Meu amor está ao seu lado.

15 Phillippe... E-eu te amo.


Eram nove horas quando abri os olhos, constatei ao olhar para o relógio no criado mudo. Senti o braço de Thomas pesado em volta da minha cintura e ao olhar para o lado percebi que estava ocupando boa parte do meu travesseiro enquanto dormia de boca aberta, não pude evitar rir da cena.

Levantei-me calmamente para não acordá-lo, fui em busca do meu celular na intenção de saber se havia alguma ligação de Peter e por incrível que possa parecer não tinha nada. Nada, nem ao menos uma mensagem de desculpas ou uma mera explicação pelo ocorrido noite passada, não pude evitar me sentir irritado com a forma que ele agia calmamente em um situação que para mim era indispensável explicações, por esse motivo resolvi ligar novamente.

Tocou algumas vezes até que ele enfim atendeu com a voz rouca e baixa. Estava dormindo.

“Oi... Só um minuto” Escutei uma movimentação e entendi que estava indo para longe da esposa. “Oi Phillippe, é cedo, aconteceu alguma coisa?”

“Aconteceu, é claro que aconteceu!” Minha sentença saiu praticamente gritada, não conseguia esconder minha irritação.

“Ei, espere um segundo! O que aconteceu?” Voltou a perguntar.

“Tem certeza que não sabe? Por favor, Peter! Fiquei te esperando durante uma hora ontem”

“Ah, isso?”

“É, isso!”

“A Alicia queria ir a uma exposição que está na cidade apenas esse mês e tive que acompanhá-la”

Alicia, claro, Alicia! E como sempre ele não pediria desculpas, teria apenas que aceitar o fato de que era a segunda opção quando se tratava da esposa, teria que medir minhas palavras se não quisesse ficar sem vê-lo nos poucos dias que ele vinha durante a semana.

“Ok, saiu com a Alicia, legal. Mas não acha que devia ter avisado? Você me fez de bobo”

“Sim, devia, porém não pude. Você tem que entender que não posso simplesmente pegar o celular e te ligar”

“Ok Peter...”

“Phillippe?” Me chamou baixo e com apenas um murmuro em confirmação continuou. “Não pense que gostei de não estar com você. Queria te ter por perto, entre meus braços, estou com saudades, sabia? Sei que faz dias que não conseguimos nos ver, mas penso em você todos os dias”

“Tudo bem, me desculpe” Ele me desarmou no segundo em que disse aquelas palavras, sempre seria assim, fácil de ser contornado, porque quando se tratava de Peter toda a raiva se esvaiava no segundo em que ele dissesse palavras bonitas.

“Vou compensar essa ausência, prometo”

“Não prometa o que talvez não possa cumprir” Fui irônico, porém ele merecia.

“Cumprirei! Passo ai ainda essa semana”

“Tudo bem...”

“Phillippe?” Me chamou mais uma vez. “Diz que está com saudades, hum?”

“Estou com saudades, sabe disso”

E ao escutar o que pediu a ligação ficou muda, me deixando mais uma vez no silêncio, por pouco tempo. Thomas me observava encostado ao batente da porta, sorria e eu quis socá-lo.

“O que foi?” Perguntei já sabendo a resposta.

“Você é um idiota!” Ria da própria afirmação.

“Ah, cale essa boca!” Joguei uma almofada em sua direção e infelizmente não acertei, pois o mesmo desviou.

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A semana passava tranquilamente, nada novo havia acontecido, no trabalho ainda encontrava Anthony no almoço e nossa amizade continuava a mesma, sem nenhuma demonstração de afeto e eu agradecia por isso, o que aconteceu quando bebi demais naquela noite havia sido apagado.

Thomas estava namorando com Christopher, fiquei sabendo em uma de suas ligações, saber disso havia me deixado muito feliz, ele mais do que ninguém merecia a felicidade e estava alcançando-a aos poucos.

Era sexta feira e eu esperava por Peter que havia ligado e dizendo que estaria em meu apartamento em meia hora. Não havíamos nos falado desde a última ligação em que me explicou o motivo de me deixar esperando.

A campainha tocou logo após sair do banho e colocar uma roupa confortável, afinal ficaríamos em casa, optei por um moletom já surrado. Ao abrir a porta para Peter me deparei com um buquê de lírios brancos enormes e logo atrás o sorriso encantador de quem o segurava.

“Surpresa!”

Sem que me desse tempo para me afastar e lhe dar a passagem envolveu um de seus braços em volta do meu corpo e me colou junto ao dele. O mais velho usava um perfume forte capaz de tomar todo o cômodo, estava completamente arrumado e com os cabelos alinhados perfeitamente, mesmo que ainda precisassem de um bom corte.

Seus lábios correram lentos até minha orelha e sussurrou palavras que me causaram arrepios:

“Prometi que iria compensar minha ausência e estou aqui, não estou?”

“Se não viesse iria te buscar onde quer que fosse!”

“Ainda está bravo?” Seus olhos procuraram os meus rapidamente, fazendo com que seu ar sério voltasse no mesmo instante.

“Acho que sim...” Respondi o mais sincero possível.

Não me respondeu, apenas me entregou o buquê e fechou a porta. Largou as chaves e a carteira na mesa de centro, suspirou alto e voltou a me encarar.

“Achei que tinha compreendido todo o ocorrido”

“Isso não quer dizer que não possa me chatear mesmo assim” Respondi logo em seguida.

“Phillippe... Ela é minha esposa”

“Sim, e eu sei que sou apenas o amante, ou seja lá como me intitula. Mas não precisa me lembrar de algo que não consigo esquecer nem por um segundo”

Mais um suspiro da parte dele até voltar a falar novamente:

“Hoje sou seu, sem Alicia, sem aliança...” Tirou a joia dourada do anelar e a colocou ao lado da carteira deixada minutos antes sobre a mesa. “Só um Peter morrendo de saudades de um Phillippe birrento”

“Birrento?” Perguntei e fui ignorado.

“Por favor?”

Abriu os braços em minha direção e não consegui me desvencilhar daquele pedido mudo, era como se minhas pernas não respondessem ao meu comando de ficarem paradas. Caminhei em sua direção e me deixei ser envolvido por seus braços, deixei que seus lábios deslizassem sobre os meus docemente, me deixei ser preenchido por todo o calor que ele me proporcionava ao estar perto, deixei e deixaria sempre que ele me comandasse facilmente.

“Senti sua falta” Admiti ao estar longe de seus lábios. Senti a ponta dos seus dedos contornando a lateral do meu rosto devagar.

“Não sabe o quanto senti a sua, anjo” Selou nossas bocas demoradamente. “Acho que devíamos matar toda essa saudade de uma forma mais completa” Sugeriu malicioso.

“Acho que devo aproveitar o máximo possível pelo fato de ser apenas meu hoje”

“Seu”

Não foi preciso mais nenhuma palavra, a falta que sentíamos era capaz de gritar através de cada toque.

Peter havia me deitado sob o sofá e coberto meu corpo com o seu. Seus lábios me deixavam beijos e mordidas alternadas em meu pescoço, me fazendo esquecer-me de e toda minha sanidade mental e me entregar para ele. Suas mãos ágeis puxavam o elástico da calça que eu usava para que se livrasse da peça que separava nossas ereções já pulsando todo o desejo que sentíamos, ao me deixar apenas de boxer tratou de desabotoar o jeans que usava e escorrega-los rapidamente por suas pernas. Procurou pela barra da minha camiseta e a forçou para cima de meus ombros me deixando apenas com uma peça de roupa.

Não demorei muito para trocar nossas posições e mostrar que também sabia dominá-lo, deixei que nossos sexos se tocassem arrancando gemidos baixos do moreno. Procurei por sua boca e fui prontamente roubado por seus lábios sedentos pelos meus. Seu beijo era urgente, ao nos separar em busca de ar deixava que seus gemidos fossem cada vez mais altos, nesse meio tempo desabotoei sua camisa e a joguei para longe.

“Acabe logo com isso... Por favor...” Pediu quase como em uma suplica.

Livrei-me das últimas peças que nos separavam e lhe toquei para provocá-lo, o assisti fechar os olhos e morder os lábios ao sentir minha mão em movimentos de vai e vem lentos sobre seu órgão quente.

“P-Phill...” Me chamou sem conseguir pronunciar meu nome por completo.

Busquei por seus lábios uma última vez e concordei que já era hora de atender seu pedido.

Peter se sentou agarrando minha cintura para que desse os comandos, minhas pernas ficaram uma a cada lado do seu tronco, deixei que me posicionasse e que me tomasse, sem pressa deixei que entrasse em mim com cuidado para me acostumar com sua invasão, o que não demorou muito. Logo todo o incomodo se tornou um prazer sem igual. Nossos movimentos se uniram como se pudessem se tornar um só, tudo em uniforme junto com todos os ofegos e nossos olhos conectados em todo o ato.

Seus dedos marcavam a pele das minhas costas sem dó, porém tudo o que deveria ser dor se tornava prazer e de nada valeria me importar com aquilo. Minha atenção estava no rosto contraído a minha frente e mesmo que os gemidos me atrapalhassem não conseguia deixar de sorrir ao vê-lo tão lindo.

Seus movimentos se tornavam cada vez mais rápidos depois de algum tempo, seus olhos ainda estavam sobre os meus quando o ouvi me chamar.

“Phillippe... E-eu te amo” Disse entre ofegos longos.

Não estava esperando por uma confissão como aquela, não esperava que ele fosse o primeiro a dizer aquelas três palavras e por isso não respondi, apenas deixei que ele chegasse ao seu limite junto a mim e que nossos corpos caíssem cansados sobre o sofá.

Vi-me deitado sobre seu peito nu, sentindo seu braço apertado a minha volta. Deixei que minha atenção ficasse na aliança que brilhava em minha direção, não pensava em nada ao vê-la, só tentava buscar as palavras certas para respondê-lo à altura.

“Não precisa se obrigar a me responder” Disse no momento em que abriria a boca para lhe dirigir a palavra.

“Achei que não diria nunca... Eu também amo você”

Rimos juntos até nos beijarmos e mais uma vez naquela sexta me entreguei a ele.

Não havia mais medo de me entregar quando tudo em mim já era dele, sentia-me entregue como nunca antes. Eu, Phillippe Arthur Clarke pertencia a Peter Humphrey e nada poderia impedir que fosse assim. Eu o amava e era recíproco.

Notas finais
Cadê todo mundo, hein? Apareçam poxa! ):