Notas iniciais
Olá. Como estão? Eu estou muito feliz! Primeiramente por ver novas pessoas comentando e favoritando a fic, espero ver os últimos por aqui, viu? Segundo, porque recebi três recomendações lindas. Não posso dizer o quão feliz me senti ao lê-las. Muito obrigado pelo carinho, Teru, Gimerson e Rubi. Vocês não sabem como me senti ai recebê-las, significou demais! Então esse capítulo, um pouco maior, dedico à vocês, de coração mesmo.

Minha mãe ainda era uma mulher muito bonita, mesmo com as marcas de expressões em volta dos olhos. Com seus cinquenta e três anos e poucos fios brancos entre os castanhos escuros. Desde que me conheço por gente é vaidosa e elegante. Seus olhos são castanhos esverdeados, que também ganhei como herança. Dona Heloise é a mulher mais forte que já conheci, talvez pense dessa forma por ser minha mãe, ou não. Ela já havia passado por muitas dificuldades no decorrer dos anos e mesmo assim ainda sustentava o sorriso que combinava perfeitamente com sua feição.

Sorriso esse que sustentava enquanto esperava que meus passos me levassem para entre seus braços, o que não demorou nada. A abracei fortemente, fui inteiramente correspondido. Seu cheiro ainda era o mesmo que me lembrava. Perfume de flores. O calor que senti ao estar sendo acolhido dentro daqueles braços era completamente indescritível, não era um calor apenas externo e sim interno também. Meu coração se aquecia e o amor antes escondido voltou a fazer parte do meu ser. Amava aquela mulher com todas as minhas forças.

“Que saudades meu filho. Que saudades” Minha mãe disse ainda mantendo nosso abraço apertado. “Não fique mais tanto tempo longe... Não posso morrer sem antes lhe ver”

“Não diga isso” Pedi. “A senhora ainda tem muito que viver”

“Chamando-me de senhora é certeza de que estou à beira da morte”

“Mãe!” A reprendi.

Nosso abraço foi desfeito e ela me olhou por alguns segundos antes de beijar todo meu rosto, deixando sem duvida alguma, todo marcado por seu batom escuro. Em seguida voltou a me abraçar com a mesma intensidade, o que durou muito tempo até que me puxasse para dentro me fazendo apressar os passos e carregar minhas malas com apenas uma mão.

“Venha! Sua irmã não parou de falar em você a manhã toda”

Minha irmã. Minha melhor amiga.

Ao entrar em meu antigo lar instantaneamente me aqueci. A lareira estava acessa o que deixava o ambiente perfeito, diferente do lado de fora. A sala estava enfeitada por inteiro, o que já era de se esperar. Existia uma arvore de natal enorme no canto entre os dois sofás claros, completamente colorida por conta dos laços e bolinhas brilhantes, sem contar as luzinhas piscando vezes seguidas. Em baixo da mesma já havia muitos embrulhos. Notei faltar à estrela dourada na ponta, porém dei de ombros.

Não tive tempo algum para observar o restante do cômodo. Assustei-me com o grito dado por Julie. A mesma desceu as escadas correndo e se jogou entre meus braços, fazendo com que desse alguns passos para trás quando nossos corpos se chocaram com rapidez.

“Phill...” Sua voz saiu anasalada. Logo pude escutar soluços baixos próximos ao meu ouvido.

“Julie” Respondi.

“Seu pequeno filho da mãe...” Aquilo era um xingamento. Pelo menos para ela.

“Tudo isso era saudade?” Ironizei tentando segurar o riso.

“Não. Só estou tentando fazer um pouco de drama mesmo, afinal, é natal” Respondeu-me ríspida. “Idiota!”

Assim como com minha mãe, Julie me abraçou por longos minutos, que não me importei de forma alguma. Não existia palavras que pudessem ao menos tentar explicar o que era se sentir querido e mais do que tudo, seguro. Naqueles dois anos em que não voltava para casa aprendi a lidar com meus sentimentos e aflições. Deixei que fosse testemunha dos meus próprios acertos e fracassos. Aprendi a engolir meus sentimentos ou apenas deixar que eles gritassem através de lágrimas. Fechei-me para o mundo por muito tempo. Aconteceu naturalmente, isso fazia parte de mim desde sempre. Lembro-me perfeitamente de quando era criança e sentia ciúmes de Julie, me trancava em meu quarto, não queria contato algum até que me sentisse bem novamente. É claro, minha irmã tentava de todas as formas ultrapassar a barreira invisível que formava a minha volta, contudo era impossível. A coitada nem ao menos conseguia entender o motivo daquilo. Até então nem ao menos eu podia explicar.

“Já me preparava para o primeiro voo até Nova Iorque. Iria te buscar e trazer pela mão como uma criança”

“Já sou adulto, por favor Julie!”

“Mas tem agido como se tivesse parado nos cinco anos”

Afastei-me dela para que pudesse olhar em seu rosto. Estava incrédulo. Era incrível como ela sempre conseguia fazer com que tudo voltasse à tona. Não queria precisar lembrar do momento em que decidi me mudar. Não me arrependi por tal decisão, só não foi tomado em um bom momento. Havia acabado de ser deixado por Frankie, estava magoado e queria mostrar que conseguiria superar aquele fim de relacionamento e amizade sozinho. Não gostava de lembrar-se de como meus pais me chamaram de adolescente imaturo e ainda disseram que não podia fugir dos problemas daquele jeito. Ainda eram lembranças doloridas e o olhar de Julie, decepcionado ainda estava em minha mente.

“Me desculpe” Julie arrependeu-se assim que seus olhos enxergaram os meus. Era fácil para ela me entender apenas dessa forma.

“Só não me faça lembrar de tudo aquilo” Pedi. Minha voz saia baixa. Sentia-me envergonhado, mesmo depois de anos.

“Me desculpe” Tentou novamente.

“Tudo bem” A desculpei. Ou ao menos tentei. “Onde está papai?”

“Foi procurar a maldita estrela dourada para que você possa fazer as honras esse natal” Percebi que ela segurou o riso.

Era quase uma tradição para minha família. A estrela era sempre colocada por alguém diferente, todos os anos. Finalmente minha vez havia chegado.

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Meu quarto ainda continuava o mesmo. Apenas os lençóis e a colcha foram trocados por causa da minha vinda. Ainda existiam todos aqueles posters de bandas colados nas paredes claras, decoração essa que meus pais sempre odiaram. Nas estantes livros e cadernos da época que estudava. Era como se os anos não tivessem passado e nunca houvesse me mudado. A sensação que me dava era de que aqueles anos fora de casa nunca existiram. Ainda era o mesmo Phillippe de dezoito anos com o coração partido.

Algumas batidas na porta fizeram com que meus pensamentos fossem para longe.

“Entre”

“Posso falar com você um minuto?” Julie perguntou já entrando em meu antigo quarto e encostando a porta. “Essa noite vamos sair”

“Como assim vamos sair?” Perguntei. Não era uma pergunta e sim uma afirmação da parte dela.

“Quero que conheça uma pessoa” Disse como da última vez no telefone.

“Posso saber quem é essa pessoa?”

Minha irmã não respondeu. Ao invés disso mostrou o anel de brilhante em seu dedo anelar. Um anel de noivado.

“Não acredito!”

“Sim! Alex pediu faz um mês”

“Você está noiva?” Aquilo era extremamente obvio, porém não pude dizer outra coisa. Minha irmã e melhor amiga iria se casar! Eu nem ao menos havia notado aquele anel em seu dedo, isso porque era muito chamativo.

A abracei mais uma vez naquele dia. Apertei-a em meus braços tentando fazer com que aquele contato mostrasse toda a felicidade que estava sentindo. Julie tinha vinte e nove anos e era muito bonita. Havia herdado os olhos de meu pai, verdes vivos. Seus cabelos eram loiros e lhe caiam lisos sobre os ombros. Era alguns centímetros mais alta que eu e tinha um sorriso capaz de fazer qualquer coração se amolecer ao vê-lo. Como alguém poderia não se apaixonar por ela?

“Estou muito feliz que esteja aqui” Ela disse próxima ao meu ouvido, ainda sustentando nosso abraço.

“Você será muito feliz daqui para frente, tenho certeza”

Deixei um beijo demorado em sua bochecha e ao me afastar pude enxergar lágrimas escorrendo livremente por seu rosto. Por alguns segundos senti-me mal ao vê-la chorar, porém a mesma abriu um sorriso tão largo que aquele sentimento logo se dissipou.

“Estou feliz que esteja aqui...” Voltou a dizer. “Por estar te dizendo isso pessoalmente... Achei que meu irmão nunca mais voltaria” Seus soluços vieram baixos.

É engraçado como só enxergamos nossos erros algum tempo depois. Há alguns anos tudo o que eu pensava era que deveria sair de casa e encontrar minha essência, saber quem eu era e lutar por um futuro. Deixei para trás o lugar que cresci e pessoas que amava, aquilo nunca me pareceu errado. Desse dia em diante me vi sozinho, mas acreditando que deveria passar por aquilo e me tornar um adulto. Era como estar cego. Passei por momentos difíceis até que Thomas entrasse em minha vida. Fui egoísta ao dar as costas para minha irmã mesmo sabendo que ela continuaria precisando de mim, precisava que eu estivesse no quarto ao lado. Por anos isso não foi possível.

“Me desculpe por isso. Agora vejo que minha atitudes foram infantis.... Me desculpe por não estar presente quando precisou de mim”

“Você precisou de si mesmo”

Talvez ela estivesse certa. Cresci muito, mesmo que tenha sido um crescimento forçado. Precisei daqueles anos para me encontrar e perceber que não poderia ser sempre o Phillippe que foge ao se deparar com o sofrimento. Aprendi a me virar em circunstancias complicadas e mais uma vez tive meu coração quebrado, porém lidei com isso da melhor forma possível e mesmo que a dor ainda existisse, estava de cabeça erguida.

Eu mesmo havia traçado meu destino. Meu orgulho não poderia ser maior.

“Está aqui agora...” Voltou a se manifestar. “ Essa noite irá comemorar comigo essa nossa etapa da minha vida”

“Com todo prazer” Respondi sincero.

“Sairemos às oito. Tem exatamente uma hora, não demore como sei ter o costume”

“Tudo bem, capitã” Bati continência e a vi revirar os olhos.

“Besta”

Saiu voltando a fechar a porta.

Meu coração pulava no peito, tão grande era a felicidade depositada no mesmo.

Quinze para as oito. Já havia tomado um banho e penteado os cabelos perfeitamente. Revirava minhas malas em busca do que usar. Optei por jeans escuros, uma blusa clara de malha e mangas compridas, por cima da mesma um casaco grosso, pois a neve ainda não parecia ter cessado e meus costumeiros all star pretos.

Sai de meu quarto em direção do de Julie. Bati algumas vezes na porta até que tivesse o consentimento para entrar. Era impossível Julie ficar feia, mas ao vê-la tão bem vestida e maquiada tive essa certeza mais uma vez. Usava um casaco cinzento que ia até seus joelhos que por baixo deveria existir um vestido. Suas pernas estavam cobertas por uma meia calça escura e nos pés botas de cano baixo e saltos altos. Seus cabelos claros foram presos em um rabo de cavalo alto. A maquiagem era muito bem feita com os lábios pintados de rosa. Estava maravilhosa e ao mesmo tempo sexy. Se Alex não a tivesse pedido em casamento qualquer outro faria com facilidade.

“Você está linda, Ju” Elogiei.

“Você também” Piscou em minha direção. “Vamos?” Estendeu o braço para que fosse entrelaçado ao meu.

O restaurante em que iriamos não era longe e o trânsito não estava presente naquele horário. Vinte e cinco minutos de carro até pararmos em um belo estabelecimento, com uma fachada muito bonita e elegante. Seu interior era pouco iluminado, havia apenas algumas luzes fracas e velas sobre cada mesa. Tocava música suave, era um dos únicos sons do local junto com as vozes das pessoas que ali já estavam. Fomos atendidos e logo encaminhados para a mesa que Alex estava. O mesmo era tão bonito quanto Julie havia descrito. Estava muito bem vestido em uma camisa clara e calças de sarja escuras. Era moreno e tinha os cabelos muito bem cortados. Foi difícil decifrar a cor de seus olhos, porém pude notar serem azuis.

“Você deve ser o irmão da Julie” Estendeu a mão para que nos cumprimentássemos. “Sou Alexander Baker. É um prazer finalmente te conhecer” Disse educado.

Baker. Aquele sobrenome não era estranho para mim, conheci outro Baker. Meu estômago se revirou no instante em que me lembrei a quem aquele sobrenome pertencia. Tentei fazer com que aqueles pensamentos fossem embora. Muitos poderiam ter esse sobrenome.

“Phillippe Clarke. E o prazer é todo meu” Apertei sua mão formalmente. “Ela já me falou muito sobre você”

“Espero que tenha deixado os defeitos de lado”

“Fique tranquilo”

Todos rimos. Vi o moreno se aproximar de minha irmã e beijá-la delicadamente depois de dizer que ela estava muito bonita.

“Sentem-se. Se não se importarem, convidei um primo que está na cidade para o natal. Ele já deve estar para chegar”

“Problema algum” Dissemos juntos. Eu e Julie.

Sentamo-nos e fomos servidos por um vinho tinto. A conversa fluiu facilmente. Escutei sobre como se conheceram. Soube que Alex trabalhava com os pais e que tinham uma rede de restaurante, o que estávamos era um deles. Pude ter certeza que minha irmã estava em boas mãos. Mesmo que ela fosse a mais velha, me senti agindo como se fosse a mim. Analisei o homem a minha frente pelos minutos que estive ali e pude julgá-lo bom o suficiente.

“Finalmente! Ele chegou”

Alex anunciou nos fazendo olhar em direção à porta de entrada. Meu coração deu um salto forte em meu peito e no mesmo instante me senti suar frio.

Não podia ser! Aquela pessoa caminhando até nossa mesa não poderia ser o mesmo Baker.

Notas finais
Quem será o primo misterioso do Alex? Alguma sugestão? :x Até o próximo. Beijos e obrigado por acompanharem.