Notas iniciais
Oi oi! Demorei um pouquinho, porém estou por aqui. Colocarei a culpa na minha tendinite, é só escreve um pouquinho e então sinto dores horríveis. D: Enfim, tenho visto novas pessoas favoritando a fic e nunca as vejo nos reviews. Apareçam às vezes, por favor. Adoraria saber o que estão achando e me fariam muito feliz. Bom, boa leitura!

Três meses desde a última vez que estive com Peter. Havia se passado exatamente três meses que não nos víamos ou nos falávamos. Nos encontramos duas vezes sem querer e não trocamos nem apenas um comprimento, depois disso senti que Peter parecia tentar evitar me encontrar. Pensando em todo esse tempo separados sentia que talvez fosse essa a decisão tomada pelo moreno, voltar a viver sua vida com a esposa. Ver os dias passando e não ser mais procurado vinha me fazendo sofrer e chorar todas as noites antes de finalmente cair no sono.

O amor é em minha opinião o sentimento mais bonito que uma pessoa pode ter. Amava Peter como nunca pensei amar outra pessoa e sabia que muitos não conseguiam entender o motivo de ter aceitado tê-lo pela metade como vinha acontecendo há alguns meses. Apoiavam-me e estariam sempre por perto para me amparar, porém não entendiam como me tornei submisso diante de tal sentimento. Confessaria que nem em minha mente passou algo assim. Tudo aconteceu rápido demais e em certo momento me dei conta de que era dele. Inteiramente dele.

Nós não pensamos nas consequências antes de se afundar como eu pude fazer. Penso que teria sido bom nunca tê-lo visto na entrada daquela cafeteria, nunca ter aceitado sua carona e nem ao menos ter me atrevido a ligar para ele aquela primeira vez. Porém é tarde para arrependimentos, de nada importa se culpar quando tudo já havia tomado seu próprio rumo. Se não fosse por ele nunca teria provado do gosto do amor. Eu era completamente apaixonado por Peter e única certeza era de que isso não seria fácil de apagar tão cedo. Não que não houvesse tentado...

Um mês antes.

Era uma sexta feira, dez e meia da noite e eu caminhava devagar pelas ruas movimentadas, sozinho. Havia saído para dar uma volta, tentar respirar um pouco. Olhar para as paredes de meu apartamento estava me enlouquecendo aos poucos. Era nessas horas que sentia falta de Thomas, sabia que bastava uma ligação para que o loiro viesse ao meu encontro e então poderíamos caminhar pela cidade toda em silêncio e mesmo assim me sentiria bem. Não que o mesmo não tenha se feito presente em meus dias, muito pelo contrário, me ligava de dois em dois dias e fazia questão de saber como eu estava. Fazia papel de mãe me perguntando se estava comendo direito e se dormia. Tentava lhe retribuir escutando sobre como andava seu trabalho e o namoro difícil com Christopher. Em uma de suas ligações fiquei sabendo que seu namoro não ia bem por conta da distância e que Christopher certas vezes se negava a ir até Los Angeles. Ao saber disso quis procurar o desgraçado e socá-lo para que aprendesse a dar mais valor para meu melhor amigo. Me contive. Thomas já não ligava mais e havia dito que talvez fosse bom que acabasse de uma vez, os dois estavam focados em seus objetivos e não era fácil encontrar uma brecha para que estivessem juntos.

Ao parar diante de um semáforo para atravessar a avenida deixei meus pensamentos vagarem para longe. Escutei alguém me chamar, acredito não ter sido a primeira vez.

Era Anthony.

“Ei, devia parar de me ignorar” Caminhava a passos rápidos em minha direção.

“Não tenho te ignorado” Me defendi.

“Tudo bem, fingirei que acredito, mas saiba que todos no trabalho já perceberem esse seu jeito estranho.”

Envergonhei-me no instante em que ouvi aquela sentença. Jeito estranho? Vinha tentando me fazer forte e não me dei conta de que estava sendo observado.

“Cara...” Anthony me tirou dos meus pensamentos. “Está tudo bem? Você tem olheiras gigantes”

“Acho que não quero falar sobre isso, me desculpe”

“Não deixarei que vá embora sem antes me contar o que tem te acontecido. Todos já perceberam que não anda bem e tentei evitar te colocar contra a parede, sabia que não era da minha conta, mas Phill, você está péssimo!”

“Muito obrigado Anthony, sempre muito gentil!”

“Precisa saber a verdade” Riu. “Vamos...”

Segurou uma de minhas mãos e me levou praticamente arrastado até um banco vazio, me fazendo sentar contra minha vontade.

“Não vou ser um mentiroso e fingir que não sei de nada. Sei que se trata do tal Doutor hétero”

“Não o chame assim!”

“Me desculpa!” Voltou a rir debochado. “Mas é isso que ele é”

“Isso não tem graça, idiota. Agora me diz, o que te faz pensar que se trata dele?”

“Pensar não, eu sei que é sobre ele. Seu amigo, aquele loiro da cafeteria me ligou”

“Thomas? Por que te ligaria?”

“Porque está preocupado com você. Faz uns dois dias que me pediu para procurá-lo e ver como estava. Sei sobre sua separação com o Doutor... Com Peter!” Corrigiu rapidamente.

“Bom, então não tenho nada o que te contar”

“Talvez devêssemos sair e beber, o que acha? Você precisa esquecer um pouco e sair desse buraco em que se meteu”

“Não é uma boa ideia”

“Sugere algo melhor?”

“Sim. Que me deixe ir embora e talvez procure um de seus amigos para beber”

“Não vou te deixar sozinho!” Parecia ofendido.

“Anthony, não é um bom dia...”

“Não quero saber! Te ver se afundando assim não é legal... Sempre gostei de você Phill, se não fosse aquele Doutorzinho talvez tivesse tentado te conquistar”

O que? Anthony parecia estar se declarando. Senti meu rosto se esquentar instantaneamente. Era claro que tínhamos uma certa atração um pelo outro, mas para mim não passava disso e nunca tinha passado pela minha cabeça que teríamos algo a mais do que aqueles beijos na noite em que bebi mais do que deveria.

“Não precisa se envergonhar” Disse calmamente e senti um constrangimento ainda maior. “Sei que foi um erro o que aconteceu aquela noite, sei que você estava bêbado e não tinha noção do que estava fazendo, não seria certo me aproveitar da situação, mesmo que quisesse...”

“Anthony, por favor. Não acho que precisamos voltar a esse assunto”

“Ok, não falarei mais sobre isso. Mas acredito que deva esquecer esse cara, ele não te deu valor algum”

“Tem algum propósito essa sua sugestão?”

“Talvez...”

Vi o moreno a minha frente sorrir malicioso. O brilho em seu olhar parecia ter se intensificado ainda mais.

“Anthony!” Adverti.

“Talvez você deva me dar uma chance” Disse como se aquilo fosse à coisa mais simples do mundo.

Senti sua mão cobrir a minha que se encontrava no assento do banco. Seus olhos foram pousados sobre os meus e assim se mantiveram.

Era impossível não me sentir atraído pelo mais alto. Meus olhos percorriam todo seu rosto bonito, confessaria sentir vontade de beijá-lo na boca mais uma vez, porém meu lado racional gritava para que não lhe desse esperanças falsas. Meu coração era de Peter e mesmo que não quisesse não poderia ser mudado com facilidade. Não podia deixar que minha carência falasse alto a ponto de silenciar o que seria certo.

Anthony aproximava seu rosto do meu devagar, seus olhos não se desconectavam em momento algum dos meus. Era como estar hipnotizado pelos castanhos a minha frente. Castanhos como os de Peter!

“Não Anthony...” Virei o rosto para o lado contrário na intenção e fugir dos seus lábios. O escutei rir baixo com minha atitude.

“É só um beijo, não precisa fugir assim” Praticamente sussurrou já muito próximo.

“Nós não devemos...”

Não pude continuar, fui silenciado por sua boca sobre a minha. No primeiro momento tentei resistir. Comprimi meus lábios e apenas senti sua boca tentando encontrar o encaixe sobre a minha. Suas mãos seguraram meu rosto firmemente e foi então que amoleci. Seu toque se tornou delicado, sem pressa por uma entrega da minha parte, continha paciência. Sentimento.

Entreabri os lábios e deixei que os seus se moldassem perfeitamente, logo senti sua língua explorar cada pedaço da minha boca. O beijo durou longos segundo até ser quebrado por mim.

“Não!” Praticamente gritei.

“Me desculpa, não quero te forçar a nada” O moreno parecia arrependido, porém não deixou de sustentar um pequeno sorriso.

E ele não me forçou a nada. Porém fomos parar em seu apartamento, mais precisamente em sua cama. Eu quis que me tocasse, deixei que me tivesse como desejava e não posso dizer que me arrependia, no momento era um desejo meu também. Enfim, nós transamos. E não tive nenhuma desculpa plausível para o que aconteceu entre aquelas quatro paredes. Nem ao menos para enganar a mim mesmo.

Tempo atual:


Tudo ia bem, pelo menos era o que pensava. Seguia meus dias normalmente. Havia decidido que não me deixaria abater mais.

Desde a noite com Anthony não havíamos mais tido nada, apenas trocávamos beijos quando necessitávamos e desfrutávamos da presença um do outro. Ele sabia que não era momento certo para nada além disso e vinha sendo um ótimo amigo quanto a me entender e me apoiar.

Havia saído a pouco para trabalhar, mas como já era de costume passaria antes na cafeteira. As primeiras pessoas que avistei foi Peter e ao seu lado Alicia quando entrei no estabelecimento. A esposa praticamente gritava, atraindo a atenção das pessoas que se encontravam ali naquela manhã.

“Sei que a senhora sabe onde ele mora! Pode, por favor, me passar o endereço?” Gritava com Beth. Não sabia sobre o que ela falava, porém parecia algo realmente sério.

“Já lhe disse que não vou meter meu menino na sua briga” Beth respondeu extremamente calma.

Peter apenas observava, vez ou outra tentava levar Alicia para fora dali, mas era impossível. A mulher parecia enfurecida diante daquela discussão.

Senti meu estômago se revirar ao observar aquela cena. Para que Alicia procuraria Beth? Pelo o que eu sabia elas nem ao menos sabiam os nomes uma da outra.

“É ele, não é?” Percebi que Alicia apontava para mim.

“Alicia, por favor, pare com isso” Peter pediu em vão.

A moça deu passos rápidos em minha direção, seus saltos causaram ruídos altos. Já diante de mim pude ver seus olhos marejados, seus lábios pintados de vermelho tremiam com a força que fazia para não deixar que as lágrimas caíssem.

“Por que?” Me perguntou. “Por que?” Repetiu por não obter uma resposta.

Meus olhos buscaram por Peter no meio daquela confusão. E infelizmente não pude encontrar nada naquelas íris castanhas, não encontrei uma saída, ele parecia tão perdido quanto eu, ou até mais.

“Não sei do que está falando” Foi tudo o que pude dizer.

“Como não?” Riu ironicamente. “Você vem dando para o meu marido e me diz que não sabe o que está falando? Só pode ser brincadeira!”

“Você me respeita! Nem ao menos me conhece”

“Alicia, chega!” Peter segurou em seu braço, mas ela o desvencilhou no mesmo instante.

“Não, eu mereço uma explicação. Não irei sair sem isso”

O que dizer para uma mulher que sabia claramente que estava sendo traída? Nunca em minha vida gostaria de estar em seu lugar, contudo não me sentia culpado.

Notas finais
E ai, Alicia continuará com o barraco e anunciando para todos que é traída? O que estão achando de tudo isso? Não esqueçam de me dizer.Até a próxima. :*