Meu amor está ao seu lado.
12 Quando as luzes se apagam. Parte II
Notas iniciais
O ambiente era escuro, algumas luzes coloridas piscavam sob a pista de dança amontoada por pessoas de todos os tipos. Dançavam no ritmo da música ensurdecedora que tocava. Era com certeza o último lugar que eu escolheria pisar, talvez se estivesse bêbado ou então, sendo puxado por Anthony, claro. O mesmo praticamente me arrastava pela mão em meio às pessoas, mas segurei de bom grado, confesso, sentia receio de me perder. Anthony seguia seus amigos que estavam à frente procurando por uma mesa desocupada em um lugar mais calmo. Quando encontramos nos sentamos e finalmente fomos apresentados:
“Phillippe” Anthony tirou a atenção que mantinha ao meu redor. “Esses são Quinn e Dexter” Apontou para dois homens sentados a minha frente. “E Henry e Oliver” Apontou para o casal ao seu lado.
Quinn era loiro, cabelos compridos e que lhe caiam na altura do ombro, nada muito exagerado, era até bonito. Tinha olhos castanhos claros e sorria com freqüência, ao contrário de Dexter que parecia estar ali obrigado, mas não deixava de ser bonito. Tinha a barba para fazer, grandes olhos esverdeados e cabelos castanhos, era baixo assim como eu.
Já Henry era realmente de tirar o fôlego. Alto e ombros largos, seu cabelos eram negros e lisos desgrenhados, talvez precisassem de corte com urgência, de qualquer jeito era algo difícilmente notado se prestasse atenção apenas no rosto bonito e proporcional a todo o corpo. Oliver não fugia muito de Henry, apenas tinha cabelos castanhos e a estatura mais baixa, mas tinha os mesmo olhos azuis vivos, como Henry. Formavam mesmo um casal bonito e, diga-se de passagem, invejável. Suas mãos estão juntas desde o momento que nos encontramos.
Os cumprimentei com apenas com um acesso e fui correspondido da mesma forma, a não se por Quinn que sorriu ainda mais, fato que me incomodou por um instante, porém resolvi ignorar.
“Vem, vamos pegar algo para beber e dançar”
Anthony mais uma vez segurou minha mão e me arrastou sem meu consentimento, algo que infelizmente não poderia ser escutado por culpa da música alta, de todo jeito ele nem me deu a chance. Minha bebida foi escolhida pelo mesmo, um liquido azul que eu se quer fazia idéia do que seria, só não reclamei pois era doce e agradável, mesmo que queimasse minha garganta ao descer quente. Quando dei por mim meu copo já estava vazio, Anthony riu ao notar e me ofereceu mais um.
“Não tenha presa Phill, ainda temos a noite toda” Seus lábios tocaram minha orelha ao falar próximo, fazendo com que me corpo recebesse choques fracos.
Com mais uma vez um copo cheio nas mãos fomos parar no meio da pista, rodeados por várias outras pessoas que chacoalhavam seus corpos e mãos de forma esquisita, ao notar eu quis rir, qual era a graça naquilo? Sentia-me quase um ser extraterrestre imóvel no meio daquelas pessoas. Não sabia o que fazer sem que fosse parecer ridículo ou até mesmo forçado. Foi então que Anthony segurou-me pela cintura ditando o ritmo que eu devia seguir.
“Não é tão difícil assim, você só precisar mexer um pouco o corpo conforme a batida da música” Mostrava-me como era em seus próprios movimentos. “Vê? É fácil” Me observou por alguns segundos até falar novamente, dessa vez próximo ao meu ouvido. “Isso... Mas não rebole tanto assim, estão te olhando e hum, eu gostaria de ser o único a ver”
Senti minhas bochechas queimarem em questão de milésimos. Anthony era provocador e conseqüentemente fazia com que eu me constrangesse fácil. Resolvi prestar atenção apenas na música e dar de ombros para suas últimas palavras, o que claro, fez com que o mais alto risse.
Estivemos dançando por vários minutos, Anthony ao soltar minha cintura por um momento foi praticamente empurrado para longe por um cara mais alto do que o mesmo que se pôs a dançar a minha frente, o ato me assustou por um momento, até que Anthony o empurrasse novamente e segurasse mais uma vez minha cintura, proferiu algo para o cara que eu deduziu ter sido algo como: Ele está acompanhado. E não tirou as mãos de minha cintura desde então.
“Isso foi tão cafona!” Eu ria alto e com certa facilidade, talvez efeito da bebida. “Ele está acompanhado.” Imitei sua voz e me coloquei a rir ainda mais.
“Só achei falta de respeito da parte dele...” Anthony parecia envergonhado. Anthony envergonhado? Ela hilário e até surpreendente!
“Tudo bem... Vamos nos sentar um pouco, já estou cansado”
“Quer mais uma?” Apontou para meu copo outra vez vazio.
“Pode ser”
“Trarei algo diferente”
Concordei e segui até a mesa que Dexter estava sozinho. Sentia-me desconfortável, sem saber se tentava conversar ou fingia não tê-lo notado ali. Anthony felizmente voltou rápido, me entregando um copo com liquido diferente, mais uma vez aprovado por mim.
“E ai Dex, qual o problema? Sua cara está de dar medo” Anthony sempre tão amoroso! Recebeu um dedo do meio da parte de Dexter. “Sério, algum problema?”
“Patrick...”
“Ah, claro! Patrick. O que foi dessa vez?”
“Nada de mais, só um desentendimento banal”
“Sei... Mas beba, vai se sentir melhor” Empurrou seu copo sobre a mesa em direção a Dexter, que negou.
“Acho melhor eu ir, trabalho amanhã” Levantou-se rapidamente vestindo seu casaco antes esquecido na cadeira ao lado. “Prazer te conhecer, Phillippe. E nos vemos Thony.”
“Espero vê-lo de novo Dexter... E melhoras!” Lhe desejei sinceramente.
O observei se afastar até se perder no meio de toda aquela gente presente. Não pude deixar de sentir pena do mesmo, ele parecia realmente mal por causa do tal Patrick, talvez um namorado. Tinha olheiras claras e uma cara de poucos amigos.
“Ok! Já descansou. Vamos afastar esse clima chato e dançar porque já faz tempo que não faço isso e ah!” Parou de falar e alargou ainda mais seu sorriso. “Adoro essa música!”
Eu não sentia mais nada a minha volta, parecia apenas Anthony e eu naquela pista mal iluminada, éramos apenas nós entre as luzes coloridas que varriam o local de um lado para outro. Meu corpo já havia se acostumado com o ritmo que seguia e dentro de mim existia uma euforia sobrenatural, até sentia vontade de estar ali para sempre, acabar minha vida dançando, logo eu, que odiava aquilo algumas horas atrás.
Era tudo efeito da bebida, mas no momento em que estava ali nem se quer passou pela minha cabeça que todos aqueles copos esvaziados rapidamente fariam com o Phillippe chato se tornasse outra pessoa. Eu não estava ligando para nada, nem que acordaria cedo e com uma ressecada de querer me matar. Estava adorando as mãos de Anthony percorrendo minhas costas e me levando cada vez mais para perto do seu corpo. Um desejo estranho me assolava. Eu queria beijá-lo? Queria. Sua boca parecia muito convidativa e a idéia de beijar outros lábios que não fosse os de Peter me deixou curioso, queria provar dos de Anthony e não sentia vergonha alguma enquanto aproximava seu rosto de meu e capturava sua boca para mim. Não sentia vergonha alguma ao sentir sua língua se enroscar perigosamente com a minha, ao sentir o gosto de bebida se misturando com minha saliva e suas mãos puxarem meus cabelos conforme nossa sede se intensificava. Não sentia vergonha nenhuma ao descer minhas mãos por suas costas e explorar lugares que em sã consciência não faria nunca.
Eu estava nas nuvens e ali gostaria de ficar para sempre. Mas então acordei.
_____
Abri os olhos pela manhã e a primeira coisa que senti foi à ressaca. Minha cabeça latejava constantemente, parecia ter despencado de um prédio de dez andares, tudo parecia doer. Não pude evitar dizer vários palavrões e para minha surpresa Anthony entrou em meu quarto logo depois de ouvi-los.
“Você bebeu demais Phillzinho” Estendeu-me uma xícara completa por café puro. “E sua cozinha está uma bagunça! Achei que não conseguiria achar nada para fazer um café. Faz quanto tempo que não arruma aquele lugar?”
“Anthony?”
“Hum?”
“Cala a boca, por favor” Massageava minhas têmporas tentando afastar a dor que sentia, parecia impossível. Resolvi desistir e tomar o café feito por Anthony, café esse extremamente amargo, não pude evitar uma careta ao sentir seu gosto.
“Mal agradecido! Depois de tudo o que fiz noite passada” Deitou-se ao meu lado em minha cama.
Espera! Alguma coisa parecia errada. Primeiro: Não me lembrava de nada desde a conversa rápida com Dexter. Segundo: Anthony havia dormido comigo? E terceiro: O que ele havia feito por mim noite passada? Tudo estava confuso em minha cabeça, quanto mais tentava me lembrar, mais parecia sentir dor. Estava me sentindo arrependido, mas de que?
Não me dei conta de que estava olhando assustado para Anthony ao meu lado, não antes dele me fazer acordar de um pesadelo.
“O que foi Phillippe? Parece estar se sentindo mal, sua cabeça está doendo tanto assim?”
“Não... Eu só não me lembro de muita coisa”
E o desgraçado riu. Não foi um riso baixo e rápido, ele estava gargalhando! E aquilo não tinha graça, eu poderia ter feito coisas constrangedoras enquanto estava bêbado. Nunca tinha bebido a ponto de não me lembrar de nada. E se dancei sem roupas? Ou então ataquei Anthony? As duas coisas me pareciam horríveis e assustadoras. Tentei respirar fundo e ficar calmo. Não faria nada de mais, não é?
“Não acredito nisso, você se esqueceu de tudo mesmo?” Concordei com um aceno. “Cara, você se esqueceu da melhor parte então!”
“Conte-me, qual foi à melhor parte?”
“Antes fique calmo, ok?” Mais uma fez fui obrigado a concordar. “Ao chegarmos aqui... Não, quando eu cheguei aqui te carregando, o tal Peter, aquele da cafeteria, estava te esperando, parado em sua porta... Bom, você não foi muito legal com o heterozinho”
“Não fui legal? O que eu fiz?” Anthony voltaria a rir se eu não o impedisse. “Por favor, me conte...”
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