Notas iniciais
Olá. Como estão? *-* Preciso agradecer por cada review do capítulo passado e dizer que queria poder abraçar todo vocês. Nhuw. >< Até mesmo os fantasmas! HEHE E pedir também que algum de vocês falem um pouquinho mais, sim? Digam o que acham. Deixem suas opiniões, boas ou não. Gosto muito de saber o que estão achando e de responde-los... Mesmo com a tendinite extremamente presente. ): Enfim! Boa leitura.

"Pode ser de terror, Phill?" Anthony perguntou.

Estávamos entre as várias prateleiras da locadora por volta de meia hora. Como era sábado e não tinha plano algum resolvi aceitar o convite de Anthony e ir para seu apartamento com a promessa de que assistiríamos alguns filmes e comermos pizza.

Era o que precisava. De uma companhia e o moreno vinha novamente preenchendo meus dias, tanto no trabalho como também fora dele. Aceitava seus convites e confessaria gostar muito de sua presença já que me via sozinho a maior parte do tempo.

"Não era comédia até cinco minutos atrás?" Perguntei já rindo do seu revirar de olhos ao me escutar. "Estou vendo que não sairemos daqui tão cedo"

"Temos a noite toda. Mas acho que vou levar os dois, caso o terror seja muito assustador trocamos para comédia. O que acha?"

"Por mim tanto faz" Dei de ombros.

Peguei um filme com a intenção de ler o resumo contido atrás, porém meus olhos passavam pelas palavras sem lê-las de fato. Estava com a mente longe demais para que pudesse me dar conta do que se tratava o filme.

Pensava em Peter.

Pensava onde ele deveria estar a àquela hora, o que estaria fazendo. Esse era o tipo de pensamento que habitava minha mente, se tornou extremamente normal.

Íamos nos falando com frequência, isso me tranquilizava de certa forma. Ele me ligava à maioria das vezes tarde da noite, o que infelizmente nos obrigava a desligar rápido porque um dos dois sempre acordaria cedo no dia seguinte. De todo jeito conseguíamos partilhar um pouco do nosso dia e matar a saudade acumulada por conta dos três meses já separados.

"Que animação! Espero que não seja contagiante" Brincou.

"Me desculpe. Irei melhorar, caso contrário me largará aqui mesmo"

"Não faria isso, Phillzinho. Irei te animar"

Meu amigo abraçou-me pelos ombros e nos conduziu até o caixa para registrarmos os filmes escolhidos.

Quinze minutos mais tarde já subimos para seu apartamento situado no oitavo andar de um grande prédio. Já conhecia o local, pois havia estado ali algumas vezes.

"Meu irmão está aqui" Anunciou assim que abriu a porta e encontrou as luzes acessas.

Por incrível que possa parecer nunca havia encontrado seu irmão nas visitas que lhe fiz. Sabia pouco do mesmo, apenas que era alguns anos mais novo que Anthony e estudava psicologia . Eles pareciam ter um bom relacionamento pelo o que escutava Anthony dizer, caso contrário não morariam juntos. Meu amigo havia dito que a separação dos pais os uniu ainda mais, assim fazendo com que fossem praticamente melhores amigos, assim como eu e Julie éramos.

A pipoca foi preparada para o primeiro filme que seria o de terror, com a promessa de que depois pediríamos pizza e assistiríamos a comédia.

Estávamos já por volta dos quinze minutos do filme quando a porta de um dos dois quartos abriu. Um garoto idêntico a Anthony saiu do cômodo vestindo apenas uma bermuda azul e meias brancas. Seus cabelos compridos estavam desgrenhados, tinha a feição de quem havia acabado de acordar.

"Temos visita, Evan" Anthony o censurou.

"Oi" O garoto acenou para mim, logo depois se virando para Anthony ao meu lado. "E qual o problema?" Se referiu a sua censura.

"Suas vestes"

"Não enche, Thony! Estava dormindo" Evan respondeu o que já era óbvio. "E muito obrigado por ter me convidado para a sessão de cinema" Disse divertindo.

Não esperando pelo convite jogou o corpo magro ao lado de Anthony para nos acompanhar.

Minha noite foi tranquila. Consegui me divertir bastante com Anthony e o irmão. Empanturramo-nos de pizza e refrigerante e assistimos aos dois filmes, ou pelo menos tentamos uma vez que as conversas paralelas não nos fizessem perder a atenção.

Depois de muita insistência aceitei dormir ali, pois já era tarde para voltar. Dormiria no sofá uma vez que os dois fossem para suas respectivas camas, mesmo que Anthony tenha oferecido a sua.

Devia ser por volta das três da manhã quando senti meu celular vibrar abaixo de mim, consequentemente me fazendo sobressaltar por já estar dormindo profundamente.

Não consegui nem ao menos enxergar o nome de quem ligava no visor por estar extremamente grogue pelo sono interrompido.

"Alô" Atendi.

"Pequeno..."

"Peter?"

"Sim, quem mais te chamaria assim?" Brincou. "Me desculpe por ligar nos horários mais impróprios"

"Hum, tudo bem..." Respondi. "Não sabia que ligaria, se não teria esperado" Falava baixo para não acordar os outros ocupantes do apartamento. "Como foi o jantar com seu pai?"

"Tudo bem, ele queria me apresentar alguns de seus amigos. Não conversamos nada além de trabalho, o que foi entediante depois de algum tempo" Suspirou. "E você, o que fez?"

"Filme e pizza com Anthony" Respondi simples.

"Por que está falando baixo? Quase não posso escutá-lo"

"Porque não quero acordar ninguém"

"Onde você está, Phillippe?" Seu tom de voz mudou, se tornou sério.

"No apartamento do Anthony. Já era tarde para voltar, então acabei ficando por aqui mesmo. Pensei em Dylan e deixá-lo sozinho, mas voltarei logo cedo e..."

"Tinha mesmo necessidade de ficar ai?" Sua pergunta soou extremamente rude. Assustei-me ao escutá-lo falar daquele jeito, o que me fez até mesmo demorar ao responder. "Tinha Phillippe?" Repetiu.

"Não" Não havia muito que falar. Não tinha necessidade de ficar, apenas não achei que seria errado aceitar o convite de um amigo.

"Então por que está ai? Só falta me dizer que está dividindo a mesma cama que ele!"

"Porque quero estar! Pare com isso, Peter. Acha que seria melhor voltar sozinho tarde da noite apenas para evitar um futuro ciúmes da sua parte?"

"Engraçado pensar que enquanto estou em um jantar com meu pai você está se divertindo com seu amiguinho" Seu riso a seguir veio baixo e carregado de ironia.

"O que?" Precisava que ele repetisse para ter certeza do que havia ouvido.

"Não acho que precise repetir"

"E eu não acredito no que ouvi, de verdade!" A essa altura minha voz já havia se aumentado gradativamente. "Você quer o que? Que fique sozinho o tempo todo só porque você não está aqui?"

"Melhor assim do que com esse cara!"

"Está falando sério?" Minha incredulidade era quase palpável. "Não acredito no egoísta que está sendo!" Respirei fundo algumas vezes para então continuar. "Você esteve em uma boate Peter. Quem me garante que não saiu outras vezes? Não pode esperar que fique esperando de braços cruzados até que venha me ver"

"Isso não vem ao caso agora..."

"Vem sim. É claro que vem! Tenho tanto direito quanto você"

"Não quero que encontre com esse cara"

"Me poupe, Peter!"

"Ele não te quer apenas como amigo..." Insistiu.

"Chega!" Gritei. "Chega das suas ordens. Você não é meu dono"

"Phillippe, me escute..."

"Não Peter. Tenho sido compreensivo, mas isso não lhe da o direito de me comandar"

"Phillippe..."

"Tchau, Peter"

Encerrei a ligação.

Meu peito subia e descia rapidamente ao tentar controlar a respiração e me acalmar da briga recente.

Ainda não conseguia acreditar no quão egoísta Peter conseguia ser. Estava extremamente longe e ainda assim se achava no direito de decidir com quem sairia. Era ridículo.

Ridículo.

Alguns segundos mais tarde minha respiração já havia se tornado normal e foi então que notei dois pares de olhos em minha direção. Minhas bochechas queimaram no instante em que vi Evan e Anthony me olhando como se sentissem dó de mim.

"Tá tudo bem cara?" Evan perguntou quebrando o silêncio.

"Sim..." Respondi baixo. "Me desculpa por acordá-los, eu não queria..."

"Tudo bem, Phill. Quer conversar?" Perguntou Anthony.

"Não. E-eu acho que vou embora"

Meu constrangimento estava extremamente visível. Era até mesmo difícil saber o real motivo. Não podia deduzir se havia surgido por conta da briga com Peter ou por tê-los acordado ao me alterar com o mesmo.

"Claro que não! Vai ficar onde está"

"Acho melhor Anthony..."

"Pare com isso, não vai sair daqui a essa hora. Volte a dormir, iremos fazer o mesmo e amanhã logo cedo eu mesmo o levo"

Não iria adiantar discutir, era claro que não conseguiria sair dali. Concordei em um aceno rápido para em seguida Evan e Anthony voltarem para seus respectivos quartos.

Três semanas depois.

Os dias passavam muito rápido desde a partida de Peter. Quase não via o ponteiro do relógio trabalhando. Talvez houvesse pego o costume de não observá-lo muito pelo fato de não querer ter noção do tempo. Seguia minha rotina quase de olhos fechados, não precisava dos mesmos abertos para que tivesse noção de cada passo que daria. Seriam sempre iguais.

Depois da última briga com Peter o procurei dois dias depois. Ele não se desculpou por tudo o que disse e no fim acabei aceitando nossa reconciliação silenciosa. Tudo o que menos queria era estar brigado com ele, pois a distância já era suficiente para me causar dor.

Estava um domingo ensolarado, por isso resolvi colocar a coleira em Dylan e caminhar com o cão até o Central Park. Ao chegarmos à esquina da rua onde morava quase me arrependi pela ideia de dar um passeio com ele. Dylan praticamente me arrastava extremamente animado por ter permissão de sair das quatro paredes onde estava sempre enclausurado. Porém depois se cansou e passou a caminhar ao meu lado devagar.

Entramos pelos grandes portões do parque já avistando várias pessoas por ali. Algumas faziam piqueniques em família ou só aproveitavam a sombra de alguma árvore.

Optei por me sentar em um dos bancos de frente para o grande lago, apenas para aproveitar um pouco do ambiente calmo. Dylan sentou-se ao meu lado e sem que eu esperasse encostou a cabeça em minha coxa emitindo um som alto, como um choro.

"Eu sei, também sinto a falta dele" Me referi a Peter.

Passei a acariciar as orelhas peludas do cão o vendo fechar os olhos em aceitação.

Deixei-me levar em pensamentos para o passado, me lembrava de quando era criança e tudo parecia ser tão mais fácil, onde a única preocupação era com o dever de casa e fazê-lo rápido para ter o dia livre, dia esse que sem duvida alguma passaria com Frankie. Não pensava muito sobre o amor, mas as vezes que parava para pensar deduzia que amor era um sentimento quase raro e que quando amasse seria para sempre. Por volta dos meus doze anos escutava meus colegas de colégio falarem sobre as meninas, de certa forma achava estranho, eram pensamentos e vontades que não existiam em mim. Queria viajar, ser alguém importante para que trouxesse orgulho para meus pais. Amor? Isso se quer parecia algo para mim. Minha vida foi construída perfeitamente quando sonhava acordado.

Uma palavra falsa. Nada era perfeito, buscasse essa perfeição onde quer que fosse. Nunca encontrariam.

Eu mesmo estava longe da perfeição. Perguntava-me onde é que estava aquele garotinho sonhador, com tantos planos para si, tantos objetivos a serem compridos. Perguntava-me se aquele garoto teria orgulho do que sou hoje. No fim sabia a resposta e essa seria um não.

Durante toda nossa vida temos tantos sonhos. Alguns deles duram até nosso fim, já outros são deixados pelo caminho. Já sonhei muito, como qualquer outra pessoa... Porém ao me ver sozinho em um banco de parque, ao redor de tantas pessoas acompanhadas, me sentia pequeno.

Passava a ser humilde o suficiente para ter apenas um sonho:

Queria ser feliz. Tão feliz que não pudesse parar de sorrir. Queria que a alegria transbordasse como um copo cheio de água.

Contudo sabia que a felicidade não existia por inteiro. Não podemos ser felizes às vinte e quatro outras de um dia. Alguém um dia me disse que a felicidade não existia e sim os momentos felizes. No mesmo dia chorei por tempo o bastante, era como se aquela pessoa estivesse quebrando um dos meus sonhos. Não entendi o porquê de dizer algo tão intenso e capaz de desiludir qualquer um. Gostaria agora de dizer que aprendi, demorou, porém aprendi e entendi que era verdade. A mais pura verdade.

Passamos uma parte de nossas vidas fechando os olhos para as verdades, não as aceitando e mentindo para nós mesmos.

Quem nunca fechou os olhos fortemente e pediu para poder voltar no tempo para consertar os erros? Para fazer algo diferente na intenção de mudar o rumo que a própria vida tomou?

Mentira se alguém dissesse que não. Eu mesmo fazia isso. O motivo? Talvez para não estar sozinho como agora.

Não me arrependia de ter me apaixonado por Peter de forma tão intensa e eloquente. Queria apenas não sentir a dificuldade sempre presente entre nós. Nosso começo já havia sido tão maçante!

A verdade era que ao pensar em nós não conseguia chegar a uma conclusão. Não existia nada que explicasse o que tínhamos. Para mim era amor e isso bastava como explicação.

"Acho que já está na hora de voltarmos"

Voltei a traçar o caminho de volta. O sol já havia começado a se pôr por trás das árvores fazendo com que a visão de tal fenômeno fosse linda. Uma brisa fria já se fazia presente, a maior parte das pessoas se levantavam em busca da saída.

A caminhada de volta foi mais rápida. Logo já estávamos na pontaria do prédio. Parei para checar se tinha correspondências para mim e me repreendi por demorar tanto para pegá-las. Algumas ou a maior parte eram contas, mas um envelope grande despertou minha curiosidade. Subi pelo elevador até meu andar. Coloquei água fresca e ração para Dylan e enfim pude abrir o envelope misterioso. Talvez nem tanto. O endereço era de Montreal, mais precisamente onde morava e estava em nome de Julie Ann Clarke. Ao retirar do envelope me deparei com o convite de casamento de minha irmã. Havia seu nome e o de Alex logo acima. Abaixo endereço e horário da cerimonia. O convite era endereçado para mim e para Peter.

Não pude evitar que meus olhos se enchessem de lágrimas.

Minha irmã iria casar dali a apenas um mês e meio.

Notei um tempo depois um post-it rosa, o que era a cara de Julie, colado por dentro da abertura do envelope onde estava escrito com a letra de minha irmã.

Estamos todos ansiosos para conhecer o homem que roubou seu coração

Decidi-me por avisar Peter sobre o convite e claro, lembra-lo que sua presença era essencial.

Não tinha certeza se estava trabalhando, não lembrava de ouvi-lo dizer que trabalharia no domingo, então arrisquei ligar.

"Oi, amor" Ele atendeu.

"Está no hospital? Se estivesse posso ligar mais tarde"

"Não. Estou na casa dos meus pais" Respondeu. "O que devo a honra da sua ligação tão cedo? Costumamos nos falar mais tarde"

"Eu sei, mas precisei ligar agora. O convite do casamento da Julie chegou!" Não pude controlar minha euforia.

Julie sempre falava sobre se casar. Já havia escutado como seria seu vestido inúmeras vezes. Era o sonho de minha irmã se casar e ter direito a tudo. Não poderia deixar de me sentir tão feliz quanto ela deveria estar.

"Ah, isso é maravilhoso, Phill!"

"Sim. E tem mais, você está sendo obrigado a comparecer nesse exato instante" Brinquei. "Julie quase exigiu que estivesse presente. Claro, em palavras mais bonitas, mas posso deduzir que ela não estava tentando ser amável"

"Ir para Montreal em pleno começo da minha residência? Não sei se será possível, Phillippe"

"Será em um sábado. Ainda temos tempo para que possa se planejar melhor. Por favor, não pode me deixar ir sozinho" Quase supliquei.

Meus pais sabiam de Peter por alto e haviam deixado claro que queriam conhece-lo. Sem contar Julie que sempre que me ligava fazia muitas perguntas sobre ele e sobre quando o conheceria.

"Qual a data?"

"Dia doze de julho"

Peter suspirou alto do outro lado.

"Dia doze?" Perguntou.

"Sim. Algum problema?"

"Na verdade sim..."

"Ah não, Peter! Isso é muito importante para mim. Preciso que vá comigo, estão esperando por isso" Tentei justificar.

"Eu sei, eu sei. É só que terei uma convenção e não posso me ausentar de jeito algum"

"Não acredito nisso!"

Parei de escutar Peter tentando se explicar assim que voltei a ler o post-it rosa ainda em minhas mãos.

O destino parecia estar mesmo contra mim. Não só ele com todo o resto também.

Notas finais
Obrigado por cada um que acompanha.