Meu amor está ao seu lado.

13 Lembranças indesejadas.


Tudo bem, sabia que Peter havia me visto com Anthony, mas ter me visto beijá-lo já era demais! Meu estômago se revirava só ao imaginar tal cena, é claro, porque ainda não me lembrava de nada.

Forçar minha mente para que trabalhasse em buscar de lembranças da noite passada só fazia com que sentisse mais dor, mesmo depois do analgésico tomado. Talvez eu não devesse me arrepender, afinal, não temos nada um com o outro, não é? É claro que sim! Peter é casado e eu solteiro, devo fazer o quero da minha vida, até mesmo ficar bêbado e beijar o primeiro cara que esteja em minha frente.

"Nós nos beijamos mesmo? Perguntei pela terceira vez para Anthony. Não acredito, estou tão envergonhado com essa situação e..."

"Sim, nós nos beijamos" Me interrompeu. "E você não parecia envergonhado no momento, sabe, poderíamos ter prolongado tudo aquilo, mas não achei certo me aproveitar de alguém bêbado" Anthony ria como se falasse de outra pessoa, não de mim, que estava a sua frente e me encontrava queimando de vergonha.

"Ok! Já entendi. Vou tomar um banho, estou cheirando a bebida" Lhe dei a primeira desculpa que me veio em mente e corri para o banheiro.

Em baixo da água morna meu corpo se relaxou rapidamente, todo o peso que parecia estar em meus ombros partiu fazendo de mim mais leve. Mais uma vez me forcei para lembrar-me do ocorrido e fleches da noite passada pareciam piscar em minha mente. Eu dançando com Anthony, nosso beijo. Mais tarde ele me carregando para fora do seu carro e enfim a imagem de Peter encostado perto da minha porta.

Ele segurava um buquê de flores e na hora achei graça, lembro-me da forma que ri ao vê-lo segurando aquelas flores. Minha cabeça rodava e eu só queria rir até me faltar o ar, seus olhos castanhos me fitaram com atenção e o vi mexer os lábios várias vezes, mas nenhuma palavra lhe saia.

Anthony me segurou com mais firmeza contra seu corpo e naquele momento senti que devia me vingar do ocorrido mais cedo na cafeteria. Segurei-lhe pelos cabelos com certa brutalidade e mais uma vez o beijei, dessa vez um beijo com mais urgência, pois agora tinha um publico alvo.

“Vamos entrar, você precisa de um banho gelado” Disse assim que nossos lábios se distanciaram

“Não! Acho que podemos fazer algo mais interessante” Minhas pernas não eram capazes de me manter em pé, os braços de Anthony estavam seguros a minha volta, caso contrário já teria caído.

“Acho melhor entrar Phillippe” Agora quem falava era Peter. "Você parece ter bebido demais e..."

“Você fique fora disso...”

“Phillippe, por favor vamos entrar” Anthony disse tentando pegar as chaves que estavam no bolso do meu jeans.E não dei ouvidos para seu pedido.

“Você...” Apontei para Peter ainda parado a nossa frente. “Você devia ir para casa bancar o bom marido que deve ser" Minha risada veio novamente mais alta. "Que piada!”

“Realmente, uma piada de mau gosto” Disse Peter.

Assim que conseguiu pegar minhas chaves Anthony praticamente me empurrou até a porta, abrindo-a em seguida e me colocando para dentro, mas antes não deixei de desejar uma boa noite para Peter:

“Durma bem Peter e mande um beijo para Alicia”

O vi deixando o buquê encostado na parede e descendo as escadas rapidamente. Fiz-me de forte, mas senti meu coração doendo ao vê-lo ir embora.

Sai do banho mais envergonhado ainda. Fui maldoso nas minhas palavras, falei com o intuito de ferir e acredito ter conseguido. Não tinha certeza se devia me sentir culpado ou apenas seguir em frente, afinal, quem me feriu primeiro foi ele. Me troquei e voltei para meu quarto vendo Anthony cochilando com a cabeça em meu travesseiro, mas acordando logo em seguida.

“Lembrei-me de algumas coisas...”

“Talvez fosse melhor não lembrar, não é mesmo?” Me respondeu coçando os olhos com as costas das mãos e bocejando em seguida.

“Sim, aquele não era eu”

“Era um Phillippe magoado”

“Mas eu fui ruim! Ele até trouxe flores”

Assim que me lembrei das flores corri até a sala deixando Anthony falando sozinho. Ao abrir a porta me deparei com o buquê ainda intacto, da mesma forma que ele deixou algumas horas atrás. Eram lírios brancos, tinha certeza de que ele havia lembrado que eram minhas flores preferidas. Os peguei e fui em busca de um vaso para colocá-las na água com a intenção de fazê-las durar mais.

“Converse com ele assim que as coisas esfriarem um pouco" Anthony me beijou na testa. "Agora preciso ir, nos vemos daqui a pouco, te espero para almoçarmos e melhoras”

Voltei para meu quarto em busca da minha calça jogada em um canto do banheiro, em seu bolso encontrei meu celular com cinco chamadas não atendidas de Peter antes de vê-lo. Resolvi que devia me desculpar, mesmo não tendo certeza se eu estava realmente errado. Esperei algum tempo até que o último toque fez com que caísse na caixa postal e tentei novamente, sem resultado, caixa postal de novo.

“Oi Peter, é o Phillippe como já deve ter constatado...” Não sabia muito bem o que dizer, me encontrava nervoso. “Gostaria de vê-lo e pedir desculpas pelo ocorrido... Se quiser me ver, claro” E desliguei.

Horas mais tarde já me encontrava trabalhando quando senti o celular vibrar em cima da mesa, meu coração acelerou no instante em que vi o nome Peter na mensagem recebida, nela estava escrito:

“Devíamos nos ver?”

E respondi:

“Estou arrependido, acredito que devíamos”

Passo no seu apartamento as sete”

Apenas respondi a um "Ok" e voltei a prestar atenção na papelada que devia organizar a minha frente, tentando fazer com que os pensamentos inapropriados fossem embora da minha mente. Olhei no relógio e vi que ainda faltavam algumas horas para sair dali e vê-lo, então tentei pensar no que poderia acontecer apenas mais tarde.

Talvez nosso destino não passasse de uma grande confusão, nos colocando próximos apenas para consertar o erro em seguida. E para mim já parecia tarde demais, aceitaria esse erro e tentaria torná-lo um acerto. Mesmo que fosse cedo tudo em mim trabalhava com o desejo de conquistá-lo e tê-lo ao meu lado por tempo indefinido. Era tudo incerto e acredito que deveria ser mais racional quando se tratava de Peter, mas ele havia me encantado como ninguém antes. Senti aquelas flores como um pedido mudo de desculpas e as coloquei para dentro como quem aceita o arrependimento cometido, deveria e iria me desculpar também.