Notas iniciais
Olá! Tudo bem com vocês? Mais uma vez vou agradecer pelos comentários, eles estão aumentando com frequência e isso me faz muito feliz. Dou boas vindas aos leitores novos. *-* E antes de lerem, quero dizer que os capítulos só são escritos e postados nos finais de semana, são os únicos dias que tenho tempo para escrever e como também já havia dito, tenho tendinite e de alguns dias para cá tenho tido muitas dores, estou a base de anti-inflatórios. Espero que entendam e não me abandonem. ;) Boa leitura!

Frankie estava completamente mudado, depois de cinco anos havia adotado cabelos mais compridos, não exagerados, apenas deixava que a franja cobrisse boa parte de sua testa. Os fios escuros como a noite caiam lisos até a altura de sua orelha — que pude notar ainda conter alargadores-, dando contraste com a pele alva. Sua beleza havia sido renovada.

Assim que se aproximou de onde estávamos Alex se levantou abraçando o recém chegado, sendo correspondido de imediato.

“Essa é Julie, minha noiva” Alex apresentou.

“É bonita como havia me dito” Frankie sorriu para minha irmã e a beijou no rosto educadamente. Pude ver a mesma sorrir envergonhada e apenas acenar levemente.

Julie não o reconheceu em momento algum, talvez por nunca terem dito muito contato. Na época que estive com Frankie minha irmã vivia uma fase confusa com um namorado complemente errado, estava mais focada em seu relacionamento do que com quem eu saia.

“E este é seu irmão, Phillippe”

Quando o moreno se virou para me cumprimentar foi como se tudo ao nosso redor houvesse parado, poderia até dizer ser como aquelas cenas contidas em filmes melosos. Nossos olhos se encontraram e mude sentir um arrepio percorrer todo meu corpo me fazendo frágil diante daqueles esverdeados.

Nunca pude perdoar sua partida, mesmo que precisasse apenas de um perdão dito dentro de mim mesmo. Frankie foi a primeira pessoa pela qual me apaixonei, era um adolescente quando aconteceu, foi também o primeiro menino que beijei. Nosso namoro –se é que poderia chamar assim- durou apenas oito meses e acabou com ele dizendo que estava com problemas e não poderia continuar. Simples assim, quebrou meu coração e se mudou para longe.

Era assustador como olhar para aqueles olhos ainda conseguisse enxergar nosso primeiro beijo.

Estávamos em meu quarto terminando um trabalho de biologia. Nossas notas estavam baixíssimas, corríamos o risco de reprovar e isso não estava em nossos planos, por esse fato passávamos muito tempo em meu quarto fazendo trabalhos ou estudando para provas, mesmo que esse nunca tenha sido nosso forte. Erámos obrigados.

Frankie era meu melhor amigo desde os sete anos de idade, quando me mudei para o bairro e o conheci por ser vizinho ao lado. Desde então nos tornamos inseparáveis. Crescemos praticamente juntos, confiávamos um no outro de olhos fechados. Sempre achei ser uma amizade que duraria para sempre.

Em meio a vários livros e folhas de cadernos rabiscadas senti que era o momento certo para lhe confessar algo que estava me tirando o sono. Não existia ninguém melhor no mundo para compartilhar meus medos e novas experiências do que meu melhor amigo.

“Frankie...” O chamei.

“Hum?”

“Preciso contar uma coisa”

Seus olhos se levantaram do livro que lia e foram pousados sobre os meus que tinha certeza estarem aflitos. Tinha medo de sua reação, talvez medo de ser negado e perder sua amizade.

“É grave?” Perguntou.

“Depende”

“Depende de que? É ou não é”

“Acho que gosto de garotos” Despejei rapidamente.

Os minutos que demoraram para que uma resposta viesse foram capazes de me cortar ao meio. Meu coração dava saltos em meu peito. Queria poder levantar dali e correr para longe, ou poder retirar aquelas cinco palavras antes ditas. Arrependi-me do que falei no momento em que percebi seus olhos fixos em meu rosto, fazendo com que um rubor não convidado tomasse conta por completo do mesmo.

Frankie enfim emitiu algum som. Suspirou e sorriu em minha direção. Sorriu e senti o chão se perder abaixo de mim.

Então não era grave para ele?

“Achei que nunca fosse me dizer”

“Dizer-te?”

“Sim. Já havia notado”

“Como assim? Eu mesmo não sabia até uns meses atrás”

“Sou seu amigo e te conheço muito bem. Sempre notei seus olhares em direção ao Eric, do time de futebol”

“Frankie, e-eu...”

Vergonha. Era a única palavra que me definia naquele momento. Vergonha por não ter percebido antes. Vergonha por ter sido observado por Frankie e ter sido descoberto muito antes de mim mesmo.

“Ei, você está vermelho como um tomate!” Sua risada preencheu o cômodo por completo Fez com que eu desejasse me enterrar.

“Cala a boca, idiota!” Respondi ríspido. Aquilo não era nem um pouco engraçado. Seu riso me feria, mesmo que não fosse essa sua intenção.

“Me desculpa” Disse sério, já deixando o riso de lado. “Não queria te constranger. Mas posso te garantir que o Eric não é tudo o que pensam”

“O que quer dizer?”

“Nos beijamos no vestiário depois do treino”

“Vocês o que? Quando planejava me contar?” Uma pontada de ciúmes me atingiu em cheio, porém não pude deduzir se era ciúmes de Eric ou do meu amigo.

“Esperei pelo momento certo e esse é perfeito, não acha?” Voltou a rir.

“Você é um desgraçado, Baker”

Meu rosto queimava ainda mais, podia sentir minhas bochechas em chamas. Sentia um misto de raiva e magoa. Descobrir-me gay já era muito difícil, ainda por cima saber que meu melhor amigo havia me escondido algo que deduzia ser importante não tornava as coisas mais fáceis.

“Talvez eu possa consertar esse erro” A voz de Frankie saiu baixa. Sexy.

Aproximou o rosto do meu, mais próximo do que o normal. Podia sentir sua respiração se confundir com a minha acelerada. Ele estava me provocando.

“Isso não tem a menor graça!” Levantei-me irritadiço da cama onde estávamos.

Frankie se levantou alguns segundos depois, deu passos em minha direção até estarmos próximos outra vez. Pousou suas mãos em meus ombros e sem que eu pudesse ao menos assimilar seus movimentos me empurrou rapidamente e sem cuidado algum me fazendo bater as costas contra a porta fechada. Ofeguei no mesmo instante.

“Quem disse que estou brincando?” Mais uma vez aquele tom sexy. Arrepiei-me por completo ao escutá-lo.

Não pude nem ao menos cogitar a hipótese de respondê-lo. Seus lábios calaram qualquer palavra que pudesse sair futuramente. Nossas bocas foram seladas e por algum tempo existiu apenas aquele contato. Nossas respirações fortes e nossas bocas unidas.

Frankie, meu melhor amigo... Aquilo não podia acontecer.

Reuni forças e espalmei minhas mãos em seu peito largo o empurrando para longe. Não fui impedido. O moreno deu passos para trás me olhando confuso.

“Pare com isso!” Pedi.

Meu peito subia a descia por culpa da respiração forte. Sentia minhas pernas fracas e se não me empenhasse o suficiente para mantê-las firmes já teria ido ao chão.

“Não...” Respondeu.

Voltou a me empurrar contra a porta e juntar nossas bocas. Na segunda vez não perdeu seu tempo apenas selando nossos lábios. Seus movimentos vieram rápidos e desejosos, sabia exatamente até onde gostaria de chegar. Logo sua língua pediu passagem e não pude negar, também queria aquilo, tanto ou até mais do que ele. Nossos movimentos até pareciam ter sido ensaiados, não eram perfeitos, podíamos dizer termos errado em certos momentos nos fazendo desajeitados, porém era único e algo dentro de mim nasceu.

“Achei nunca ter coragem para fazer isso” Frankie confessou logo depois de nos separar em busca de ar.

“Não acredito que isso está acontecendo...” Minha cabeça girava. Era como ter bebido algo alcoólico de uma vez só, sem tempo para saborear.

“Deixe acontecer... Apenas se deixe levar”

Frankie voltou a me beijar.

O moreno a minha frente alargou o sorriso ainda mais, se isso fosse possível. Por um momento acreditei que não diria nada, mas estava enganado. Frankie se aproximou de mim e ao invés de me cumprimentar apenas com um toque de mãos me puxou para perto de seu corpo e me abraçou. Não foi abraço simples como aqueles que damos por obrigação e ainda damos tapinhas nas costas da pessoa, foi um abraço forte e demorado. Poderia até mesmo dizer ter sentido as batidas rápidas de seu coração contra meu corpo. Mesmo que estivesse supresso não pude deixar de retribui-lo com a mesma intensidade, apertando meus braços a sua volta.

Abraço. Às vezes pode ser apenas um ato retribuído involuntariamente, questão de educação. Ou pode conter sentimentos nunca antes sentidos. Podemos nos encontrar nos braços de alguém ou simplesmente nos perdermos. Nenhuma das alternativas pareciam se encaixar a mim. Não conseguiria dizer o que senti nos segundos que estive acolhido nos braços de Frankie. Tudo estava confuso... Depois de tanto tempo ele estava ali novamente, perto de mim.

Separamos-nos depois de algum tempo. Pude ver Julie sustentar um olhar confuso, assim como Alex.

“Nós já nos conhecíamos” Frankie explicou.

“Julie, Frankie era nosso vizinho, se lembra?” Não daria muitos detalhes, também porque não era necessário.

Vi um lampejo nos olhos de Julie até que a mesma soltou um riso baixo, uma confirmação de que tinha entendido. Voltamos a nos sentar, dessa vez acompanhados por Frankie.

“Que mundo pequeno, não é?” Disse Alex. “Quem diria que meu primo seria o ex-namorado do irmão da minha noiva?”

Olhei para Julie no mesmo instante, com toda certeza a atacando com apenas um olhar. Então ela havia contado para Alex? Senti-me enfurecido. Ela não tinha o direito de me expor dessa forma! Só queria poder esquecer o passado, mas nada parecida ajudar para isso.

Alex notou que não deveria ter se manifestado daquela forma, pois o clima pesado de instalou rapidamente.

“Me desculpa, não devia ter tocado nesse assunto” Tentou se redimir.

Dei de ombros e abri o cardápio tentando fingir interesse nos pratos que eram servidos ali, mesmo que em momento algum tenha conseguido entender nada do que estava escrito. Não era acostumado a lugares como aquele, todos aqueles pratos com nomes estranhos não me davam vontade alguma, queria apenas largar aquele pedaço de papel e sair daquele restaurante o mais rápido que minhas pernas pudessem suportar.

Encontrar um ex-namorado nunca seria agradável. Agora pense em encontrar um ex que partiu sem explicação te fazendo sofrer e por muito tempo pensar que devia ter feito algo errado, que talvez o tenha sufocado! Era dez vezes pior!

Os três mantinham uma conversa calma, porém eu não prestava atenção no que falavam. Frankie continuava com sua simpatia, sorrindo e contando coisas que aconteceram fazendo todos rirem. Eu não ria, não sorria e não sabia se minha vontade era de chorar. Só queria ir embora, fazer com que o mundo parasse de girar em torno daquele homem sentado ao meu lado. Gostaria de continuar fingindo que ele já não existia mais, vivendo em busca de uma aceitação por não ter tido nenhuma explicação para suas atitudes repentinas.

Aos poucos me arrependia de estar ali.

“Phill, está se sentindo bem?” Julie afastou meus pensamentos ao perguntar.

“Sim...” Respondi querendo dizer um simples e sonoro não.

Nossos pratos já haviam sido servidos. A minha frente continha um prato bonito de alguma massa que eu havia escolhido, mas estava intacto, nem ao menos tirei os talheres do lugar.

“Você está meio pálido. Tem certeza que está bem?” Minha irmã insistiu.

“Não se preocupe. Já volto”

Levantei-me procurando pelo toalete do local. Segui até o mesmo e ao entrar me encaminhei até uma das várias pias que estavam ali. Abri a torneira e com as mãos em forma de concha joguei água em meu rosto, pedindo mentalmente que me acalmasse e agisse normalmente. Muito tempo já havia passado, não devia me sentir daquele jeito. Havia superado Frankie, pelo menos com ele longe era isso que sentia, porém ao vê-lo próximo novamente era como estar abrindo minhas feridas com os dedos, lentamente, fazendo com que ardessem.

Escutei a porta do local se abrindo e pelo reflexo do espelho notei ser Frankie. Não me movi, continue parado esperando que me coração parasse de bombear tão fortemente.

“Podemos conversar?” Frankie perguntou cortando o silêncio.

“Temos o que conversar?” Respondi também com uma pergunta.

“Eu tenho...” Pausou sua sentença se encaminhando até o outro extremo do banheiro pegando papel toalha e me entregando para que pudesse secar o rosto molhado. “Posso apostar que nesse momento você esteja desejando me socar, tem todo o direito de querer isso” Riu do que disse, mas não me arrancou nenhuma reação. “É estranho te ver assim, tão quieto e frágil, aos meus olhos nunca foi assim e no fundo sei que boa parte disso é culpa minha”

Concordei. Era culpa dele, contudo também era minha, fui mais fraco do que deveria.

“Não queria te machucar, juro Phill. Mas isso iria acontecer até mesmo sem uma separação”

“O que quer dizer?” Me manifestei à primeira vez desde o momento que entrou ali.

Á minha frente seu rosto se contorceu quase como se estivesse sentindo dor. Não me respondeu de imediato. Andou de um lado para o outro com os olhos fixos no chão, o piso parecia ser mais interessando do que sua resposta, do que eu aflito esperando que de uma vez por todas me dissesse o que de errado havia acontecido.

Notas finais
O que acham do Frankie? Será que vai merecer um perdão do Phill? Bom, como não terá outro capítulo antes do natal desejo a todos vocês um ótimo natal! Com muita comida e doces gostosos. E claro, bastante presente. :D Beijos.