Notas iniciais
Bom acho que o ponto de partida é esse acho que ate o momento os fragmentos do que eu tinha estão indo bem pra o texto, agora me resta ver se conseguirei continuar a partir daqui.

Brenno

Acabei tendo que ir ao médico pegar um atestado enquanto meu óculos não chegassem. Não que eu não enxergasse sem eles, porém acabava por forçar demais a vista e isso me deixava com dor de cabeça e irritado com facilidade e, como passo boa parte do tempo trabalhando no computador, acabo não conseguindo estudar e trabalhar ao mesmo tempo sem eles. Preferi pegar um atestado e deixar a vista descansada só para o trabalho e no caso atual dirigir até o campus com medo de ser pego por um guarda e estar sem óculos, mas isso não aconteceu no caminho até aqui, esperava que na volta fosse tranquilo também.

Na saída do campus, estava a uma velocidade baixa quando alguém entrou na frente do carro, saindo do nada e indo para lugar algum. Tive tempo de frear e ver um aluno colidindo levemente com a frente do meu carro e sumindo em seguida. De longe, um grupo de carro e motos estava saindo do campus. Saí do carro de imediato para ver se o aluno o qual colidiu comigo estava bem. Sim, ele colidiu no carro, não eu nele, porém não deixava de ser minha responsabilidade, já que estava sem óculos e nervoso por estar no volante.

— Ei, amigo, está bem? Como você entra na pista sem olhar para os lados? — Ele estava sentado no chão balançando a cabeça, parecia confuso e atordoado, me abaixei para falar com ele e fiquei sem reação.

— Eu estou bem, desculpe ter entrado na sua frente, é que... — ele ficou mudo quando olhou pra mim.

Estávamos os dois na frente do meu carro, ele sentado e eu abaixado, nos olhando intensamente e em completo silêncio, ele estava pálido e com uma cara estranha, parecia ter visto um fantasma e eu comecei a suar frio pela situação embaraçosa.

Eu levantei rápido e ele se levantou logo em seguida, se limpando, notei que ele só tinha um leve arranhão no braço. Realmente não sabia como surgiu aquilo já que eu estava abaixo do limite de velocidade do campus quando ele colidiu em mim!

— Eu estou bem, desculpe, sério mesmo, estou ótimo, pode seguir, vão começar a buzinar — realmente as pessoas já estavam se aglomerando ao nosso redor para ver o que acontecia e uma fila se formava atrás do meu carro.

— Você não está bem, não! — Disse prontamente mantendo o foco na voz que estava para gaguejar. — Entra, te dou uma carona.

— Não, obrigado, já estou indo... — de novo ele se interrompeu.

— Indo? — Perguntei sem maldade ao ser interrompido por uma buzina.

— Vou aceitar a carona — ele disse passando de branco para vermelho em segundos.

Acenei com a cabeça para ele e entrei no carro, ele entrou no banco do carona e saí dali com uma segunda buzinada. A princípio, só saí do campus sem destino e sem rumo, queria me ver longe do tumulto que causei.

— Você está no mesmo curso que eu, não está? — Perguntei tentando amenizar o clima e os danos da conversa.

— Si... Sim — ele respondeu meio gago, meio corado e meio sem respirar direito.

— Você está bem? Quer que eu o leve a um hospital? Ou a algum lugar?

— Sim, não, um minuto por favor — ele pediu pegando o GPS no painel do carro.

— Você está me confundindo, sim pro médico ou pra algum lugar ou não para médico? — Ele ainda estava com meu GPS na mão, fiz uma curva à direita e parei no cruzamento, ele recolocou o GPS no suporte, que estava me indicando para onde ir. — Onde fica isso?

— Pode me levar se não for incomodar muito? — Ele estava completamente vermelho.

— Posso, vai precisar de um curativo?

— Não, só um arranhão, quando cai sentado, esbarrei no para-choque. Toma, temos um trabalho pra apresentar daqui 15 dias — ele tirou algo do meio de seus materiais.

Peguei as folhas, coloquei sobre a perna e avancei o cruzamento. Por alguns minutos, não falamos nada, o trânsito estava caótico naquele horário e não queria um acidente. Quando cheguei no local indicado pelo GPS, estava diante de um condômino muito grande.

— Mora aqui? — Passei as folhas para o banco de trás, não tinha a menor chance de eu ler aquilo sem colocar na minha cara.

— Sim, vem, vamos entrar.

Ele foi até a guarita e pegou um cartão de visitas, colocou no para-brisa e o porteiro liberou o portão para carros. Logo estávamos na frente de um sobrado azul, com um pequeno jardim e um balanço. Não falei nada até chegarmos ali, ele desceu e pegou as folhas que tinha posto no banco de trás.

— Vem, vamos entrar, vou tirar uma cópia disso.

— Desculpe, achei que era pra mim — falei meio sem jeito.

— Sim, também é, o professor de programação dividiu a turma em duplas, somos uma equipe e não quero levar bomba na matéria dele porque você não vai às aulas.

— Você está me dando um sermão? — Agora eu estava irritado. — Desculpe, senhor perfeito, mas tenho meus motivos para não estar indo às aulas — digo mudando a expressão. — Por que você não troca de parceiro?

— O professor deixou bem claro que não haverá trocas de duplas.

— Por que está ficando bravo?

Ele corou novamente, entrou porta adentro e me fez segui-lo. Foi até uma sala no primeiro andar, onde pude ver que era uma sala de estudos, muitos livros em prateleiras e uma mesa com um computador e uma para estudos, muitos cadernos e folhas em ambas, em um canto, uma impressora trabalhava quase que silenciosamente. Ele voltou e me entregou uma cópia.

— Numerei os temas, farei todos os com número ímpar e você, os com o número par. Deixei os mais fáceis com você já que não vai poder fazer muito, não é mesmo? Os números vermelhos não sei, nunca vi os termos, vou dar uma pesquisada depois de todo o resto.

— Vai me dar a parte mais fácil pra garantir sua nota?

— Sim.

— Se for só isso, estou de saída — me encaminhei para a saída. Entrei no meu carro batendo a porta e saí dali rápido. Pelo retrovisor, o vi na porta, então ele entrou sumindo no interior da casa. Deixei o condomínio sem entregar o cartão, pois o portão estava aberto, e fui direto para casa.



Notas finais
Estou me empolgando já =D comentem!