Meu Recomeço

2 Capítulo Dois


Notas iniciais
Olá, meus antigos e novos leitores! Eu trouxe um novo capítulo para tirar o tédio de vocês nessa quarentena. Boa leitura. ;*

Enquanto observava a figura do falcão distanciando-se lentamente com o pergaminho preso em suas garras, Sasuke sentia o coração martelando denso no peito. Afinal, a mensagem que mandara para Konoha pareceria simples, mas para ele representava o início de seu recomeço.

Pois por trás daquelas palavras havia um recado muito sutil e somente os reais envolvidos saberiam o que implicava o seu retorno para a Vila da Folha. Como seria conviver com o seu antigo time novamente? Como seria ter contato diário com Sakura? Seria tão intenso e amedrontador quanto na puberdade?

Respirou fundo quando a brisa refrescante tocou o rosto, tirando todos os fios negros que escondiam o rinnegan. Fechou os olhos, absorvendo todas as sensações e sentimentos dentro de si, até que dois olhos grandes, arredondados e cobertos por grandes cílios tomaram sua mente. Estes estavam fechados, mas Sasuke não precisava de nenhum detalhe a mais, pois sabia a quem aqueles olhos pertenciam.

Os longos cílios se distanciaram um do outro, revelando as pupilas negras envoltas pelas írises esverdeadas dela. E foi quando os olhos de Sakura opacos do seu pesadelo substituíram os brilhosos em sua mente.

Sasuke abriu os olhos de súbito afim de escapar daquela cena. Ele tinha que retornar o quanto antes e ter certeza de que não passava de um pesadelo no fim. Então não tardou em recolher todos os pertences no quarto, guardando tudo na mochila antes de separar a capa bege e sua roupa de viagem. Não tinha tempo a perder.

Ele desceu lentamente as escadas até a recepção, esperando que estivesse vazia para somente deixar o dinheiro referente a sua estadia e partir. Porém, antes dos pés chegarem ao penúltimo degrau, ele já teve um vislumbre do coque grisalho por trás da grande mesa que separava a sala de estar e a recepção.

Sasuke fitava a pequena figura de Naoko organizar os documentos da hospedagem enquanto enxugava o suor que escorria pela testa. Os pequenos olhos, já envoltos por marcas da idade, sondavam as folhas de papéis antes de arquivá-las. Quem não a conhecia diria que era uma senhora ativa e espirituosa, contudo quando ele pisou pela primeira vez no pequeno estabelecimento, ela estava cabisbaixa e com grandes olheiras pesando no rosto.

Durante os primeiros dias da hospedagem, Naoko lhe contou que havia perdido o único filho durante a grande guerra ninja e por isso não tinha alguém para aguardar o retorno, pois o marido falecera há muitos anos. Depois das primeiras semanas ela sempre o parava antes de ele sair para conversar. Como Sasuke nunca falou, sempre ouvia e apenas acenava ou concordava com o que Naoko contava. E na última vez, ela confessou que ele havia trazido a felicidade para a vida dela novamente, pois agora ela tinha alguém para receber.

Por isso Sasuke queria partir sem despedidas, pois ele já esteve na mesma situação de Naoko e sabia o sabor amargo que a solidão causava. Então por essa razão não queria dar a notícia que estaria partindo e que ela estaria sozinha novamente.

Preparando-se para encará-la, Sasuke respirou fundo antes de descer o último degrau que rangeu sobre seu peso, anunciando a sua presença.

— Ohayou Gozamaysu¹, Sasuke-san. — Naoko o cumprimentou sorrindo enquanto o observava se aproximar e acenar sutilmente. — Já vai partir? — perguntou no mesmo instante em que viu a mochila pendurada no ombro.

— Hai.

— Mas pelo menos coma algo antes de partir. — E sem esperar uma resposta, Naoko já foi em direção a cozinha para preparar o desjejum.

Sasuke observou a mulher sumir pela porta enquanto retirava mais que o suficiente em dinheiro para pagar as despesas de sua estadia. Sasuke se atentou aos sons vindos da cozinha para ter certeza de que Naoko não sairia em breve, para assim partir sem se despedir.

Andou em longos passos até a estrada mais próxima, mas antes de desaparecer por entre a vegetação, ouviu a voz de Naoko chamando por ele. Assim que virou em direção, viu a senhora caminhar apressadamente em sua direção com um obentô em mãos.

— Sasuke-san, o seu desjejum, você esqueceu! — disse sôfrega ao parar a sua frente.

— Naoko, não precisa se preocupar, darei um jeito durante a viagem. — Sasuke observava o obentô estendido em sua direção.

— Querido, mas você tem que se alimentar, afinal é uma longa viagem até sua vila natal. — Ele arregalou os olhos. Como ela sabia para onde ele estava indo? — Já sou uma mulher de idade, eu já havia observado em como você estava taciturno durante esses últimos dias. Você precisa retornar para sua família, e eu entendo, eles já devem estar sentindo sua falta. — Naoko esticou o braço mais uma vez, indicando para ele pegar a refeição que fizera.

Sasuke pegou o obentô antes de acenar levemente, agradecendo o gesto da senhora.

— Não precisa me olhar assim, Sasuke-san. Eu ficarei bem, ter você por perto durante esses dois meses ajudou-me bastante. Já consigo caminhar pela vila sem pensar no meu filho e por isso eu sou imensamente agradecida. — Naoko terminou esboçando um sorriso singelo, mas que não diminuía o carinho que sentia para com ele.

∾ ♡ ∾

⇝ Konohagakure no Sato dez dias depois.

Os tons do pôr do sol transpassavam a fina espessura do vidro, trazendo tons alaranjados para as paredes cinzas e levemente amarelas pelo tempo. As grandes estantes organizadas em fileiras lentamente deixavam o ambiente mais escuro, devido as sombras projetadas aumentarem com a posição do sol. Mas mesmo com todos os indícios que o dia estava caminhando para seu fim, Sakura continuava mergulhada por entre as páginas de mais um livro de medicina.

Ela estava tão concentrada em descobrir mais sobre a doença que Tsunade lhe recomendou que mal percebera a aproximação da bibliotecária até ela chamá-la e anunciar que em breve a biblioteca fecharia.

— Desculpa, já estou de partida — Sakura respondeu após se recompor do breve susto que tomara. — Poderia me dizer que horas são, Sumire-san?

— São seis horas da tarde, Sakura-san — a jovem, de longos cabelos loiros e olhos castanhos, respondeu após olhar o relógio de punho.

— Kami, estou atrasada! — Levantou-se abruptamente ao mesmo tempo em que empilhava os livros sobre a mesa.

— Pode deixar, eu termino de arrumar aqui.

— Obrigada! — Sakura respondeu, já recolhendo seus pertences e colocando de qualquer jeito dentro da bolsa de colo.

Mal passou pelas portas da biblioteca e foi arrebatada por uma grande quantidade de pessoas caminhando por uma das vias principais de Konoha, constatando assim que não chegaria a tempo de encontrá-los do outro lado da vila se fosse pelos meios comuns.

Então caminhou até o prédio mais próximo antes de concentrar o chackras nos pés e subir até o topo e assim saltar por entre as construções.

Após uma dezena de telhados, já conseguia ver a tenda do Ichiraku ramen e a figura de Kakashi adentrando o restaurante, evidenciando que de fato ela estava mais que atrasada para o encontro. Logo não demorou para acelerar o passo e em poucos instantes já pousava a alguns poucos metros de distância da entrada.

Mal passou pela abertura da tenda e a voz de Naruto pode ser ouvida. Ele estava sentado ao lado de Hinata, e falava energeticamente sobre algo que não conseguia ouvir. Mas deveria ser alguma baboseira dele, pois do outro lado da mesa Ino escondeu o rosto com uma das mãos antes de mandá-lo calar a boca.

— Seja gentil, linda. Naruto tem pinto pequeno e temos que ser gentis com pessoas nessas condições. — Sakura ouviu ao se aproximar do grupo, enquanto via Hinata tentar conter Naruto de pular em cima da mesa para socar o Sai, que estava ao lado de Ino.

— O que vocês dois estão aprontando? Vou precisar batê-los de novo essa semana? — Sakura disse ao parar na ponta da mesa e cruzar os braços, tentando conter o sorriso em seus lábios.

— Sakura-chan! Você finalmente chegou! — Naruto se levantou no assento, esquecendo-se da discussão com o Sai. — O Kakashi-sensei queria começar a comer sem você, mas eu não deixei, falei para te esperarmos.

— Cala a boca, Naruto! Você que estava quase pedindo a comida antes da testuda chegar — Ino gritou do lado da mesa, forçando Kakashi, que estava ao lado de Hinata, colocar a mão na testa pelo escândalo dos dois.

— Pessoal, não vamos brigar — Hinata disse baixo, tentando acalmar os ânimos de todos. – A Sakura chegou, então podemos já fazer os pedidos.

Sakura se sentou ao lado de Sai e enquanto o grupo comia, Hinata e Naruto contavam os detalhes do casamento. Após muitas vasilhas de rámen empilhadas na mesa e inúmeras discussões banais, todos decidiram que já era hora de irem para casa.

Ao saírem da tenda, encontraram as ruas de Konoha vazias e as parcas luzes dos postes impediam que eles não estivessem em total breu.

— Nossa, estou morta, preciso dormir. Ainda mais que amanhã tenho que abrir a floricultura cedo, então vou indo para casa — Ino disse antes de acenar para todos.

— Eu te acompanho até em casa, linda — disse Sai, deixando-a com o rosto corado, pois mesmo depois de todo esse tempo, Ino ainda não havia se acostumado quando ele a chamava dessa maneira.

— Hai, Sai-kun — disse Ino ao se recompor de sua breve e rara timidez, virando-se para ir embora.

—Tchau, feiosa, sem pinto e peituda — Sai disse antes de ir atrás de Ino.

Mesmo Sai melhorando muito depois da convivência com Sakura e Naruto, às vezes ele esquecia, ou brincava com eles. Eles ainda não sabiam identificar qual, quando ele os chamavam por esses apelidos.

— Acho que já vou também — Sakura disse após olhar o casal se distanciar e se virar para Naruto e Hinata. Kakashi já havia partido no meio da noite com a desculpa que tinha que resolver alguns problemas administrativos, mas todos sabiam que ele na verdade foi terminar de ler o último livro Icha Icha Paradise.

— Não, Sakura-chan, está tarde. Eu e a Hinata te acompanharemos até sua casa — Naruto respondeu enquanto segurava na mão de Hinata.

Os olhos dela logo foram direcionados às mãos entrelaçadas dos dois, e não pode conter um sorriso tímido se formar nos lábios; estava feliz que Naruto encontrou alguém que o fizesse feliz. Mas logo a insegurança e medo de que talvez nunca vivenciaria esse tipo de situação encolheu seu peito e o sorriso no rosto.

Afinal, Sasuke ainda não havia dado indício algum que retornaria e Sakura somente conseguia pensar nele como seu par romântico. Contudo sempre em situações como essa, onde percebia que grande parte dos amigos estavam se apaixonando ou apaixonados, ela duvidava se realmente um dia ele retornaria. E se retornasse, Sasuke corresponderia a seus sentimentos?

— O que foi, Sakura-chan? — Naruto lhe tirou de seus devaneios.

— Nada. — Sakura chacoalhou a cabeça antes de continuar e voltar para a realidade. — Larga de ser baka, Naruto! Eu sou uma kunoichi e sei me proteger sozinha. — Socando a própria mão, enfatizando o que dissera.

— Certeza, Sakura? Não tem problema nenhum a gente te acompanhar — Hinata reforçou de modo gentil olhando para a ela.

— Sim — confirmou com um sorriso confiante, esperando que a discussão fosse encerrada, e assim poderia ficar sozinha para entender o que acontecia com seus sentimentos. — Vou indo, Ja Ne². — Despediu-se antes de Naruto insistisse em acompanhá-la, e começou a caminhar em direção ao seu condomínio.

Enquanto ela caminhava até seu apartamento, os pensamentos que ela tanto queria entender começaram a emergir. De início de forma desconexa, tornando sua mente em uma tempestade de sentimentos que faziam seu coração martelar densamente no peito.

Sakura respirou fundo, tentando usar uma das táticas que praticava com as crianças da ala psiquiátrica do hospital, e assim organizar tudo que sentia para aplacar essa ansiedade que repentinamente surgira.

Com a mente mais calma, o primeiro pensamento que emergiu foi de Sasuke e em seguida da incerteza se um dia ele retornaria para Konoha. Depois expectativas dele retornando e como seria tê-lo de volta a sua rotina. Será que impactaria o seu trabalho ou projetos no hospital? Afinal, ter Sasuke tão próximo poderia trazer à tona sentimentos tão intensos e que a fariam agir como uma adolescente? Pois a presença dele sempre a abalara.

Mas o que realmente a inquietava era a incerteza de como seria a relação dos dois, depois de tanto tempo distante. Isso impactaria a relação deles? Será que ele seria aberto com ela como era quando ainda estavam no mesmo time?

Sentiu o coração falhar uma batida, quando a última e mais íntima pergunta surgiu, será que ele a amaria na mesma intensidade que ela o ama? Essa dúvida trazia sentimentos muito intensos e ambíguos, pois ao mesmo tempo em que se via feliz de isso acontecer, também sentia um medo extremo de como seria amar e ser amada pela mesma pessoa.

Com a mente tomada por tantos pensamentos e sentimentos, o corpo se movia em modo automático até seu apartamento. Subia as escadas do prédio até o segundo andar e foi somente quando parou em frente a porta que assimilou que havia chegado ao seu destino. Sakura procurou na bolsa de colo pela chave, antes de encaixá-la na fechadura e revelar o pequeno apartamento que adquirira recentemente.

Logo na entrada havia um pequeno móvel de madeira escura, onde ela guardava os sapatos que usava na rua e a bolsa. Atrás estava a sala de estar, separada por um degrau da entrada, onde tinha um confortável sofá claro de dois assentos e uma poltrona da mesma cor ao lado, ambos de frente a uma televisão apoiada ao móvel branco, que contrastava com o chão de madeira escura de todo o apartamento.

Atrás da televisão havia uma bancada, onde dois bancos eram posicionados de frente para a cozinha completamente branca, criando uma leve distinção com as paredes rosa claro do cômodo. Este agora era parcamente iluminado pela luz dos postes da rua que adentravam o fino vidro da janela posicionada entre a cozinha e a sala de estar.

No fundo conseguia ver três portas no corredor, a do meio era a do banheiro a da direita seu quarto e a última a área de serviço.

Sakura adentrou o apartamento, desvencilhando-se dos sapatos e da bolsa, e sem acender qualquer luz, caminhou em direção ao banheiro; precisava tomar um banho para retirar todas tensões que sentia pelo corpo.

Acendeu a luz do banheiro, revelando as paredes de tons azul claro, ornando com a pia branca.

Desvencilhou-se das roupas antes de entrar no chuveiro e sentir a água quente chocar com todos os nós nas costas formados de ficar tanto tempo sentada na biblioteca. Os sons do chuveiro trouxeram a calmaria que precisava, mas junto dela trouxe também uma erupção de lágrimas. Essas carregavam todo o medo e insegurança que Sakura escondia de todos, e somente quando estava sozinha se permitia ter os momentos em que demonstrava o quanto era afetada pelo até então não retorno de Sasuke.

Já de pijama e pronta para dormir, Sakura seguiu para seu quarto, onde a decoração não destoava do resto do apartamento. A cama de casal branca tomava grande parte do cômodo, o armário branco ao lado da cama era iluminado no momento pela fraca luz da rua que, entrava pela janela do lado oposto, revelando o lilás claro nas paredes.

Deitou-se na cama e mergulhou para dentro das cobertas, virou-se na direção da janela tentando encontrar o sono enquanto contemplava a bela lua cheia no céu estrelado.

— Onde será que Sasuke está agora?

Sakura mal terminara de pronunciar o nome dele, e o momento da despedida deles invadiu seus pensamentos junto com os todos os detalhes. Pode sentir novamente o vento refrescante do início de primavera tocar a face enquanto observava os dedos de Sasuke aproximando de sua testa, antes de ele prometer que a veria em breve.

Se ele prometera que logo voltaria, não teria razões para ela duvidar disso, afinal, Sasuke não era alguém de soltar promessas ao vento. Com esse fio de esperança lhe aquecendo o peito, ela pode confidenciar algo a lua, na esperança de que ele estaria do outro lado:

— Espero que um dia você volte para sua casa, Sasuke-kun. E eu ainda te direi Okaeri para você saber que aqui é o seu lar.

¹ Bom dia

² Até mais

Notas finais
Meu Recomeço terá bem essa discussão dos sentimentos de ambos, então será bem água com açúcar até o meio da fanfic, pois terá cenas de ação perto do seu encerramento. Enfim, quem leu, quando postei alguns capítulos há três anos, sabe que eu foco muito mesmo nas batalhas internas de cada um, pois gosto muito de imaginar como a relação deles se desenvolveu a ponto de se tornarem marido e esposa. Então peço paciência mesmo, mas garanto que no próximo o Sasuke chegará em Konoha e a vida dos dois mudará um pouco. Outra coisa que foco muito é me manter quase fiel a personalidade dos dois, não posso ser totalmente, pois não sou o autor original da obra, assim sendo peço caso vocês achem que alguma atitude não condiz com a personagem, alertem-me pelos comentários. Eu sou extremamente aberta a crítica e sugestões. Isso é tudo pessoal! Até a próxima! Não se esqueçam de lavas as mãos, passar álcool em gel, usar máscaras e manter dois metros de distância de pessoas que não moram na mesma casa que a sua. Espero que todos os seus familiares e vocês estejam bem. E tenham paciência isso tudo vai acabar logo. Beijos :**
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.