Meu Querido Padrasto
13 Sempre você!

O dia está frio, como se respondesse ao momento da minha vida. O vento bate em meu rosto e fecho os olhos. A primeira imagem que vem em minha mente abala meu coração. Meu pai sorrindo para mim, pegando-me no colo e me rodando no ar. Minha mãe rindo enquanto preparava nosso piquenique e nos admirava. Abro os olhos e suspiro. Olho para o retrovisor interno do carro e observo minha mãe me encarando, mais ao contrário de admiração eu vejo decepção.
Abaixo a cabeça e seguro a lágrima que teima em querer descer. Sinto minha mão esquentar e meu coração se acalma. Chris segura com força a mesma, passando-me apoio. Olho-o rapidamente e sorrio de canto. Ele não me olha, se mantem focado no trânsito, mais aperta mais a minha mão.
Os minutos passam mais rápido do que eu poderia querer e chegamos ao destino final. Chris estaciona o carro e desce indo até o fundo e abrindo a porta pra ajudar minha mãe descer. Ela se apoia nele e eu desço pegando todos os pertences do carro. O loiro segura-a firmemente enquanto caminhamos para o elevador. O silêncio está se tornando cada vez mais insuportável. Enfim chegamos ao apartamento e o loiro coloca a mulher cuidadosamente sentada no sofá. Respiro cansada e coloco suas coisas no chão.
— Você nunca me trouxe aqui. — Minha mãe diz olhando ao redor. — Poderíamos ter morado aqui ao invés da minha casa. É realmente muito espaçoso. — Finaliza.
— Eu não tinha esse apartamento quando te conheci. — O loiro responde.
— Por isso tínhamos que namorar na casa de seus pais como dois adolescentes. — Gargalha como se estivesse de provocação. Eu não conhecia esse lado dela. — Bons tempos. — Balbucia.
— Você deve está cansada. — Resmungo. — Vou arrumar seu quarto. — Ela me olha sem expressão. — E algo para você comer.
— Eu te ajudo a levar as coisas para o quarto. — Chris diz pegando as sacolas do chão e me seguindo até o quarto de hóspedes. — Acha que vai conseguir lidar com isso. — Ele pergunta colocando as coisas no chão e se aproximando de mim. Ele pega minhas mãos e me olha nos olhos.
Suspiro e sorrio fraco. — Posso tentar. — Ele sorri assentindo e me puxando para um abraço. Eu me conforto em seu abraço e é como se todos os problemas sumissem.
— Eu tive tanto medo de perder novamente. — Sussurra beijando o topo da minha cabeça e eu me aperto mais a ele, esperando que ele entenda somente com isso que eu não irei sair dos seus braços.
— Não vai.
***
Limpo o chão do quarto e arrumo a cama o suficiente para ela se sentir confortável em casa. Saio do quarto e volto para sala. — O que quer comer? — Pergunto e ela dá de ombros. — Posso fazer aquele macarrão com molho branco que me ensinou...
— Eu deveria ter te ensinado outras coisas ao invés de cozinhar. — Diz num tom ofensivo. — Tipo, como não roubar o que é dos outros.
Respiro fundo e molhos os lábios. — Eu vou fazer o macarrão. — Ignoro-a indo para a cozinha. Eu preciso de um copo de água, urgente.
— Está tudo bem? — Chris adentra a cozinha se aproximando a pondo sua mão em meu ombro. — Você está quente.
— Eu só preciso de um banho. — Respondo. — Vou pôr o macarrão no fogo e tomarei uma ducha rápida. — Ele assente e aproxima seu rosto, depositando um selinho em meus lábios. — Vai ficar para almoçar? — Pergunto quase implorando.
— Infelizmente, não posso. — Suspira. — Tenho que resolver coisas na empresa, mas prometo voltar o mais rápido possível.
— Fique tranquilo.
— Não vou te deixar sozinha nessa, prometo! — Eu rio assentindo e ele deposita outro selinho em meus lábios.
***
Abro a porta do quarto e observo a mulher dormindo tranquilamente na cama. Por um instante, eu sinto falta de tudo que tínhamos antes de desmoronar. Como deixamos chegar a esse ponto, mãe? Suspiro e fecho a porta. Caminho até meu quarto e retiro minhas roupas, seguindo para o banheiro. Eu preciso de um banho quente para relaxar.
Não sei quanto tempo fiquei embaixo do chuveiro, mas me sinto melhor fisicamente. Saio do banheiro e visto uma camisola de seda preta, jogando-me na cama em seguida. Ligo a Tv e me aconchego nos cobertores.
— Como você está? — Ouço sua voz agradável e observo o loiro na porta, me observando. — Parece cansada.
— Dividir a casa com alguém que te considera um inimigo é bem...
— Intenso. — Completa.
Suspiro. — E insano.
— Já te faço companhia. — Resmunga indo para o banheiro. Assinto e em questão de minutos, ele está de volta vestido apenas em uma calça moletom. — Isso vai passar. — Diz se jogando na cama e me envolvendo nos braços.
— É estranho. — Bufo. — A pessoa que lhe deu a vida e que você sempre confiou, se tornar a pessoa que mais lhe odeia na vida.
— Eu juro que se eu pudesse eu tinha evitado isso. — Acaricia minha cabeça e eu me aconchego mais em seus braços.
— Bom... — Me afasto para olhá-lo. — Aí teríamos que ter evitado de nos apaixonarmos. — Ele nega sorrindo e eu arregalo os olhos sem entender.
— Eu teria te conhecido antes e eu te juro, você seria minha desde já. — Responde e eu sorrio. Eu amo esse homem! Ele me puxa e deposita um beijo em meus lábios. — O que acha que amanhã saímos para jantar? Nunca tivemos um encontro de verdade, afinal.
— Verdade. — Sorrio. — Mais e ela?
— Ela está bem, sabe se virar algumas horinhas.
— Tudo bem, mas... — Brinco.
Ele gargalha. — Mas?
— Só se você topar assistir uma série comigo agora. — Digo pegando o controle da Tv e procurando por algo. Ele geme.
— Romance? — Debocha.
— Algo quente.
— Pra isso não preciso de série. — Devolve pegando meus braços e me deitando na cama. Grito rindo. — Já estou pegando fogo. — Gargalho.
JENNIFER FOSTER
Eles esqueceram que não estão sozinhos. Eles esqueceram que antes aquele era meu lugar. O corredor está escuro, mais a luz da Tv ilumina seus corpos. A porta aberta mostra a cena que eu mais pedi para não ver. O homem está nu entre o meio das pernas da garota que coloquei no mundo.
Ele estoca com vontade nela, como nunca fez comigo. Ela geme como se o mundo fosse apenas dela. Ele beija seu pescoço como se não houvesse nada mais delicioso, ela arranha suas costas como se quisesse deixar sua marca registrada. Ele geme, grita, ofega. Ela o empurra, ficando por cima e senta sobre aquilo que um dia eu sentei. Ele segura em seu quadril como se implorasse por mais. Ela acelera o ritmo e meu coração acelera junto. Ele se senta, alcançando seus seios, como se necessitasse disso.
Ela grita, uma lágrima escorre dos meus olhos. O que eu estou fazendo? Deixo meu corpo ceder e me sento no chão, sentindo-me fraca. Os gemidos deles escondem meus soluços. Fecho os olhos e me deixo viajar nas lembranças.
Flash On
Fazia muito tempo que eu não tirava um tempo para caminhar á noite. E eu realmente sinto falta disso. Saio do trabalho sentindo o frio tocar minha pele. Respiro fundo com a sensação de paz e liberdade. Caminho vagarosamente pela rua, observando as pessoas indo e vindo conversando e rindo. Todos com seus problemas, mas seguindo em frente. Era o que eu precisava também.
— Se eles conseguem, eu também consigo. — Resmungo sozinha colocando as mãos dentro do casaco. Sorrio me tocando de que estou conversando sozinha no meio da rua. E por um instante dou mais um passo, sentindo meu salto prender-se no chão. Meu corpo desiquilibra e cai pra trás, porém o tombo não vem.
— Cuidado madame. — Olho para cima e vejo um homem com lindos olhos azuis, cabelos loiros feito de anjo e um sorriso torto de tirar o fôlego. Ele me segura com ambos os braços e impediu minha queda. — Você está bem?
Pisco acordando do transe e me recomponho. — Sim, obrigada. — Respondo arrumando meus cabelos. Ele sorri.
— Uma mulher como você não deveria andar sozinha na rua uma hora dessa. — Diz e eu engulo em seco. Ele pisca.
— Como eu?
— Bonita e um pouco desastrada. — Brinca e eu rio, sem graça.
— Verdade. — Mordo o lábio. — Talvez eu precise de companhia. — Flerto e ele assente sorrindo. Ele tem um sorriso lindo.
— Seu marido deve ter cuidado. — Responde.
— Viúva! — Digo repentinamente.
Ele arregala os olhos e me olha docemente. — Á proposito, sou Chris Evans! — Me estende a mão e eu pego a mesma.
— Jennifer Foster! — Nossas mãos juntas, transmitem um choque em meu corpo.
Flash Off
Não posso ser a única que sentiu algo enquanto estávamos juntos. Éramos felizes, nos amávamos. Ele me queria. Olho para o quarto e observo os dois se abraçando e se beijando. Ele me quis da mesma maneira como hoje quer ela. Por um instante penso no pai de Lauren e meu coração aperta. O que eu faço com nossa menininha?
LAUREN FOSTER
— E aonde ela está nesse momento? — Samanta pergunta. — Você não foi a faculdade hoje e não atendeu nossas ligações, por isso viemos aqui.
— Não me diga que ela piorou. — Charlie resmunga sem me dar tempo para resposta.
— Cala a boca! — Matt diz irritado.
Bufo. — Querem me deixar falar? — Grito e eles param. — Obrigada! — Rio. — Ela está no quarto. — Respondo olhando para Sam. — E não, ela não piorou. — Completo olhando para Charlie.
— Não vai pôde ir na faculdade esses dias? — Matt pergunta carinhosamente e eu dou de ombros. — Aonde está aquele cara?
— Ele precisa trabalhar. — Resmungo.
— Lauren, eu não queria está na sua pele. — Charlie brinca indo até a cozinha, abrindo a geladeira e pegando uma lata de Coca-Cola.
— Você não está ajudando. — Suspiro. — Mais realmente não está sendo fácil para mim ficar nessa situação. — Completo e Samanta me puxando para um abraço.
— Também não considero a melhor coisa do mundo ter que está aqui. — Uma voz soa no fim do corredor atraindo nossos olhares.
— Sra. Jennifer... — Matt se levanta. — Deixa que eu te ajudo. — Ele caminha até minha mãe e oferece a mão. Ela o olha com desprezo.
— Posso me virar sozinha. — Cospe desviando de seu corpo e indo para cozinha. — Aonde está meu esposo? — Pergunta dando ênfase.
— Não seria Ex? — Charlie solta debochadamente e Samanta dispara um tapa em seu braço. — Que foi que eu fiz?
— Ainda estamos casados legalmente. — Ela me olha enquanto diz. — E é assim que planejo ficar por um longo tempo, então... — Me devora com os olhos. — Ele continuará sendo MEU esposo.
— E... — Sam tenta iniciar algo. — Como está? — Pergunta atraindo a atenção da minha mãe. — Ficamos muito preocupados.
Ela sorri. — Poderia estar melhor, querida!
***
O resto da tarde correu tranquilamente. Ela não saia do quarto enquanto estávamos apenas nós duas na casa e não sei se deveria achar isso bom ou ruim. Meu celular vibra encima da mesa de centro e eu pego-o rapidamente.
“Não se esqueceu do nosso jantar, não é mesmo?! Te pego as 20hs! “
P.s — Te amo hoje e sempre.
A mensagem de Chris reluz na tela e eu sorrio instantaneamente. Olho para o horário no canto da tela e me assusto. Falta apenas uma hora para isso. Levanto-me rapidamente e corro para o banheiro. Preciso está impecável para ele.
Opto por um vestido vermelho justo e com mangas caídas nos ombros. Separo um salto preto e uma bolsa de mão vermelha. Termino meu banho e tento fazer uma maquiagem natural, porém que marque bem meus olhos. Penteio os cabelos, deixando-os soltos, passo perfume e visto a roupa.
— Por que está nervosa? — Pergunto a mim mesma. — É somente um encontro. — Respiro. — Merda, meu primeiro encontro com ele. — Tremo.
Olho-me no espelho novamente e sinto o vibrar de meu celular. Ele está aqui! Respiro fundo mais uma vez e saio do quarto. — Ficarei sozinha? — Uma voz me pega de surpresa e encaro a mulher sentada no sofá.
— Só... Só por algumas horas! — Gaguejo.
— Ótimo.
Fria. Assinto e caminho para fora do apartamento. Eu preciso muito respirar um ar que não seja o mesmo que o dela. Dentro do elevador eu luto para controlar o nervoso. As portas se abrem revelando o loiro vestido em um terno preto, cabelos bem penteados e um sorriso glamoroso. Agradeço por eu ter me arrumado.
— Conseguiu ficar ainda mais linda. — Diz se aproximando de mim e depositando um beijo em meus lábios. Sorrio e ele me acompanha até o outro lado do carro, abrindo a porta para mim. Adentro seu carro e ele volta, fazendo o mesmo. — Pronta? — Assinto.
CHRIS EVANS
Consigo decifrar o nervoso em seus olhos e tudo isso, porque também estou da mesma maneira. Realmente estamos no nosso primeiro encontro. Abro a porta do carro e ajudo-a a descer. Ela pega minha mão, sorrindo e ambos caminhamos para dentro do restaurante. — Gostou? — Pergunto.
— Sim. — Responde me olhando carinhosamente.
— Sr. Evans! — O garçom nos encontra na porta, nos guiando até nossa mesa. — Posso trazer o cardápio? — Pergunta enquanto puxa a cadeira para Lauren, que se senta graciosamente.
— Por gentileza. — Respondo me sentando de frente para mesma.
— Não tem muitas pessoas. — Ela diz olhando em volta. Há apenas algumas pessoas jantando essa noite. Assinto.
— Com licença... — O garçom volta nos oferecendo o cardápio. — Gostariam de começar com um vinho? — Pergunta.
— Qual nos sugere? — Pergunto.
— Sugiro um dos nossos mais importantes... — Responde me olhando sugestivo. — Com tutto il mio cuore! — Sorrio assentindo e ele sai indo buscar.
— Tudo bem que não entendo nada de vinhos, mas nunca ouvi um vinho com esse nome. — Lauren diz rindo e eu acompanho-a.
— Permitam-me! — O garçom volta com duas taças e a garrafa de vinho. Ele nos serve. — Desejam algo para degustar? — Pergunta. — Hoje estamos com uma especialidade nova. — Complementa. — Chama-se Ti scongiuro.
— O que é isso? — Lauren ri.
— Podemos experimentar. — Respondo e ele assente. Lauren me olha sem entender. — Parece que é um nome em italiano. — Explico e ela abre a boca, assentindo. — Então, estou fazendo sua noite um pouco melhor?
— Com certeza. — Ri. — Estou até aprendendo italiano. — Brinca e eu coloco meu braço sobre a mesa, pedindo por sua mão. Ela carinhosamente me estende a mesma e entrelaça nossos dedos.
***
— Então, gostou da comida? — Pergunto assim que finalizamos de comer. Ela assente bebericando um gole do vinho, estamos quase no fim da garrafa.
— Com licença... — O garçom se aproxima. — Desejam a sobremesa? — Olho para Lauren e ela dá de ombros. — Se não estiver sendo muita intromissão, poderia sugerir novamente?
— Claro.
— Sugiro a Sii Mio. — Diz. — Tem um toque de chocolate para adoçar como o amor e uma gota de pimenta para aguçar como o desejo. — Explica.
— Aceitamos. — Lauren responde e ele assente se retirando. — Parece que você é muito importante aqui, estão fazendo de tudo para lhe agradar.
— E eu a você. — Respondo.
— Está conseguindo. — Revida.
— Aqui está. — O homem volta nos servindo. Em alguns segundos, finalizamos o prato. — Mais alguma coisa, senhor?
— Só nos traga a conta, por favor. — Respondo e ele assente. — Lauren, fique um os últimos gole do vinho, estou cheio. — Ela assente se servindo do mesmo na taça e bebericando.
— Aqui está, senhor! — O homem me entrega a conta. Eu olho-a rapidamente e sorrio de canto. Me levanto.
— Vou realizar o pagamento e volto. — Eu explico e ela assente enquanto continua bebericando do vinho. Vou até o caixa, acompanhado do garçom. — Gostaria de agradece. — Resmungo para o mesmo que assente.
LAUREN FOSTER
O vinho realmente é muito bom. Beberico vagarosamente saboreando os últimos gole do mesmo. Coloco o último gole na boca e de repente foco no papel encima da mesa. Chris foi pagar a conta e não levou a mesma. Pego o papel nas mãos e no mesmo instante sinto algo duro na boca. Levo a mão até a mesma e pego o objeto com os dedos. É como um flash, meus olhos encaram o papel, aonde está escrito “Case-se comigo!” e depois o objeto em minhas mãos. Um lindo anel de noivado.
O tempo parece congelar. Olho para trás procurando pelo loiro e lá está ele, sorrindo para mim e vindo em minha direção carregando um buquê de rosas vermelhas, como um príncipe encantando. Meu coração acelera. Ele chega finalmente perto de mim e uma melodia começa tocar no fundo. Ele me entrega o buquê e se ajoelha ao meu lado e pega a garrafa de vinho, me mostrando o verso.
— Com todo meu coração... — Ele lê o que está escrito no vinho. — Eu te imploro... — Aponta para o nosso prato de refeição me fazendo entender que aquela era a tradução. — Que seja minha...- Aponta para sobremesa. Meus olhos enchem de lágrimas. — E se case comigo... — Pega o anel de minhas mãos e me estende. Uma lágrima escorre dos meus olhos. Ele programou isso tudo. — Porque sempre será você!
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