Notas iniciais
Olá! Novo capítulo para vocês. E antes de tudo quero agradecer pelos comentários no passado, até apareceu leitor novo. *o* Espero também ver os outros por aqui, hum? As pessoas que favoritaram a fic a pouco tempo, quero saber o que estão achando. Boa leitura!

“O que mais precisa ser explicado, Alicia?” Peter perguntou já transparecendo um tom de impaciência.

“Tudo Peter, tudo!”

“Alicia...” Comecei. “Fugiu do controle, esse relacionamento, não era para ser assim. Nós simplesmente deixamos que se tornasse muito mais sério do que deveria. Nos apaixonamos e quando nos demos conta já não havia mais por onde escapar”

Só me restava ser sincero. Tinha noção da dor que a morena a minha frente deveria estar sentindo. Para mim, traição era o ponto final para uma relação e acredito que nunca poderia perdoar algo do tipo.

“Se apaixonaram?” Perguntou baixo.

Seus olhos foram de encontro ao chão rapidamente. Todos a sua volta ficaram esperando por uma reação. Por segundos que mais pareciam horas esperamos que ela gritasse, que me xingasse ou até mesmo que tentasse me atacar, mas não aconteceu nada disso. Alicia voltou a levantar o olhar em minha direção e deixou que uma lágrima solitária escorresse por seu rosto bonito.

“Não há nada que eu possa dizer diante desse sentimento. Se é amor, espero que vocês sejam felizes”

Quando poderíamos imaginar escutar algo desse tipo? Nunca. Não tínhamos palavras para que pudéssemos ao menos agradecer.

“Nunca desejamos te machucar” Eu disse. “Peter tentou não fazê-lo. Sinto muito”

“Vou te dizer uma coisa, Phillippe” Limpou a bochecha por onde havia caído a lágrima. Seu tom de voz era sério. “Essa não é a primeira vez que Peter me machuca e sabe, a única coincidência é ser pelo mesmo motivo”

Olhei para o mais alto a minha frente procurando por sua reação, que claro, não veio. Ele parecia calmo diante daquela quase acusação. Ninguém inocente ficaria quieto.

“Ele...” Tentei perguntar, porém fui interrompido.

“Sim, ele já me traiu uma vez. Sei que nosso relacionamento sempre foi mais uma amizade, contudo fui fiel todo esse tempo. Um conselho que te dou é: Tome cuidado”

“Isso tudo já foi resolvido Alicia, você não precisa jogar mais uma vez todos os meus erros na tentativa de me atacar” Peter disse calmamente, quase não pôde ser escutado com clareza.

“Não, você está certo. Só acho que esse ser apaixonado a nossa frente precisa saber quem é você. Tenho certeza que não conhece a metade. Quem garante que mudou? Quem garante que você já não se encontra com o tal Christian?”

“Alicia, chega!” Peter gritou assustando a todos. “Chega! Você já teve o que queria, agora pode ir embora”

“Sim, irei embora. E você trate de passar para pegar suas malas mais tarde, as deixarei prontas. E ah! Irá levar aquele cachorro idiota também” Jogou a bolsa sobre um dos ombros e antes de dar meia volta e sair mais uma vez olhou em minha direção. “Com todo meu coração, Phillippe, espero que ele dê tudo de si por você. Essa seria a única vez que Peter deixaria seu egoísmo de lado, afinal, o primeiro passo já foi dado, não? Confessou o relacionamento que tinha com você para mim, sinta-se lisonjeado”

Ao terminar saiu em passos rápidos, mais uma vez deixando que os ruídos de seus saltos fossem o único som existente.

“Bom, acho que precisam conversar” Disse Beth já se distanciando de nós dois.

Não sabia o que dizer. As frases não eram formuladas com facilidade em minha mente. Um sentimento ruim me assolava. Era verdade que não conhecia Peter, ele era apenas o homem que eu amava. Isso era o maior motivo para mim, antes das palavras de Alicia.

“Nós precisamos realmente conversar” O moreno cortou o silêncio.

“Sobre o que? Sobre esse Christian? O que mais eu não sei Peter?” Sem que notasse gritava.

Senti Peter me segurar fortemente pelo braço e me puxar em direção ao banheiro masculino do local. Ao abrir a porta praticamente me empurrou para dentro.

“Não tenho mais nada com ele, isso é passado há muito tempo” Suspirou alto. “Será que já não provei a você tudo o que sinto?”

“Como ela soube sobre mim?” Perguntei. “Alicia. Como ela soube?”

“Viu várias ligações em meu celular do seu número. Descuidei-me e o deixei em cima da cama quando fui tomar um banho. Tinha também aquela foto que tiramos juntos no parque e algumas mensagens”

“Então não contou por si só? Ela precisou ver essas ligações para saber de mim?”

“Phillippe, e-eu...”

“Você o cassete Peter! Você é realmente um egoísta! Tem noção do quanto sofri com esse afastamento? Acredito que não!” Já andava de um lado para o outro. A raiva havia me tomado por completo. Ela nunca falaria sobre mim para ela. Não por vontade própria. “Me dei por completo nessa relação. Tentei fazer com que todo meu lado racional se apagasse para que estivesse com você. O cara casado e agora egoísta que não pode me assumir!”

Peter apenas me escutava com os olhos bem abertos, era quase como se sentisse medo de toda minha reação. E não tinha o que dizer, tudo poderia e iria ser usado contra ele.

“Você é só um filho da puta egoísta!” Cuspi essas palavras em sua direção. “O filho da puta pelo qual eu infelizmente me apaixonei. Mas quer saber, você não foi o único a ter duas pessoas!”

Se eu não estivesse tão nervoso talvez notasse a fúria contida em seus olhos castanhos. Apenas me dei conta quando mais uma vez meu braço foi segurado e dessa vez com dez vezes mais força. Seus olhos foram conectados aos meus. Senti medo, nunca o havia visto assim, eram sempre tão amorosos quando depositados sobre os meus.

Não conhecia Peter, tive certeza disso tarde demais.

“O que está querendo dizer com isso?” Ao falar senti seu hálito bater em meu rosto.

“Quero dizer que também tenho outra pessoa” Disse sustentando minha melhor feição debochada. Não deixaria que nem ao menos sentisse o cheiro do meu medo.

“Quem é ele?” Gritou me chacoalhando. Eu era como um boneco em suas mãos.

“Você está me machucando. Me solte!” Tentei escapar de suas mãos, porém era impossível. Sentia a ponta de seus dedos cravados em meus braços, prendendo meu sangue com a força que fazia.

“Quem é ele, Phillippe?” Gritou mais uma vez, ignorando meu pedido.

Em seus olhos queimavam o sentimento de ciúmes. Nunca havia notado essa possessão de Peter, talvez por nunca ter lhe dado motivos. De todo jeito, ele merecia sentir tudo o que senti durante todos aqueles meses em que estivemos juntos.

“Isso não é da sua conta!” Respondi.

“É aquele Thomas, não é? Sou capaz de quebrar a cara dele!”

“Não meta Thomas no meio disso, ele não tem nada a ver com essa acusação!” Consegui me soltar de suas mãos ao sentir que haviam se afrouxado.

“Você não seria capaz de algo desse tipo. Eu sei que não, Phill” Seu tom de voz mudou drasticamente. Era calmo, cheio de afeto como antes.

“Também posso te surpreender, Doutor Humphrey”

Todas aquelas palavras saíram forçadas de minha boca. O esforço que fazia para que saíssem e lhe machucassem era dolorido. Nunca desejei feri-lo. Para Peter sempre tive o melhor dos sentimentos. Desejei o melhor para nós dois. Sonhei acordado com uma vida dividida com ele.

“Não pode estar falando sério”

“Nunca falei tão sério em toda minha vida. E outra, tenho todo ou até mais direito do que você”

Não tive uma resposta. Peter saiu batendo a porta. Deixou-me sozinho naquele banheiro masculino.

Foi embora da minha vida ao bater aquela maldita porta.

Deixei que meu corpo fosse de encontro ao chão mal limpo daquele lugar e chorei, chorei como nunca antes. Deixei que as lágrimas fossem capazes de me lavar e levar para longe toda aquela dor contida em meu coração.

Por que sempre pensamos no amor como um sentimento bom? Talvez seja bom quando sabemos lidar com ele e eu não sabia. Ao ver Peter ir embora daquela forma eu soube que o amor não era para mim. Esse podia ser um pensamento totalmente pessimista, de todo jeito, me odiei por deixa-lo ir. Qualquer um diria estar certo em lhe dar o troco daquela forma, lá no fundo sabia que era o que ele merecia, porém doía ser causador de uma dor no homem que poderia dizer com todas as letras ser o amor da minha vida.

Que ironia, não?

Não sei quanto tempo fique sentado naquele piso gelado com as costas contra a parede. Já não sentia as lágrimas quentes caindo, uma atrás da outra, quando Beth entrou. A mulher loira que considerava como uma mãe se assustou ao me ver naquela situação, tenho certeza disso, mesmo que não tenha demonstrado tal reação. Apenas se abaixou para ficar a minha altura e me olhou com aqueles olhos claros e cheios de afeto como os de Thomas.

“Incomodo?” Perguntou.

“Não”

Então se sentou ao meu lado e passou os braços em volta dos meus ombros, fazendo com que meu rosto fosse escondido contra seu peito. Deixei que as lágrimas continuassem caindo, era impossível pará-las.

“Shh, tudo ficará bem” Disse baixo, tentando me confortar. “Essa tempestade irá passar, minha criança. Basta ser forte e conseguir passar por ela sem se deixar atingir”

“Acho que não sou tão forte quanto pensa, Beth” Respondi simples.

“Não diga isso, você é mais forte do que pode se quer imaginar”

“Eu n-não...”

“Deixe de teimosia, sei o que estou dizendo” Disse ríspida, propositalmente, claro. “Sei o que estou dizendo, você não irá me decepcionar”

E eu realmente esperava que ela estivesse certa.

______

“Como está se sentindo?” Anthony perguntou.

Já havia chego a meu trabalho fazia alguns minutos. O mesmo me esperava preocupado por estar atrasado e ao se deparar com minha cara de choro logo me arrastou para tomar água com açúcar e lhe explicar o que havia acontecido. Contei tudo, desde o momento que cheguei à cafeteria até as palavras de Beth. Anthony me escutou em silêncio por todo o tempo enquanto me assistia bebericar a água oferecida.

“Acho que bem...”

“Ok, foi uma pergunta idiota. É claro que não está bem. Mas saiba que fez a coisa certa, não pode deixar que esse cara te controle dessa forma”

“Sim...”
Não havia muito que dizer. Sentia-me destruído e nada era capaz de fazer isso mudar.

“Acho que já vou, não quero levar uma bronca”

“Se quiser posso dizer que não estava se sentindo bem e foi para casa” Anthony ofereceu.

“Não, prefiro ficar. Não quero ficar sozinho”

O moreno correu seus olhos por todo meu rosto e sorriu fracamente. Estendeu os braços em minha direção oferecendo um abraço que não pude negar. Senti meu corpo sendo apertado contra o seu assim que quebrei a distancia entre nós.

“Você ficará bem” Disse baixo. “Todos conseguimos enxergar seu valor e logo você também irá conseguir”

“Obrigado” Só pude agradecer.

Mais uma vez naquele dia deixei que as lágrimas caíssem com meu consentimento e Anthony me segurou entre seus braços até que as mesmas cessassem.

Quem disse que seria fácil? Ninguém. E talvez essa seja a motivação para chegarmos a nossos objetivos e no fim nos darmos conta de que toda a luta valeu à pena. Naquele momento não conseguia pensar em nada positivo, minha mente estava bloqueada com toda aquela dor presente. Ao nos apaixonarmos instantaneamente nos tornamos cegos, esse era o efeito colateral do amor. A cegueira.

Peter era só mais um dentre milhões capazes de quebrar corações. Não o via como um monstro, nós simplesmente não éramos compatíveis e mesmo assim o amor aconteceu. Acredito que deviam existir regras para tal sentimento, porém como negá-lo quando os olhos se encontram e as borboletas renascem em nosso interior? É tão convidativo que simplesmente aceitamos de bom grado sem sabermos que às vezes não estamos prontos para poder mantê-lo.

Todos que sabiam sobre Peter não aprovavam. Eu sabia, ele era a pessoa mais errada pela qual meu destino poderia ter cruzado. Entre todas as pessoas no mundo fui capaz de me apaixonar por um médico simpático e completamente irresistível.

Não tinha sorte nenhuma. Meu cúpido devia ser um estúpido.

Notas finais
E ai, o que será do Phill agora? Terá sido o fim entre ele e o Peter? Me digam. Beijos e até a próxima!