Meu amor está ao seu lado.
18 Overdose.
Notas iniciais
Já havia feito uma semana desde o dia em que estive com Thomas no aeroporto, em sua partida. Desde então o loiro já havia me ligado três vezes para contar como era a nova faculdade e como andava o estágio na área de publicidade, estava empolgado e mesmo que estivéssemos longe, eu estava realmente feliz por ele.
Peter não me procurou novamente, esperei todos os dias e nada, também me decidi por não ir atrás, ainda estava magoado pelo ocorrido e resolvi que alguns dias nos faria bem e talvez estarmos de cabeça fria seria melhor para conversarmos e colocar tudo no lugar.
Enquanto isso minha vida corria normalmente, a não ser por Anthony insistindo para sairmos juntos.
“Qual o problema? É sexta feira Phillippe, deixa para dar uma de velho na hora certa”
“Irei fingir que não me ofendi com esse comentário” Rebati.
“Se ofendeu porque estou falando a verdade e te custa admitir”
“Você sabe muito bem o que aconteceu quando saímos”
“Não precisa beber, só quero que vá e se divirta. Sei que está para baixo por conta da partida do loirinho e por causa de Peter... Será bom”
“Ok!” Me rendi. Sabia que o maior não desistiria tão fácil.
“Vou te buscar!” Me beijou a bochecha e atravessou a rua em sentido contrário.
Ao chegar a meu apartamento me certifiquei que estava tudo em ordem, lavei a louça que já estava na pia há quase três dias, coloquei roupas para lavar e fui tomar um banho, pois não tinha muito tempo até Anthony aparecer.
Não me demorei muito e ao sair optei por usar jeans, uma camiseta simples sem estampa e meu costumeiro all star já muito usado. Não pude evitar pegar o celular para ver se não havia perdido alguma ligação de Peter, mas não, não havia nada.
Anthony chegou na hora marcada e interfonou para que descesse.
A boate que fomos não era a mesma da última vez, porém para mim não havia diferença alguma, tinha música alta e pessoas demais no local.
“Vamos dançar” Anthony pediu assim que entramos e não neguei, estava ali para me divertir e era o que faria.
Foi diferente da última vez, sem bebidas e sem roubar beijos de Anthony. Era difícil controlar já que o mesmo dançava muito perto, quase como se quisesse me provocar, olhava vezes seguidas para ver minha reação e eu estava prestes a lhe socar por tal comportamento.
Ao me ver distraído em certo momento Anthony pagou por um saquinho que pelo o que me pareceu eram comprimidos, mas não pôde evitar que eu visse.
“O que é isso?” Perguntei no instante em que o vi guardar no bolso.
“Nada”
“Não sou criança. O que é isso?” Voltei a perguntar.
“Ecstasy. Só para alegrar um pouco, não seja chato” Colocou um dos comprimidos na língua e engoliu com ajuda da bebida que segurava. “Quer?” Ofereceu.
“Depois” Peguei o saco que continha por volta de cinco comprimidos e guardei no bolso. Não pensava em usar aquilo, mas resolvi mantê-los longe de Anthony.
Já era de se esperar que o moreno se tornasse outra pessoa ao tomar aquele comprimido. Quando fez efeito fui deixado sozinho, pois ele estava sendo prensado contra a parede por um cara que conhecia a menos de dez minutos. Confessaria que fiquei perdido no meio de tantas pessoas que não conhecia e resolvi procurar um lugar e esperar até que o moreno fosse solto e me levasse para casa, o que demorou bastante, diga-se de passagem.
Por volta das duas da manhã fui deixado em frente ao prédio em que morava com vários pedidos de desculpas e promessas de que da próxima vez aquilo não aconteceria. Apenas concordei com tudo e lhe dei boa noite me encaminhando rapidamente em direção ao elevador.
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Narrado por Thomas:
Um mês depois.
Já havia feito um mês que me mudei para Los Angeles, porém tudo ainda estava uma bagunça. O apartamento que dividia com mais duas pessoas era pequeno e extremamente desorganizado, talvez por sermos todos homens. Tinha meu próprio quarto o que já era bom por poder ter minha privacidade, mesmo que fosse minúsculo a ponto de caber apenas uma cama de solteiro e um guarda roupa rente a porta. Minhas correspondências ainda não chegavam ao endereço correto e não conseguia me organizar entre roupas para lavar, trabalhos acumulados da faculdade mais toda a carga que carregava por estar trabalhando como estagiário. Todos devem saber que um estagiário não faz apenas aquilo que foi acordado no dia da entrevista, ele também prepara o café e o serve, ajuda no trabalho de outras pessoas e ainda é praticamente obrigado a fazer extras para que talvez um dia seja enfim contratado.
É, não estava sendo nada fácil. De resto estava adorando a nova vizinhança, conhecer lugares novos e fazer amizade. Na primeira semana quis voltar para de baixa das asas da minha mãe e não sair mais daquele lugar acolhedor, porém tive consciência que precisaria passar por tudo isso para que um dia me sentisse realizado por conta do que busquei.
Sentia falta do Phillippe todos os dias e sempre que tinha um tempo tentava ligar para saber como andava e em uma das ligações soube que o tal Peter ainda não havia lhe procurado. Já fazia um mês! Ele sempre soube que não aprovava aquele relacionamento e que sempre disse merecer algo melhor, de todo jeito o apoiava naquilo que decidisse e estaria pronto para lhe segurar no momento que precisasse, o que infelizmente eu sabia que seria logo.
Estávamos próximos de um feriado que felizmente cairia em uma sexta feira, teria a oportunidade de ir para Nova York e visita-lo, assim como minha mãe que já se dizia louca de saudades.
Era quinta feira, dez e vinte e eu já estava no avião, faltava apenas uma hora para que chegasse, então tentei entrar em contato com Phillippe para que ele me encontrasse no aeroporto, mas seu celular apenas chamava e caia na caixa postal, tentei ligar várias vezes e não fui atendido.
Resolvi deixar um recado:
“Já te liguei várias vezes e não me atende, te matarei se tiver se esquecido de mim. Por favor, me espere no portão de desembarque. E estou morrendo de saudades, Phill”
Mais alguns minutos até que aterrissamos. Demorou um pouco até que todos descessem e fossem em busca das malas. Quando já estava em frente do portão de desembarque procurei no meio de todas aquelas pessoas esperando seus familiares e amigos e não pude encontrar Phillippe. Esperei por minutos a fio com a esperança de que ele apenas estivesse atrasado, mas não apareceu.
Liguei novamente e mais uma vez escutei sua caixa postal.
“Não sei o que aconteceu, estou um pouco preocupado, mas como ainda tenho as chaves do seu apartamento estou indo direto. Eu realmente espero não te encontrar com Peter... Ok, isso seria estranho”
O taxi me deixou em frente ao prédio tão conhecido por mim, paguei o motorista e o mesmo me ajudou com a mala a deixando na calçada. Subi pelo elevador até o andar em que ele morava e toquei a campainha, não fui atendido, entendi que teria que usar a chave dada por ele há algum tempo. Entrei no apartamento e acendi a luz, a principio não me dei conta de que as luzes apagadas significavam que Phillippe não estava, fiquei um pouco irritado, afinal tínhamos combinado que ele me buscaria e depois talvez fossemos dar uma volta juntos.
Tudo estava em silêncio até ouvir alguém respirando. Fiquei imóvel. A respiração vinha do banheiro o que me faz correr até lá e acender a luz. Vi Phillippe deitado no piso frio vestindo apenas uma calça de moletom em uma posição estranha, rígida com o olhar fixo. Enquanto fiquei ali parado ele emitiu um ruído baixo, um gemido que ecoou por sua garganta e passou por seus dentes cerrados.
“Ai meu deus, ai meu deus!” Foi tudo o que pude dizer.
Liguei para emergência. A telefonista me garantiu que estariam ali em alguns minutos e esperei sentado ao seu lado.
Olhando para Phillippe não consegui deduzir o que poderia ter acontecido, até encontrar um comprido ao lado de uma garrafa vazia de vinho, não fazia ideia de quantos devia ter tomado, mas foi o suficiente para fazê-lo ficar naquele estado.
Mais tarde depois da ambulância o levar até o hospital mais próximo e Phillippe ter sido internado e recebido injeções, entubado e estar deitado numa cama de hospital ligado a um monitor, relaxado e dormindo. Olho e vejo minha mãe e Peter do lado de fora do quarto, havia me esquecido que liguei desesperado para ela e não faço ideia do motivo de Peter estar junto.
Assim que os dois se aproximam da cama em que Phillippe se encontrava o vimos se mexer e resmungar até abrir os olhos vagarosamente e encontrar três pares de olhos assustados em sua direção.
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