Meu amor por um nerd

3 Nada é tão ruim que não possa piorar!


Notas iniciais
Acho que de apresentação já está bom agora vou começar por uma leve emoção na história e dar um lugar para alguns personagens, pondo cada um no seu lugar... gostei de escrever esse cap. estava empolgado espero que gostem.

Lucas

Os dias passavam rápido, quase não os percebi. Logo no início do semestre, os professores não estavam pegando leve, então o foco era estudar. Viviane andava estranha nos dois últimos dias, Vinicius e Thiago já trocaram de namoradas de novo, ambos faziam educação física, só para constatar, o sucesso com as meninar era certo, e a Rebeca andava mais insuportável. Quanto ao garoto da minha sala, consegui parar de olhar para ele ou pensar nele nas horas vagas, como fiz isso? Mudei de lugar na sala para ficar na mesma fileira de assentos, assim ele ficava mais ao lado, por esse motivo, não me virava para olhá-lo em nenhum momento. Também não vi ele na saída, nem no almoço, o que tornou as coisas mais fáceis, afinal não sei porque pensei tanto nele no outro dia, apesar de ele ainda me incomodar.

O professor entrou na sala com uma cara de mal humor que era dedicado a todos e a ninguém, depois de resmungar um “bom dia”, ele foi até o quadro e enumerou-o do um ao quinze com um espaçamento grande entre um número e outro. Logo nos postamos a copiar, uns deixando espaços, outros, linhas para uma possível explicação, então ele virou do quadro bruscamente e disse.

— Falei que era pra copiarem? — a turma mergulhou em um silêncio mortal, todos pararam o que estavam fazendo. — Vocês são um total de trinta alunos, vão formar duplas para fazerem o próximo trabalho de classe e os números correspondem a sua dupla. Perguntas?

— Como as duplas serão formadas? E porque os números no quadro? — Perguntou alguém ao fundo, não me dei ao trabalho de virar para ver quem era.

— Dentro desse pote — disse ele colocando um pote em cima da mesa. —Têm quinze pares de números, vou chamar seu nome, você vem até aqui, pega um número e vai até a lousa e coloca seu nome no número correspondente, depois chamo o próximo até ter chamado todos e as duplas ficarem prontas. Dúvidas?

— E quanto aos alunos que não vieram? — Novamente alguém do fundo da sala questionou, para quem não dei a mínima novamente em me virar para olhar.

— Quanto a esse problema, será do seu parceiro de dupla e não meu, vou eu mesmo tirar um número pra eles! Mais alguma dúvida?

Silêncio total, ele realmente estava de mal humor, e achei que o trabalho não seria fácil para ninguém. Por um momento, fiquei pensando em quem poderia ser minha dupla e isso me levou a ver que a turma ainda era nova e eu não conhecia ninguém ainda.

Ele iniciou a chamada e o primeiro aluno disse “presente”, logo ele olhou com um olhar mortífero e pediu que o aluno fosse até o pote em sua mesa. Novamente ficamos olhando para ele sem falar nada. O aluno, um rapaz falador, levantou completamente vermelho e foi até a mesa, pegou o número sete e depois escreveu seu nome na lousa (Alvim). A lista foi seguindo, como eu estava da metade para baixo da lista, fiquei em tempo de respirar fundo e me controlar para não ficar vermelho diante a tarefa de ir até lá. Logo ele chamou a letra “A” toda e parou em um nome que repetiu duas vezes.

— Brenno — ele disse pela terceira vez, mostrando uma impaciência na voz. — Alguém sabe quem é? Onde está?

— Ele senta ali na frente, nessa carteira na sua frente, faz dois dias que não vem a aula, não conheço ele — dessa vez, me virei para ver a pessoa e me deparei com uma garota magricela, de sardas no rosto, que parecia nova demais para estar ali. Outra coisa que fiz em seguida foi olhar para o lugar indicado e então me veio um choque de realidade. É claro que não o tinha visto em sala nem fora dela, ele não estava vindo desde o incidente do dia que chegou atrasado! Minha mente deu voltas enquanto o professor foi até o quadro com o número quinze na mão, colocou o nome dele no quadro e voltou a chamar a lista.

Depois disso, ele chamou um a um bem rápido e nos deparamos com mais duas faltas, o número sete do Alvim sendo preenchido e o nove de um tal Carlos. Fiquei meio aflito, pelo menos boa parte da turma já tinha uma dupla e os números estavam quase acabando, só esperei dar sorte.

— Lucas — me levantei confiante e meio trêmulo, ainda com os pensamentos a mil, fui até o maldito pote e peguei um número, uma pequena esfera branca com a numeração em preto, e lá estava o número da sorte ou do azar, no meu caso. Meu coração estava acelerado e comecei a suar frio, não consegui entender essas reações e isso me assustou, fiquei ainda mais assustado quando o professor gritou meu nome. — LUCAS, está bem, garoto? Algum problema? — Fiz que não com a cabeça, fui até a lousa e coloquei meu nome ao lado do nome já existente no número, voltei para minha carteira ainda suando frio e fiquei olhando “15 — Brenno – Lucas” escrito na lousa enquanto o professor chamava os alunos que ainda faltavam ir até lá.

Durante o resto da aula, o professor juntou as duplas e deu um sorriso debochado quando Carlos, Alvim e eu ficamos sozinhos. Ele nos entregou uma cópia simples com três folhas de conteúdo que seria nosso tema para o trabalho e, como eu previ, era muita coisa.

— O trabalho vale 30% da sua média trimestral, deve ser entregue em dupla, se fizer sozinho, por qualquer que seja o motivo, vou descontar pontos. Se eu ver dois trabalhos iguais, vou zerar as notas, não pode trocar a dupla, não pode perder essa cópia, pois os temas não são iguais, e não vou trocar as duplas! — Ele colocou certa ênfase nessa parte.

...

Depois do primeiro período, o almoço foi uma catástrofe. A Viviane e a Rebeca estavam sentadas fofocando quando me juntei a elas, os meninos não estavam à vista.

— Lucas, o que você tem? —disse Rebeca, sendo intrometida como de costume.

— Estou bem.

— Não, não está, amor, o que aconteceu? Você está pálido.

— Estou bem!

— Se ele diz que está bem, deve estar, não liga pra ele, Vivi.

— Rebeca, por que você não tenta calar essa sua boca por pelo menos cinco minutos enquanto tento comer alguma coisa? — Meu surto de raiva deixou as duas caladas por nada além de meio minuto.

— Que estupidez, Lucas, peça desculpas pra ela — Viviane disse com uma cara de espanto.

— Não precisa, Vivi, ele é um grosso mesmo — Rebeca complementou com cara de nojo.

— Sim, sou mesmo e não, não vou pedir desculpas, se me dá licença, estou indo — levantei-me abruptamente da mesa levando meu meio sanduíche e meu suco junto; ainda ouvi resmungos quando saí, mas não me virei pra elas.

Minha pequena explosão de raiva não passou batida, depois da última aula, ainda estava nervoso e minha cabeça estava doendo por conta de muitos pensamentos. Quando fui para o ponto de encontro normal, me observei com o comboio da Viviane indo embora, isso mesmo, me deixando aqui. Viviane estava ao volante de seu carro com Rebeca logo atrás no dela e os meninos em suas motos por último. Viviane ainda acenou e mandou um beijo depois de uma leve buzinadinha e saiu com o carro do campus, a buzina foi replicada pelos outros do grupo e fiquei ali, plantado com cara de idiota, enquanto eles saíam rindo.

Notas finais
E ai o que acham? o que falta? comentem =D