Meu amor está ao seu lado.

14 Tudo em seu devido lugar.


Notas iniciais
Cadê todo mundo? Poxa! Apareçam, hein? Sei que tem leitores escondidos ai, se manifestem. ):Espero que gostem do capítulo e boa leitura!

Certifiquei-me que era sete e quarenta e oito e nada de Peter. Já havia pensado em tudo o que poderia dizer, as prováveis desculpas e até mesmo uma resposta caso ele as rejeitasse, já havia gasto todos os quarenta e oito minutos para treinar minhas palavras e dar um jeito na bagunça que sempre era meu apartamento. Era dez para as nove quando ele apareceu com olheiras e os cabelos desalinhados, estava pronto para ir para a cama quando a campainha tocou, tomei um susto ao vê-lo daquele jeito e até senti certa dó.

“Está tudo bem?” Foi à primeira coisa que pude dizer. Cedi-lhe a passagem trancado a porta a seguir.

“Só estou cansado, não dormi muitas horas” E eu sabia que a culpa era minha, mas preferi não falar nada. “Posso?” Apontou para o sofá vazio, não esperando minha resposta se sentou.

Sentei-me ao seu lado, não muito próximo, me permiti ficar na defensiva e por um longo momento ficamos em silêncio, Peter evitava meus olhos e meu coração batia fraco, sentindo uma dor incomoda e nova. Todas as justificativas ensaiadas foram deixadas de lado, não eram válidas e não se encaixavam como pensei que aconteceria.

“Acredito que eu deva começar me desculpando, não é?” Ele não respondeu, apenas olhou em meus olhos, me dando atenção. “Eu estava bêbado e sei, isso não justifica minha atitude, não sou assim, te juro, eu só estava...” Devia jogar para fora todo o ciúmes que senti ao vê-lo com a esposa?Senti que devia, Peter me passava à segurança para que pudesse me abrir e tinha certeza que ele saberia se mentisse. “Magoado. Eu estava magoado por ter visto você com sua esposa, nós transamos! Isso é importante pra mim e aquela cena me deixou com raiva, não sei.”

“Phillippe” Me chamou calmamente, como se fosse explicar para uma criança o que certo e o que é errado. “Para mim também é importante, foi importante! Mas ai venho te ver e te vejo chegando com um cara estranho e você ainda fez questão de me mostrar que estavam juntos”

“Não! Não tenho nada com o Anthony!”

“Vocês se beijaram na minha frente e sabe-se lá o que fizeram quando fui embora!”

“Nós não fizemos nada, tenho certeza disso, nós só... Nós só nos beijamos algumas vezes”

Peter se levantou assim que minha última sentença foi dita. Começou a caminhar de um lado para o outro. Corria os dedos por entre os cabelos castanhos e não me olhava por um segundo se quer.

Estraguei tudo! Tive noção disso quando o silêncio mais uma vez foi nosso acompanhante. Meus olhos ardiam, sentia as lágrimas se acumulando e não as queria deixar cair, não queria mostrar minha fraqueza, estava envergonhado e me culpava por estarmos nos evitando, mesmo que estivéssemos tão perto. Não queria que Peter me visse chorar, ele me acharia ridículo, mas não pude evitar que alguns soluços saíssem baixos, e mesmo assim ele os escutou e então as lágrimas escaparam uma atrás da outra, rolando por minhas bochechas e se perdendo em lugar algum.

Senti uma movimentação repentina da sua parte, porém não busquei por explicações, continuei pedindo para mim mesmo que parasse de chorar e resolvesse aquilo de uma vez por todas, mas não consegui, deixei que todas as lágrimas escapassem com minha permissão.

“Ei... Se acalme, não chore” Peter me pediu inutilmente. “Olhe para mim, por favor” Lhe obedeci, o vendo agachado a minha frente. “Está tudo bem, ok? Você deve fazer o que quiser, não tenho o direto de te prender... Gosto de você, mas não é justo querer que seja apenas meu quando eu não sou”

“Não quero outra pessoa” Admiti.

E então ele sorriu a primeira vez naquela noite, um sorriso que vez meu coração todo se aquecer instantaneamente. Correu seus dedos por minhas bochechas secando as lágrimas que haviam caído há pouco. Nossos olhares se cruzaram, enfim nossas bocas foram aproximadas e até então não sabia que estava sentindo tanta falta daquele toque. Foi um beijo doce e tranqüilo. Tudo para mim tinha um significado e aquele beijo foi à confirmação de um elo forte e extremamente importante.

“Isso faz de mim uma pessoa muito feliz” Respondeu ainda próximo a mim, me fazendo sentir seu hálito quente contra meu rosto.

“Me desculpe”

“Agora está tudo bem”

“Você precisa dormir”

“Você sabe quebrar o clima muito bem”

Rimos feito bobos por um tempo consideravelmente longo, até que ele me convenceu a ir para cama.

Estávamos deitados juntos, já embaixo das cobertas. Minha cabeça em seu peito enquanto recebia um afago lento entre os cabelos, sua mão livre segurava a minha com nossos dedos entrelaçados.

“Por que não fica?” Perguntei.

“Não posso Phillippe, eu...”

“Fique só essa noite”

“Gostaria muito”

“Você pode. Fique comigo”

“Sabe que não posso. Mas durma, eu espero”

Me rendi, ele não ficaria e não deixaria que isso me afetasse de alguma forma, eu estava feliz e tentaria prolongar essa felicidade.

“E antes que me esqueça, aqueles lírios na sala são lindos. Quem os deu?”

Escalei seu peito e busquei por sua boca a beijando antes de responder:

“Um admirador. E muito bonito por sinal”

Voltei a deitar em seu peito e fechei os olhos, me entreguei ao seu toque sentindo o cansaço me tomar por completo. Quando me descuidei já havia perdido a consciência

______________

Havia passado um mês desde o ocorrido com Peter. Tudo corria bem, nos víamos algumas vezes durante a semana, entre um plantão e outro no hospital em que o mesmo trabalhava. Nossa relação parecia cada vez mais forte, Peter era extremamente dedicado a me fazer feliz nos momentos em que estávamos juntos, mas mal ele sabia que não era preciso tanto esforço. Quanto aos meus sentimentos, eu já havia deduzido que era amor, porém sentia certo receio ao confessar para o mais velho, talvez estivesse apenas esperando algum sinal de que seria recíproco.

Peter já havia deixado algumas peças de roupas no meu apartamento e até mesmo escova de dentes, segundo as mulheres isso significa relacionamento sério e por incrível que pareça eu não sentia medo, sempre acreditei que nasci para ter alguém ao meu lado, alguém para quem pudesse contar como foi meu dia, para brigar quando esquecer a toalha molhada em cima da cama, alguém para sentir ciúmes e chamar de meu e Peter estava sendo essa pessoa, mesmo que não fosse presente como eu desejava. Não dormia a noite inteira em meu apartamento, a maioria das vezes acordava e já não o encontrava ao meu lado, nem ao menos o via ir embora, era meio frustrante acordar sozinho depois de dormir em seus braços, porém preferia não reclamar sobre isso, apenas aproveitar ao máximo os momentos que ele vinha.

Era sábado à noite, combinamos de sair para jantar as oito e Peter já estava atrasado há meia hora. Já me encontrava arrumado e até mesmo dispensado Thomas que havia me ligado para assistirmos filmes juntos. Sentia muito por tê-lo feito, mas não era sempre que tinha a oportunidade de sair com Peter e ele entendia, eu esperava.

Nove horas e nada, resolvi ligar para saber se havia acontecido algum imprevisto e seu celular se encontrava desligado, liguei várias vezes até já me dar conta de que era quinze para as dez, então liguei para que Thomas viesse. Não demorou vinte minutos para que o mesmo aparecesse com vários dvd's e um sorriso de orelha a orelha.

"Vejo que foi esquecido essa noite" Brincou.

"Não sei o que aconteceu, liguei várias vezes e ele não atende" Eu estava chateado e me encontrava no direito, nem ao menos tinha desmarcado.

"Não fique assim! Trouxe vários filmes da locadora e te deixo escolher"

"Te deixo fazer isso. Vou tirar essa roupa" Era fácil perceber o desanimo na minha voz. Gostava da presença de Thomas, mas não era pra passar o sábado em casa.

Ao voltar para sala o loiro já havia escolhido o filme e estava na cozinha fazendo pipoca, deduzi pelo cheiro presente. Thomas já era de casa e sabia onde guardava tudo, não ligava para isso.

O filme já havia começado fazia alguns minutos quando notei Thomas me encarando, eu nem ao menos estava prestando atenção na televisão, diferente do loiro que parecia extremamente animado em baixo do edredom e com uma grande vasilha de pipoca.

"Mostre-me um sorriso, não fique infeliz. Não me lembro a última vez que te vi sorrindo. Quando esse mundo te deixar louco e você estiver aguentado tudo que pode aguentar, apenas me ligue, porque você sabe que eu estarei aqui" Cantarolou baixo ao meu lado.

"E eu verei suas verdadeiras cores, brilhando. Eu vejo suas verdadeiras cores, e é por isso que te amo. Então não tenha medo, de mostrá-las. Suas verdadeiras cores, verdadeiras cores, são lindas. Ohh como um arco-íris...” Lhe acompanhei até o final da música.

Thomas passou o braço em volta dos meus ombros e me levou para perto, me abraçando de forma desajeitada, mas me fazendo sentir acolhido em seus braços.

“Vai ficar tudo bem, não se preocupe. Talvez ele tenha uma boa desculpa”

“Ou talvez ele esteja me evitando”

“Muito pessimista da sua parte. Vocês estão bem, não é? Tenho certeza que ele gostaria de estar aqui no meu lugar”

“Convencido”

“Realista Phill, realista” Me beijou a bochecha demoradamente.

E então meu coração voltou a bater normalmente, com leveza. Fiquei entre os braços de Thomas durante dois filmes, que consegui prestar atenção e dar boas risadas, me esquecendo do ocorrido, apenas aproveitando a companhia de Thomas. O loiro era o tipo de amigo que qualquer um gostaria de ter, sempre presente, prestativo e engraçado, nem ao menos mereço tanto vindo dele.