Notas iniciais
Olá! *-* Não tenho muito o que dizer, então vamos direto para o capítulo, ok? No último dia do ano! Vou dedicá-lo a Amanda. Presente de aniversário adiantado. Boa leitura!

Frankie não me respondeu de imediato, ao invés disso caminhou lentamente por todo o local, parecia escolher as palavras certas. Já eu, esperava impaciente por elas, me sentia tremer por dentro.

“Nunca pensei que um dia teria que explicar o motivo... Sabe, não acreditava que iriamos nos reencontrar novamente”

Aquelas palavras doeram. Mais uma vez senti como se a culpa fosse minha.

“Não, a culpa não é sua” Disse como se lesse meus pensamentos. “Nunca quis te machucar, essa é a maior verdade” Frankie soltou o ar fracamente e finalmente suas palavras ficaram mais claras. “Nunca tive duvidas sobre meus sentimentos por você, porém posso dizer que os confundi. Sempre existiu atração e por um bom tempo tentei fugir disso, não achava certo sentir essas coisas por uma pessoa que considerava como um irmão, até o dia em que me contou gostar de garotos... Pensei que finalmente poderia suprir meus desejos e aquele primeiro beijo não foi nada mais do que isso. Desejo”

Se fosse possível, poderia dizer que minha mente estava ainda mais confusa. Nada do que Frankie estava dizendo era novo para mim. Sempre soube que no inicio, aquele primeiro contato era desejo da parte dos dois, minha por estar provando a primeira vez e dele por se sentir atraído por mim. Sempre soube daquelas coisas e não entendia ainda onde ele queria chegar.

“Tudo bem, Frankie, mas...”

“Espere, você vai entender” Me interrompeu voltando a falar. “Gostava do que tínhamos, de certa forma me sentia seguro por te ter por perto e acredito que foi isso o que me confundiu. Depois de alguns meses comecei a me dar conta que o amor que estava te dando era apenas amor de amigo, mesmo que tenha sido muito forte, era só isso. Passei a me sentir culpado e por isso te evitei por alguns dias. Eu sei o quão errado fui e me arrependi por tê-lo iludido daquela forma. Queria que pudesse entender que estava te protegendo, acabando o que quer que tínhamos para que mais tarde não fosse ainda mais difícil”

Achei que depois de todo aquele tempo, quando escutasse uma explicação não fosse ser tão difícil.

Estava errado.

Nunca havia passado em minha cabeça que Frankie me enxergasse apenas como amigo, não depois do que tivemos juntos. Ele me ajudou a me encontrar e entender o que eu era, foi com Frankie que perdi minha virgindade! E ao escutar que ele me via apenas como amigo foi como se me sentisse usado. Não era justo.

“Então foi isso? Conseguiu entender o que sentia e se mudou para longe?”

“A mudança não foi programada. Meu pai conseguiu um bom emprego, mas precisaria se mudar. Como ainda não tinha certeza se iria para faculdade resolvi aproveitar a chance e ir com ele. Sabia que te magoaria muito e a distância iria ajudar nisso”

“Sua mudança só fodeu com minha cabeça!” Explodi no mesmo instante. “Tem noção de como me senti? Você não quis me explicar nada, simplesmente me procurou para dizer que estávamos acabados e foi embora!”

“Eu sei, Phillippe... Me arrependo por isso. Sei que fui covarde. Só não aguentaria lhe ver sofrendo, era muito para mim” Sua voz saia baixa, completamente arrependida.

“Não sei se sinto ódio ou gratidão” Confessei.

“Como assim?”

“Sofri muito com o que aconteceu, quis te procurar onde quer que fosse e cobrar ao menos uma explicação. Como não sabia onde procurar decidi me mudar para Nova Iorque, sem emprego ou um lugar para ficar, era loucura, mas eu estava cego”

“Me desculpa, nunca quis te causar isso...”

“Já é tarde para isso, se desculpar não fará com que nada mude. Todo esse fim conturbado me fez crescer, exigi isso de mim mesmo. Cresci de certa forma forçado, só que me sinto agradecido por isso, precisava aprender a lidar com os tombos que levaria ao decorrer da vida e hoje, mesmo que não possa dizer estar completamente preparado para eles, sei como lidar. Aquele seria o primeiro de muitos”

Eu o estava perdoando, mesmo que não usasse as palavras certas para isso. Era orgulhoso demais para dizer em bom tom.

Frankie não respondeu, ao invés disso pousou seus olhos sobre os meus. Correspondi da mesma forma.

Talvez não precisássemos dizer mais nada. Para alguns perdoar não fosse o certo a se fazer, eu mesmo cogitei a hipótese de simplesmente lhe dar as costas e ir embora sem explicações, como o mesmo já havia feito. Porém não era o que meu coração gritava, como nunca havia acontecido antes, minha vontade estava completamente clara dentro de mim.

“Você me magoou muito...” Comecei e Frankie quis dizer algo, contudo o interrompi continuando. “Mas como disse, de certa forma isso me ajudou muito. Talvez não fosse preciso se mudar para longe, devíamos ter conversado e colocado tudo em seu devido lugar”

“Não acho que isso daria certo”

“Eu também não. Acredito que te bateria com um taco de beisebol e te colocaria para fora”

“Exatamente”

Permitimo-nos rir ao imaginarmos tal cena.

“Senti muito sua falta. Antes de conseguir sentir raiva, tudo era saudade. Meus pais estavam prestes a me levarem a uma consulta com um psicólogo... Não que eu fosse aceitar uma coisa dessas”

“E fugir de casa era sua melhor opção?”

“Não fugi de casa, babaca!”

“Ok, vejo melhoras. Já voltou a me insultar com esses elogios”

“Você nunca deixará de ser babaca”

“Não queria ter perdido sua amizade”

Ao dizer aquilo algo dentro de mim doeu. Algo como uma pontada forte e agonizante. Foi incrível como meus olhos de uma hora para outra se inundaram e arderam, cheios do liquido salgado que não gostaria de derramar. Já fazia muito tempo que não me permitia chorar quando se travava de Frankie, decidi bloquear qualquer sentimento relacionado a ele e construí muros para tal proteção.

Para minha surpresa os olhos esverdeados a minha frente já derramavam lágrimas pesadas. Não eram lágrimas de tristeza, tive certeza disso ao enxergar também seu sorriso cheios de dentes brancos e alinhados perfeitamente.

“Nós só demos uma pausa” Eu disse.

Era impossível segurar as lágrimas por mais tempo. Finalmente deixei que elas caíssem livremente sem a preocupação de me sentir fraco com o ato. Não existiu um pedido ou até mesmo uma prévia para o abraço que aconteceu. Simplesmente nos entregamos e deixamos que o contato fosse capaz de dizer tudo o que estávamos sentindo.

Às vezes nos damos conta que as palavras são só palavras, como atirá-las contra o vento sem esperar respostas.

Definitivamente, não precisávamos delas.

Tudo estava caminhando bem, como se minha vida estivesse de uma vez por todas entrando nos eixos. Os pesos dos meus ombros eram tirados aos poucos e a sensação era indescritível.

“Acho melhor voltarmos antes que pensem que nos matamos aqui dentro”

Apenas acendi e voltamos para a mesa mais leves e sorridentes.

_______

“Não acredito que teve um caso com seu chefe!”

Eu disse ainda surpreso com a confissão de Frankie.

Caminhávamos calmamente pelas ruas de Montreal. O frio ainda era terrível e o vento cortante fazia com que nossos rostos ficassem completamente dormentes. Saímos do restaurante juntos. Julie e Alex continuaram lá, resolvemos dar uma volta e conversamos mais, afinal, fazia muito tempo que não tínhamos a oportunidade.

“Não é como se você fosse santo, Arthur. Não me julgue, você teve um caso com um homem casado”

“Sim” Concordei

“E você o ama”

“Em momento algum disse isso”

“Não precisa. Consigo enxergar isso no seu olhar”

Frankie era a pessoa mais apta para me constranger e adorava fazer isso com a maior facilidade. Meu rosto já queimava por culpa do mesmo, não existia forma para disfarçar.

“Eu o amo, mais do que deveria” Disse.

“Então deve agarrar isso com todas suas forças...” Pausou para que alargasse ainda mais o sorriso estampado em seu rosto. “Merece ser feliz e o tal Peter parece estar tentando novamente”

“Só tenho medo, entende?”

“Entendo” Passou um braço em volta dos meus ombros me levando para mais perto do seu corpo, atraindo olhares de outras pessoas. “Às vezes precisamos deixar o medo de lado e mergulhar de cabeça. Podemos não ter a mesma chance duas vezes. O amor não vai esperar que seu medo passe”

“Talvez esteja certo”

“Talvez não. Só vai saber quando tentar”

Em certo momento Frankie tirou o braço antes em meus ombros e buscou por minha mão a segurando firmemente. Assustei-me com o ato e busquei por seus olhos, para que tivesse uma explicação, recebi apenas uma piscadela e acabei aceitando, apertando também minha mão contra a sua.

“As pessoas não estão gostando de nos ver assim, de mãos dadas”

“As pessoas que se danem, estamos confortáveis assim”

“Como nos velhos tempos”

“Como nos velhos tempos” Repetiu.

Depois de alguns dias na escuridão era como se a luz no fim do túnel estivesse cada vez mais próxima. Adorava a sensação de me sentir livre de medos e recusas. O perdão foi capaz de me fazer ver minha situação com outros olhos.

Terá sido consequência do espirito natalino? Talvez

Talvez.

Notas finais
E ai, o que acharam do Frankie? Espero a opinião de cada um, viu? Bom, desejo um feliz ano novo para todos. Repleto de realizações e felicidades. Que comecem 2014 com o pé direito. ;) Até a próxima. Beijos.