Meu cigano

10 Capitulo 9 - O Nascimento da Esperança e o Roubo da Luz


Notas iniciais
Obrigada pelos comentários, aí esta mais um capitulo fresquinho!! Boa Leitura!!


Renesmee sentia uma dor causticante percorrer todo o seu corpo, concentrando-se em seu útero. Seu corpo suava, e a respiração se tornava descompassada a cada contração. Não sabia se respirava ou se fazia força para ajudar seu bebê a nascer. Sentia suas forças se esvaírem, estava completamente esgotada. Claire molhava panos e os passava em sua testa, enquanto outros panos eram entregues a Raquel, que ajudava no parto.

— Renesmee, não desista agora. Por Deus, está quase lá — Raquel a incentivava.

— Respire, Nessie — dizia Claire, visivelmente preocupada.

Do lado de fora da barraca, Jacob e os outros homens aguardavam. O moreno andava de um lado para o outro, impaciente, ouvindo os gritos da ruiva. A cada som mais alto, tentava entrar, sendo impedido pelos demais.

— Será que ela ficará bem? — Jacob questionou, angustiado.

— Ora, por Deus, acalme-se, homem. Vósmecê não ajudará ficando nervoso desse jeito — Billy ralhou.

— Duvido muito que ela consiga — Sam resmungou. — Ninguém mandou ser uma meretriz — cuspiu as palavras em alto e bom som.

Jacob, já fora de si, avançou até Sam e o agarrou pelo colarinho da camisa surrada.

— Escute bem o que vou lhe dizer, Sam. Lave a boca para falar da minha mulher. Ela certamente não é como sua filha, que gostava de se deitar com metade da aldeia — rosnou, soltando-o em seguida, fazendo-o cair no chão.

— Como pode falar da minha filha depois de ter se deitado com ela? — Sam resmungou.

— Não a defenda, se há pouco tempo era você quem a condenava — Jacob respondeu exaltado. — Agora sei de quem Jasmine aprendeu a ser tão mau-caráter.

— Espero que nunca mais toque em minha filha — Sam ordenou, levantando-se.

— E eu espero nunca mais ouvir o nome de Renesmee sair da sua boca — Jacob soletrou, virando-lhe as costas com os punhos cerrados.

— Sam, saia daqui. Vá esfriar a cabeça — Billy ordenou.

Sam, desgostoso, virou-se e saiu a passos rápidos.

— Não deves ceder às provocações de Sam, meu amigo. Ele só quer lhe perturbar — Quil tocou o ombro de Jacob.

— Tenho vontade de matá-lo às vezes — Jacob rosnou.

— Fique calmo, meu filho. Vósmecê precisa se manter firme. Renesmee vai precisar de você — Billy advertiu.

Foi então que um grito estridente e agoniante ecoou de dentro da barraca, seguido por um choro intenso de dor. Os sons vinham de Renesmee. Ela gritou novamente, engoliu a dor, sentiu os músculos do corpo se retesarem e, logo depois, relaxarem. Então, tudo ficou em absoluto silêncio.

Jacob franziu o cenho. Alguns segundos depois, um choro de bebê preencheu o ambiente. Um nascimento. Uma nova vida.

A mistura entre um cigano de alma livre e uma burguesa aprisionada pelas regras de sua sociedade. Uma criança capaz de curar corações feridos, trazer paz e libertar almas. A mistura perfeita de um amor verdadeiro, puro e sincero, nascido em tempos difíceis e transformado na mais singela esperança.

Jacob sorriu aliviado ao ouvir o choro do filho. Seus olhos marejaram, e o coração pareceu inflar no peito. Um pequeno ser, uma pequena vida. Nunca imaginara que um dia seria pai.

Raquel saiu da cabana com um pequeno embrulho nos braços. Jacob aproximou-se lentamente; o bebê já não chorava, estava atento, observando tudo ao redor.

— É um menino — informou Raquel, colocando-o nos braços de Jacob.

Ele sorriu ao fitar o rosto do bebê. Era parecido consigo, sem dúvida, mas tinha os olhos de Renesmee. Passou a ponta do dedo indicador pelo rostinho, e o bebê agarrou seu dedo com a pequena mão, fazendo Jacob rir.

— Olha, pai… seu neto — disse Jacob, virando-se para Billy, que estava com os olhos marejados.

— Com certeza é a coisa mais linda que já vi — Billy comentou, pegando o bebê nos braços. O menino lhe sorriu, arrancando uma risada do avô.

— Ele gostou de você — Jacob comentou, sorrindo, antes de se voltar para Raquel. — Como está Renesmee?

— Vósmecê pode ficar tranquilo. Ela está bem, apenas descansando — respondeu Raquel.

— Posso vê-la? — perguntou.

Raquel assentiu, abrindo passagem.

Jacob entrou na cabana e encontrou Renesmee deitada, suada, com a respiração voltando ao normal. Ela o fitou e sorriu fracamente. O moreno ajoelhou-se ao lado da cama, alisando-lhe o rosto rubro.

— Estais bem? — perguntou.

— Sim… Ele é lindo, não é? — Renesmee comentou.

— Sim. Me deste o melhor presente que já recebi. Primeiro me ensinaste o que era o amor, e agora me deste o privilégio de saber como é ser pai — sussurrou.

— Eu te amo… — Renesmee murmurou.

— Eu amo você — Jacob sorriu, beijando-lhe os lábios suavemente. — Já sabes que nome daremos a ele?

Ela assentiu.

— Peter… Peter Cullen Black.

— Gostei. Nosso pequeno se chamará Peter — Jacob sorriu, beijando a testa da ruiva.

Mais tarde, quando a noite já havia caído e todos estavam recolhidos em suas cabanas, uma pessoa vagava sozinha pela aldeia, remoendo mágoas, dores antigas e recentes. Jasmine caminhava envolta em um casaco colorido; sua respiração formava vapor branco no ar gelado.

Ela ouvira o choro do filho de Jacob ao nascer. Aquela criança deveria ser sua. Sua e do homem que sempre amou. O ódio que sentia por Renesmee cresceu ainda mais com o nascimento do bebê. Por que ele escolhera aquela burguesa e não ela? Precisava fazê-los pagar, precisava fazê-los sofrer.

Escondeu-se atrás de uma árvore quando viu Jacob sair da cabana com um jarro, provavelmente para buscar água. Era o momento perfeito.

Entrou silenciosamente na cabana. Seus olhos pousaram sobre Renesmee, que dormia profundamente, exausta pelo parto. A ruiva poderia morrer dormindo. Caminhou mais alguns passos e encontrou o bebê dormindo ao lado da cama. Era lindo, muito parecido com Jacob — as mesmas feições, o mesmo queixo.

Sorriu de canto, pegando a criança nos braços e aninhando-a junto ao corpo.

— Ele é meu — sussurrou, inclinando-se ao ouvido de Renesmee.

Virou-se e saiu da cabana correndo o mais rápido que podia, determinada a desaparecer dali. Ninguém jamais os encontraria. Nem ela, nem o bebê.

Jacob retornou à cabana e sentiu algo estranho apertar-lhe o peito. Caminhou até onde Peter deveria estar e não o encontrou. O jarro caiu de suas mãos, estilhaçando-se no chão.

Renesmee despertou sobressaltada.

— O que houve? — perguntou, assustada.

Jacob a fitou, em desespero.

— Peter sumiu!

Notas finais
E aí pessoas? Gostaram? Sim/ Não? Comentem!! Beijos!!!