, não é? Se você não me pagou aquela aposta de seiscentos reais que eu venci, vai me pagar meio milhão?
Gaby foi embora e Edu ficou sem ação pelo segundo fora consecutivo que tomou no mesmo dia.
Após se recuperar de mais essa rejeição, o metido a galã foi falar com outras garotas.
Veja como foram alguns dos outros foras que ele levou:
— Você ficou comigo e com minhas três amigas de uma só vez, e ainda vem me pedir em namoro? Imbecil! – irritou-se Ju, esbofeteando-o no rosto.
— Meio milhão??? De onde tirou isso? Não vou ser sua namorada nem em sonho. – dispensou Lana.
— Você não está falando sério. Você mente tanto que nem acredito mais em ti. – esnobou Kamila.
— Ok, você pensa que me enrola? Depois de um ano você vai sumir e eu não vou ver nem a cor do dinheiro. – esbravejou Dandara.
Demasiadamente frustrado e se sentindo o pior dos homens, Eduardo decidiu ir para o lado de fora da danceteria, para esfriar a cabeça. Giovanne foi junto.
— Ninguém aceitou? Já falou com todas?
— Todinhas. – lamentou cabisbaixo.
— Não pode ser! Se eu pudesse me vestiria de mulher só pra ganhar esse dinheiro todo. – zoou Giovanne rindo.
Vendo que o amigo não achou nem um pingo de graça, comentou num tom sério: — Tem que haver alguma garota que não conheça sua má fama.
— É mesmo. E eu tenho que encontrá-la. – Edu afirmou decidido.
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