Meu amor está ao seu lado.

41 Ensina-me a te odiar.


Notas iniciais
Olá, olá! Como vão todos? Espero que muito bem. *-* Estou um pouquinho atrasada com esse capítulo, pois foi um pouco complicado de escrever... Sim, existiu algumas lágrimas de minha parte no decorrer da escrita e em outras precisei de um pouco de tempo para que pudesse lembrar de certos pontos. Enfim, o novo capítulo está aqui. E ah, quero agradecer pela recomendação linda do And! Muito obrigado.

“Está se sentindo melhor?” Anthony perguntou logo depois de me assistir tomar a água com açúcar que ofereceu. “Quero dizer, mais calmo”

Estávamos no refeitório da empresa.

“Sim. Obrigado por isso”

Os olhos de Anthony pareciam estar grudados em meu rosto e a preocupação contida nos mesmos era quase palpável.

Não era fácil para mim ter demonstrado toda minha fraqueza ao derrubar aquelas lágrimas. Havia me segurado ao máximo para que não notassem o quanto estava destruído por dentro. Engraçado era ter conseguido mentir até mesmo para mim e fingir que nada havia acontecido.

Doce engano.

Não podia ter caído na realidade de uma maneira pior. Foi como abrir meu peito e mostrar tudo o que estava guardando. Era impossível não me sentir envergonhado ao que sentia os olhos de Anthony queimando em minha face.

“Não precisa ficar todo sem jeito assim” Proferiu de forma sincera. “Venho acompanhando seu relacionamento com Peter e não tenho como duvidar do seu amor por esse homem, mesmo que ele não mereça a metade”

“Anthony...”

“Eu sei, não é uma boa hora” Me interrompeu para proferir as mesmas palavras que lhe diria. “Mas me escute” Meu amigo se agachou a minha frente e por estar sentado pousou as mãos em meus joelhos. Em momento algum seus olhos se desgrudaram de mim, o brilho contido em seus iris eram tão verdadeiros, fazia com quem me aprofundasse neles e fosse capaz de fechar os meus provando confiar nele. “Quero seu bem, assim como Thomas, sua irmã e o tal Frankie, por esse fato peço que enxergue além do amor que sente por Peter. Apenas não deixe que essa cegueira seja permanente” Sua mão procurou pela minha que estava sobre minha coxa, com leveza depositou sua palma em cima e um calor agradável me tomou. “Acha que nunca tive um coração partido?” Riu com sua própria pergunta. “Sei como dói, porém aprendi que não é uma dor que dura para sempre e depois disso me dei conta de que foi melhor acabar. Pense nisso”

“Pensarei. Obrigado, mais uma vez”

“Não por isso”

“Acho que está na hora de ir para casa” Me levantei vendo meu amigo fazer o mesmo.

“Se precisar de qualquer coisa, não pense muito antes de me ligar”

“Tudo bem”

Me encaminhei de volta para o hall para esperar pelo elevador novamente.

Oito meses depois.

Acordei pela manhã assustado ao sentir lambidas em meu rosto, era Dylan. Assim que abri os olhos pude notar a pressão em minha nuca, era quase impossível levantar a cabeça do travesseiro sem sentir dor. Deduzi tê-la adquirido por não ter dormido direito. Já era normal não conseguir dormir todas as horas necessárias.

As semanas passaram se arrastando desde o dia em que fui demitido. Mantive-me trancado em meu apartamento a maior parte dos dias, saindo apenas para ir até o mercado ou quando Anthony me forçava a dar uma volta em sua companhia com a desculpa de que Dylan precisava tomar ar.

Dessa forma se passaram oito meses.

Sentia-me como se vivesse em modo automático, várias vezes notava o que estava fazendo minutos depois de ser executado, como por exemplo, me levantar da cama todos os dias. Evitava me abrir e falar sobre o que estava sentindo com meus amigos ou Julie. Não gostava da sensação que tinha ao perceber que sentiam pena de mim. Não era fácil colocar para fora tudo o que se passava em meu interior sem parecer drama aos olhos de quem estava por fora de todo o ocorrido.

Por isso decidi por me calar. Trancar-me dentro de mim mesmo.

Não me incomodava. Apenas quando Thomas insistia para que contasse o que estava acontecendo. Meu amigo conseguia me ler mesmo do outro da linha e isso certas vezes me deixava irritado por não conseguir esconder nada do loiro.

Me manter sozinho era tudo o que precisava por um momento. Digerir tudo o que aconteceu nos últimos meses e talvez assim conseguir me reerguer.

Levantei-me depois de muita insistência de Dylan e tentando ignorar a dor que sentia ao movimentar a cabeça. Encaminhei-me até a lavanderia para colocar ração para ele que correu eufórico para tomar seu café da manhã. Em seguida busquei por um analgésico e o engoli rapidamente com a esperança que minha dor passasse depressa.

Depois de minha higiene feita escutei o telefone tocando, deduzi ser Thomas ou Anthony e não estava muito bem para atendê-los, por conta disso logo caiu na secretaria eletrônica por não atender a tempo.

Congelei ao escutar a voz vinda do aparelho.

“Phillippe, está ai?” Peter perguntou. “Sei que talvez não queira falar comigo e entendo, mas é sobre Dylan”

Fiquei na duvida sobre atendê-lo ou ignorá-lo. Meu coração parecia socar minha caixa torácica em resposta ao escutar a voz do mais velho. E todos os sentimentos escondidos em minha própria defesa voltaram à tona em um piscar de olhos. Tudo isso apenas ao escutar sua voz grossa e rouca.

“Tudo bem...” Suspirou alto o suficiente para que conseguisse escutar. E mais uma vez reagi a ele. Os pelos de meus braços se arrepiaram como quando uma brisa fria nos toca. “Tento ligar mais tarde”

Me dei conta apenas depois, ao rever suas palavras em minha mente, que Peter apenas disse aquilo para me induzir a atendê-lo, pois mesmo depois de proferir aquelas palavras continuou alguns segundos na linha.

E conseguiu.

Tirei o telefone do gancho rapidamente antes de ser recebido apenas pelo silêncio do outro lado.

“Oi, estou aqui” Atendi me sentindo envergonhado por ter participado de uma cena daquelas.

“Que bom!” Respondeu. “Sei que demorei um pouco para ligar e conversarmos sobre isso, então antes de tudo me desculpe. Estou ligando para pedir para que fique com Dylan mais dois ou no máximo três meses até que possa buscá-lo e levá-lo para onde me mudarei”

“Se mudar? Como assim?” Perguntei rapidamente.

Peter iria se mudar novamente?

“Sim, tenho pensado em sair de Los Angeles ou até mesmo voltar para Nova Iorque, mas antes de tudo preciso de uma transferência por conta da minha residência. Isso é claro, se conseguirem me transferir para algum hospital perto”

“Não estou entendendo. V-você deixará o hospital que está por qual motivo?”

“Meu pai” Respondeu simples. “Ainda não é uma certeza, pode ser que continue aqui, isso dependerá muito de como chegarei até o fim do mês, quer dizer, sem mais brigas com ele”

“Sinto muito por isso... Sabe, pelas brigas com seu pai”

“É, achei que dessa vez nos entenderíamos”

“Mas não se preocupe com Dylan, posso ficar com ele o tempo que for necessário” Proferi tentando dar fim naquela conversa.

“Obrigado, Phillippe, de verdade”

“Tudo bem, sei que faria o mesmo por mim”

“Sim...” Respondeu

“Se cuide, Peter”

“Você tam...”

E sem que terminasse de falar coloquei o telefone no gancho encerrando a ligação.

Meu coração ainda pulava em meu peito mesmo depois de alguns minutos, assim como minha respiração irregular.

Fazia muito tempo que não nos falávamos e mesmo assim ele ainda conseguia manter o mesmo efeito sobre mim. Sabia que ainda o amava e com a mesma intensidade, se fosse ao menos possível diria ter sentido que o sentimento cresceu ainda mais.

Alguma coisa dentro de mim gritava para que não perdesse a chance de tê-lo de volta e estava por um fio caso ele resolvesse se mudar para outro lugar que não fosse Nova Iorque.

Seria possível começarmos do zero?

Um lampejo de esperança nasceu em meu interior. Talvez pudéssemos ser felizes, só bastava ele voltar e então começaríamos tudo de novo, dessa vez da forma certa. Só percebi que sorria quando as maças de meu rosto começaram a dor pelo ato. Senti também cócegas ao sentir lágrimas se acumularem nos cantos de meus olhos.

Passei o dia em Peter e sua mudança em mente.

Poderia ser errado ao deixar que a esperança me fizesse cometer alguma besteira, porém sabia que era minha única chance de tê-lo de volta e não a desperdiçaria.

Depois de muito pensar, no mesmo dia resolvi lhe escrever um e-mail.

Phillippe Clarke

Para: Peter Humphrey

Oi, Peter.

Sei que pode não estar esperando por isso, para dizer a verdade eu mesmo não sei muito bem o que estou fazendo. Apenas fiquei com a ideia de sua mudança em minha cabeça e acredito que não possa te deixar ir assim, com tanta facilidade. Sei que foi colocado um fim em tudo o que tínhamos e me custa acreditar que iremos deixar que tudo termine dessa forma. Nunca me passou que poderia me apaixonar por alguém como aconteceu com você, mesmo que tudo tenha tomado proporções enormes e até mesmo exageradas, sinto que devemos nadar contra a correnteza para finalmente vencermos todos os obstáculos que tivemos desde o início. Ok, estou dando voltas e não chegando a lugar algum. A verdade é que estou lhe escrevendo para pedir que não vá para mais longe, me dói à ideia de te ter ainda mais distante do que já está. E se tem a oportunidade de voltar para Nova Iorque, te peço que, por favor, não abra mão disso. Tenho a certeza do que vou falar nesse momento... Ninguém nunca vai te amar como eu te amo. Entre quem for em sua vida, nunca irão te querer como eu quero. Por favor, não me faça te perder mais uma vez, sinto que não posso suportar. Esses últimos meses parecem um pesadelo para mim e tudo o que peço é para acordar e te encontrar ao meu lado.

Volta? Volta para casa, de onde nunca deveria ter saído.

Eu te amo, muito.

A resposta do e-mail escrito só veio três dias depois e mesmo com as poucas palavras escritas meu coração se inundou de felicidade.

Peter Humphrey

Para: Phillippe Clarke

Iremos conversar sobre isso, mas saiba que por você eu voltaria meu anjo. Tentarei viajar para Nova Iorque até o fim desse mês e então conversaremos. Me espere.

Precisei ler várias vezes às poucas palavras escritas para ter certeza de que era mesmo real. E era. Convenci-me disso algum tempo depois.

Senti que a ligação de Peter teve o propósito de se aproximar novamente, apenas esperava pela oportunidade e eu a dei. Poderia estar sendo estúpido por mais uma vez estar me deixando levar por uma promessa não verbalizada de que as coisas ficariam bem de uma vez por todas. Porém a esperança que crescia dentro de mim não parecia me deixar pensar em outra coisa além de querê-lo de volta. E se dependesse de mim o teria para o resto de meus dias.

____

Meu celular tocou duas vezes enquanto estava no banho, só pude atender na terceira vez quando já saia com a toalha enrolada em volta da cintura. Mal consegui secar o corpo e os cabelos por completo antes de sair do banheiro, por conta disso sentia as gotículas escorrerem por minhas costas ou pingarem pelo chão.

“Oi Thomas” Atendi já sabendo ser o loiro por conta do identificador.

“Já estava deduzindo que não queria me atender” Disse com a voz levemente baixa e em tom de pura manha.

“Estava no banho, só isso” Respondi. Segurava a vontade de ir de Thomas e seu drama sempre presente.

“Estou no meu horário de almoço e liguei para saber como está”

“Estou muito bem”

“Hum, sinto que existe algo por trás dessa felicidade repentina. Me conte!”

“Peter...” Respondi meio incerto sobre contar o motivo. Quer dizer, sabia que Thomas não iria me julgar, contudo não aceitaria uma “recaída” de minha parte.

“O que tem o Peter?”

“Existe a possibilidade dele voltar para Nova Iorque e disse estar disposto a voltar por minha causa”

“Phillippe...”

“Eu sei, Thomy. Sei dos riscos que corro e estou tentando não pensar nisso agora, caso deixe que ele vá embora será para sempre e não posso perdê-lo”

Meu amigo suspirou do outro lado da linha. Senti que engolia as próprias palavras e mostrava-se firme em me apoiar.

“Espero que dessa vez ele te valorize como merece, sabe... Já que das outras vezes não acabou nada bem” Pausou para cumprimentar alguém, deduziu ao escutar um oi de sua parte. “Ele está aqui...”

“Ele quem?”

“Peter. Se sentou em uma mesa próxima a minha”

“Onde você está, Thomas?”

“Em um restaurante e por coincidência perto do hospital que ele trabalha”

“Ele está sozinho?” Perguntei já não dando tempo para que meu amigo respondesse. “Como ele está?” Perguntei logo a seguir.

“Sim, está sozinho” Respondeu já entre risos. “E está... Bonito?” Disse de maneira óbvia em uma pergunta.

“Ah, imagino!” Não pude evitar que um suspiro escapasse por entre meus lábios. A imagem de Peter em seu jaleco branco me veio em mente.

Sentia tanto a falta dele!

“Ainda estou esperando que ele me diga o dia que chegará aqui” Confessei. “Não quero lhe cobrar nada, mas a ansiedade está me matando!”

Antes de me responder Thomas gargalhou alto, capaz de chamar atenção de todo o resinto onde estava.

“Como você é bobo, Phillippe!” Disse alto. “Se ele não voltar, ainda terá a mim. E saiba, se fosse ele não te perderia de vista”

“Eu sei que me ama e muito, mas não exagere” Entrei em sua brincadeira já rindo bastante. “Eu voltaria por você” Disse em tom de brincadeira, porém era a mais pura verdade.

“Escutei direito? Voltaria só pelo Thomas aqui?” Thomas claramente se gabava.

“Não só por você! Não seja tão convencido. Voltaria por ele também, ok? Mas sei que não seria muita coisa sem meu melhor amigo”

Falávamos em tom de brincadeira, porém existia verdade em cada palavra dita, pelo menos por mim. Tinha consciência de que Thomas por muitas vezes foi meu alicerce para me manter em pé e a distância que nos separava só parecia ajudar para que nossos laços fossem cada vez mais fortes e únicos. Não foi surpresa alguma para mim descobrir que era meu melhor amigo, nem ao menos foi difícil verbalizar. Se pudesse escolher, o queria por perto até o fim dos meus dias e em momento algum duvidaria dessa escolha.

“Mesmo assim, fico feliz ao saber que voltaria por mim”

“Acho que ninguém quer ouvir nossa conversa, então fale baixo Campbell” O repreendi. Era preciso até mesmo afastar o fone do ouvido quando Thomas falava.

“Argh!” Reclamou. “Tenho que desligar mesmo, meu horário está acabando. Eu te amo, Phill”

“Eu também, Thomy. Se cuide”

“Você também. Tchau”

E então a ligação foi encerrada.

____

Já estava praticamente no fim de setembro e Peter ainda não havia me procurado ou até mesmo chego à Nova Iorque. Tentei ligar em seu celular depois de muito pensar e mesmo assim a única coisa que escutava era sua caixa postal. Tentava me manter calmo, me lembrar de que Peter nunca foi pontual em nada.

Ganhei tempo para repassar tudo o que gostaria de lhe falar, até mesmo decorei cada palavra.

Setembro estava para acabar e ele não dava sinal de vida.

Sempre que meu celular tocava atendia na esperança de que fosse ele.

Sempre me decepcionava.

Não foi diferente quando tocou no meio da semana.

Era uma mensagem de Thomas:

“Phillippe, um conhecido me disse que Peter já não está trabalhando no hospital”

Li algumas vezes sua sentença e mesmo assim não consegui entender o que queria dizer.

“Como assim?”

“Já não trabalha lá e faz alguns dias. Parece que foi transferido de forma imediata para outro hospital, mas Dave não soube me dizer para onde. Sinto muito.”

Minha mente se tornou incapaz de pensar depois de ler a última mensagem. Nunca poderia explicar o que senti ao saber da mudança de Peter. Queria poder desaparecer naquele exato momento para que nunca pudesse ter sentido toda a dor que me tomou de surpresa.

Peter havia se mudado.

Talvez por isso não me procurou. Me deixou esperando por ele e não tinha a intenção de me encontrar, mesmo depois do que disse, foi embora.

Não podia acreditar, achava já ter passado por tudo em relação ao mais velho, porém ele foi capaz de se superar e sem uma única palavra partiu. Sem explicações.

Sem um adeus.

Meu celular tocou e em alguns toques tudo o que pude fazer foi observá-lo vibrar, em choque.

Atendi antes que o último toque cessasse.

“Oi...”

“Phill, como você está?”

“Não sei” Respondi para Thomas.

“Não acredito que ele foi capaz de fazer isso”

“É”

Não existiam palavras a serem ditas. Havia acabado de levar a última apunhalada, sentia tanta dor que era possível dizer não existir mais nada além dela.

Peter havia acabado com o que restava de mim.

Um soluço me escapou e naquele momento queria que se danasse meu orgulho, não me importava de chorar sabendo que Thomas estava do outro lado da linha. Só queria escapar daquele pesadelo, deixar que meus soluços fossem o único som existente. Uma lágrima rolou por meu rosto, quente e pesada se perdendo em lugar algum, foi a primeira de muitas que escorregaram em companhia de meus soluços. Buscava o que falar no fundo de minha mente, talvez uma desculpa para desligar o telefone. Mas o que dizer? Não poderia mentir dizendo estar bem. Não estava. Vivia um sonho ruim sem nem ao menos merecer.

“Phill, por favor, não chore” Thomas pediu e mais pareceu uma suplica.

“T-thomas, eu não consigo...”

Fui impedido de continuar quando mais soluços me tomaram.

Continuava a segurar o telefone contra a orelha enquanto meu corpo tremia mais e mais. As gotículas quentes não pareciam ter fim, desciam sem esforço algum, depois da primeira já não era possível senti-las lavando meu rosto.

Não conseguia encontrar uma resposta plausível para o que Peter havia feito. Vasculhava em todos os cantos de minha mente e mesmo assim não encontrava o motivo para sua atitude repentina. Esperava por ele e foi embora para um lugar desconhecido, quase como se fugisse.

“Não fique assim, me sinto culpado por estar tão longe. Estou de mãos atadas” Thomas tentou me acalmar mais uma vez, em vão.

“Eu não entendo. Ele disse que iriamos conversar, que voltaria por mim. O que foi que fiz de errado? Não consigo entender o porquê de mudar de ideia. Ele só... Só devia ter se despedido”

Pousei o telefone em meu colo e escondi o rosto entre minhas mãos sentindo minha cabeça dar voltas e doer por conta dos soluços que pareciam aumentar ainda mais. Meu coração continuava a bater e cada vez mais forte, porém me sentia morto. Não era ele que diria estar vivo quando não conseguia existir sentido para continuar puxando o ar a cada vez que me faltava nos pulmões. Naquele momento me dei conta de que mesmo com todos os órgãos trabalhando, minha mente estava morta. E mesmo que fosse estupido dizer, gostaria de fechar os olhos e deixar de presenciar toda aquela imensidão de dor que fazia com que cada partícula de meu corpo quisesse pular para fora por não aguentar tamanha decepção.

O homem que seria capaz de ganhar minha vida, que tinha todo o amor existente dentro de mim. Dono de todos os meus pensamentos, desejos e felicidade. O único capaz de me arrancar o mais sincero sorriso foi frio o bastante para me dar as costas e me deixar para trás sem respostas para todas as perguntas que se formaram. A pessoa que amei mais do que a mim mesmo não olhou uma última vez em meus olhos antes de partir.

Passei a desejar a mim mesmo que acordasse daquele sonho ruim com as lambidas de Dylan. Daria tudo para que em um susto despertasse e percebesse que não passava de um sonho, porque Peter não teria a coragem de fazer isso. Não o meu Peter. Não o dono dos profundos olhos castanhos que faziam com que me perdesse em sua imensidão.

Não, não...

Era só um mal entendido. A campainha iria tocar a qualquer momento e ele estaria ali, diante de minha porta de braços abertos, esperando para que voltássemos a escrever nossa história.

“Em uma outra vida, eu seria seu garoto*
Nós manteríamos todas as nossas promessas
Seriamos nós contra o mundo
Em uma outra vida, faria você ficar”

Não precisaria olhar-me em um espelho para saber que meus olhos estavam inchados e o nariz avermelhado, riria de mim mesmo. Mas gostaria de fazê-lo apenas depois que ele voltasse para perto para que seus dedos seguissem delicadamente cada lágrima quente não as deixando ir muito longe. Eu sorriria com o ato e me agarraria a ele, me acalmaria assim que a sensação de proteção me tomasse por inteiro. Peter diria baixinho ao pé do ouvido que estaria por perto, mas eu continuaria a chorar, dessa vez por me sentir completo.

Porque ele não poderia ter feito algo como aquilo. Meu coração gritava para que não acreditasse, porém sabia que não era o dono da verdade naquele instante.

Peter havia partido para longe. Sua decisão foi feita e não incluía a mim.

“Então, não teria que dizer que você foi
Aquele que partiu
Aquele que partiu”

“A culpa não é sua, nunca será. Fez tudo o que podia e até mesmo mais do que deveria. Ele fez sua escolha”

“Nada mais tem sentido, Thomas. Ele conseguiu acabar com o resto de mim”

“Não diga isso, não se dê por vencido. Não pode se deixar esvaziar assim quando ainda preciso de você para reclamar dos meus roncos e fazê-lo escutar minhas desculpas de que é culpa da bronquite”

Um riso baixo me escapou ao escutar Thomas. Um riso leve, mas sincero no meio de tantas lágrimas que ainda esperavam para se libertarem.

“Viu? Ainda posso te fazer rir e sempre estarei disposto a tentar”

“Obrigado por estar sempre por perto”

“Não é uma obrigação, então não agradeça”

Depois que me acalmei e Thomas se convenceu que já não chorava desligamos.

Um estalo em minha mente fez com que toda a decepção e dor se revertessem em ódio. Ódio do que Peter fez e sem pensar mais de uma vez peguei o telefone mais uma vez e disquei seu número já decorado.

Como já era de se esperar fui recebido pela caixa postal.

Sabia que não atenderia, já que mostrou quem realmente é. Um covarde sem coração! Sabe Peter, nunca me passaria que você pudesse fazer algo como o que fez, se mudar sem uma explicação, ainda mais depois de ter dito aquelas palavras... Agora elas me soam tão falsas. Todo o amor que sentia por você parece ter se transformado em ódio, e tudo bem pois é a única coisa que você merece, tudo o que devo sentir por você... O mais puro ódio!” Pausei por um momento na tentativa de me recompor e respirar com mais facilidade. “Espero com todo meu coração que você sofra devagar, que mais para frente encontre uma pessoa que o faça sentir a mesma dor que sinto nesse momento. Não me arrependerei de nada, seria capaz de lhe dar todo meu amor novamente, isso só me fará sentir melhor do que você!” Mesmo com todo o nervosismo me corroendo, as lágrimas ainda se faziam presentes e a cada palavra que dizia para machucá-lo doía em mim. “Pode alguém sentir tanto nojo como estou sentindo agora? Talvez tudo o que você faça por merecer. Nojo!” Sequei as lágrimas rapidamente antes de dizer uma última sentença. “Desejo com todas minhas forças que você se torne a pessoa mais infeliz que possa existir”

Bati o telefone no gancho ao terminar tudo o que gostaria de falar.

Sentia meu sangue fervendo ao que corria por minhas veias. Um misto de raiva, decepção e tristeza me tomavam por completo. Sentia-me perdido sem saber o que fazer ou pensar.

Por que Peter faria isso? Era tudo o que me perguntava.

No momento em que reuni esperanças, em que me sentia confiante tudo desmoronou de uma hora para a outra por algum motivo que não saberia dizer qual era.

Foi feito um buraco em minha alma.

Notas finais
Ok, eu sei que irão querer me xingar e me bater, mas saibam que é tudo culpa do babaca do Peter! Eu sei que essa mudança dele foi bem confusa e inesperada, porém foi exatamente como aconteceu. O momento em que o Thomas conta sobre a mudança do Peter até o Phillippe começar a chorar é real, nhuw. >< É Amanda, ainda me sinto envergonhada por chorar enquanto escutava, MAS... HAHAH E não tinha como deixar essa cena de fora, pois era essencial. O trecho no meio do capítulo é da música The one that got away da Katy Perry. E deixarei o link para escutarem aqui (ao vivo porque é mais bonita). https://www.youtube.com/watch?v=VlQXCU21dCM Bom, me digam o que acham que levou o Peter a se mudar dessa forma. Quero muitos reviews. :D E Ah, o próximo capítulo deve ser o último para depois vir o epilogo. Até logo. Beijos.