Meu amor está ao seu lado.

17 Perdendo uma parte de mim.


Ele dirigia em uma velocidade reduzida ao que a rua permitia, vários carros buzinavam ao passar por ele e ter que diminuir a velocidade, isso quando não lhe xingavam, o que confessaria estar adorando.

“Não entrarei. Me deixe em paz!”

“Isso é ridículo, estou parando o trânsito e te pedindo, por favor, para entrar nesse carro”

“E eu já disse que não entrarei” Respondi enquanto caminhava mais rápido.

“Pare de drama Phillippe!”

“Agora é drama? O que acha de irmos a alguma loja comprar roupinhas para seu novo bebê? Isso te deixaria contente?”

“Por favor?”

“Não”

“Quero conversar com você direito”

“Faremos isso em outra hora. Agora vá embora”

E enfim ele se rendeu. Fechou o vidro e trocou de faixa acelerando e logo fugindo do meu campo de visão.

Precisava de um tempo para pensar, era muito informação para que eu pudesse aceitar. Eu me sentia usado, deixado como segunda opção, não que pudesse desacreditar no amor de Peter, acreditava, pois olhava em seus olhos quando ele dizia me amar, porém não me colocava como prioridade em sua vida e isso era o que mais machucava, desde o inicio eu soube que não merecia isso. Mas alguém já conseguiu controlar seus sentimentos? Tenho quase certeza de que não.

________

Sai para almoçar com Anthony como fazia todos os dias, estávamos no restaurante de costume e percebia que ele me observava enquanto mastigava lentamente. Não havíamos trocado muitas palavras desde o momento que saímos, não me sentia bem para contar sobre o ocorrido, tinha certeza das coisas que iria escutar e deixar Peter não me passava pela cabeça.

“Aconteceu alguma coisa?” Perguntou quebrando o silêncio incomodo.

“Não, nada” Menti.

“Phill, eu te conheço melhor do que imagina”

“Briguei com Peter” Me limitei a apenas dizer o motivo do meu comportamento.

“Foi muito sério?”

“Foi”

“Não quer falar sobre isso?” Seu tom de voz era calmo, acolhedor.

“Não”

“Tudo bem, não irei insistir”

Continuamos comendo ao voltarmos ao silêncio, ou melhor, ele voltou a comer, minha comida estava praticamente intacta, não havia tomado café e não conseguia almoçar. Sentia vontade de correr para um lugar vazio e ficar por lá até que o nó em minha garganta sumisse. Sabia que precisava conversar com alguém, desabafar e mesmo que Anthony fosse um bom amigo não era a pessoa mais indicada para tal, resolvi ligar para Thomas.

“Já venho” Disse a Anthony.

Me encaminhei até o banheiro do local já discando o número decorado do loiro. Não foi preciso muitos toques até que o mesmo atendesse.

“Phillzinho!” Atendeu animado.

“Oi Thomy”

“Está tudo bem?” Perguntou ao constatar pelo tom de minha voz que a resposta para sua pergunta seria um não.

“Não”

“Imaginei. O que houve?”

“Gostaria de conversar pessoalmente, pode ser? Estou precisando de você” Admiti.

“Claro!” Respondeu rapidamente. “Pode passar aqui quando sair do trabalho?” Se referia à cafeteria em que trabalhava.

“Passarei...”

“Ei, fique bem, ok?”

“Pode deixar”

E com isso a ligação teve seu fim.

O dia correu lentamente, quase como se fosse proposital, tudo parecia conspirar contra mim e até mesmo havia levado broncas por meu trabalho ter sido feito sem muita atenção, só precisava de um minuto para poder respirar e quem sabe me sentir aliviado de todo o peso que estava carregando desde cedo.

Quando meu expediente acabou tratei de caminhar até a cafeteria e Thomas já me esperava na calçada.

“Vamos dar uma volta” Sugeriu. Abraçou-me pela cintura e caminhamos alguns quarteirões até entrarmos no parque que havia no bairro. “Agora me conte tudo o que houve” Pediu.

Lhe contei desde a reconciliação com Peter até o momento em que me disse sobre Alicia querer tentar engravidar novamente. Thomas escutou tudo com atenção sem me interromper em momento algum, sua expressão foi à mesma desde o inicio.

“Não acho que fui errado em ficar magoado, nós estamos juntos e aquelas palavras foram quase como um tapa na cara” Finalizei.

“Você está certo” Foi tudo o que ele disse por certo tempo até continuar. “Acho que você não espera que eu lhe diga para deixá-lo, não é?” Assenti. “É o que qualquer um diria e confesso ser o que penso, mas você o ama e isso torna as coisas mais complicadas. Bom, Peter disse que a Alicia quer tentar e não ele, talvez você deva exigir dele uma explicação sobre isso para que possa ter certeza se essa vontade é realmente só dela ou dos dois”

“Ele quer conversar”

“É o que devem fazer, colocar tudo em seu devido lugar, pode ser que isso seja deixado de lado”

“Às vezes me sinto de mãos atadas, Thomy. É como não ter direito nenhum sobre ele, entende? Não consigo exigir certas coisas porque desde o começo sabia que seria assim”

“Vocês se amam, isso foi admitido em voz alta, você tem direito sim” Me encorajou ao dizer essas palavras. “Tudo irá ficar bem se conversarem com calma, não tenha medo de mostrar como está se sentindo”

“Farei isso” O abracei forte tentando mostrar o quão agradecido estava por seu apoio.

“Agora preciso te contar algo” No mesmo instante seu semblante se tornou ainda mais sério fazendo com que um frio percorresse meu corpo. “Irei me mudar” Disse sem rodeios.

“Se mudar? Como assim se mudar?” Minha voz saiu desesperada. Ter Thomas longe era algo que não podia imaginar, muito menos naquele momento.

“Consegui um estágio em Los Angeles...” Suspirou profundamente. “Foi difícil aceitar, mas será uma grande oportunidade e poderei continuar o curso em uma faculdade perto…”

Thomas continuou se justificando porém não pude escutá-lo até o fim. É claro, estava feliz, Thomas merecia tudo o que havia de melhor e a única coisa que eu deveria fazer era apoiá-lo e mostrar o quanto estava feliz por tal notícia, mas eu já chorava. Era difícil me ver sem aquele que me seguraria a qualquer momento e saber que estaria longe me assustava, parecia que estava mais uma vez perdendo uma parte de mim e doía!

As lágrimas vinham silenciosas até o momento em que senti a mão de Thomas em meu ombro, ele me puxou e seus braços me apertaram contra seu corpo. Os soluços vieram mais altos e então acompanhados pelo do loiro.

“Não vamos nos separar só por culpa da distância. Posso vir te visitar e você também, são só algumas horas”

“Sim…” Concordei involuntariamente.

“Vai ficar tudo bem” Apertou-me mais uma vez entre seus braços. "Pode me ligar a hora que quiser, estarei sempre pronto para te escutar, nada irá mudar, Phill"

"Quero ver quando arrumar um namorado por lá e me esquecer"

"Isso nunca irá acontecer. Eu te amo Phillippe" Me beijou a bochecha demoradamente.

"Eu também te amo, não se esqueça de mim" Pedi também depositando um beijo em seu rosto.

Aquele abraço infelizmente não conseguiu me tranquilizar com era de costume. Já era capaz de me sentir perdido sem Thomas, muita coisa podia mudar ao perdê-lo.

Notas finais
O Phillippe ao perder o Thomas talvez possa se sentir perdido, existe muita coisa que irá passar até finalmente encontrar um momento de paz, por isso espero que estejam gostando. Me digam viu? E até a próxima. :*