Notas iniciais
Acabou o carnaval e só agora que vai começar o ano, por isso estou trazendo o primeiro capitulo de Meu Recomeço. Se entrarem no link da estória irão perceber que os capítulos sumiram, e isso se deve ao fato de que a opção um foi a mais votada nas duas redes (Nyah e Spirit). Caso quiserem revisar a votação, fiquem à vontade em acessar o capítulo do comunicado nas duas plataformas, só lembrando que as pessoas que votaram em duas opções eu coloquei o voto nas duas. Só para deixar a limpo com você os números foram esses: Opção 1 - 12 votos Opção 2 - 2 votos Opção 3 - 7 votos. Enfim sem mais delongas, boa leitura! :)

Konohagakure no Sato amanheceu novamente escondida por entre grandes nuvens que em breve liberariam a imensa quantidade de água que carregavam ali. As rajadas de vento colidiam com as árvores, fazendo com que algumas folhas se desprendessem dos galhos e fossem guiadas pelas ruas já vazias da vila.

Havia apenas passado alguns dias desde o final da quarta guerra ninja, mas a natureza já encontrava maneiras de lidar com a grande quantidade de energia liberada durante o período, levando um fenômeno natural diferente para cada vila lidar, sendo as constantes chuvas fora de época o de Konoha.

As primeiras gotas começaram a cair, umedecendo a terra e o aroma gerado pela mistura desses dois elementos anunciava que a chuva havia iniciado.

Em poucos instantes os ambientes foram invadidos com o som do choque das gostas d’água contra os vidros das janelas, provendo uma ocasião perfeita para um cochilo. Contudo esse mesmo som que induzia algumas pessoas a dormirem, agora despertava um dos pacientes em recuperação no hospital.

Cada impacto da chuva lentamente o conduzia para a realidade até o ponto de forçá-lo a abrir os olhos para descobrir a fonte do som que lhe despertara. Não demorou muito para que seus olhos fossem atraídos pelas gostas d’água que deslizavam pelo vidro, disputando entre elas qual chegaria primeiro ao parapeito da janela.

Sentou-se no leito e observou com interesse a chuva, pois sempre achou fascinante o poder de criação e ao mesmo tempo de destruição que ela possuía. Dependendo de sua quantidade e local poderia fazer flores florescerem e animais cessarem a sede, como também conseguia provocar o desmoronamento de terras, soterrando vilarejos em instantes.

A mesma imprevisibilidade da chuva se assemelhava muito com o seu emocional, uma vez que conseguia sentir os pensamentos conflituosos dentro de si com a mesma intensidade que observava o vento da tempestade levarem as folhas para longe.

Desde que foi socorrido no Vale do Fim, após a luta contra Naruto, alguns pensamentos do antigo Sasuke ainda existiam e lutavam contra um novo que acabara de nascer. Nessa batalha interna cada lado tinha suas armas. Enquanto o antigo trazia os fatos que Konoha permitiu acontecer com sua família, o outro trazia imagens do time sete. Amor e ódio, os dois extremos disputavam a sanidade dele, provocando uma instabilidade de sentimentos que ele não podia descrever e muito menos apaziguar no momento.

Sentiu uma corrente elétrica percorrer o ombro esquerdo e terminar com uma pontada no que sobrou de seu braço, levou a mão até a região para tentar aplacar a dor. Contudo no fundo ele queria que ela continuasse por um bom tempo, pois somente através dela que ele conseguia silenciar os pensamentos que tanto lhe perturbavam.

Por isso fechou os olhos enquanto absorvia a dor no membro e a quietude em sua mente, logo considerava como um bálsamo esses breves momentos. Mas ele não durou muito, uma vez que seus instintos entraram em alerta ao ouvir um ronronado próximo, e só então ele percebeu que havia outra pessoa no quarto.

Sondou por toda a palidez do cômodo até seus olhos recaírem sobre os cabelos rosados decorando o lençol, percebendo somente uma pessoa teria os cabelos naquele tom. Sakura.

Lentamente um vinco se formou em sua testa enquanto ele tentava assimilar o motivo de não ter notado a presença dela desde que acordara. Não sabia dizer se os instintos dele estavam relaxando ao estar de volta à Konoha, ou se era porque todos os dias, desde foi internado, Sakura vinha lhe visitar, ficando até o anoitecer.

Observava a sutil distância entre o lábio superior e inferior dela enquanto o motivo das visitas diárias vinha lhe perturbar novamente. Ela não queria perdê-lo novamente. Desviou o olhar do rosto de Sakura ao sentir a raiva provinda dessa constatação lhe tomar lentamente, tornando o ar dentro dos pulmões cada vez mais denso e quente.

Ele sentia raiva por Sakura visitá-lo todos os dias, como ela pode fazer isso quando ele tentou matá-la? Naruto também; eles deviam tratá-lo com desprezo, ou no mínimo como um prisioneiro, o que de fato ele é. Pois não era justo ele querer ficar perto dela, ou de Naruto, quando sabia o quanto havia lhes machucado e magoado pouco tempo atrás; e os dois mais que todos deviam puni-lo por isso.

Direcionou o olhar para ela novamente, com a intenção de convencer de que o que pensava era o que realmente desejava, no entanto ao observar as feições dela, sentiu toda a raiva dissipar e um calor prazeroso aquecer o peito.

A constante dualidade de seus pensamentos e sentimentos era exaustiva, pois era obrigado a lidar com amor-ódio em frações de segundos. Sentia que estava em uma batalha interminável e quase eterna, e somente conseguia enxergar que teria um fim quando cedesse novamente para o sentimento que conviveu tantos anos, afinal o ódio era único caminho que não era desconhecido. Tudo que é novo dá medo e ele estava somente acostumado a sentir medo no campo de batalha e não em relação aos seus pensamentos.

De repente, um estrondoso relâmpago cortou o céu noturno fazendo a luz da luminária, do lado da cama, apagar-se. Apoiou-se mais aos outros sentidos uma vez que sua visão estava comprometida pela escuridão. Logo um cheiro férrico e fétido preencheu todo o quarto. Conhecia muito bem aquele odor, já havia presenciado e causado muitas mortes para saber o que esse cheiro significava. Sangue.

Os olhos vagavam por todos os cantos do quarto para encontrar algum indício de sangue, então outro relâmpago atingiu o solo, clareando todo seu quarto por alguns instantes, mas foi o suficiente para ele constatar que na verdade era Sakura que estava coberta pelo o que havia identificado.

Em estado de choque Sasuke tentou se levantar da cama para levar Sakura a alguém que pudesse ajudá-la, no entanto assim que tomou o impulso para sair da cama uma dor de cabeça tão forte fê-lo sentar-se novamente e instintivamente ele levou a mão até a região para aplacar a dor. A mão mal havia encostado no rosto quando sentiu um líquido gelado e viscoso lhe molhar a face, encarou a sua mão e percebeu que não era somente a Sakura coberta por sangue.

Encolheu-se quando as imagens de quando tentou matá-la no passado invadiram seus pensamentos, mostrando que a probabilidade de ele ter feito isso não era pequena. As lembranças logo foram envaidecidas ao sentir uma movimentação atrás de si, talvez ele não tivesse a machucado e o autor da ação ainda estivesse no quarto. E ele com certeza pagaria por isso quando fosse encontrado. Virou-se, preparado para atacar quem quer que fosse, contudo não havia ninguém, apenas uma parede branca lhe encarava de volta.

Ao virar o rosto novamente para frente, a face de Sakura ensanguentada se encontrava a alguns centímetros do seu. O susto o obrigou a recuar, mas quanto mais ele se afastava mais a o rosto de Sakura se aproximava do seu.

– Por que você fez isso, Sasuke-kun? Por que traiu Naruto e eu de novo? Naruto só queria te ajudar e eu te amar... – A voz magoada de Sakura cortava o silêncio perturbador instalado no quarto, os olhos dela capturavam os dele como imãs.

Sasuke sentia todo o seu corpo colado na cama, nada saia de seus lábios, parecia que todos seus músculos haviam sido paralisados. Arregalou os olhos ao perceber que Sakura se aproximava cambaleante, encurralando-o ao colocar as mãos em cada lado de seu corpo. A tensão da proximidade invadia todo seu corpo, o sangue circulava mais rápido, mas somente se sentiu rendido quando percebeu que o brilho no olhar dela se apagava a cada instante.

Sentiu o forte impacto do encontro da sua testa contra a dela, e quando meros milímetros os separavam ele percebeu que os olhos dela se tornaram tão negros quanto o seu, a profundidade deles o sugavam por completo, roubando cada parte do consciente enquanto ele observava os fios róseos dela sendo tingidos pela mesma negritude dos olhos.

Quando os olhos dela lentamente se fechavam, ele pensou que conseguiria retomar o controle sobre o próprio corpo, contudo não esperava que quem o encarava naquele momento era seu irmão, Itachi.

Finalmente sentiu o ar voltar para os pulmões, o oxigênio que alimentava os músculos lhe tirava totalmente do torpor. A adrenalina ainda corria pelo seu sangue, obrigando-o a pensar rápido, por isso procurou ao redor pela sua katana. Desembainhou a arma e sua mão logo envolveu o couro ressecado do cabo, metade do seu rosto refletido na lâmina em riste e o escarlate de um dos olhos destaca-se na escuridão.

Todos os sentidos em total alerta, esperando pelo momento certo de contra-atacar, pois não sabia quem era o inimigo, que decidira personificar Itachi; a única certeza que tinha era que quem quer que fosse pagaria caro por isso.

Os olhos percorriam todo o perímetro do quarto enquanto ele lentamente se levanta da cama. Cada canto do cômodo era analisado pelo sharingan, qualquer movimento e ele atacaria. Mas nenhuma evidência do esconderijo do inimigo era encontrada, até os olhos recaírem sobre as cortinas.

Aproximava-se rasteiramente delas, o choque da chuva contra a janela ajudava a ocultar os estalos da madeira contra o seu peso. A cada passo dado sentia o seu desejo por sangue aumentar, a tensão era tanta que seus olhos nem piscavam.

Quando estava a uma curta distância da cortina uma breve luz transpassou pelo tecido, um sorriso sádico surgiu nos lábios, afinal aquele tipo de jutsu jamais o limitaria a atacar, por isso partiu com velocidade total em direção ao inimigo.

Passou a lâmina em diagonal pelo tecido, esperando que junto com a queda da metade da cortina o invasor fosse revelado, contudo apenas encarou seu reflexo porcamente refletido pela janela. Somente percebeu onde estava quando seus olhos repousaram na horta da pousada da pequena aldeia onde estava hospedado.

Não estava em Konoha, e sim em Tsuchi no Kuni. Abaixou a katana enquanto girava sobre os próprios pés e constatou que aquele quarto não se assemelhava ao que, agora concluía, de seu sonho.

Sasuke caminhou em direção a cama enquanto pensava em como o pesadelo havia conseguido adentrar sua mente. Sempre tinha esse tipo de sonho, mas eram poucos que causavam esse efeito sobre si. O último a fazer isso foi antes de descobrir que Sakura havia sido sequestrada por um grupo em Konoha. Será que o instinto dele estava novamente o alertando que algo havia acontecido com ela? Afinal, por qual razão ele misturaria Sakura e Itachi no mesmo sonho?

Queria acreditar que Naruto, ou Kakashi, contariam para ele caso algo dessa gravidade acontecesse, contudo eles não informaram do sequestro dela. Sasuke somente descobriu o que havia acontecido com Sakura quando seus ouvidos foram capturados pela conversa de um viajante com outro sobre o estado de alerta na Vila da Folha, e que havia boatos que a razão para tal era o desaparecimento da kunoichi, que ajudara a acabar com a quarta guerra ninja.

Sabia que sua antiga companheira de time não seria derrotada facilmente, mas isso ainda não conseguia apaziguá-lo totalmente.

Por isso embainhou a katana antes de ir até o lado oposto do quarto, onde estava a mochila com alguns pergaminhos e pincel. Pegou um deles e umedeceu a ponta de pelugem e escreveu o necessário.

“Hokage Kakashi,

Estou voltando.

Sasuke.”

Dobrou o pergaminho e o fechou, antes morder seu único polegar até sentir um gosto férrico na boca, e em seguida realizou os selos para executar Kuchiyose no Jutsu¹. Descansou a palma de sua única mão no chão polido e instantaneamente surgiu uma pequena cortina de fumaça, e um falcão de pequeno porte surgiu no local onde sua mão uma vez esteve.

– Entregue esse pergaminho para o Hatake Kakashi – disse após entregar o pergaminho ao falcão e liberá-lo para a viagem.

¹ Técnica de Invocação

Notas finais
Espero que tenham gostado e em breve eu posto o segundo capítulo, não darei um prazo, pois talvez eu não cumpra, mas prometo que não demorará um ano como antes! Beijos, obrigada por acompanhar a fanfic ♥ Um beijo especial para a beta Lady Lovegood ♥ Obs.: a parte onde eu menciono um sequestro de Sakura, realmente aconteceu na novel Sakura Hiden. Se quiserem ler é uma novel muito boa e tem alguns detalhes de SasuSaku.