Notas iniciais
Olá! Como estão? (: Depois de bastante tempo longe por conta da manutenção do Nyah e da minha preguiça...:x Tem capítulo novo! Antes vou deixar uma foto do "Peter" aqui para terem uma ideia dele depois dos meses que se passou. http://poesiatragica.tumblr.com/post/87474435736 Mais para o fim do capítulo coloquei uma música que se encaixa com o que vem acontecendo. Vou deixar o link do vídeo. Acho que seria legal escutá-la enquanto leem a última cena. https://www.youtube.com/watch?v=ZdBfrO2-6ns O capítulo está maior para agradar aqueles leitores que pediram, então deixem muitos reviews, hein? Boa leitura e até ali em baixo. *-*

Minha mala já estava pronta há algum tempo. Era sexta feira e pegaria o avião por volta das nove da noite. Sozinho.

Depois de escutar pedidos de desculpas de Peter e várias explicações que para mim não serviam de nada, acabei me conformando de que ele não me acompanharia no casamento de minha irmã.

Não posso dizer ter sido fácil aceitar, porém tentava ser compreensivo para que a mágoa não se tornasse ainda maior, isso é claro, se fosse possível. Não chorei, não implorei. Resolvi pelo meu próprio bem me conformar e acreditava estar lidando bem com isso.

A distância entre mim e Peter se tornou suportável depois de algum tempo. Era triste para mim mesmo dizer em voz alta que estava me acostumando com tal fato. Nossas ligações já não aconteciam com a mesma frequência, nós simplesmente não nos importávamos mais, era o que parecia. Não existia nada acordado, ele deixou de ligar e eu parei de insistir em nos mantermos fortes.

É irônico e extremamente engraçado como a realidade às vezes pode nos pegar desprevenidos. Em um dia me sentia andar sobre nuvens, tão contente e realizado ao ter a pessoa que amo ao meu lado. Mas no seguinte é como se tudo não passasse de um sonho. Um sonho que uma hora teria que ser interrompido ao acordar para a realidade.

Dylan ficaria com Anthony. Meu amigo se ofereceu para cuidar do cão. Como para mim seria terrível deixá-lo sozinho aceitei deixá-lo aos seus cuidados.

Fui avisado que o taxi já havia chego. Peguei minha mala e desci até o térreo.

Não demorou muito para que meu voo fosse anunciado e fosse liberado para embarcar. Seriam algumas horas até chegar a Montreal onde meu pai me buscaria no aeroporto, por isso dormi boa parte da viagem, só acordando meia hora antes de aterrissarmos.

Já no aeroporto avistei meu pai com cara de poucos amigos, tinha certeza de que havia acordado a pouco para que pudesse me buscar. Não passava das duas e meia.

“Como foi a viagem, meu filho?” Perguntou.

O velho John não era muito de abraçar ou demonstrar algum tipo de afeto, por isso se limitou em apenas sorrir e desferir alguns tapinhas em minhas costas.

“Tranquila” Respondi. “Achei que iria atrasar, assim não lhe tiraria da cama tão cedo, mas me enganei”

“Está tudo bem, não é sempre que vem para Montreal. Estou feliz que esteja de volta”

“Eu também pai. Eu também...”

Chegamos sem muita demora, pois não havia trânsito algum por conta do horário. A casa estava em completo silêncio, tomada pela escuridão quando chegamos.

“Sua mãe preparou sua cama” Disse meu pai. “Irei voltar para a minha. Boa noite”

“Pai...” Chamei. “E Julie, como está?”

“Mal consegue dormir de ansiedade. Deve estar acordada”

“Imagino. Boa noite”

Vi meu pai entrar em seu próprio quarto, enquanto seguia para o meu ao fim do corredor. Deixei minha mala rapidamente com a intenção de ir até o de Julie, porém não tive tempo.

A porta se abriu calmamente e logo uma cabeça loira se esgueirou para dentro.

“Oi...” Julie entrou por completo fechando a porta atrás de si em seguida. “Escutei quando chegou” Falava baixo, era quase como se tivesse medo de quebrar o silêncio instalado no cômodo. “Se estiver cansado amanhã nos falamos”

“Não, Julie. Dormi a maior parte do tempo”

Não fui respondido. Minha irmã praticamente se jogou contra meu corpo, envolvendo seus braços a minha volta e os apertando com firmeza.

“Estou nervosa, Phill. Estou com medo de algo dar errado” Confessou rápido. “E se acabar tropeçando no vestido e cair na frente de todos os convidados? Isso seria horrível!”

“Ei, calma! Nada desse tipo irá acontecer. Precisa se manter calma e tudo dará certo” Tentei consola-la. “Será uma noiva linda”

“Eu não sei... Sabe que sou um desastre. Não sei como Alex chegou a me pedir em casamento e...” Julie se desvencilhou de meus braços para que pudesse olhar a nossa volta. “Espera! Estou tão ansiosa que nem lhe perguntei. Peter virá apenas na hora da cerimônia? Gostaria tanto de poder conhecê-lo antes”

Por longos minutos não soube o que dizer. É claro, poderia apenas proferir que ele não estaria presente, contudo as palavras pareciam como lâminas em minha garganta, não saiam com facilidade.

“E-ele não virá”

“Como não? Não vai me dizer que lhe avisou em cima da hora!”

“Não, não foi isso. Ele terá uma convenção, que segundo ele é muito importante”

“Ah!”

Julie deixou que seu corpo magro se sentasse em minha cama. Seus olhos percorreram meu rosto até que voltasse a se pronunciar.

“Isso é triste. Mamãe não parava de falar nele. Era Peter para lá, Peter para cá” Seus lábios rosados se contorceram em um bico pequeno. “Até eu queria vê-lo ao seu lado, seria muito bonito”

Mordi meu lábio inferior para que pudesse evitar o soluço que veio a seguir, mas foi em vão. Como havia dito, não chorei antes, porém escutar minha irmã dizer aquelas coisas me atingiu em cheio. Foi como se voltasse a ativar os sentimentos dentro de mim.

“Mas não fique triste, viu? Teremos outras oportunidades” Completou. “Iremos combinar outra em ocasião”

Apenas maneei a cabeça em concordância.

Julie mudou de assunto rapidamente. Falou um pouco mais sobre como seria a decoração das mesas e cores das flores -que segundo ela combinariam com seu buquê-, até eu obrigá-la a ir dormir, caso contrário estaria cansada para sua cerimônia.

_____

Era um sábado ensolarado. O céu estava completamente tomado por um azul turquesa, sem nuvem alguma.

O jardim de minha casa já estava repleto de mesas brancas enquanto algumas pessoas estendiam toalhas e arrumavam os arranjos de flores. Mais afastado estava o altar improvisado, onde aconteceria a cerimônia, com o longo tapete vermelho a sua frente. Se não soubesse que foi Julie a escolher tudo a dedo teria dito que acertaram em cheio em cada detalhe.

“Phillippe Arthur!”

Ao olhar para trás vi a figura magra de Frankie caminhando em minha direção com Thomas ao seu lado. Não pude evitar sorrir ao ver meus melhores amigos ali.

“Vocês...”

“Não achou que faltaria no casamento do meu próprio primo, não é?” Frankie disse brincalhão. “Insisti para que Thomas me acompanhasse. Acabei vencendo”

“É maravilhoso saber que estão aqui!”

Foi tudo o que pude dizer. Em seguida os dois me abraçaram e fizeram inúmeras piadas sobre minha carência.

A cerimônia começaria por volta das três horas, faltavam exatamente uma hora e meia para isso. Já estava praticamente pronto. Briguei um pouco por conta do terno desconfortável e por precisar pentear os cabelos para que parecesse digno de estar presente no altar.

Meu maior problema estava em dar o nó na gravata. Não fazia ideia de como se quer começava, já estava cogitando a hipótese de tirá-la e mentir dizendo tê-la perdido em algum canto quando minha mãe entrou sorrateiramente.

“Já lhe ensinei tantas vezes a fazer isso, Arthur. Como pode não ter aprendido?” Me repreendeu. Afastou minhas mãos e em questão de segundos fez um nó perfeito, mesmo que mais apertado do que deveria.

“Talvez não ache isso tão importante”

“Todo homem respeitável precisa saber dar nó em uma gravata!”

“Talvez eu não seja tão respeitável assim?” Disse como se fosse uma pergunta, mas para mim soava perfeitamente como uma afirmação.

“Não comesse com suas besteiras Arthur. Mas tarde iremos conversar sobre isso”

“Sobre o que exatamente?”

“Sobre Peter não vir. Sobre você amuado pelos cantos e até mesmo sobre estar mais magro desde a última vez que lhe vi”

“Mãe, por favor!”

Assisti uma das sobrancelhas finas e loiras de minha mãe se arqueando e então seus olhos penetraram nos meus capazes até mesmo de me fuzilarem.

“O que pensa Phillippe, que vou fingir que nada está acontecendo com meu filho? Ainda sou sua mãe, mesmo que se esqueça disso”

“Por que não pode fazer como o papai e não tocar nesse tipo de assunto?”

“Por que? Porque não quero vê-lo sofrer mais tarde. Seu pai acha que devemos deixar que faça o que quiser para que aprenda, mas se posso evitar que sofra, evitarei”

“Mãe...”

“Acabe de se arrumar e desça” Me interrompeu. Caminhou para a porta parando entre o batente. “Acho que preciso de mais batom. Não acha?”

Sem que ao menos eu pudesse pensar em uma resposta a porta foi fechada me deixando perdido sobre como minha mãe poderia mudar de assunto com tanta naturalidade. Julie era idêntica quanto a isso.

_______

A maioria dos convidados já haviam chego e estavam distribuídos nas várias cadeiras contidas no jardim. Meus amigos estavam na segunda fileira conversando animadamente sobre algo que não poderia ouvir de onde estava. Avistei alguns primos e tios por entre os convidados, assim como amigos de Julie e outros parentes distantes. Havia várias pessoas que não sabia se quer os nomes, deduzi serem convidados de Alex. Falando no noivo. Esse já estava agoniado, caminhando de um lado para o outro em demonstração claríssima de nervosismo. Eu me encontrava logo atrás, no altar, ao lado de minha mãe e um casal de padrinhos escolhido por Julie. Não havia um par para mim, o lugar que seria de Peter estava vazio.

“Acho que devo ir ver se está tudo bem” Sussurrou minha mãe.

“É normal às noivas atrasarem, mãe” Respondi.

“Eu sei, mas...”

“Olha, ela já está ali”

Julie estava no inicio do tapete vermelho já segurando no braço de meu pai.

Eu seria um dos mais suspeitos para falar sobre ela naquele momento. Estava linda, não que fosse muito diferente de qualquer outra noiva, usava branco como era óbvio, porém era minha irmã e isso já a tornava ainda mais bonita.

A marcha nupcial se iniciou, mas Julie não se moveu. Todos estranhamos até notarmos seu olhar na direção oposta do jardim. Minha irmã se soltou do braço de meu pai e caminhou até um convidado atrasado.

Peter.

Senti uma batida de meu coração falhar ao vê-lo ali. Estava tão diferente, seria até mesmo fácil não reconhecê-lo no primeiro instante. Estava todo de preto, camisa, calças e gravata. E usava barba.

Julie sorriu para ele e sem ao menos esperar recebeu um beijo no rosto da mesma. A vi dizer alguma coisa próximo ao seu ouvido até que Peter concordou em um aceno e se distanciou dela a passos largos.

Caminhava em minha direção.

Julie voltou a se postar ao lado de nosso pai, contudo esperou até que Peter estive ao meu lado no altar.

Não pude cumprimentá-lo como desejava uma vez que finalmente minha irmã caminhou sobre o longo tapete vermelho em direção ao noivo e enfim deu-se inicio a cerimônia já atrasada.

“Oi” Peter disse baixo em meu ouvido.

“Oi” Retribui rápido, não querendo tirar os olhos de Julie.

Senti a mão de Peter buscar pela minha e entrelaçar nossos dedos carinhosamente. Aceitei sem protestar. O contato me passou a tranquilidade que desejava nos últimos meses. Apertei meus dedos entre os dele e de relance o vi sorrir fracamente em resposta a minha atitude.

O padre falava mais do que tínhamos paciência, quase ninguém prestava atenção até que ele acabasse com suas palavras sem fim e chegasse logo na parte tão esperada.

“Alexander Baker, aceita Julie Ann Clarke, cuja mão está segurando, como sua legitima esposa? Promete solenemente amá-la e respeitá-la até que a morte os separe?”

“Sim” Respondeu Alex.

“Julie Ann Clarke, aceita Alexander Baker, cuja mão está segurando, como seu legitimo esposo? Promete solenemente amá-lo e respeitá-lo até que a morte os separe?”

“Sim” Respondeu uma Julie à beira de lágrimas enquanto olhava para seu noivo.

“Então eu os declaro marido e mulher”

Sem a confirmação do padre os dois se beijaram selando ali uma promessa.

O casal saiu primeiro para logo a seguir os convidados fazerem o mesmo se encaminhando para as mesas onde aconteceria a festa.

Quando todos estavam mais a frente Peter me segurou fazendo com que parecesse e o fitasse.

“Não esperava que viesse já que havia me dado certeza disso”

“Sim. Mas consegui fugir de meu pai lhe dando uma desculpa para vir até Montreal”

“O que disse?” Perguntei curioso.

“Isso não importa. O que importa é que consegui chegar a tempo, ou quase isso”

“Sim...”

“Ainda está bravo comigo?” Peter me perguntou fazendo com que não soubesse o que responder.

“Não é isso...” Tentei me justificar, porém não existia como fazê-lo uma vez que estava claro ser mentira o que quer que dissesse.

“Foi uma loucura para mim conseguir chegar a tempo, não tem noção. Estou tentando mostrar que me importo, mesmo parecendo que não”

“Eu sei, me desculpe por isso”

“Vem aqui...”

Peter me segurou pela cintura, sem que esperasse por uma confirmação minha puxou meu corpo para perto do seu quase colando nossos corpos. Uma de suas mãos subiram por minhas costas e a espalmou, com a outra livre correu os dedos por meu rosto o contornando sem pressa.

Meus olhos percorriam cada milímetro de sua face o vendo tão mudado. Parecia ter ganhado novas marcas de expressão, não que o deixassem menos bonito, isso nada deixaria. Sua barba castanha da cor dos cabelos não era muito comprida, porém também não era rente ao rosto. O deixava mais sério e até mesmo lhe dava mais idade do que realmente tinha.

“Deixou a barba crescer” Permiti que meu pensamento escapasse em voz alta.

“Não tenho tido muito tempo para cuidar disso todos os dias” Confessou. “Não gosta?”

“Não sei, é diferente”

Permiti-me tocá-la, sentir sua textura áspera. Não era de todo mal senti-la, mas deduzi que seria incomoda ao beijá-lo.

“Deve ser estranho te beijar” Completei.

“Tente”

Aproximei meu rosto do seu, quase me fazendo erguer os pés para alcança-lo, e sem muito tempo para pensar Peter me roubou os lábios e total atenção ao colar nossas bocas. De inicio era um beijo gentil e repleto de saudade, contudo logo se tornou urgente, rápido demais. Nossos lábios se encaixavam com perfeição, mesmo que depois de tanto tempo sem fazê-lo era como se não houvesse tido tal pausa. Podia sentir sua barba fazer cócegas em meu rosto e não era de todo mal. Como havia dito, era diferente, até mesmo me agradava.

Ao sentir os pulmões pedirem por ar nos separamos. Peter selou nossos lábios algumas vezes antes de se afastar por completo.

“Senti tanta saudade” Proferi assim que retomei o fôlego.

O mais velho apenas sorriu em resposta, não disse nada. Puxou-me mais uma vez para junto de si e dessa vez me abraçou com força. Era sua forma de dizer um: Eu também.

E estar entre aqueles braços me fez sentir a segurança que me faltou em dias solitários. Sentir seu gosto ainda em minha boca era como se nada tivesse se perdido com o tempo. Éramos nós outra vez. Nós sem a distância, sem brigas ou saudades.

Nada estava para trás, parecia tudo retomado em seu devido lugar. Era uma ilusão, porém me decidi por fechar os olhos para a realidade e aproveitar enquanto houvesse tempo para guardar todas as lembranças que poderia carregar comigo quando voltasse para casa.

Peter estava ali, me abraçando, fazendo com que os ponteiros do relógio parassem para que nosso momento se tornasse único e quem sabe até mesmo eterno. E quando tudo parecia errado e não digno de uma luta era quando mais sentia vontade de me levantar e dar o melhor de mim para vencermos. Para vencermos a distância, para que houvesse esperança e talvez no fim um final feliz.

Pelos longos minutos que ficamos abraçados naquela parte vazia do jardim muita coisa me passou em mente, a maior parte dos pensamentos descartados por serem racionais demais. Queria me enganar, pelo menos por um momento.

“Vamos. Tenho algumas pessoas para te apresentar”

Peter segurou minha mão e caminhamos até onde acontecia a festa.

Foi difícil encontrar meus pais no meio de tanta gente. Fui obrigado a apresentar Peter para alguns parentes curiosos antes de chegar à mesa em que meus pais estavam sentados.

Dona Heloise se levantou em um salto ao nos ver se aproximando. Já meu pai continuou sentado nos observando.

“Peter querido! Arthur havia dito que não viria, foi uma grande surpresa”

“Acredito que tenha sido uma chegada triunfal, não acha? Praticamente interrompi a entrada da noiva” Peter disse entre risos.

“Por um bom motivo” Completei. “Mãe, pai, esse é Peter, meu namorado” O apresentei como devia ser feito. Não que não soubessem, mas achei que era necessário. “Peter, minha mãe Heloise e meu pai John”

“Noivo” Peter me corrigiu.

O mais velho soltou minha mão e educadamente beijou o rosto de minha mãe. Em seguida estendeu a mão para cumprimentar meu pai que retribuiu o ato da mesma forma.

“É um prazer conhece-lo Peter” Meu pai disse. “Ouvi pouco sobre você, mas me pareceu um bom rapaz”

Peter sorriu ligeiramente envergonhado antes de respondê-lo.

“Fico mais tranquilo. Seria péssimo não ser aprovado por vocês”

“Não diga isso querido, temos certeza de que Phillippe sabe escolher perfeitamente”

“Mãe!” A repreendi.

“O que é Arthur? Não disse nada mais do que a verdade. Você sempre soube escolher, começando por Frankie”

“Ok mãe, mas não precisamos ficar falando sobre isso” Voltei a repreendê-la.

“Não está mais aqui quem falou” Ergueu as mãos em sinal de rendição. “Seja bem vindo à família Peter. Espero que o casamento de vocês venha logo, já que é o próximo”

“Pode ser que demore um pouco, mas virá”

Minutos mais tarde já estávamos sentados à mesa servidos de champanhe enquanto escutávamos minha mãe falando sobre minha infância, o tipo de assunto constrangedor que toda mãe faz quando conhece o genro. Para mim não havia graça alguma, já Peter ria abertamente fazendo com que me sentisse ainda mais constrangido. Tentei desviar o assunto várias vezes e até mesmo repreender minha mãe, mas foi em vão. Meu pai já havia sido incluso na conversa, não havia mais o que fazer a não ser esperar que se cansassem daquilo.

Em certo momento quando uma tia parou para conversar com meus pais ganhei novamente a atenção de Peter.

“Você envergonhado consegue ser ainda mais encantador”

“Não estou envergonhado” Respondi rude.

“Não é o que suas bochechas coradas dizem” Os dentes brancos de Peter se tornaram visíveis ao que alargou o sorriso com sua própria resposta. “E bravo assim é ainda mais sexy”

“Peter...”

“Shh, será que não tem um lugar mais reservado para nós?” Perguntou extremamente próximo a meu rosto.

“Não pode estar falando sério” Disse no mesmo tom que ele usava. Não queríamos que ninguém pudesse nos ouvir.

“Nunca falei tão sério antes”

“Venha”

Aproveitamos meus pais distraídos o suficiente para levantarmos. Segurei Peter pela mão e o guiei até dentro da casa dos meus pais. Surpreendentemente não estava vazia, o que me irritou. Ignorando os presentes na sala o levei até o andar de cima. Minha intenção era irmos até meu antigo quarto, mas antes de chegarmos até ele fui empurrado para dentro do banheiro vazio e a porta foi trancada por Peter.

“Isso é loucura Peter. Alguém pode tentar entrar e...”

“Não pense nisso agora”

Minta enquanto ainda é cedo
Negue que você está com pressa
Chore e me diga para não me preocupar
Porque o que eu não sei nunca vai me machucar

Meu corpo foi empurrado até a parede fria e prensado contra a mesma pelo corpo de Peter. Uma de suas pernas foi posta propositalmente entre as minhas e sua coxa pressionou meu membro ainda adormecido. Os lábios dele procuraram pela pele de meu pescoço, sempre o seu alvo inicial, e então recebi vários chupões fracos na região. Meu corpo se arrepiava a cada toque de Peter e silenciosamente pedia por mais. Segurava sua camisa entre os dedos já deixando que gemidos baixos escapassem por meus lábios entreabertos. Ainda com os lábios perdidos entre meu pescoço suas mãos ágeis deslizaram meu terno por meus braços e então começou a abrir o botão de minha camisa um a um logo a escorregando também de encontro ao chão. Fiz o mesmo com seus botões, não com a mesma calma que ele. Não era de muita paciência para que pudéssemos enfim nos tocar sem que roupas nos atrapalhassem. Pude ver a corrente em seu pescoço com sua aliança pendurada, não foi possível evitar lembrar do episódio em que a colocou ali e senti algo dentro de mim doer.

Já com o tronco nu busquei pelos lábios inchados de Peter e os beijei com urgência querendo afastar aqueles pensamentos, querendo de alguma forma roubá-lo para mim em um simples contato.

Sua coxa entre minhas pernas se moveu mais uma vez fazendo com que gemesse entre seus lábios, o que o fez rir baixo em aprovação. Uma vez que houvesse tido o resultado esperado com aquele tipo de ato Peter insistiu até que meus gemidos já fossem altos o suficiente.

As últimas peças de roupas foram descartadas já com pressa. Nossos membros se tocavam vez ou outra fazendo com que o resto de sanidade se escorresse como água entre os dedos.

Respire, baby não se sinta culpado
Me engane, e então simplesmente vá embora
Me deixe. A verdade irá apenas me matar
Tem que ser, tem que ser desse jeito

Peter me guiou até a pia na outra extremidade do banheiro onde me apoiei e senti seu peito contra minhas costas. Uma de suas mãos me segurou pela cintura enquanto a outra segurou meu membro rígido e começou a me masturbar devagar, como se quisesse me torturar aos poucos. Senti seu membro ser forçado entre minhas nádegas ao que ia tomando seu lugar com um cuidado até mesmo exagerado. Ao estar por completo dentro de mim Peter parou de se movimentar.

“Tudo bem?” Perguntou contra minha orelha.

“Um minuto...” Pedi para que pudesse me acostumar com sua invasão.

Fazia meses que não tínhamos contato, por isso a dor era ainda maior sem preparação alguma. Peter era paciente e no tempo em esperou por uma confirmação minha não deixou de mover sua mão em meu membro para que me distraísse de alguma forma. Movi meu quadril contra o seu para que continuasse. Seus movimentos começaram lentos, mas tão prazerosos que nossos gemidos já se confundiam dentro do cubículo.

“Sentia falta de estar assim com você...” Peter disse entre gemidos. Foi quase impossível entender aquelas poucas palavras. Mas me fizeram sorrir ao conseguir.

Mais uma desculpa esfarrapada
Antes de você desistir de mim
Me dê algo para lembrar de você
Você não poderia me oferecer
um pouco de desonestidade?
Me prometa que vai tentar
Que vai mentir pra mim

Alcancei sua nuca e a segurei para que pudesse unir nossos lábios mais uma vez. Era difícil mantermos o contato por tempo o bastante sem perdermos o fôlego e precisássemos nos afastar para respirarmos.

Os movimentos de Peter se tornaram mais rápidos e frequentes acertando um ponto dentro de mim que quase me fez gritar ao senti-lo, fui evitado com a mão do mais velho sobre minha boca. Espasmos se tornaram constantes, senti que não me demoraria muito para me render. Não precisei avisar, o quadril de Peter se chocava contra minhas nádegas com mais rapidez na mesma velocidade em que sua mão trabalhava em meu membro.

Vá, seu avião não vai esperar
Devagar, para que eu entenda
E então você diz que me verá mais tarde
Sabendo que não me verá mais

Sem aviso prévio meu corpo todo foi tomado por um arrepio e me derramei entre os dedos de Peter que ainda se movimentava dentro de mim. O que não durou muito, logo ele também se rendeu se derramando em meu interior. Pude sentir quando o liquido quente escorreu por entre minhas pernas.

Peter saiu dentro de mim, mas continuou com o peito contra minhas costas enquanto tentávamos em vão recuperar a respiração.

“Eu amo você” Disse quase sem pensar muito.

E não havia o que pensar mesmo. Devia ser amor desde o dia que nos encontramos na porta da cafeteria. Era amor em todos os momentos, desde os bons até os ruins. Era amor que nos unia.

Mas seria o amor que nos faria chegar ao fim também?

Por favor, antes que você me largue
Me aceite mais uma vez
Me satisfaça, diga que me ama
Que você ainda não foi e mudou de ideia

“Eu também te amo meu anjo”

Peter me beijou a nuca e pescoço antes de se afastar para que pudesse se limpar e buscar por suas roupas jogadas em todos os cantos do banheiro.

Minta enquanto ainda é cedo
Negue que você está com pressa
Chore e me diga para não me preocupar
Porque o que eu não sei nunca vai me machucar

Mais uma desculpa esfarrapada
Antes de você desistir de mim
Me dê algo para lembrar de você
Você não poderia me oferecer
um pouco de desonestidade?
Me prometa que vai tentar
Que vai mentir pra mim

Notas finais
E então? O que acharam da "surpresa" do Peter em aparecer repentinamente? E esses dois, ficam bem de uma vez ou não? Me contem tudo o que acham! Até mais. Beijos.